Anti-Heróis
41 Respira Bem Fundo
Notas iniciais
Bella Swan
As gravações de Monstros haviam acabado antes do esperado e a produção do filme conseguiu ser feita dentro do prazo. Sendo assim, quase treze dias para o Natal de 2025, nós estávamos nos preparando para a estreia do filme. Como era algo mais simples, a equipe trabalhou dia e noite para que a data de estreia estivesse dentro do planejado.
Eu havia dado um tempo de Nova York depois das gravações finalizarem, mas não aguentei ficar muito tempo longe de Edward, que teve que ficar para aprovar as edições do seu filme. Eu já não tinha mais tanta aversão pela cidade e era mais fácil estar naquela casa quando já estávamos tão bem juntos. Sendo assim, passei meu primeiro dia de ação de graças com a família Cullen, Jasper, Maria e Royal.
Chequei as minhas mensagens quando Royal saiu do quarto para atender à uma ligação. Ele havia ido ali para que pudéssemos nos arrumar todos juntos. Alice também havia se juntado à nós. Jasper, Maria e Esme nos encontrariam no tapete vermelho. Não tinha certeza sobre Carlisle, mas não quis estragar tudo perguntando para Edward.
Tanya ainda não havia me respondido desde que liguei para ela contando sobre eu e Edward. A mulher não ficou nada feliz e insistia em dizer que ele me magoaria novamente. Aquilo estremeceu a nossa amizade e eu estava tão triste por não tê-la presente como antes. Mas ela tinha que entender que eu confiava no novo Edward e era feliz com ele. No entanto, não conseguia deixar de me preocupar. Tanya estava grávida e não me respondia, o que eu deveria pensar?
— Droga. — Bufei e deixei o celular de lado.
— Bella?
Ouvi a voz de Edward e me virei na direção da porta, vendo o homem parado, vestido em roupas simples, e com as mãos nas costas. Franzi o cenho e me levantei, fechando o roupão e me aproximando dele.
— O que foi? Por que ainda não está vestido? — Perguntei e tentei espirar atrás dele. — O que está escondendo aí?
— Um presente. — Falou e tirou de trás de si a criatura mais preciosa que eu já havia visto.
— Um cachorrinho! — Comemorei e peguei o cachorro pequeno, preto, de orelhas grande e em pé, que trazia um enorme laço vermelho no pescoço. — Você é tão fofinho e bonzinho. — Falei e o acariciei, vendo o cachorro se aconchegar em mim. — Edward! — Olhei para ele e senti algumas lágrimas escorrerem por meu rosto. — Ele é lindo! E me ama!
— Sim, meu amor. — Ele se aproximou e tocou a minha cintura, acariciando a cabeça do cachorro com a mão livre. — Nossa primeira filha.
Eu sorri para ele e selei os nossos lábios, vendo o cachorro se remexer desconfortável no meu colo. O ajeitei e ergui entre nós, vendo que era mesmo uma cadela. Abracei-a para mim e enchi de beijos, sentindo um cheiro gostoso de shampoo de morango.
— Você tem o cheiro da mamãe. — Falei e o olhei. — Ela já tem nome?
— Não. — Balançou a cabeça em negação.
— Tem algo em mente? — Perguntei, chacoalhando a cadela como um bebê.
— Não, meu anjo. — Falou e riu. — O presente é seu, te deixarei escolher o nome.
— Que responsabilidade! — Mordi o lábio inferior. — Vou pensar em algo que você goste. — Falei, voltando a olhá-la. — Meu Deus, Edward! Não temos nada para dar um suporte para essa cachorra! Ainda mais hoje, que passaremos a noite toda fora.
Edward riu e beijou a minha testa.
— Não se preocupe, já preparei tudo para que ela possa ficar algumas horas sozinha. E já comprei todos os pertences necessários. — Garantiu e piscou para mim. — Agora me dê a cachorrinha e volte a se arrumar.
— Não! — Falei e a abracei para mim. — Deixe ela aqui comigo. — Pedi.
Ele riu e assentiu, selando os nossos lábios.
— Tudo bem, mas não se atrase.
— Não prometo nada. — Murmurei.
Edward riu e saiu do quarto, me deixando sozinha com o meu novo presente, que havia voltado a dormir. Nem conseguia acreditar que ele havia mesmo cumprido o prometido de me dar um cachorro, um vira-lata, logo depois do fim das gravações. Eu tinha um homem incrível ao meu lado e estava pronta para revelar isso ao mundo naquela noite.
