Anti-Heróis
36 Simplesmente Não Consigo
Notas iniciais
Edward Cullen
Nós estávamos tentando, mas deixando tudo ir com calma. Era irônico pensar deste modo porque já havíamos transado, mas acreditávamos que a intimidade era muito mais do que isso. Por isso cada um continuou a dormir no seu próprio quarto e mantivemos aquela tentativa de relacionamento em segredo para que fizéssemos dar certo sem a opinião alheia.
Desde a ida à boate, nós estávamos lidando com todo o tipo de matéria. A mídia podia ser bem... Complicada quando queria, por isso mantinha Bella distante o máximo que conseguia, mas nem sempre era possível.
Já estavam circulando notícias sobre ela e Paul, e eu havia afastado os funcionários que tiraram as fotos dos dois dançando juntos no momento do assédio. Também estavam especulando sobre um possível caso entre eu e ela por eu ter entrado no condomínio, mas nunca ter sido pego saindo dali a não ser no carro com ela no dia seguinte.
Ficou impossível ir para as gravações depois disso por causa da constante perseguição da mídia, por isso havíamos dado três dias de folga até tudo se acalmar. A Volturi Produções entendia que não fazia sentido colocar em perigo os atores, mas sabíamos que isso nos traria mais custos. Eu estava disposto a pagar cada centavo pela segurança de Bella.
— Talvez eu deva adotar um cachorro. — Ela falou, deitada no chão da sala e olhando para o teto, me arrancando dos meus devaneios.
Era o nosso último dia de folga, havíamos acabado de transar depois de assistir mais um episódio de One Day At A Time.
Eu me virei para ela, apoiando meu cotovelo no chão e a cabeça na mão, acariciando a sua barriga com a ponta dos dedos da mão livre. Seu olhar encontrou o meu e ela sorriu.
— Por que isso agora? — Perguntei. — Quer dizer, um cachorro seria legal, mas não acha que ele ficaria muito sozinho?
— Tem razão. — Fez um pequeno bico. — Jessica vem limpar de vez em quando, mas não vai ser a mesma coisa.
— Quem sabe depois do fim das gravações de Monstros? — Perguntei e ela assentiu. — Eu fico em casa brincando com o cachorro e você pode ir trabalhar.
Bella entreabriu os lábios e desferiu um tapa em meu braço, me fazendo rir. Me aproximei e a beijei calmamente, selando os nossos lábios por fim.
— Deus, como eu senti a sua falta!
— Eu também. — Fez um pequeno bico e me abraçou para si, iniciando outro beijo.
Nosso toque foi interrompido pelo seu celular tocando. Ela resmungou e resistiu, mas se cansou da insistência e o alcançou no sofá.
— É a Tanya. — Falou e se levantou, atendendo à ligação. — Oi amiga! Tudo bem? E o bebê?
Ninguém, absolutamente ninguém sabia sobre nós, nem mesmo Tanya. Bella entendia o quanto aquela notícia podia magoá-la e com certeza não queria que ela ficasse sabendo tão cedo. Não sabia o que era pior: esconder ou dizer. A minha mulher dissera que trataria aquilo com Zafrina e eu a apoiei.
Eu sempre gostava de dar privacidade para Bella quando tinha alguma ligação com os amigos, por isso vesti minha cueca e fui para a cozinha preparar lanches para nós. Estava morrendo de fome e sabia que ela também deveria estar. Esperaria que ela terminasse sua ligação para comermos juntos e enquanto isso respondia algumas mensagens.
Bella estava demorando mais do que o normal e eu resolvi checá-la. Ao chegar na sala, encontrei a mulher vestida apernas em sua calcinha e minha camiseta, o que a deixava extremamente atraente, enquanto mexia no celular e roía as unhas.
— Isabella, o que está fazendo? — Perguntei, vendo a mulher pular no lugar e colocar a mão no peito.
— Ficou maluco, Edward? — Ela se levantou e deixou o celular no elástico da calcinha. — Não estava fazendo nada.
— Estava vendo as notícias, não é? — Perguntei enquanto ela passava por mim e ia para a cozinha.
— Não. — Deu de ombros e se sentou no banco da ilha, pegando um sanduíche.
— Anjo... — Chamei e também peguei um sanduíche.
— Não me chama assim. — Resmungou.
— Por quê? — Perguntei com um sorriso esperto.
— Porque você sabe...
— Por que você gosta muito e fica entregue? — Falei enquanto beijava o seu pescoço e a puxava para mais perto de mim.
