Anti-Heróis

1 Dança Pra Mim


Notas iniciais
E cá estou eu, mais cedo do que o previsto! Venho com mais essa novidade, uma fanfic original e que nasceu de uma ideia que não saía da minha cabeça. Espero que vocês gostem e possam aproveitar tanto quanto eu! Toda semana teremos um novo capítulo. Estão preparados?

Edward Cullen

— Mãe, eu não vou conseguir almoçar aí amanhã.

— Toda semana é isso, Edward. Alice sente sua falta. — Minha mãe choramingou do outro lado da linha.

— Não sinto não! — Ouve minha irmã gritar.

— Alice! — Minha mãe ralhou e eu ri. — Não ria, mocinho. Qual será a desculpa da vez?

Suspirei profundamente e recostei a cabeça na prateleira de livros atrás de mim.

— Não tem desculpa, mãe. Você sabe muito bem porquê eu não vou.

Um silêncio se instalou na linha e eu sabia que minha mãe concordava comigo, mas não queria contrariar o próprio marido. Eu não a culpava e tentava entendê-la para que mantivéssemos uma boa relação.

— Vocês têm que resolver isso...

— Por quê? — Interrompi a sua fala. — Eu já tentei e não adiantou. Carlisle é irredutível.

— Ele é o seu pai.

— Era o pai do Emmett também. — Ouvi minha mãe prender a respiração à menção do nome do meu irmão morto. Suspirei longamente e passei a mão livre nos cabelos. — Eu preciso trabalhar, mãe. Eu te amo.

— Também te amamos, filho.

Finalizei a ligação e guardei o celular no bolso da calça, voltando a arrumar os livros nas prateleiras da biblioteca pública onde eu trabalhava.

A minha relação com o meu pai nunca fora distante e ruim. Quando era mais novo, eu me dava muito bem com o meu pai. O problema começou quando eu passei a ter consciência sobre o quanto o meu pai abdicava da própria família pelo trabalho no hospital.

Eu tentei ser compreensível no começo, tentei entender o seu lado, mas ele não esteve ali para perceber quando tudo começou a desmoronar, quando o meu irmão começou a demonstrar claros sinais de depressão, nem mesmo quando ele se suicidou.

Meu irmão tinha apenas vinte anos quando nós o enterramos. Sabia que a pressão por conseguir ser perfeito, para conseguir a atenção do meu pai, para ser um médico tão bom quanto ele foi demais para Emmett e então nós o perdemos. Eu culpava o meu pai por nunca ter se esforçado o mínimo para demonstrar ao meu irmão o quanto ele era capaz e importante, por nunca ter prestado a atenção no filho que mais queria impressioná-lo.

Ao invés de aprender com o erro, o meu pai só se afastou ainda mais. Durante um jantar em família, eu resolvi dizer algumas verdades e Carlisle não ficou muito feliz. Foi por muito pouco que nós não partimos para a força física e, depois daquele dia, eu me mudei para o minúsculo apartamento de Jasper no Brooklyn.

Jasper e eu havíamos nos conhecido na Columbia onde cursávamos literatura. Apesar de toda a pressão, eu não queria seguir a carreira de médico e meu pai não ficou nada feliz na época. Eu e Alice com certeza éramos a decepção do meu pai, já que a garota havia ingressado há pouco na NYU onde cursava moda.

Quando eu saí sem rumo pelas ruas de Nova York com uma mochila nas costas, Jasper prontamente se ofereceu para me abrigar pelo tempo que eu precisasse. A verdade é que nós havíamos nos acomodado e já vivíamos juntos há quase três anos.

Eu teria mudado aquela realidade se Irina não tivesse terminado comigo no ano passado. A loira havia dito coisas horríveis para mim, como sobre eu ser um fracassado e garoto mimado que precisava da atenção do pai. Nem por isso eu havia conseguido superar a loira e ainda me pegava olhando as suas fotos nas redes sociais, me perguntando se ela ainda pensava em mim como eu pensava nela.

Desde que havia terminado o meu relacionamento, tive apenas relações rápidas e vazias. Não era nada mais do que um ou dois meses e sem um envolvimento emocional sequer. Ainda tinha esperanças de voltar com Irina já que ela também não havia começado a namorar com outro. Talvez se eu me mostrasse mais maduro, talvez se tivesse o meu próprio lar, talvez assim ela gostasse de mim.