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Fui em um carro com Edward, com um motorista contratado pela Volturi Produções, enquanto Royal e Alice iam juntos no outro. Estávamos atrasados porque eu queria garantir que a nossa cachorra ficaria bem sozinha e confortável. Quando ela dormiu, me senti tranquila o suficiente para sair com eles.
— Pensei em alguns nomes. — Confessei e atrai o seu olhar. — Quero testar Janet e Penny.
Edward abriu um enorme sorriso e entrelaçou os nossos dedos.
— The Good Place e One Day At A Time? — Perguntou.
— Claro! São as nossas séries. — Dei de ombros.
— Isso é doce, anjo. — Falou e beijou o meu rosto.
— Também pensei em Sweet. Sabe? A minha personagem em Monstros. — Expliquei.
— Ótima ideia também. — Concordou e beijou os nós dos meus dedos. — Tenho certeza que ela vai aceitar algum desses três.
— Eu também. — Assenti. — Estou nervosa, Edward.
Ele sabia bem sobre o que eu estava falando e tocou o meu rosto, olhando em meus olhos.
— Vai ficar tudo bem. Eu estou aqui com você. — Garantiu.
— Senhores. — O motorista havia parado o carro e nos olhava pelo espelho retrovisor. — Chegamos. Estão prontos?
Edward me olhou e eu respirei fundo antes de assentir.
— Estamos. — Garantiu ao motorista.
O motorista assentiu e saiu, lutando contra os paparazzis e sendo ajudado pelos seguranças do evento. Quando a nossa aberta foi aberta, fui a primeira a sair e ele me seguiu de perto, ouvindo os gritos de fãs e dos jornalistas afoitos para falar conosco.
Ele me ofereceu o braço, que eu aceitei de bom grado, e a comoção foi ainda maior. Naquele momento, eu sabia que não tinha mais volta. Nós estaríamos assumidos e não havia como impedir isso. O medo e a ansiedade eram crescentes.
Nós posamos lado a lado no painel, como nossos assessores haviam indicado. Edward apoiou uma mão na base da minha coluna e eu agarrei em sua roupa, procurando por suporte naquele momento. Ele beijou os seus cabelos, tentando ignorar as luzes que pipocavam na nossa direção. Eu o olhei e sorri, tocando o seu rosto e selando os nossos lábios brevemente, gerando mais gritos e perguntas.
— Está na hora. — Falou e eu assenti.
Nós nos aproximamos dos jornalistas e escolhemos um deles.
— Então vocês estão juntos?
— Estamos. — Respondi e sorri para Edward.
— Edward, você não é casado?
— Era. — Pontuou. — Estou passando por um divórcio complicado desde meados de agosto deste ano.
— Muito tempo! — O jornalista arregalou os olhos. — E Bella Swan foi o pivô da separação?
— Não mesmo. — Falou, me abraçando para si.
— Você traiu a sua mulher, Edward? — Outro jornalista perguntou.
— Não foi traição. Eu não estive com Isabella até que não estivesse devidamente separado de Irina. — Garantiu e me olhou. — Quer sair daqui?
Balancei a cabeça em negação e me virei para eles.
— A minha história com Edward é complicada, mas nunca envolveu traição. Nós somos adultos e confiamos um no outro. Se hoje estamos juntos, é porque o amor foi maior. Vamos lutar todos os dias para nos mantermos assim. Alguma pergunta sobre o filme?
Um dos jornalistas ergueu a mão e perguntou sobre como foi trabalhar em Monstros. Apesar de saber que no dia seguinte as chamadas das notícias não seriam as melhores, resolvi não pensar sobre aquilo naquele momento. Eu estava feliz de finalmente poder parar de me esconder.
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— Bella! — Ouvi Edward chamar e me afastei do pessoal da produção, sempre me mantendo longe de Paul e seus amigos.
Tivemos que fazer algumas fotos juntos, tanto para promover o filme quanto naquela estreia, mas eu mantive próxima o mínimo possível. Naquela festa após a apresentação do filme, eu faria questão de não me aproximar dele um segundo sequer.
Edward estava em uma mesa com a sua família — exceto por Carlisle, que provavelmente não havia sido convidado -, Jasper, Royal e Maria, minha antiga chefe do café e atual namorada de Jasper.
— Olá, pessoal! — Sorri e me sentei ao lado de Edward. — Obrigada, estava cansada. — Declarei e selei os nossos lábios.
— Imaginei. — Ele riu e empurrou alguns petiscos que havia guardado na minha direção.
— Obrigada. — Agradeci novamente e passei a comer.