— Sim... — Gemeu e tocou os cabelos da minha nuca. — OK, talvez eu estivesse olhando notícias...
— Bella! — Tirei o meu rosto do seu pescoço e ela fez um pequeno bico.
— E olhando as mensagens. — Falou, voltando a morder o seu lanche.
Eu sabia bem o que tinha nas mensagens por isso fiquei sério, apenas encarando a mulher que não tinha coragem de desviar os olhos na minha direção.
— O que o Paul falou dessa vez, Isabella? — Perguntei, sentindo a irritação dentro do meu peito. — Eu juro por Deus...
— Calma. — Pediu e desbloqueou o celular, empurrando-o na minha direção. — Aqui.
Ali estavam as mensagens de Paul, nenhuma delas respondida. Ele estava flertando sozinho, pedindo para ver a mulher e dizendo coisas escrotas.
— Babaca. — Resmunguei devolvendo o celular para ela. — Eu vou demitir esse otário.
— Não vai. — Ela disse com a boca cheia. — Eu já passei por muito pior nesses cinco anos.
— Fale o nome de cada um dos babacas e eu terei o prazer de socar cada um deles.
— Meu herói! — Brincou, apertando a minha bochecha e me fazendo rir. — Não se preocupe, James lidou com eles por mim. Te garanto que se você demitir o Paul hoje, pagar as multas e todo o resto, o próximo fará o mesmo que ele porque sempre estes homens acham que tem o poder sobre o corpo feminino em qualquer ocasião de suas vidas.
Enquanto a olhava, fiquei imaginando por quanto ela devia ter passado e eu não pude fazer nada, porque estava ocupado demais obcecado em fazê-la sofrer quando a reencontrasse. Eu era tão otário quanto eles.
— Bella, isso é tão errado. — Eu disse, fazendo uma careta. — Me desculpe por não estar por perto para evitar essas merdas.
— Está tudo bem agora, Edward. — Garantiu e tocou a minha mão. — Eu consigo lidar melhor com tudo depois da terapia.
— Fico feliz que tenha alguém que te ajudou. — Suspirei e beijei os nós dos seus dedos. — Mas ainda vou acabar com a vida do Lahote.
— Edward! — Me repreendeu.
— OK OK, mas vou repreendê-lo. — Disse com seriedade e ela não me contrariou. Sabia que as investidas do homem a incomodavam e era melhor que eu tomasse uma atitude enquanto ainda era tempo. — Alguém voltou a te questionar sobre nós?
— Tanya, mas disfarcei, você sabe... — Assenti e ela prendeu o cabelo. — James desconfia muito e não aceita mais as minhas negativas, mas ele que se foda. — Eu ri e ela me acompanhou antes de continuar. — Fora isso, apenas os fãs me questionam nas redes sociais e os paparazzis também.
— Eu também estou sendo mais assediado do que nunca. — Fiz uma careta.
— Sinto muito.
— Não é sua culpa, nós dois somos figuras públicas. — Me levantei e a abracei, beijando os seus cabelos. — Fora a imprensa, tem a minha mãe, que parou de insistir, mas Alice e Jasper continuam a encher o saco.
— De um jeito ansioso bom ou repreensor ruim? — Perguntou, olhando para mim.
— Não sei, Bella. — Soprei e a vi pressionar os lábios e desviar o olhar. — Não tem como saber pelas mensagens.
— Me deixa ler. — Pediu, esticando a mão na minha direção.
— Por quê? Você vai adivinhar o tom? — Brinquei e ela continuou séria. — Por que é tão importante se eles aprovam?
— Porque eles vão precisar aprovar em algum momento, Edward.
— Bella, não vamos discutir por isso agora, OK? — Perguntei e segurei o seu rosto entre as mãos. — Era justamente por isso que não queríamos falar para as pessoas, se lembra? — Ela assentiu e eu beijei os seus lábios.
— Vamos voltar a assistir série? — Perguntou com manha no tom de voz.
— Vamos. — Concordei, abraçando-a pela cintura e a tirando de cima do banco da ilha.
— Espera, meu lanche. — Falou, pegando os dois lanches e dando um para eu morder enquanto andávamos abraçados até a sala.
— Se alguém dissesse, no mês passado, que eu estaria assim com você hoje, eu com certeza riria. — Disse assim que terminei de mastigar, vendo a mulher rir.
— A vida é engraçada. — Deu de ombros e se soltou de mim para sentar no sofá. — E eu te enfeiticei há cinco anos.
Eu a olhei com curiosidade cômica e ela gargalhou.
