Anti-Heróis

6 Deixei Pra Trás Quem Eu Fui


Notas iniciais
Olá, Crepusculete! Queria começar agradecendo à Thata Swan por ter favoritado a história. Estas interações são muito importantes e me deixam extremamente agradecida! Neste Carnaval teremos capítulos todos os dias, começando por hoje (sexta-feira). Estão preparados?

Bella Swan

Ele tinha nojo de mim por eu ser uma puta, tinha certeza disso. Era por isso que ele não me queria, porque eu já tinha passado por muitos homens. Eu não o culpava, talvez tivesse a mesma reação se estivesse na situação contrária, mas não deixava de ficar chateada.

Não queria encontrá-lo na segunda-feira. Não queria ir à biblioteca pública me encontrar com aquele homem. Eu nem tinha roupa apropriada para sair na rua à luz do dia.

— Gatinha? — O homem no banco do motorista me chamou e eu olhei na sua direção. — Chegamos.

Olhei à minha volta e notei que estávamos no estacionamento do motel.

— Vamos nessa. — Pisquei para ele e saí do carro.

Tirei Edward da minha cabeça por um momento porque agora eu tinha um papel a desempenhar.

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Fiquei parada em frente à biblioteca apenas pensando se havia feito a coisa certa ao ir até ali. No que eu estava pensando quando vesti um dos meus únicos pares de calça jeans, minha blusa de alças finas com o meu único sutiã simples e um dos meus poucos pares de tênis? Edward riria de mim por ter ido até ali, por ter aceitado a sua oferta. Talvez ele só quisesse zombar de mim, talvez tivesse pensado em uma desculpa para não foder comigo, talvez por isso ele quis esperar para falar comigo, talvez ele quisesse arrumar uma desculpa.

— O que está fazendo aqui? — A voz masculina perguntou e eu me virei apenas para ver Edward parado com um imenso sorriso.

— Nós não iríamos almoçar? — Franzi o cenho. Era agora que ele ria de mim?

— Sim, eu me lembro. Quero saber porquê você não entrou. — Olhei confusa para ele e voltei o meu olhar para a biblioteca. — Achei que me encontraria lá dentro. Não estava tentada a fugir, certo? — Edward semicerrou os olhos na minha direção.

— Talvez. — Murmurei.

— Que bom que eu cheguei então já que assim você não pode mais fugir. — Piscou para mim. — Vamos. Tem alguns lugares bacanas aqui por perto. — Comentou e começou a caminhar e eu o acompanhei ainda um tanto atordoada. — Mas me diga: demorou muito para chegar até aqui?

— Até que não. — Dei de ombros.

— Eu vou te ajudar com o dinheiro, fique tranquila. — Tratou de dizer, chamando a minha atenção. — O quê? Achou mesmo que eu a faria vir até aqui bancando tudo?

Pressionei os lábios para conter o sorriso e desviei o olhar para frente, sem coragem de encará-lo.

— E não vai querer nada em troca? — Questionei quando já entrávamos em um restaurante.

— Claro que vou. — Respondeu prontamente.

Eu o olhei chocada enquanto ele pedia uma mesa e então nós caminhávamos atrás da garçonete. Sabia que estava muito bom para ser verdade. Edward era um homem, era claro que uma hora ou outra ele iria cobrar os seus favores. Só temia o que ele pudesse vir a pedir.

Quando a garçonete se afastou, eu me recusei a pegar o cardápio e continuei olhando Edward com o seu sorriso malicioso. Por que isso sempre tinha que acontecer comigo?

— OK, vou parar com o suspense. — Edward declarou, deixando o cardápio de lado e sorrindo para mim. — O que eu vou querer é muito simples: a sua companhia. Vamos ser amigos, Marie.

— Amigos? — Franzi o cenho, cruzando os braços e olhando para ele.

