Anti-Heróis

10 Talvez Eu Possa Descansar


Notas iniciais
Olá, Crepusculetes! Queria agradecer à Titinha por ter marcado que está acompanhando a fic, saibam que é muito importante as interações para que eu tenha o feedback de vocês. E vamos para o penúltimo capítulo deste Carnaval!

Isabella Swan

— Estava tudo muito gostoso. — Jasper elogiou, passando a colocar a louça na máquina.

Edward tinha ido tomar um banho rápido antes de começar a me ensinar a mexer no celular. Eu ainda não havia me acostumado com tanto mimo e me sentia mal por isso. Não continuaria daquele jeito por muito tempo, eu logo arrumaria um emprego.

— Obrigada. Eu sempre tive que me virar, mas nunca soube se minha comida era apenas comível ou realmente boa. — Dei de ombros, terminando de arrumar a mesa. — Jasper. — Chamei e ele me olhou. — Sabe se existe algum lugar onde eu possa arrumar um emprego?

O homem pensou por um momento e se virou na minha direção, secando as mãos no pano de prato.

— Eu posso ficar de olho e te falar assim que souber de algo. O que acha?

— Tudo bem. — Assenti e comecei a caminhar para o quarto.

— Mas não se sinta pressionada em arrumar um emprego. — Paralisei quando ouvi sua voz, prestando a atenção no que ele dizia. — Tome o tempo que precisar para se recuperar do que quer que tenha acontecido. Nós daremos um jeito.

Olhei para ele por um momento, procurando por algo além da verdade e não encontrando. Jasper estava sendo sincero e aquilo fazia o meu coração se aquecer. Ainda não era fácil pensar que um dia ele quis me foder por dinheiro, mas parecia que estava se esforçando para que eu esquecesse, para que deixássemos esse episódio de nossas vidas para trás.

— Obrigada, mas eu estou fazendo isso de coração. — Suspirei e desviei o olhar para os meus pés. — É pior se eu ficar apenas em casa com os meus próprios pensamentos, melhor que eu esteja na rua com um trabalho de verdade e ajudando vocês.

Jasper sorriu e assentiu.

— Você é uma boa garota, Marie.

O nome me fez tremer e eu imaginei que Edward tivesse contado à ele o meu verdadeiro nome àquela altura, mas não se achava digno de usá-lo.

— Pode me chamar de Isabella. Bella. — Sugeri, engolindo em seco.

— Certo, Bella. Seremos bons amigos.

— Espero que sim. — Mordi o lábio inferior.

Edward apareceu na cozinha carregando sua toalha úmida e sorrindo.

— Ei, vocês ainda estão aí.

— Estávamos conversando. — Jasper esclareceu e eu assenti.

Ele olhou de mim para Jasper e jogou a toalha no amigo.

— Vamos ver o seu novo celular? — Perguntou para mim sob os protestos do amigo.

— Vamos. — Assenti e saí dali ainda rindo.

Fomos para o seu quarto, onde eu tinha deixado o celular e me sentei na cama de frente para ele. Coloquei a caixa entre nós enquanto olhava dele para ela, apenas esperando que dissesse alguma coisa. Edward apenas riu antes de dizer:

— Abra o seu presente, Bella. Vá em frente.

Torci o nariz e peguei a caixa, tendo alguma dificuldade, mas abrindo com cuidado e revelando o aparelho. Parecia moderno e eu imaginei o quanto ele tinha gasto com tudo aquilo.

— Eu vou te devolver todo o dinheiro assim que puder. — Prometi.

— Para com isso, Bella. — Edward resmungou enquanto eu tentava mexer no celular. — Quer ajuda?

— É claro que eu quero, Edward! — Arregalei os olhos.

— OK, OK. Vamos lá...

xxx

— Parece difícil. — Resmunguei.

Nós havíamos passado a última hora configurando o celular, baixando aplicativos e aprendendo a mexer neles. Edward era um bom professor e eu achava que poderia lidar com aquilo. Os únicos contatos em meu celular eram dele e de Jasper, e aquilo bastava para mim.

— Você se acostuma. — Ele entregou o celular para mim.

— Acho que sim. — Suspirei e assenti.

Edward se levantou e se aproximou da porta, pronto para ir embora, mas eu o impedi de continuar o seu caminho até outro cômodo.

— Edward. — Chamei e ele me olhou. — Fica. — Pedi e ele pareceu surpreso, virando o corpo na minha direção. — Vamos ver The Good Place até cair no sono.

Ele abriu um sorriso lindo e eu sorri de volta, vendo o homem se aproximar.

