Anti-Heróis
14 Me Entregar E Me Perder
Notas iniciais
Isabella Swan
— Então eu falei: a senhora está na sessão errada. A sessão de romances eróticos é no corredor seis. — Edward contava enquanto caminhávamos para a lavanderia.
— Meu Deus! — Comecei a rir, agradecendo por estarmos só nós ali. — Ela ficou constrangida?
— Não mesmo. Ela até deu em cima de mim. — Disse com um enorme sorriso nos lábios.
— Uau! E agora você tem um encontro? — Brinquei, separando as roupas.
— Não, mas tenho um número de telefone. — Deu de ombros.
— Garanhão. — Elogiei e o vi revirar os olhos.
— Claro que sim. — Debochou.
Já haviam se passado longos dez dias que eu começara a trabalhar e não podia estar mais feliz. Apesar de tantas mudanças de rotina, de passar a acordar e dormir tão cedo, de não ver os meninos com tanta frequência e do cansaço, eu estava satisfeita com a minha nova vida.
Edward havia combinado as minhas escalas com as suas e nós passaríamos bons finais de semana indo trabalhar juntos. Não podia negar que aquilo me dava mais vontade de ir, eu gostava da sua companhia.
— Vamos jogar um jogo para passar o tempo. — Edward sugeriu enquanto colocávamos as roupas para lavar.
— Odeio jogos, mas OK. Qual tipo de jogo? — Perguntei, fechando a última máquina e ligando.
— Vamos jogar um jogo de perguntas. — Ele falou e eu franzi o cenho, me recostando na máquina. Um sorriso esperto se abriu em seus lábios. — Respondemos perguntas com perguntas e é proibido fazer uma afirmação. O que acha?
— Parece fácil. — Dei de ombros e me sentei em cima da máquina. — Você começa?
— Parece que você já começou, certo? — Parou em minha frente, colocando as mãos nos bolsos da calça de moletom.
— Isso vale? — Ergui uma sobrancelha, abrindo um sorriso de lado.
— Por que não valeria? — Edward jogou de volta.
— Eu tenho mesmo que responder? — Mordi o lábio inferior.
— Não acha que eu mereço saber? — Ele franziu o cenho teatralmente.
Como ele ficava sexy, porra!
— Sobre o que estávamos falando? — Perguntei, piscando algumas vezes e vendo o homem sorrir.
— Quer me contar sobre o que sonhou esta noite?
— Por que eu contaria? — Umedeci os lábios e recostei minhas mãos atrás das minhas costas.
— Sonhou comigo? — Ergueu as sobrancelhas duas vezes.
Eu joguei a cabeça e gargalhei alto.
— Você é sempre tão convencido? — Voltei a olhá-lo, vendo o seu enorme sorriso.
— Acredita que eu aprendi com você? — Brincou.
— Por que você continua a roubar neste jogo? — Resmunguei, fazendo um pequeno bico.
Edward pareceu se distrair pelo gesto e eu ri um pouco, desviando o meu olhar.
— Quer sair comigo? — Perguntou e eu voltei a olhá-lo completamente confusa.
— Ainda estamos jogando?
— Não. — Edward me olhou com seriedade e se aproximou o último passo que nos afastava, tocando os meus joelhos. — O que acha?
Pisquei algumas vezes, olhando para ele para ter certeza de que aquilo não era uma brincadeira de mau gosto. Edward continuava sério e parecia ansioso pela a minha resposta.
— Tipo um encontro? — Perguntei e Edward assentiu, mordendo o lábio inferior. — Eu não sei, Edward. Onde isso vai nos levar? — Sussurrei, olhando para as suas mãos em meus joelhos.
Edward ergueu o meu queixo e fez com que eu o olhasse.
— Eu não sei, mas estou disposto a arriscar.
Ponderei por um momento e suspirei longamente antes de me render.
xxx
Não sei se foram os seus olhos verdes encantadores ou se eu estava realmente curiosa sobre ter um primeiro encontro, mas aceitei. Lá estava eu, no dia seguinte à noite, me encarando no espelho do banheiro após um longo banho e pensando sobre como deveria me vestir.
Peguei o meu celular e pensei em recorrer à única pessoa que poderia me ajudar, mas não queria criar um grande alarde sobre isto. Sendo assim, ligar para Alice estava fora de cogitação. Não fazia ideia se Jasper sabia, mas ele poderia descobrir e eu não fazia ideia de como lidaria com os seus comentários.
Pesquisei na internet como se vestir para um primeiro encontro, mas tudo parecia tão... Forçado. Suspirei em frustração e deixei o celular de lado, esfregando o rosto. Por que eu me importava tanto? Por que tinha aceitado aquilo tudo? Por que estava arriscando desse jeito?
Não tinha resposta. Era apenas eu com possibilidades altas de estragar completamente uma relação sólida de amizade com Edward. Talvez não fosse inteiramente amizade, porque já havíamos deixado claro a nossa vontade de transar um com o outro, mas isso fora antes. O agora me deixava espantada com a possibilidade de um envolvimento com Edward e tudo o que eu poderia estragar com o meu passado conturbado.
