Anti-Heróis

24 Encontrei Minha Ressaca


Notas iniciais
Olá Crepusculete! Queria começar agradecendo à ShimoneB por ter marcado que está acompanhando a fic! Todas as interações são muito importantes para mim. Queria agradecer também à todas vocês por não terem me matado e pedir desculpas por passados, presentes futuros sofrimentos. Vamos à leitura?

Edward Cullen

— Eu a quero! Foda-se, façam o impossível ou não teremos filme. — Desliguei o telefone, jogando-o sobre o sofá do meu escritório e enfiando os dedos entre meus fios de cabelo.

— Edward? O que foi, amor? O que aconteceu? — Irina questionou, entrando no meu escritório ainda com os seus pijamas.

— Nada, Irina. Volte a dormir. — Murmurei, virando de costas para a porta e apoiando as mãos na minha mesa enquanto fitava a janela.

Achei que ela tinha ido, mas senti as suas mãos acariciarem o meu peito e sua cabeça se apoiar em minhas costas.

— Você parece tenso. — Disse em tom manhoso. — Por que não vem para o quarto para que eu possa te acalmar?

Àquela altura sua mão já estava dentro da minha calça e ela me masturbava. Toquei o seu pulso e tirei a sua mão dali, me virando para ela e vendo a confusão em seu olhar. Respirei fundo e selei nossos lábios em um beijo rápido.

— Me espere lá. Já estou indo.

Irina sorriu e saiu dali saltitando. Revirei os olhos e me sentei na cadeira atrás da minha mesa, voltando a mirar a janela do escritório do meu apartamento no Upper East Side que ficava em frente ao Central Park.

A minha vida tinha mudado e muito nos últimos cinco anos, começando pelo momento em que Isabella me deixou. Eu estava na festa dos meus pais completamente transtornado com a nossa discussão quando recebi a ligação de Jasper sobre a sua partida. Não pensei duas vezes antes de voltar para a casa, querendo mais informações e então saindo atrás dela pelas ruas de Nova York.

Eu nunca a encontrei. Pouco mais de um ano depois, Isabella estava nas telas de cinema, em séries e seu nome era conhecido. Não entendi como aquilo acontecera, não entendia se fora premeditado ou acaso. Queria estar feliz por ela, mas não conseguia, ainda tinha muita mágoa.

Como ela podia ter ido embora sem se resolver? Como ela podia ter fugido depois de tudo o que aconteceu entre nós? Como ela podia ser tão ingrata? Como ela podia achar que um bilhete consertaria tudo?

Depois disso, passei a trabalhar em meu livro com um objetivo em mente: fazer aquele virar um best-seller. Quando se tinha um best-seller em mãos, era de praxe que virasse filme e foi o que aconteceu. Com a ajuda de Royal e seus contatos, eu tive o meu livro de sucesso publicado e agora, dois anos depois, ele se tornaria um filme.

Essa gana para Monstros se tornar um best-seller e, consequentemente, um filme era para trazer Isabella como minha personagem principal. Enquanto escrevia o livro, pensava nela como a personagem Sweet o tempo todo e, agora que tínhamos o livro roteirizado, eu só tive uma exigência: Isabella Swan como minha personagem principal.

Mas nem isso aqueles inúteis conseguiam! Eu sabia que ela iria se recusar, ainda mais depois de ouvir o meu nome, mas eu não voltaria atrás. Ou eu teria Isabella Swan, ou não teríamos filme. Com tudo pronto para o início as gravações, eu tinha certeza de que eles não desistiriam até que conseguissem a mulher para ser minha protagonista.

No meio de toda esta turbulência, eu me apeguei à Irina. Estava frágil e ela estava oferecendo o seu ombro — talvez mais do que isso — naquele momento que eu mais precisava. Tudo aconteceu rápido, em um momento nós estávamos voltando a namorar, mesmo a contragosto da minha família e amigos, e no outro estávamos casando. Ainda me perguntava se havia sido o certo a se fazer, mas agora estava feito e não tinha como voltar atrás.

Não a tratava do modo como ela merecia, sabia disso, mas a nossa relação funcionava daquele jeito. Já fora muito carinhoso com Irina e não havia dado certo, talvez a frieza funcionasse para ela.

Algumas vezes, passava a noite fazendo maratona de filmes que tinham Isabella no elenco na sala de casa e havia sido pego por Irina. Não fazia ideia se ela fingia não ver a minha obsessão pela garota, mas com certeza ignorava.

Respirei fundo e me levantei, saindo do meu escritório e indo transar com a minha esposa como havia prometido que faria.

xxx

— Vamos almoçar com a sua família hoje. Não se esqueça. — Irina falou ainda deitada em sua cama.

