Anti-Heróis
3 Proibi De Me Sabotar
Notas iniciais
Edward Cullen
Eu me mantive recluso, apenas arrumando os meus livros, ajudando quem precisava de algum título específico e me trancando em meu quarto no momento em que chegava em casa. Estava no automático, inibindo qualquer pensamento ou sentimento relacionado à Irina.
Era difícil pensar nela. Eu achava que ainda poderíamos voltar, que poderíamos amadurecer longe um do outro e finalmente nos reunir em matrimônio. Mas agora ela tinha outro alguém e se casaria com ele. Irina não pensava em mim, não sonhava comigo e sequer cogitava a possibilidade de me ter novamente em sua vida. Eu havia perdido o meu amor para sempre.
O meu telefone tocou pela milésima vez e o nome da minha mãe apareceu ali. Cansado de ignorar as suas ligações, me sentei na cama e atendi com um murmúrio, passando os dedos entre meus fios de cabelo.
— Filho, por que não me atendeu? Por que não respondeu minhas mensagens? Só tive a certeza de que estava vivo porque sua irmã teve notícias suas através de Jasper.
— Por que Alice está falando com Jasper? — Ergui meu olhar, mirando a porta do meu quarto fechada.
— Ela não está falando com ele. Alice apenas procurou saber notícias suas. Não fuja do assunto, Edward Cullen!
Bufei e fui na direção da minha janela, me sentando ali.
— Eu só precisava de um tempo. — Murmurei, mexendo em alguns fios soltos da minha camiseta.
Minha mãe suspirou do outro lado da linha e eu já imaginava que ela sabia de algo. Todo mundo àquela altura sabia sobre o noivado de Irina.
— Filho, eu sinto muito.
Funguei e limpei algumas lágrimas teimosas, umedecendo os lábios antes de responder:
— Eu também, mãe.
— Você precisa seguir em frente, Edward. Ela seguiu, agora é com você. — Houve uma pausa e eu voltei a fungar, não conseguindo impedir o choro que estava preso em meu peito durante todos esses dias. — Irina não merece o seu sofrimento, querido. Não quando ela deixou você com esperanças.
— A culpa não é dela. — Saí em sua defesa, limpando as lágrimas e olhando para a rua vazia. — Eu me iludi sozinho e essa é a pior parte.
— Querido, algo ficou para trás. Você não ficaria desse jeito se ela não tivesse deixado claro que não tinha intenções de voltar.
Sabia que ela estava agoniada e queria encontrar uma solução, mas não havia uma. Só o tempo poderia cuidar da minha dor naquele momento.
— Eu vou ficar bem. — Garanti, querendo finalizar aquele assunto.
— Não suma novamente, Edward. — Pediu depois de um longo suspiro. — Vocês são tudo o que eu tenho.
— Tudo bem, mãe. Me desculpe. Eu só precisava ficar sozinho.
— Não se isole por muito tempo. Você é jovem e merece se divertir. — Incentivou.
— Vou tentar. — Suspirei e voltei para o quarto, procurando pelo meu cigarro. — Eu te amo, mãe.
— Também te amo, querido.
Finalizei a ligação, pegando o meu maço e me sentando na escada de incêndio enquanto acendia o meu cigarro. O meu sossego não durou muito tempo porque logo Jasper estava entrando em meu quarto.
— Eu vim te tirar da fossa, meu amigo.
Revirei os olhos e ri, tragando o cigarro longamente.
— Não estou na fossa. — Passei o cigarro para ele. — Só preciso ficar sozinho. — Soltei a fumaça.
— Não vou deixar você cair em depressão por causa de uma vadia. — Jasper me passou o cigarro e soprou a fumaça. — Você vai comer a primeira buceta que aparecer na sua frente.
— Não inventa de voltar naquela boate. Eu já disse que não quero foder uma puta. — Traguei o cigarro e apontei na sua direção, vendo o meu amigo pegar. — E fique longe da minha irmã!
— Por que está relacionando sua irmã com uma puta, Edward? Isso é bem rude. — Fez um expressão confusa, tragando o cigarro e tossindo ao receber um tapa na orelha. — O quê? O que eu fiz?
— Você sabe muito bem o que fez. — Peguei o cigarro das suas mãos e voltei a tragar, apagando e deixando no cinzeiro. — Fique com o seu pau longe da minha irmã ou eu farei questão de castrá-lo com as minhas próprias mãos.