Decidi parar de me martirizar e fui até o quarto para escolher a minha roupa. Edward mencionara que iria se vestir no quarto de Jasper para me dar alguma privacidade e eu o agradeci por isso.
Olhei parra algumas peças de roupa que Alice havia escolhido para mim e optei por um short social na cor azul escura, uma blusa de branca de alças finas que ficava larga, mas com certeza ficaria bonita. Coloquei um tênis cor de rosa claro nos pés e me olhei no espelho. O que eu iria fazer com o meu cabelo? Decidi apenas por um rabo de cavalo alto, passei apenas um batom vermelho nos lábios e rímel nos cílios. Precisava comprar maquiagens novas, talvez Alice pudesse me ajudar com isso.
Não estava inteiramente satisfeita, mas era o que teria para aquela noite. Estava me sentindo como eu mesma embora ainda não soubesse qual era meu estilo. Talvez eu pudesse testar coisas novas e ver o que funcionava.
Peguei minha bolsa, onde havia colocado minha carteira e batom, e saí do quarto. Edward estava sentado no sofá mexendo no celular e não pude deixar de notar que estava bonito para caralho. Ele usava uma calça jeans escura e uma blusa mostarda com bolso preto apenas como detalhe. Nos pés, usava apenas um tênis preto simples. Seus cabelos estavam desgrenhados e chamaram a minha atenção quando ele passou as mãos mais uma vez.
— Está me encarando? — Perguntou com um sorriso esperto nos lábios.
— Talvez. — Dei de ombros, colocando a bolsa no ombro e vendo o homem rir. — Vai ficar aí rindo de mim ou vamos jantar?
— Não estou rindo de você. — Ele se levantou e aproximou de mim, tocando meus ombros e beijando meus cabelos. Ainda era difícil me acostumar com os toques espontâneos dele, mas eu gostava. — Achei fofo você toda envergonhada.
— Não estou envergonhada. — Fiz um bico e saí com ele, esperando que ele trancasse a porta. — Só estava analisando se estava tão bem vestido quanto eu para poder sair ao meu lado à altura. — Brinquei e o ouvi rir.
— Acredito em você, Bella.
Ele me abraçou pelos ombros mais uma vez e nós caminhamos até a entrada no prédio, onde um táxi nos esperava. Olhei confusa para ele e vi um sorriso imenso em seus lábios antes dele se afastar e abrir a porta do carro para mim.
— Sua carruagem a espera, senhorita. — Apontou para dentro do carro.
Balancei a cabeça em negação e mordi o meu lábio inferior, entrando no carro e sendo seguida por ele. Edward saudou o motorista, que sorriu para nós pelo retrovisor, e deu as coordenadas do restaurante onde ele nos deixaria.
Eu permaneci próxima dele, nossos joelhos se tocando, mas mantive minhas mãos em cima das minhas pernas. Estiquei o pescoço e sussurrei próximo da sua orelha:
— Você ficou maluco? Essa corrida vai sair uma fortuna.
Edward revirou os olhos e virou o rosto na minha direção, nossos rostos próximos demais que quase me faziam esquecer sobre o que estávamos falando.
— Para de reclamar do nosso encontro, Isabella. — Ele sussurrou de volta. — Me deixa fazer tudo da maneira certa.
— Tudo bem, mas eu te recompensarei. — Prometi, olhando em seus olhos verdes hipnotizantes.
— Não se preocupe com isso. Não estou esperando nada em troca nem hoje e nem nunca. — Edward colou os lábios na minha testa e eu fechei os olhos, apenas aproveitando o carinho.
— Vocês formam um casal bonito. — O motorista falou do banco da frente, nos olhando pelo espelho retrovisor enquanto estávamos parados no trânsito.
— Ah, nós n...
— Obrigado. — Edward me interrompeu, sorrindo e passando um braço pelos meus ombros.
Olhei para ele em confusão e o vi aproximar os lábios da minha orelha, escondendo o rosto no meu pescoço e me fazendo arrepiar.
— Não estraga o dia desse senhor tão educado. Deixa ele pensar que somos um casal. — Ele afastou o rosto e me olhou. — Sim?
Havia algum mal naquilo? Éramos apenas nós, fingindo que éramos um casal e eu estava me divertindo com aquilo. Entrelacei meus dedos aos dele, que estavam repousados em meu ombro, e assenti. Deitei minha cabeça em seu ombro e olhei para a rua, apenas apreciando aquele momento. A vida poderia ser boa, afinal de contas.
xxx
O jantar estava sendo incrível. Nós falávamos sobre a vida de Edward, sobre como ele fora feliz na infância com os irmãos e o quanto ele tinha carinho por sua família. Eu me limitava a falar sobre o presente, meu atual trabalho e minha nova vida. Meu passado não nos acrescentaria em nada naquele jantar.
Nós já havíamos pago a conta e estávamos esperando pelo táxi depois de dividirmos um cigarro. Esfreguei meus braços, sentindo frio naquela noite mesmo que estivéssemos tão perto do verão. Senti meus braços serem cobertos, Edward colocando o seu casaco sobre meus ombros e olhei para ele, abrindo um pequeno sorriso.