— Bella, o filme ficou incrível! A sua atuação estava impecável! — Alice atraiu a minha atenção.
— Ver Sweet nas telonas foi com certeza uma experiência! — Royal concordou.
— A personagem foi mesmo criada para você. Nenhuma outra teria interpretado tão perfeitamente. — Jasper sorriu e piscou para mim.
Tantos elogios só me fizeram corar.
— Parabéns, Isabella. — Maria desejou de maneira entediada. — Se me dão licença. — Disse e se levantou.
Olhei em confusão para Edward e ele fez um gesto para eu não me importar.
— Vocês são um dupla e tanto. — Esme elogiou e eu sorri para ela. — Estou orgulhosa.
— Obrigada, Esme. — Falei e olhei para Edward, que tinha um sorriso esperto nos lábios.
— Mãe, ficou sabendo que você é vovó? — Ele soltou e me engasguei com o petisco, vendo o homem dar leves tapas nas minhas costas para eu desengasgar.
— O quê? Você está grávida? Oh meu Deus! — Esme colocou as mãos em frente aos lábios e o seu filho só sabia rir.
— Calma! É só brincadeira! — Edward falou, tentando acalmar à todos. — Eu dei uma cachorrinha para Bella pelo fim das gravações. Só isso.
— Idiota. — Alice disse, dando um tapa na nuca do irmão.
— Que brincadeira sem graça, Edward Cullen! — Esme brigou com o filho, que se recuperava do pescotapa.
Ele me olhou com um pequeno bico e eu ri.
— Você mereceu. — Dei de ombros.
— Vocês são más. — Ele se queixou.
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Maria foi embora mais cedo, mas Jasper ficou para curtir a noite de estreia do filme do seu melhor amigo. Nós dançamos a noite toda e, quanto estávamos exaustos, decidimos ir para casa. Esme já havia ido há algumas horas, não aguentando ficar até o final com os jovens.
Após garantirmos que cada um estaria em sua casa em segurança, chegamos em nossa casa com sapatos nas mãos e muito cansaço. A nossa cachorra veio nos receber e eu me ajoelhei no chão com o vestido rosa caríssimo que vestia.
— Olá, Janet! — Cumprimentei, mas a cachorra continuou deitada de barriga para cima. — Penny? O que acha de Penny? Penny! — Nenhuma reação e eu choraminguei, olhando para Edward ao meu lado.
— Sweet? Vem com o papai, Sweet! — Edward chamou e ela se levantou de imediato, indo na direção dele.
— Sweet! — Gritei e ela voltou para mim, pulando e me lambendo. — Você gosta de Sweet? Ela gosta de Sweet!
— Eu sei, anjo. — Edward riu e beijou o meu rosto. — O que acha de dormirmos juntos hoje?
Mordi o lábio inferior e o olhei enquanto ainda fazia carinho em Sweet.
— Eu acho que podemos abrir a porta do quarto para ela entrar assim que nos vestirmos. — Sugeri e esperei que ele absorvesse a informação.
— Oh! — Ele soltou e se levantou. — Até mais tarde, Sweet!
Eu não consegui conter a risada, correndo com ele até o quarto para uma longa madrugada de sexo com aquele homem que eu tanto amava.
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Acordei na manhã seguinte com algumas lambidas no rosto e ouvi murmúrios vindo do corredor. Abracei Sweet e lhe dei beijou na cabeça antes de me levantar. Edward não estava ali, mas com certeza conversava com alguém. Me aproximei da porta e o vi de costas, com o celular na orelha, a outra mão na cintura e falando baixo, mas audível o bastante para mim daquela distância.
— Então não é meu? — Houve uma pausa e eu franzi o cenho. — Porra, Irina! Eu disse que não era meu! — Passou as mãos pelos cabelos de maneira nervosa.
Eu coloquei Sweet no chão e me apoiei no batente da porta, sentindo o ar faltar em meus pulmões e uma intensa vontade de vomitar me dominar. A cachorra distraiu o homem e eu não fui capaz de ouvir a finalização daquela conversa, sentindo a minha pressão baixar. Sobre o que Edward estava falando com Irina? Não podia ser o que eu estava imaginando.
Quando ele desligou o aparelho e se virou para mim, vi o pânico no seu olhar. Umedeci os meus lábios e engoli em seco, me segurando com força na porta e no batente para que não desmaiasse ali mesmo. Me odiei por ser tão fraca naquele momento.
— Edward, o que não é seu? Sobre o que estava falando com Irina? — Perguntei, forçando a minha voz a sair. — E eu quero a verdade!
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