Notas iniciais
Olá Crepusculetes! Queria começar agradecendo à Lana Cullen, Beta e daionetta por terem favoritado a fic. Todas as interações são de extrema importância para mim. Eu AMEI ler todas as teorias e algumas de vocês parecem ter acertado... Bom, vamos à leitura?

Bella Swan

— Obrigada, Jasper. Você pode voltar para a festa agora. — Falei, saindo do táxi.

— O quê? Nada disso. — Jasper se virou para o taxista e agradeceu, saindo logo depois de mim. — Vou ficar com você. Edward vai cortar as minhas bolas se souber que eu te deixei sozinha.

— Eu me resolvo com ele depois. Vou precisar ficar sozinha e você vai perder toda a diversão. — Continuei a caminhar até o apartamento com ele em meu encalço.

— Nem estava tão legal assim. — Ele murmurou e eu revirei os olhos.

Decidi não discutir mais, não estava com cabeça para isso. Entrei em casa e tranquei a porta assim que Jasper passou, indo para o banheiro. Tirei toda a minha roupa e liguei o chuveiro, me enfiando ali embaixo e começando a chorar copiosamente.

Por mais que eu lutasse contra o meu passado, que eu quisesse recomeçar, que eu quisesse superar, ele parecia me perseguir. Não tinha por onde fugir, não tinha mais como fugir.

Nunca imaginei que soubesse o que fosse aquilo, mas quando o meu ar faltou ao pensar em perdê-lo, quando eu senti o meu coração acelerar cada vez que eu estava com ele, quando eu sentia meu estômago revirar, os pelos do meu corpo se eriçarem, entendi que ele era o meu amor, o meu grande amor.

Quanto ele podia me amar de volta? Até quando eu poderia esconder dele toda a escuridão que envolvia o meu passado? Quão longe nós iríamos sem nos abrirmos da maneira certa? Como havíamos chegado àquele namoro, ao nosso amor, sendo tão fechados sobre o nosso passado? Eu sentia que aquilo não estava certo.

— Bella? Bella, você está bem? — Ouvi batidas na porta seguida da voz de Jasper.

Não conseguia responder, eu ainda chorava copiosamente e os soluços me impediam de dizer algo. Comecei a respirar fundo, me acalmar ou Jasper arrombaria aquela porta para me salvar de mim mesma.

— Estou bem. — Respondi de volta. — Já vou sair.

Terminei meu banho, ainda sentindo as lágrimas descendo por meu rosto desesperadas. Antes de desligar o chuveiro, fiz mais uma sessão de respiração funda. Saí do banheiro enrolada na toalha e não encontrei Jasper no caminho para o quarto.

Vesti uma roupa confortável e penteei meus cabelos molhados, indo na direção da cozinha para fazer um chá e dormir assim que o tomasse. Só não contava em encontrar Edward parado na sala, as mãos nos bolsos da calça enquanto me olhava com seriedade. Jasper não estava em nenhum lugar ali e eu imaginei que estivesse em seu quarto.

— Você sabe. — Deduzi, soltando um suspiro e contendo o choro.

Edward assentiu e caminhou até a mesa de centro, sentando e indicando o sofá para mim. Fiz o que seu pedido mudo mandou e me sentei ali, olhando para as minhas mãos em meu colo.

— Os amigos do meu pai estavam rindo nas minhas costas e fizeram questão de contar para a minha família sobre você. — Ele falou, fitando o chão.

— E o que você fez sobre isso? — Questionei, semicerrando os olhos na sua direção.

— Saí dali. — Deu de ombros. — Não tinha como lidar com isso naquele momento.

Sorri de maneira debochada e assenti.

— Sinto muito que o meu passado te traga tanta dor de cabeça, mas você conhecia o risco.

— Sei lá, Bella. Não tinha outro emprego?

Arregalei os olhos na sua direção e vi quando ele começou a gaguejar, tentando consertar a merda que havia dito.