— Boba. — A puxei para mim, beijando seus cabelos. — Agora vamos ver a nossa série.
— Ai, que saudades que eu senti! — Disse em alto e bom som, me abraçando pelo pescoço e beijando os meus lábios.
O meu celular tocou naquele momento, mas eu o ignorei, retribuindo o beijo enquanto sorria. Com certeza havia sido o melhor, porque eu não gostaria de saber tão cedo sobre o que era aquela ligação.
xxx
Eu havia recebido uma ligação do meu advogado no dia anterior, mas não estive interessado o suficiente para retorná-lo. Se fosse algo importante, ele tornaria a me procurar e não foi o que aconteceu então eu poderia procurar saber sobre o que quer que ele tinha para dizer depois.
Naquele momento, eu só tinha que lidar com Paul antes das gravações começarem. Apesar do assédio ter diminuído, ainda havia sido difícil chegar ali com alguns jornalistas na nossa cola, por isso teria que correr se quisesse falar com o homem.
Assim que cheguei na porta do seu camarim, bati insistentemente até que alguém a abrisse. Logo Paul estava ali, com um sorriso esperto nos lábios enquanto olhava para o celular. Estava completamente sozinho, o que me dava alguma vantagem.
— Já estou in...
Não deixei ele terminar, empurrando o seu corpo para dentro e fechando a porta atrás de mim. A sua atenção foi para mim e ele não parecia nada feliz com o que estava acontecendo. Não dei espaço para ele ter qualquer ação, agarrando-o pela gola do figurino e apontando no seu rosto com a mão livre.
— Eu juro por Deus, se você encostar na Bella de novo sem o consentimento dela, se você continuar a mandar mensagens indecentes, eu não só te tiro do meu filme, como destruo a sua carreira e a sua vida toda. Você me entendeu? — Perguntei entredentes, completamente irritado com aquele filho da puta.
Ele ficou me olhando com raiva por um momento, mas engoliu em seco e assentiu, sem dizer uma só palavra. Eu o afastei com um empurrão e ele ajeitou as roupas enquanto eu me dirigia para a porta de costas e o deixava ali sozinho.
Até que havia sido menos complicado do que eu imaginava, mas a verdade é que eu havia sido bem claro e não achava que ele estava disposto a arriscar a carreira tentando algo contra mim. De qualquer modo, estaria atento nos próximos meses caso ele quisesse fazer alguma besteira contra mim ou Bella.
Antes que eu continuasse o caminho até o estúdio, o meu celular voltou a tocar e o número de Irina apareceu na tela. Revirei os olhos e desliguei, mas ele voltou a tocar e me irritar profundamente.
— O que é? — Atendi, entrando em um dos estúdios vazios.
— Olá, Edward. Espero que esteja aproveitando sua nova namorada. — Irina começou com deboche na voz.
— Dá pra falar logo o que você quer ou eu vou ter que desligar na sua cara pela milésima vez?
Ela gargalhou com maldade no tom e eu revirei os olhos.
— Estou ligando para dizer que não assinei os papéis do divórcio porque fiz um novo documento acrescentando pensão alimentícia.
Eu paralisei e senti todo o sangue sumir do meu rosto. Me recostei na cadeira mais próxima e me sentei, apoiando o rosto na mão livre. Meu Deus, não era possível que esta mulher estivesse grávida de mim. Faziam dois meses que não transávamos... Tempo o suficiente para existir uma gravidez, já que nunca nos protegíamos.
Porra, porra, porra!
— Parabéns, papai. — Ela continuou mesmo que eu não tivesse expressado nenhuma reação além do silêncio. — O seu advogado deve te entregar os novos papéis em breve junto com o último ultrassom. Serei grata se quiser participar dos próximos.
— Vai se foder. — Falei antes de desligar.
Eu tinha estragado tudo. Mais uma vez eu estive tão perto de ser feliz com Bella e estraguei tudo. Não conseguia entender como eu havia sido tão burro.
Sabia que não deveria pensar daquele jeito do meu filho, mas não queria que a mãe fosse Irina. Aquela mulher era desprezível e seria uma péssima mãe. E como eu, um homem com um pai tão otário, poderia ser um bom pai para o meu filho?
Não fazia ideia do que pensar, do que sentir e do que fazer, por isso continuei preso naquele estúdio vazio e escuro enquanto sentia as lágrimas correrem uma atrás da outra pelo meu rosto. Um choro de tristeza com um pingo de alegria.
Eu seria pai, mas a mãe não era Isabella Swan.
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