— Obrigada.
Edward me abraçou pelos ombros e acariciou o meu braço. Nós ficamos em silêncio por um momento e entramos no táxi, trocando poucas palavras com o motorista antes de rumar para casa.
Eu estava cansada e sabia que Edward também estava. Agora que levantava às quatro da manhã, era fato que estava na cama logo às oito da noite. Fechei meus olhos e recostei minha cabeça no ombro de Edward. Ele alcançou a minha mão em minhas pernas e colocou em cima de nossas pernas unidas, entrelaçando os nossos dedos. O seu polegar começou a fazer uma carícia boa no meu e aquilo bastou para que eu relaxasse, tirando um cochilo ali mesmo.
Voltei a acordar com Edward acariciando o meu rosto e dizendo que havíamos chego. Saí do carro com a ajuda dele e entrelacei nossos braços, caminhando para dentro do prédio com ele.
— Você pagou o táxi? — Resmunguei ainda um pouco grogue pelo sono.
— Sim. Achei que acordaria com o movimento, mas acho que está muito cansada. — Ele riu e eu sorri de volta, sentindo minhas bochechas corarem.
— Acho que sim. Ainda está difícil me acostumar com o novo fuso. — Bocejei, esperando que ele abrisse a porta.
Assim que entramos, encontramos o apartamento escuro e silencioso. Imaginávamos que Jasper tivesse saído, mas não sabíamos ao certo para onde.
— O que acha de tomarmos um café? — Sugeriu, passando as mãos pelos cabelos.
Fechei a porta atrás de mim e assenti.
— Para vermos The Good Place? — Perguntei, caminhando com ele até a cozinha e me sentando em uma das cadeiras.
— Vamos começar novamente com o jogo de perguntas? — Ele abriu um sorriso esperto e eu revirei os olhos.
— Você quer fazer um jogo de perguntas?
— Por que não gostaria? — Ergueu uma sobrancelha, deixando que a máquina preparasse o nosso café.
— Não acha que é um jogo chato? — Fiz um pequeno bico.
— Você acha que é um jogo chato? — Ele arregalou os olhos, sempre mantendo o sorriso no rosto.
— Por que você sempre rouba nesse jogo?
— Você não adora quando eu roubo nos nossos jogos? — Piscou para mim, entregando uma das xícaras e se sentando em minha frente.
— A desonestidade parece certa para você? — Beberiquei do meu café.
— Desonestidade não é uma palavra forte para um jogo?
— Não acredita que se encaixe perfeitamente no contexto? — Franzi o cenho, vendo o homem rir e terminar de tomar o seu café em um só gole, imitei o seu gesto.
— O café estava bom? — Perguntou, mudando de assunto e apontando para a minha xícara.
— Acha que foi uma boa ideia para me deixar desperta? — Semicerrei os olhos e comecei a me afastar até o quarto.
— Você ainda quer dormir?
Comecei a andar de costas e o vi caminhar na minha direção. Choquei meu corpo contra a porta fechada e toquei a maçaneta, vendo Edward parar em minha frente, nossos corpos a milímetros de distância. Como eu queria beijá-lo...
— Você quer me beijar? — Soprei.
— Nós ainda estamos brincando? — Perguntou de volta, tocando o meu rosto e fazendo um carícia gostosa na minha bochecha com o polegar.
— Não mesmo. — Balancei a cabeça me negação.
Não sei ao certo quem tomou a iniciativa, talvez fossem os dois ao mesmo tempo, mas logo eu estava beijando Edward. Nossos lábios colados como da última vez, só que agora tínhamos gosto de café.
Sua outra mão encontrou o meu rosto e eu repousei a minhas mãos em seu peito, dando passagem para a sua língua e iniciando um beijo sedento. Eu queria aquilo há tanto tempo, mas não fazia ideia da intensidade dessa vontade, só descobrindo no momento que estava acontecendo.
Entrelacei os meus dedos em seus cabelos, nossas línguas explorando lugares nunca antes explorados e nossos corpos procurando reconhecimento. Eu queria mais, queria muito mais, queria senti-lo, queria tomá-lo para mim. Ergui uma perna e entrelacei na sua cintura, sentindo uma de suas mãos tocar a minha pele de imediato. A decepção foi grande quando ele afastou a minha perna dali e descolou os nossos lábios.
— Droga. — Rosnou e descolou nossas testas, olhando em meus olhos. — Eu quero fazer do jeito certo.
Engoli em seco e assenti, passando as mãos pelo meu rosto e me dando conta de que aquele ato poderia trazer sérias consequências.
— Nós estamos bem, certo? — Perguntei, olhando em seus olhos verdes.
— Mais do que bem. — Edward tocou o meu queixo com o polegar e o indicador, selando os nossos lábios uma última vez. — Boa noite, Bella.
Então ele se afastou até o banheiro, me deixando recostada na porta do quarto completamente ofegante e sem conseguir acreditar no que havia acabado de acontecer. Será que estávamos tomando as decisões certas?
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