— OK, está na hora de você saber toda a verdade. — Me levantei, caminhando para trás do sofá, me afastando daquele homem que não conhecia. — A minha mãe era drogada. Ela conheceu o meu pai nas ruas e engravidou dele, trocando pedra por sexo. Nove meses depois eu nasci perfeita por um milagre. — Ele prestava a atenção e eu engoli em seco, respirando fundo para poder continuar. — Mesmo com todas as dificuldades, ela me criou. Quando eu entrei na puberdade, tomei o lugar de mãe e comecei a cuidar da casa. Fazia a comida, limpava e tentava alguns trocados na rua já que minha mãe não parava em um emprego. Lógico que não dava para nada além de contas básicas e pouco tínhamos para comer. — Segurei com força no encosto do sofá e respirei fundo. — A minha mãe se afundou em dívidas e um dia o traficante veio cobrar na porta de casa. Nós não tínhamos como pagar e eu sabia que iria nos matar então ele sugeriu que eu pagasse com sexo. Eu era virgem, Edward. — Olhei para o teto, tentando conter as lágrimas e voltando a olhá-lo. — Eu passei meses transando com ele para pagar a dívida da minha mãe, que parecia nunca ter fim. Um dia ela teve uma overdose e morreu deitada em sua cama depois de ter injetado. — Solucei, sentindo as lágrimas escorrerem por meu rosto. — Eu vendi todas as minhas roupas, pertences, eletrodomésticos e dei um enterro digno para a minha mãe. Apenas eu e ela, e o nosso adeus. — Funguei a passei o braço pelo nariz. — Quando eu pensei em permanecer naquela casa, descobri uma gravidez indesejada. Eu estava grávida do traficante filho da puta. Nós não usávamos camisinha e, para a minha sorte, estava apenas grávida. No dia seguinte eu fui à uma clínica e abortei. — Edward arregalou os olhos, parecia assustado com a quantidade de informações que eu jogava sobre ele, mas não podia parar agora. — Eu vendi a casa, peguei o dinheiro e saí pelas estradas, buscando me desvencilhar da minha antiga vida. Peguei muitas caronas, fui assediada mais vezes do que pude contar e, ao chegar em Nova York, imaginei que pudesse me refazer. — Sorri de maneira debochada e balancei a cabeça negativamente. — Eu precisava de um lugar para morar, precisava comer, precisava viver e ninguém iria querer contratar uma jovem desabrigada, suja e sem experiência. Então o melhor que eu consegui foi ser puta. — Ergui as sobrancelhas, limpando as lágrimas e vendo o seu olhar atento sobre mim. — E sim, Edward, os amigos do seu pai me foderam bastante. Inclusive alguns deles juntos. Eu sinto muito se você e sua família não podem lidar com isso, mas essa é a minha história e eu não tenho como apagá-la ou refazê-la.

Ele continuou em silêncio, apenas olhando para mim enquanto tinha as mãos inquietas.

— O meu irmão cometeu suicídio há três anos. — Ele soprou e eu continuei a olhá-lo, fazendo esforço para ouvi-lo. — Meu pai não é presente, é um verdadeiro babaca e não percebeu que o filho, louco pela atenção dele, estava doente. Não faço ideia de como, por um milagre, Carlisle também não fodeu você.

— Impressionante mesmo. — Murmurei. — Não entendi porquê me falou isso.

— Achei que estávamos desabafando, sendo sinceros. — Deu de ombros.

Eu ri e balancei a cabeça em negação, passando as mãos pelo rosto.

— Você é tão mimado, Edward. Eu acabei de contar que minha mãe era drogada, que eu dava para o traficante para pagar as dívidas da minha mãe, que nunca conheci meu pai, que fiz um aborto, que virei puta por falta de oportunidades e você emendou a sua história triste? Era para eu ficar triste? Para eu te desculpar? — Eu aumentava o tom de voz a cada pergunta com uma mão no peito e outra na cintura.

— Não precisa ser egoísta. O que queria que eu dissesse? — Ele ergueu os braços e se levantou. — Porra, o que aconteceu conosco? Estávamos falando que nos amávamos horas atrás e agora...

— Agora dissemos coisas duras demais um ao outro que não podem ser apagadas. — Balancei a cabeça em negação e passei as mãos pelos cabelos. — Finalmente nos conhecemos de verdade.

— Você quer retirar o que disse? — Eu fiquei encarando ele por um longo momento e ele assentiu. — Seu silêncio é uma excelente resposta.

Edward passou por mim como um vento e saiu do apartamento sem olhar para trás, fechando a porta atrás de si em um baque.

Me sentei no chão e abracei as minhas pernas, apoiando a testa nos joelhos enquanto chorava. Eu sabia que esse momento iria chegar, só não achei que estaríamos tão cheios de mágoas, que diríamos tantas coisas ruins um ao outro e muito menos que tudo acabaria. Era isso o que acontecera, certo? Acabara tudo entre nós.