— É claro! Nós podemos combinar de almoçar pelo menos uma vez por semana ou então você pode ir em casa tomar uma cerveja, comer alguma coisa. Não se esqueça que você está me devendo desde a última vez. — Pontuou, cruzando os braços em cima da mesa. — E então? O que me diz?

Olhei para ele por um momento e suspirei profundamente.

— Eu sei lá, Edward. Por que você quer tanto ser meu amigo?

Edward projetou o corpo para frente para que só eu pudesse ouvir o que ele diria e imitei o seu gesto, temendo que alguém pudesse nos ouvir. Olhei fundo em seus olhos verdes que eram tão bonitos.

— Porque você está em uma situação delicada, não parece ser daqui, não parece ter alguém que ampare você e eu quero fazer isso, quero ser o seu ombro caso algo dê errado.

— Sem nada em troca? — Semicerrei os olhos.

— Sim, Marie. Sem nada em troca, ou talvez... — Ele fez uma pausa.

— O quê? — Quis saber e o vir rir.

— Talvez eu queira saber o seu verdadeiro nome.

Ri do seu pedido e revirei os olhos.

— Isso deverá vir com merecimento.

— E eu não estou merecendo? — Arregalou os olhos.

Peguei o cardápio e mordi o lábio inferior.

— Um dia eu te conto, Edward.

— Eu posso lidar com isso.

Balancei a cabeça em negação e voltei a minha atenção para as comidas ali. Parecia tudo um pouco caro demais então escolhi um prato mais barato, pedindo uma água para acompanhar. Edward também fez o seu pedido e logo nós estávamos conversando.

— Então eu acertei? Você não é mesmo daqui?

— Não. Parece? — Perguntei, mordendo o lábio inferior.

— Um pouco. O sotaque é diferente. — Deu de ombros. — Mas ainda não sei exatamente de onde.

— Sou de Phoenix, no Arizona.

Edward arregalou os olhos e observou enquanto o garçom entregava as nossas bebidas.

— Não esperava por essa. Estou ganhando a sua confiança?

— Talvez. Você vai ter que descobrir. — Bebi um longo gole da minha água, eu realmente estava com sede. — Você sempre morou em Nova York?

— Sim. Infelizmente. — Fez uma expressão triste.

— Não gosta de Nova York? — Franzi o cenho, tentando entendê-lo.

— Gosto, mas gostaria ainda mais de rodar esse mundo. Se não o mundo então pelo menos o país.

— E por que não vai? Não tem dinheiro?

Edward riu e balançou a cabeça em negação.

— Não. Eu só acho que me perdi.

— Por que eu acho que estou perdendo alguma coisa? — Semicerrei os olhos.

— Você não é a única com segredos, Marie. — Piscou para mim.

Eu não achava que Edward seria inteiramente aberto, mas não imaginava o que ele poderia ter passado. Todos nós tínhamos passados, eu não me orgulhava do meu. O que ele escondia? Me intrigava imaginar que eu ainda tinha tanto o que aprender sobre ele. Mas eu devia? Devia me apegar à alguém? Devia criar laços? Por quanto tempo eu estaria em Nova York até ser descoberta e fugir?

— Tudo bem? — Edward perguntou depois do garçom se afastar.

— Sim. — Assenti, comendo um pouco do meu frango. — Isso está muito bom. — Emendei um novo assunto para que ele não voltasse a me questionar.

— A comida daqui é muito boa. — Concordou. — Não quer experimentar um pouco desta costela?

Olhei do meu prato para o dele e então para ele. O seu sorriso era genuíno e, antes que eu pudesse responder qualquer outra coisa, ele empurrou o prato na minha direção. Pressionei os lábios e peguei um pedaço da sua costela, comendo e arregalando os olhos.

— Isso é realmente muito bom!

— Quer trocar os pratos? — Apontou do meu para o seu.

— O quê? Não. Claro que não. Edward... — Antes que eu pudesse negar mais uma vez, ele já havia pego o meu filé de frango e empurrado a sua costela para mim. — Obrigada. — Soprei, envergonhada.