Jasper ergueu as mãos espalmadas na altura dos ombros.
— OK, OK. Não tentarei nada com a sua irmã. — Jasper me olhou por um momento, parecendo pensativo. — Como você está? Sabe... Com tudo isso.
Suspirei profundamente e abracei as pernas, dando de ombros.
— Vou ficar bem. É tudo uma questão de tempo.
— E de umas putas, certo? — Jasper deu dois tapas em meu ombro e sorriu com malícia. Eu apenas o fitei com tédio e ele pressionou os lábios. — Vamos. Não precisa foder ninguém, só beber um pouco. Não vai ser nada demais. Vamos esfriar a cabeça.
Talvez não fosse mesmo nada demais, talvez eu estivesse mesmo precisando de uma noite apenas bebendo e rodeado por mulheres me desejando. Não seria nada demais, certo?
xxx
Eu deveria matar Jasper por ter me feito ir à boate. Agora eu estava sentado na delegacia, fora de uma cela para o meu alívio, com outros desconhecidos que estavam na boate enquanto esperava pela minha liberação.
Não me arrependia de ter defendido a garota, pelo contrário, eu faria de novo se tivesse a oportunidade. Olhei para ela, sentada em uma das cadeiras em frente às minhas enquanto tentava se cobrir. Seu olhar encontrou o meu e eu ofereci um pequeno sorriso, mas ela apenas desviou o olhar, mordiscando a unha do seu polegar.
O homem que havia tentado agredir a garota não havia prestado queixa e então nós estávamos livres. Jasper estava me esperando enquanto conversava com duas garotas da boate. Revirei os olhos e tirei o cigarro do meu bolso, acendendo um.
— Pode me dar um? — Ouvi a voz baixa e feminina atrás de mim.
Me virei bruscamente e encontrei a garota de olhos castanhos que eu havia defendido. A mesma que adorava me chamar de novato.
— Claro. — Entreguei um cigarro à ela e acendi, vendo a mulher tragar longamente e tossir um pouco. — Cuidado. Você está bem? — Perguntei sem tocá-la para não ser invasivo.
— Estou. — Garantiu ainda tossindo. — Faz um bom tempo que não fumo.
— É um mau hábito. — Fiz uma careta. — Não aconselho a voltar.
— Tarde demais. Sou ótima em tomar decisões ruins. — Deu de ombros e abriu um pequeno sorriso, voltando a tragar o cigarro.
Nós ficamos algum tempo apenas fumando em silêncio enquanto ouvíamos Jasper e as duas garotas com ele rirem. Não acho que deveríamos falar sobre o que aconteceu na boate, ainda era tudo um tanto quanto confuso e recente. Apaguei o cigarro e joguei no cinzeiro que havia em frente à delegacia.
Assim que me virei para a garota, encontrei os seus olhos castanhos curiosos sobre mim.
— Precisa que eu a acompanhe até em casa? — Questionei.
Ela riu debochada, jogando o cigarro e soprando a fumaça para longe.
— Sei me cuidar sozinha.
— Não tenho dúvidas. Me desculpe se a fiz pensar desse modo. Não era a minha intenção. — Tentei me explicar e a vi rir, balançando a cabeça em negação. — O que foi?
— Não é nada, novato. — Provocou, ajeitando a mochila nas costas. — Muito obrigada por ter me ajudado. Você sabe...
— Não precisa agradecer. — Intervi. — Eu faria de novo.
— Não acho que seja prudente sair batendo em estranhos então não vou incentivar a violência. — A garota mordeu o lábio para conter a risada.
— Ele mereceu. — Pisquei e a vi rir baixo.
— Edward! Vamos indo? — Jasper chamou e eu fiz um sinal para ele esperar.
Me virei para a garota e ergui a mão na sua direção, vendo sua expressão confusa.
— Foi um prazer defender você...
— Marie. — Completou, apertando a minha mão firmemente e fazendo com que eu abrisse um pequeno sorriso. — E o nome do meu herói é?
— Vou ignorar esse deboche no seu tom de voz e te dizer o meu verdadeiro nome — ao contrário de você. — Ela revirou os olhos e eu ri, me desvencilhando da sua mão e enfiando as mãos nos bolsos. — Meu nome é Edward.