— Quem tem que se lembrar disso é você que continua deitada na cama. — Falei, enxugando os cabelos úmidos pelo recente banho.

Irina resmungou e se levantou, andando até mim e selando os nossos lábios.

— Como está a escolha da protagonista? — Perguntou, me abraçando pelo pescoço.

Ela não sabia sobre a guerra para conseguir Isabella para o papel. Como se conheciam e ela sabia sobre o nosso histórico, resolvi não criar caso por enquanto. Quando chegasse a hora, me resolveria.

— Complicado. — Murmurei, tocando a sua cintura.

— Ainda não acharam o seu anjo perfeito? — Ela provocou e eu revirei os olhos. — Sabe que sempre pode recrutar a sua esposa.

— Já falamos sobre isso. — Empurrei o seu quadril e me afastei. Irina estava longe de ser uma boa atriz, mas eu havia colocado a culpa nos produtores por não a escolherem como minha portagonista. — Agora vá tomar banho. Sabe como a minha mãe odeia atrasos.

Ela murmurou mais alguma coisa, mas eu não fui capaz de ouvir, e se fechou no banheiro. Voltei a me trocar e fui até a cozinha, bebendo um copo de água gelada. Me sentei na sala enquanto esperava por Irina, que eu sabia que iria demorar em sua arrumação para um almoço com a minha família.

Achei o contato de Jasper e liguei para o meu amigo, sentindo falta de falar com ele. Poucos toques depois, ele me atendeu e eu pude ouvir uma grande bagunça atrás de si, como uma televisão no último volume.

— Ei, Ed! Quanto tempo! Tudo bem? — Perguntou, sempre animado como era.

— Estou sim e você? — Sorri, mirando os meus próprios pés.

— Estou bem também. Como está a vida? O novo filme?

— Tudo caminhando bem. Ainda a procura da minha protagonista. — Mordi o lábio inferior.

Com exceção dos produtores, ninguém mais sabia sobre a minha loucura com Isabella Swan — nem mesmo a minha família — e eu não tinha intenções de revelar por enquanto ou então temia que eles interpretassem de maneira que me levasse à um manicômio.

— Uma pena. — Suspirou.

— Logo tudo se resolve. Escute, quer ir almoçar na minha mãe hoje? Sei que ela adoraria ter você por lá. — Falei, mordiscando a unha do polegar.

— Não sei. Falarei com Maria e confirmo por mensagem. O que acha?

Depois que saí do apartamento que dividíamos, Jasper começou a se relacionar com Maria, antiga chefe de Isabella, e a levou para morar lá. Eu sabia que eles ficavam juntos esporadicamente, mas jurava que ele era apaixonado por Alice, minha irmã. Talvez fosse apenas um grande galanteador como eu sempre achei.

Há quase dois anos eles estavam juntos oficialmente e, com os nossos novos relacionamentos, acabamos nos afastando. Pouco nos víamos e pouco tínhamos tempo para uma cerveja com um papo jogado fora. Por isso, sempre que tinha oportunidade, convidava o meu melhor amigo para estar conosco em nossos almoços.

— Pode ser. — Assenti, mesmo que ele não pudesse ver. — Até mais tarde.

— Até.

xxx

Jasper não pode ir. Eu sabia que Maria não gostava de mim, mas não entendia ao certo porquê. Também não estava interessado, ela poderia ir se foder. Mas ainda continuaria tentando contato com o meu melhor amigo, isso ela não iria tirar de mim.

Irina estava sentada no sofá mexendo no celular, Alice fazia um novo vídeo para postar em suas redes sociais e a minha mãe tinha acabado de colocar a louça suja na lava louça.

Meus pais haviam se separado há alguns meses e de longe era a melhor decisão que minha mãe havia tomado, já que ela e Alice viviam muito bem sozinhas. Dentre todos os motivos que fizeram a minha mãe mandar o meu pai embora, a gota d'água fora uma traição que havia descoberto.

Apesar de ter sofrido muito, eu e Alice ajudávamos a mulher a passar por aquele período difícil. Não era fácil ser casada com um homem durante anos, ter amado e respeitado, ter feito uma família e no final descobrir que ele era um grande babaca.

— Meu irmão veio aqui hoje. — Alice disse, se aproximando de mim enquanto eu me servia de uma bebida no bar que era do meu pai. — Ele lançou um livro que se tornou um best-seller e agora vai virar um filme! Ed, fala oi!

A câmera estava em meu rosto e eu ria. Quando terminei de me servir da bebida, olhei para a câmera e sorri de lado.