Engoli o choro, limpando as lágrimas e fungando. Saí pela casa, decidida a procurar papel e caneta para escrever um bilhete. Me sentei na mesa da cozinha assim que encontrei e comecei a escrever uma carta de despedida para Edward:

"Edward,

Eu sinto muito que este tenha sido o nosso fim.

Estou indo embora, mas quero agradecer por tudo o que você fez por mim até aqui. Infelizmente não posso estar com alguém que sabe tanto sobre o meu passado e não sabe lidar com ele. Essa sou eu, vou embora sempre que algo dá errado e quando percebo que não sou mais bem vinda.

Espero que você possa encontrar a felicidade em alguém melhor e que sejam muito felizes.

Por favor, não me procure. Vai ser doloroso demais superar algo que já fomos e tudo o que dissemos um ao outro.

Eu te amei, isso não foi mentira, e tenho certeza que você também me amou. Eu me senti amada, mas não podemos mais continuar, como óleo e água que somos nunca nos misturaremos.

Obrigada mais uma vez e adeus."

Eu chorei enquanto escrevia, sem saber muito bem o que dizer, mas precisando fazer aquilo de uma vez por todas. Dobrei o papel e escrevi o seu nome em cima, levando para o quarto e colocando em cima do travesseiro.

Mais do que rapidamente, comecei a arrumar a minha mala, colocando tudo o que me pertencia ali e deixando o livro que ele havia me emprestado de lado. Não queria nada que me lembrasse diretamente dele. Tinha que recomeçar mais uma vez, me desvincular da minha vida atual e continuar a me reinventar.

Peguei o cartão que deixei guardado na gaveta da mesa de cabeceira, ligando para o número ali e ouvindo uma voz masculina sonolenta me atender.

— Senhor Hunter, é a Isabella, do café. — Pigarrei, tentando me fazer ser ouvida.

— Isabella. — Eu sabia que ele sorria pelo tom da sua voz. — Estava esperando pela sua ligação, só não achei que fosse ser tão logo. A que devo a honra?

— Podemos nos encontrar? — Perguntei, sem rodeios.

— À essa hora?

— Sim. Não quero perder tempo. — Falei, mordiscando a unha do polegar.

— OK. Vou enviar o endereço por mensagem e você pode me encontrar no hotel em que estou hospedado. O que acha?

— Perfeito. Até logo. — Finalizei a ligação e peguei a minha mochila, caminhando para fora do apartamento.

— Bella? — Ouvi a voz de Jasper a paralisei, olhando para dentro e vendo o homem que havia colocado Edward em minha vida com uma expressão mortalizada. — O que está fazendo? Edward disse que voltou para a festa dos pais.

— Jasper... — Soprei e engoli em seco. — Sinto muito.

Fechei a porta de uma vez e desci os degraus rapidamente, ouvindo Jasper me chamar enquanto eu corria pelas ruas. Consegui um táxi, que para a minha sorte passava pela rua no momento que eu mais precisava. Ao olhar para trás, vi o loiro parado na calçada, com as mãos na cabeça, sem saber o que fazer.

Me virei para o motorista do táxi, indicando o endereço para o homem. Mandei uma última mensagem para James, indicando que estava chegando e atirei o celular pela janela do carro. Não queria mais contato com Edward, Jasper, Alice, Maria ou qualquer outra pessoa. Eu teria uma nova vida, seria uma nova mulher e ninguém procuraria por mim. As chances de virar uma atriz famosa eram baixas, mas tinha certeza de que James iria me ajudar.

Quando cheguei em frente ao hotel onde ele estava, paguei a corrida e caminhei até a recepção, onde ele me esperava com um enorme sorriso no rosto e roupas despojadas.

— É um prazer revê-la, senhorita. — Ele sorriu e me abraçou pelos ombros. — O que acha de subirmos para assinarmos o seu contrato?

Respirei fundo e o olhei.

— Eu tenho escolha?

— Sempre tem. — Ele garantiu com seriedade.

Engoli em seco e suspirei.

— Já tomei a minha decisão, mas vou precisar da sua ajuda.

— Estou aqui para te ajudar. — Ele piscou.

E, mesmo depois de tantas decepções, eu decidi confiar naquele homem desconhecido, caminhando com ele para dentro do elevador do hotel.

Notas finais
Esse é o fim da primeira fase da fanfic, mas não se preocupem que a segunda e última fase começa na sexta. Por favor, não me matem! Eu prometo que vem MUITA coisa boa por aí. Não esqueçam de deixar o seu comentário e até sexta :)