— Tudo bem. Eu faço esse esforço por você. — Piscou e eu revirei os olhos.

— Claro, seria muito esforço mesmo. — Murmurei, tirando a bagunça do celular de cima da cama.

— Ei, eu ouvi isso. — Reclamou, deitando em cima do lençol.

— Que bom, porque não estou tentando esconder nada. — Brinquei e o ouvi rir enquanto me enfiava embaixo do lençol.

Edward colocou a série e nós ficamos apenas assistindo em silêncio, aproveitando a companhia um do outro.

— Terminei de ler Romeu e Julieta. — Contei quando o episódio finalizou, erguendo o meu olhar para encontrar o seu.

— E então?

— É uma história ridícula sobre amor. — Ele arregalou os olhos e eu ri. — Quer dizer, quem se mataria por amor? Eles eram burros demais.

— Foi tudo uma consequência de erros. Má comunicação, principalmente. — Pontuou.

— Exatamente. E tudo poderia ser resolvido se as famílias não agissem como se tivessem dez anos de idade. — Dei de ombros.

— É uma ótima análise. — Edward riu. — Eu não esperava por essa.

Ergui uma sobrancelha e peguei o livro na mesa de cabeceira da cama, entregando à ele em bom estado dentro do que eu havia conseguido nos últimos dias. Não era fácil ter extremo cuidado com um livro quando se morava na rua.

— Esperava que eu dissesse que queria um romance como este? Que o amor é lindo? Que foi romântico?

— Na verdade...

— Oh, Deus! Você realmente não me conhece. — Comecei a rir com a mão na barriga, vendo Edward corar e rir junto. — Eu não acredito no amor, Edward. Eu não consigo confiar que o ser humano seja capaz de amar.

Edward me olhou por um momento, ainda mexendo no livro que tinha em mãos antes de falar:

— Eu sinto muito que você tenha vivido uma vida que a tenha feito criar essa imagem sobre o amor.

Franzi o cenho e sorri em deboche.

— E existe outra imagem?

Ele deu de ombros e desviou o olhar para o livro.

— Você não vai saber se nunca tentar olhar por outro ponto de vista.

Fiquei olhando para Edward, a série pausada na televisão enquanto ele folheava o livro em suas mãos. Seu cenho estava franzido, ele parecia pensativo, e eu fiquei imaginando como era a sua vida, o que havia feito aquele homem acreditar no amor.

— Seus pais são casados? — Perguntei, realmente curiosa sobre a sua vida.

Seu olhar encontrou o meu e ele pareceu feliz com o meu interesse em sua vida pessoal.

— São. — Assentiu. — Tiveram três filhos. — Emendou, mesmo que eu não tivesse perguntado.

— Faz sentido. — Umedeci os lábios e me deitei na cama.

— O quê? — Perguntou, se deitando ao meu lado ainda em cima do lençol.

— Você idealizar o amor. As nossas perspectivas de vida foram bem diferentes. — Dei de ombros. — Você passou vinte anos...

— Vinte e três. — Corrigiu.

— Vinte e três? Estou impressionada. Chutaria uns vinte e oito. — Brinquei e o vi arregalar os olhos. — Estou brincando.

— Engraçadinha. — Mostrou a língua, me fazendo rir mais.

— Como eu estava dizendo: você passou vinte anos vendo o casamento perfeito dos seus pais, idealizando um casamento hétero perfeito quando fosse mais velho e se tornou o Edward que é hoje.

Edward riu baixo e balançou a cabeça em negação.

— Nem tudo foi perfeito.

— Aposto que foi mais perfeito do que a minha vida. — Ergui as sobrancelhas.

— Eu não sei. Não posso te dizer se você não me contar. — Provocou e eu semicerrei os olhos na sua direção.

— Bela tentativa. — Fechei os olhos e bocejei. — Ainda estou cansada. — Mudei de assunto, não querendo falar sobre a minha vida com Edward.

— Durma um pouco. — Edward disse, se levantando da cama.

Eu ainda não queria ficar sozinha, estava com medo de ficar com os meus próprios pensamentos, não queria as lembranças ruins invadindo a minha mente mais uma vez.

— Eu estava dormindo na rua. — Contei, fechando os olhos com força e sentindo o meu coração acelerado.

— Por que você estava dormindo na rua? — Perguntou.

Eu abri os olhos, encarando a expressão preocupada de Edward. Não consegui falar mais nada, apenas comecei a chorar copiosamente, enfiando o meu rosto no travesseiro para abafar o choro e não chamar a atenção de Jasper.