— Não precisa agradecer. Somos amigos. — Piscou.

— Amigos. — Murmurei, comendo mais daquela costela.

Não me lembrava de algum dia ter comido algo tão bom. Comemos em silêncio apenas apreciando a refeição e a companhia um do outro. Tive dificuldades com a costela em alguns momentos, mas Edward me ajudou e garantiu que era um tanto complicada de comer com garfo e faca. Queria testar com as mãos, mas não faria com que Edward se envergonhasse de mim. Ele estava sendo tão legal comigo.

— Depois quero te levar um pouco na biblioteca. — Edward falou, bebendo um gole do seu refrigerante.

— Por quê? — Franzi o cenho.

— Você não gosta de ler?

— Sim, mas não achei que ia querer que eu visitasse o seu trabalho. — Dei de ombros.

Edward riu e balançou a cabeça em negação.

— Desculpa. Eu me empolgo. Gosto muito de ler e de onde trabalho. — Suspirou e cruzou os braços em cima da mesa enquanto me analisava. — Qual o seu livro preferido?

— Não tenho um. Eu leio muito O Morro Dos Ventos Uivantes, mas ele com certeza não é meu livro preferido. — Fiz uma careta, bebendo o resto da minha água.

— Não preciso nem questionar. A história é toda problemática. — Arregalou os olhos, me fazendo rir. — O que acha de uma sobremesa?

— Edward... Não precisa.

— Não perguntei se precisa ou não. Estou perguntando o que você acha de dividirmos uma sobremesa. — Ergueu as sobrancelhas e uma mão, fazendo com que eu revirasse os olhos.

Ele fez o pedido de uma sobremesa e sorriu para mim.

— Eu não entendo.

— Não tem o que entender, Marie. — Me cortou imediatamente. — Só aceite e confie em mim.

Suspirei e pensei se algum dia ainda confiaria em alguém.

— Terá que trabalhar hoje? — Questionou, atraindo o meu olhar para o seu.

— Ainda não sei. — Apoiei o cotovelo na mesa e o queixo na mão. — Eu sempre tive folga às segundas-feira, mas agora acho que terei que trabalhar todos os dias.

— Isso é uma droga. — Edward suspirou e deu espaço para o garçom colocar a sobremesa, agradecendo antes dele sair. — Se quiser jantar em casa e ficar por lá...

— Depois falamos sobre isso. — Cortei o assunto, vendo o homem assentir e pegar a outra colher e comer o sorvete com brownie em silêncio.

Sabia como as pessoas podiam ser curiosas e não queria ninguém prestando a atenção na nossa conversa.

Edward pagou o almoço e eu permiti que o fizesse. Mesmo insistindo para que ele me mostrasse a conta para que assim eu pudesse retribuí-lo em algum momento, o homem escondeu o valor do início ao fim com a ajuda do garçom que parecia achar graça da situação.

Voltamos para a biblioteca enquanto eu reclamava sobre a atitude de Edward e ele apenas ria.

— Já disse que você pode retribuir com a sua presença. — Paramos em frente à biblioteca e ele abriu a porta para mim. — Vamos. Você vai gostar.

Suspirei e assenti, caminhando para dentro da biblioteca e congelando no mesmo lugar. Era tudo tão lindo, tinham tantos livros e tudo cheirava tão bem. Continuei atrás de Edward enquanto ele mostrava todas as sessões, falando em tom de voz baixa e observando as pessoas lendo nos corredores e mesas espalhadas.

— É surreal. — Sussurrei. — Jasper também trabalha aqui? — Perguntei ao olhar para ele.

— Sim. Ele deve estar almoçando. — Ele tinha um lindo sorriso no rosto. — Gostou?

— Muito. — Assenti.

— Quero que leve um livro. — Edward começou a caminhar pela sessão de romances e tirou de lá uma cópia de Romeu e Julieta. Parecia nova em folha e eu a toquei com cuidado. — É um romance e não fala nada sobre o que envolve sua vida atualmente, então acredito que será um ótimo escape da realidade.