Se Jasper imaginasse que eu estava tendo pensamentos como aqueles com certeza gargalharia de mim. Quando eu tinha minhas épocas de ficar sozinho e sofrer pela minha ex namorada, era Jasper quem me ajudava apresentando a amiga de alguma garota com quem eles estava ou me levando à alguma festa. Normalmente eu não precisava dizer nada, a minha expressão triste e as minhas últimas pesquisas nas redes sociais me entregavam com facilidade.

Fui para casa mais tarde naquele dia, encontrei Jasper comendo uma pizza e me juntei à ele. Nós costumávamos nos revezar na cozinha, mas era sexta-feira e nós estávamos cansados demais para encostar no fogão e pensar no que cozinhar.

— Nós vamos sair hoje. — Jasper falou, bebendo um gole da sua cerveja.

— Não inventa. — Murmurei.

— Qual é, Edward! O pessoal do trabalho disse que tem uma boate muito boa aqui perto. — Ele se virou para mim e procurou pelo meu olhar, mas eu continuei fixo na televisão. — Tem várias garotas dançando em pole dance, louquinhas para dançar no seu colo e até foderem com você.

Revirei os olhos e bufei.

— Por que eu não estou surpreso?

— Desde quando você não transa, Edward? — Ele questionou e eu tive que pensar por um momento. — Cristo! Você vai foder uma puta hoje à noite nem que seja a última coisa que eu faça.

— Então será, porque eu não pretendo sair desse apartamento e não é você quem vai me obrigar. — Resmunguei, bebendo minha cerveja.

xxx

Jasper encheu tanto o meu saco que eu desisti de resistir e saí com ele. Caminhamos por poucas quadras até estarmos em frente à um prédio de tijolos vermelhos com uma porta da mesma cor aberta. Não haviam letreiros luminosos e com certeza passaria despercebida por qualquer um que não soubesse o que se passava ali.

— Vou fumar um cigarro e já entro. — Informei à Jasper.

— Se você fugir, eu nunca mais arranjo amigas de amigas para você. Estamos entendidos? — Ameaçou com o dedo em riste na minha direção.

— Jasper, eu sou capaz de conseguir as minhas próprias transas. — Resmunguei com o cigarro entre os lábios.

— É claro que consegue. — Ele deu dois tapas leves em meu ombro antes de se afastar.

Continuei a fumar, vendo algumas pessoas passando pelas ruas, animadas ou indo para as suas casas depois de um dia cansativo de trabalho. Poucos entravam ali e eu acreditei que o ambiente estaria vazio. Apaguei o meu cigarro e entrei no local, passando por um segurança antes de conseguir chegar ao meu destino final e perceber que eu estava redondamente enganado.

O ambiente estava repleto de homens em volta do palco, bebendo, recebendo danças de colo, adorando as mulheres semi-nuas que dançavam, bebendo no bar do lado oposto ou apenas conversando entre si. O ambiente era todo em tom vermelho desde as luzes até as cortinas e tinha cheiro de mofo, sexo e nicotina.

Não demorei a avistar Jasper, também sentado na mesa que ficava na beirada do palco e guardando uma cadeira bem ao seu lado enquanto uma garota ruiva dançava para ele.

— Finalmente! Achei que havia ido embora. — Jasper gritou para que fosse ouvido em meio à música alta.

— E ouvir suas reclamações? Muito obrigado. — Resmunguei e beberiquei da cerveja que estava bem ao lado da sua.

A ruiva desceu do palco e veio ao meu encontro, passando uma perna de cada lado do meu corpo e começando a rebolar com uma mão apoiada em minha nuca. Aquilo estava me deixando duro para caralho, a garota era muito gostosa, mas eu realmente não estava no clima.

Ela se debruçou sobre mim e mordiscou minha orelha antes de soprar ali:

— Vamos para a sala reservada?

Ri baixo e toquei a sua cintura, tirando a mulher do meu colo e apontando para Jasper.

— Acho que ele está mais interessado. — Pisquei para ela.

A garota não pareceu decepcionada e se aproximou do loiro com um sorriso imenso enquanto este a recebia com igual felicidade. Não demorou para que ele saísse dali com a garota, fazendo um aceno positivo com o polegar na minha direção.

Jasper era um bom amigo, mas a sua vida girava em torno de quantas mulheres ele conseguia foder por semana e eu me perguntava se ele já não havia pego alguma doença sexualmente transmissível ou engravidado alguém durante aqueles anos.

Não percebi que uma das mulheres havia se aproximado até ver o seu vulto enquanto ela descia pelo pole dance. Fiquei observando a garota de cabelos castanhos, olhos escuros e pele pálida tentando me impressionar. Ela com certeza parecia estar se esforçando para isso e eu não queria ser grosseiro.