Senti o colchão ao meu lado se afundar e eu sabia que Edward havia voltado ao meu lado, mas não me tocava. Foi por isso que eu me arrastei até ele, deitei a cabeça em sua perna e continuei a chorar. Eu não queria me lembrar daquele homem me tocando, não queria pensar naqueles longos minutos, não queria principalmente porque me traziam tantas outras lembranças ruins do passado.

Edward tocou o meu cabelo e eu agarrei a sua calça de moletom, fechando os olhos enquanto me acostumava com a sua carícia em meus cabelos. Ele não havia dito nada até ali, apenas esperando pelo meu desabafo.

— Eu fui estuprada pelo locador do lugar onde morava. — Falei tão baixo que não achei que ele tivesse ouvido.

Ele ficou tenso, paralisando a sua mão em meus cabelos e eu o olhei, vendo que parecia assustado.

— Eu... Bella, meu Deus, eu sinto muito. — Eu poderia jurar que sua voz estava embargada. — Vamos denunciá-lo, vamos fazer alguma coisa...

— E quem vai acreditar em uma puta? — Me sentei, olhando para ele e limpando as minhas lágrimas. — Não faça nada, por favor. Só fique aqui até eu cair no sono.

Edward me olhou por um momento antes de suspirar em derrota e assentir.

— Tudo bem. Eu não vou trair a sua confiança. — Murmurou. — Obrigado por compartilhar algo que parece ser tão difícil para você.

Eu me aproximei dele e deitei minha cabeça em seu peito, sentindo sua mão acariciar as minhas costas. Edward escorregou nossos corpos pelo colchão e cobriu o meu com o lençol com alguma dificuldade.

— Eu precisava tirar isso do meu peito, não sabia por quanto tempo ainda poderia aguentar antes de cometer uma loucura. — Sussurrei, ainda de olhos fechados e aproveitando as suas carícias. — Me desculpa por colocar toda essa carga emocional em cima de você.

— Não se desculpe. Eu gostaria de saber mais sobre você, poder ajudá-la melhor.

— Você já ajuda, Edward. — Agarrei a sua blusa e inspirei o seu perfume. — Só me prometa que não vai me deixar sozinha.

Edward deitou a sua cabeça sobre a minha e passou a acariciar o meu braço com a sua mão livre.

— Eu prometo que não vou te deixar sozinha, não vou te decepcionar e nem permitir que algum mal volte a acontecer com você, Bella.

— Não acha que é muito para prometer? — Bocejei.

— Eu me esforçarei para não quebrar nenhuma dessas promessas.

Eu realmente esperava que sim, porque não sabia se conseguiria lidar com mais uma decepção.

Entre as carícias de Edward e a sua presença, eu não demorei a cair em um sono profundo sem sonhos. Era bom finalmente dormir em uma cama confortável.

xxx

A semana havia se passado mais tranquilamente. Edward não havia tocado no assunto do outro dia e eu agradecia por aquilo. Nós passávamos todas as noites juntos, assistindo série e conversando amenidades, como sobre o dia dele ou a série em si. Eu sempre acordava sozinha e isso passou a me incomodar de um jeito que não devia. Sempre dormira sozinha, não era agora que a solidão me incomodaria.

Eu estava me acostumando a mexer no celular e até havia aprendido novas receitas. Deixava o jantar pronto para quando os meninos chegassem do trabalho e eu sabia que eles adoravam aquilo. Não me incomodava, era o meu jeito de agradecer por me receberem tão bem em sua casa.

— Ei, Bella. Viu a imagem que eu te mandei? — Jasper perguntou enquanto tomávamos vinho na sala de estar depois do jantar na sexta-feira.

— Sobre a entrevista do café? Sim. — Assenti e vi o olhar atento de Edward. — Eu liguei para eles e agora tenho uma entrevista marcada para segunda-feira.

— Isso é ótimo!

— É sério? — Edward perguntou. — Parabéns, Bella!

— Obrigada, pessoal. Mas eu ainda nem consegui o emprego. — Eu ri baixo, sentindo minhas bochechas corarem.

— Mas vai conseguir. — Edward encorajou e eu sorri para ele.

— Precisamos pensar na sua roupa para a entrevista. — Jasper chamou a nossa atenção e sorriu abertamente. — E eu tenho a pessoa perfeita para nos ajudar com isso.

Notas finais
E aí? O que acharam? Bella tá mergulhando de cabeça e confiando no Edward. Será que logo ela conta sobre a sua vida? Não esqueça de deixar o seu comentário ;)