— É perfeito. — Sorri e assenti. — Você...

— Ah, sim. Vou reservar em meu nome e você pode levar. Venha. — Chamou enquanto me guiava até um dos balcões.

Edward fez a reserva enquanto eu ainda observava tudo encantada e me guiou até a saída, entregando o livro para mim.

— Isso não trará problemas à você, certo? — Questionei.

— Não. Não se preocupe com isso. — Sorriu e colocou as mãos nos bolsos da calça. — Prometa que ficará perto de casa.

Olhei para ele por um momento, abraçando o livro contra o meu corpo.

— Por quê?

— Pra eu poder te vigiar... Caso algo aconteça. — Deu de ombros.

Esperei algumas pessoas passarem por nós e umedeci os lábios.

— Algo pode acontecer em qualquer lugar longe do alcanço dos seus olhos. — Ergui uma sobrancelha. Ele sabia exatamente sobre o que eu estava me referindo.

Edward suspirou e cruzou os braços em frente ao corpo.

— Eu sei, mas quero saber que estou tentando te proteger pelo menos. — Deu de ombros.

Dei um passo à frente e sussurrei:

— Por quê? Por que faz tudo isso se não quer me foder? Por que não quer me foder? — Soltei tudo de uma vez, cobrando respostas daquela vez.

Ele olhou de um lado à outro, caminhou para um beco vazio e eu o acompanhei. Eu me recostei na parede e ele se posicionou em minha frente. Seus olhos verdes pareciam queimar o que fez minha espinha gelar. Nossos rostos estavam próximos e nossos narizes se encostaram quando ele falou:

— Porque eu não quero foder uma puta, Marie. Eu quero foder uma mulher. Quero transar com você, mas não pagar por isso porque não quero que seja uma obrigação, quero que seja por prazer. Quero que ambos tenhamos prazer. — Edward afastou o rosto o mínimo e encarou a minha expressão surpresa. — Quero fazer com você o que nenhum outro homem fez. Quero te fazer sentir mulher nos meus braços. — Ele tirou as mãos dos bolsos e colocou ao lado dos meus braços, mas não me tocou. Eu senti os pelos dos meus braços se eriçarem. — Quero te tocar apenas porque você deixou eu te tocar. Não quero ser só mais um cara na sua vida. Quero te marcar, quero que entenda que nem todos os homens são ruins. — Suas mãos subiram ainda sem me tocar e se posicionaram na parede ao lado da minha cabeça. — Não tenho nojo de você por ser uma puta. Eu não me importo com a sua profissão. Eu me interesso pela Marie ou qualquer que seja o seu nome. Acho você uma mulher sexy, gostosa, linda e sensível. Você não merece a vida que leva e eu ainda quero cuidar de você antes de merecer ir para a sua cama.

Não percebi que estava segurando a respiração esse tempo todo até soltar tudo de uma vez, afrouxando o aperto do livro que eu tinha nos braços. Continuei olhando para Edward enquanto processava tudo o que ele havia dito e, mesmo se não fosse verdade, ainda era muito para assimilar.

— Por favor, diga algo. — Pediu, o cenho franzido.

Em um impulso, larguei o livro e toquei o seu rosto, colando os nossos lábios. Fiquei ali, apenas sentindo a textura do seus lábios, sem realmente aprofundar o beijo. Nossas mãos estavam paralisadas e, apesar do susto, Edward parecia ter relaxado segundos depois.

Me afastei rapidamente e peguei o livro, olhando para ele e vendo suas bochechas rosadas, seu sorriso tímido. Sem dizer uma palavra a mais, saí dali a passos largos e tentando conter o sorriso largo que ameaçava nascer.

O que estava acontecendo comigo?

Notas finais
E aí? O que estão achando? Não esqueçam de comentar pra dar aquela forcinha pra autora ;)