— Olá, seguidores da Alice. Aqui é o Edward. Como vocês podem ver, eu sou o Cullen mais bonito. — Provoquei.

— Cristo, você é tão irritante. — Alice revirou os olhos e voltou a sorrir para a câmera. — Os meus seguidores estão perguntando se você está solteiro.

— Acho que você pode responder isso. — Ergui uma sobrancelha para a minha irmã e dei um gole no meu whisky.

— Pessoal, ele não está solteiro. — Minha irmã olhou na direção de Irina antes de voltar a falar. — Mas caso queiram se candidatar à meu novo ou nova cunhado ou cunhada, eu serei eternamente grata em ajudá-los.

— Alice! — Ergui as sobrancelhas e ri alto. — Você é uma tonta.

— Eu sei. — Sorriu e deu de ombros, voltando para a câmera. — Mas falei sério.

— Cala a boca. — Fiz cócegas na sua costela e ela gritou, se afastando de mim.

— Crianças, não briguem! — Minha mãe ralhou e voltou a ler a revista que tinha em mãos.

Me sentei ao seu lado e fiquei olhando enquanto ela folheava a revista, perdido em pensamentos. Meu coração se acelerou quando Isabella apareceu em uma das fotos da revista. Estava na praia, apenas de biquíni, curtindo com amigos à sua volta. Era verão no hemisfério norte, é claro que ela estava esbanjando o seu dinheiro com os seus amigos ricos.

— Edward? — Minha mãe chamou e eu a olhei. — Você está bem, querido? Sua respiração está acelerada.

— Estou bem. — Tomei o resto do whisky e deixei o copo de lado.

— Quer conversar? — Sussurrou para que só nós ouvíssemos. Ela era minha mãe, é obvio que sabia sobre o que era a minha reação exagerada.

— Não. — Balancei a cabeça em negação, engolindo em seco. — Por favor, não.

Esme fechou a revista, colocou-a de lado, tocou a minha mão e olhou fundo em meus olhos.

— Você foi ver o psicólogo como eu te mandei?

— Não preciso disso. — Debochei.

— Você sabe que precisa. — Minha mãe estava séria. — Não só por ela, mas por uma série de fatores da sua vida, Edward.

— Eu já disse que estou bem. — Disse entredentes.

Minha mãe continuou a me olhar antes de suspirar profundamente, derrotada.

— Caso precise de mim, saiba que eu estarei aqui para ajudá-lo.

— Eu sei que sim, mãe.

— Eu te amo, querido. — Ela beijou o meu rosto e ajeitou os meus cabelos rebeldes. — Mais do que você possa imaginar.

— Também te amo, mãe. Obrigado. — Sorri carinhosamente para ela e beijei a sua testa.

— Pode parar de roubar a minha mãe! — Alice apareceu, agora sem o celular em mãos, e abraçou a nossa mãe pelo pescoço.

— Você pode não saber, mas eu sou o preferido dela. — Provoquei e Alice fez uma expressão chocada para a mãe.

— O quê? Eu não tenho um preferido. — Esme deu um tapa no meu braço e eu ri. — Pare com isso.

— Vocês são tão infantis. — Irina bufou e saiu do cômodo, indo até o corredor que levava aos quartos.

Revirei os olhos e me voltei para a minha família, vendo os seus olhares inquisidores em cima de mim.

— O quê?

— Não vai atrás dela? — Minha mãe perguntou.

— Por que eu iria? — Fiz uma careta. — Deixe que ela aja como uma cretina sozinha.

Alice riu e minha mãe balançou a cabeça em negação.

Meu celular toou no segundo seguinte e eu me levantei ao ver o nome de Marcus, um dos produtores de Monstros, na tela. Atendi e fui até a cozinha, respirando fundo antes de começar a falar:

— Por favor, tenha uma boa notícia para mim.

— As melhores! Oferecemos o dobro e o empresário disse que ela assinará o contrato ainda hoje.

Mercenária do inferno.

— Perfeito. O início das filmagens?

— No próximo mês, senhor. Como o combinado. — Falou e parecia animado.

— Perfeito. Até o mês que vem. — Finalizei a ligação e respirei fundo, recostando a cabeça na parede fria da cozinha.

Eu finalmente teria Isabella de volta na minha vida, mas não conseguia medir o tamanho do caos isso poderia acarretar para as nossas novas vidas.

Notas finais
O que acharam do Edward pós chute da Bella? Muita coisa ainda será revelada no decorrer dos capítulos e vocês entenderam a dinâmica ainda melhor. Além disso: amanhã (segunda) tem mais! Não esqueçam de deixar o seu comentário ;)