Observei o seu corpo, tendo pensamentos pecaminosos com a sua bunda redonda e empinada debaixo daquela saia curta demais. Os seus seios eram pequenos e estavam cobertos pelo que aprecia ser um biquíni preto discreto, mas eu imaginei como seria tê-los em minha boca.

Ao perceber o meu interesse, ela se agachou com as pernas bem abertas na minha direção e eu poderia jurar que se tombasse a cabeça o mínimo conseguiria ver a sua buceta.

— Sala reservada? — Perguntou, mordendo o lábio inferior.

— Ah... Não... Acho que não. — Franzi o cenho, vendo a mulher descer do palco e se aproximar de mim. — Como funciona essa sala reservada?

Ela riu e se sentou em meu colo de lado.

— Você paga 100 dólares pela sala e faz o que quiser comigo lá dentro. — Deu de ombros, tocando o meu pescoço e peito, traçando um caminho perigoso até o meu pau. — E aí? Vai querer ou vai desperdiçar o meu tempo, novato?

Novato? Mas que puta abusada! Não conseguir conter a risada e dei leves tapas na sua bunda.

— Não vou desperdiçar o seu tempo. — Me levantei e ela quase se desequilibrou, precisando se escorar no palco. — Acho melhor procurar alguém que já é experiente. — Pisquei na sua direção e a vi erguer as sobrancelhas.

— Tudo bem. Você é quem perde. — Umedeceu os lábios e voltou a subir no palco, continuando a dançar sensualmente.

Talvez eu realmente tivesse parecido um novato, porque eu era. Nunca tinha fodido uma mulher que cobrava por sexo e não tinha certeza de que aquele era o momento para começar. Eu era um covarde de merda, era isso o que eu era. Um menininho do papai com medo de novas experiências.

Paguei pela minha cerveja e saí dali sem olhar para trás. Sabia que ouviria piadas do meu amigo no dia seguinte, mas poderia lidar com elas se isso significava deixar um lugar no qual eu não me encaixava.

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Como um bom escritor e ser humano empático e consciente, fiquei imaginando a história da garota ruiva com quem Jasper havia transado e a garota morena que havia se oferecido para mim. Como uma mulher chegava àquele ponto? Era por vontade própria? Acreditava que não e, se houvesse alguma, com certeza era uma raridade. Por trás daquelas mulheres sensuais havia uma história triste que nós homens não éramos capazes de entender.

Tive que passar o fim de semana ouvindo Jasper dizer como eu era frouxo e que ele não sossegaria até que eu não fodesse uma daquelas putas. Eu insistira que não voltaria lá e me concentraria apenas em viver enquanto tentava esquecer Irina. Não era enfiando o meu pau em qualquer buceta que eu conseguiria esquecê-la. Isso não funcionara antes e com certeza não funcionaria agora.

Eu havia reservado um dia da semana para tomar café com a minha mãe e com a minha irmã, e elas não poderiam ter ficado mais felizes. Nós conversávamos sobre as aulas de Alice e mamãe contava fofocas sobre os vizinhos que conhecíamos quando uma mensagem chegou ao meu celular. Estava decidido a ignorar, mas a pessoa estava sendo insistente e eu revirei os olhos quando vi que era apenas Jasper.

Toda a minha irritação se esvaiu quando constatei sobre o que se tratava: fotos de Irina com um novo namorado, com um anel de noivado, pronta para casar com um homem que nunca sequer havia aparecido em alguma rede social com ela. Como aquilo havia acontecido? Como de repente todas as minhas chances com Irina estavam acabadas? Como eu havia perdido o meu grande amor?

— Filho? — A minha mãe chamou e eu ergui o olhar na sua direção, sentindo algumas lágrimas escorrendo e fungando. — Filho, o que foi? O que aconteceu?

Não queria parecer fraco, não queria chorar por amor, não queria mostrar que ainda tinha sentimentos por Irina mesmo depois de tanto tempo separados. Por isso limpei minhas lágrimas e me levantei, pegando os meus pertences e abrindo um pequeno sorriso.

— Não é nada, mãe. Preciso ir. Falo com vocês mais tarde.

Não esperei que elas respondessem e saí dali a passos largos, sentindo a dor do sofrimento do amor invadindo o meu peito.

Como Irina poderia ter feito aquilo comigo?

Notas finais
E aí? O que acharam? Não deixem de colocar o seu comentário! Semana que vem tem muito mais!