— É claro. Combina com você. — Assentiu. — Nos vemos por aí, novato?
— Não tenho dúvidas, Marie. Boa noite.
Eu me virei e caminhei sem olhar para trás enquanto seguia Jasper e suas garotas com a certeza de que ainda esbarraria em Marie algumas vezes ao longo da vida.
xxx
Jasper não foi até o nosso apartamento. Ao invés disso, parou em um motel a meio caminho e se despediu de mim. Continuei o caminho até uma padaria, disposto a tomar o café da manhã. Já havia amanhecido e eu não sentia sono, a adrenalina ainda corria em minhas veias.
Me sentei em uma das mesas e fiz o meu pedido para a senhora simpática, mexendo um pouco no meu celular. A foto de Irina apareceu na minha tela, agora recheava o seu perfil de fotos com o noivo.
Jacob parecia ser uns bons anos mais novo e eu vi a verdade quando entrei em seu perfil, constatando que terminara a faculdade há pouco. Era um garoto bonito e parecia ser uma boa pessoa.
Será que eu era ruim? Será que eu não merecia Irina? Será que aquele era o seu alguém melhor de quem todos falavam após términos?
Cansado de me martirizar, voltei ao perfil de Irina e passei a excluí-la de todas as minhas redes sociais, bem como o seu número dos meus contatos. Já era hora de esquecê-la, parar de sofrer e seguir em frente como ela havia feito.
Eu não era bom o bastante para ela, mas seria o suficiente para alguém. Tinha que permitir a nossa felicidade e, apesar de sentir uma imensa vontade de chorar, entendia que a hora havia chego, não tinha mais como voltar atrás.
Agradeci quando o meu pedido chegou e tomei um longo gole do café puro, fazendo uma careta. Guardei o celular, me concentrando em comer as panquecas enquanto pensava sobre a loucura das últimas horas.
Não imaginava que iria na boate, muito menos que não foderia ninguém mais uma vez ou que socaria alguém por causa de uma puta. Agora ela tinha nome: Marie. Sabia que não era o seu verdadeiro nome e uma pesquisa por redes sociais seria em vão, mas estava curioso sobre ela.
Queria saber o que havia acontecido com aquele babaca, porquê ela parecia tão assustada, onde morava, quantos anos tinha, qual era o seu verdadeiro nome e porquê me intrigava tanto.
Eu nunca pensei muito em qual reação teria quando uma puta estivesse em perigo, até porque jamais imaginei que um dia lidaria com uma. Alguns meses atrás achava que estaria para sempre com Irina e uma traição jamais passou pela minha cabeça. Mas eu sabia que não havia pensado em defender uma puta, estava apenas preocupado com o bem estar de uma mulher que trabalhava em condições precárias e usando o seu corpo. Era um ser humano que, como todos os outros, merecia ser bem tratado.
Não sabia se voltaria para a boate naquele dia, naquela semana, naquele mês ou sequer no próximo ano. Não queria ser invasivo e sabia que minha mente estava apenas procurando uma distração da dor que Irina havia me causado. Eu tinha que sentir a dor por completo e não me apegar ao primeiro ser humano que aparecesse em minha frente.
Saí da padaria depois de pagar pelo que havia consumido e acendi um cigarro enquanto caminhava para o apartamento. Não fazia ideia se conseguiria dormir, mas a verdade era que naquele momento eu não tinha certeza de absolutamente nada na minha vida.
xxx
— Melhor noite da minha vida! — Jasper berrou enquanto estávamos a caminho do bar que ele havia combinado de encontrar as garotas com quem havia passado a noite — ou manhã — de ontem.
— Jasper, você falou isso por dois dias seguidos. Eu juro por Deus que da próxima vez te jogo no meio da rua para ser atropelado. — Resmunguei. — Nem parece que você faz um sexo grupal por mês.
— Foi diferente. — Ele murmurou.
— Está apaixonado? — Brinquei, vendo o meu amigo revirar os olhos e rindo dele. — Talvez vocês devessem começar a namorar. O que acha de um "trisal"?
— O que você acha de sugerir isso à Irina? — Provocou e eu fiquei sério. — Muito cedo?
— Muito cedo. — Murmurei.
— OK, me desculpa. — Jasper me abraçou de lado e deu leves tapas nas minhas costas. — Vamos afogar essas mágoas em uma garrafa de cerveja, meu amigo.
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