Anti-Heróis

43 Os Meus Monstros


Notas iniciais
Olá Crepusculetes! Muito obrigada por todo apoio e interações que vocês fazem a cada capítulo. Significa muito para mim! ♥ Vamos ao capítulo de hoje? !!! AVISO DE GATILHO !!! No capítulo de hoje existe a narração sobre um aborto espontâneo.

Edward Cullen

Minha irmã promoveu Monstros ao meu lado. Eu não teria conseguido sem ela, não tinha dúvidas sobre isso. Todos os dias eu era forçado a me arrumar e mostrar boa aparência, mas nunca ficava para a exibição do filme ou as festas seguintes. Não voltei a dar entrevistas.

As festas de fim de ano foram melhores. A minha família tentava fazer com que eu me sentisse bem e eu me esforcei por eles. Nenhum deles merecia ver a minha tristeza profunda por um erro meu.

Jasper e Maria se juntaram à nós naquele ano, bem como Royal, mas meu pai não apareceu. Assim era melhor. Exceto por Maria, eu tinha por perto todas as pessoas que eu amava e que me amavam de volta ali comigo.

Nenhum deles havia aprovado a minha atitude e eu havia entendido a gravidade do que eu havia feito apenas quando o caos já estava instalado. De qualquer modo, ir à terapia estava me fazendo bem e eu agradecia por ter forças para ir às minhas consultas semanais.

Quando a segunda semana de janeiro de 2026 se iniciou, eu estava deitado na cama do meu antigo quarto como fazia todos os dias. Ainda era difícil estar ali, mas eu estava ficando velho demais para dormir no sofá da sala da minha mãe. Faltava pouco para o almoço e eu, no modo automático, iria me sentar à mesa para comer com a minha família.

Meu celular tocou na mesa de cabeceira e eu me estiquei para pegá-lo, me levantando rapidamente ao ver o nome na tela. Apertei os botões de modo afobado e acabei finalizando a ligação.

— Merda, merda, merda. — Falei em desespero, procurando pelo número que havia acabado de me ligar.

Antes que eu pudesse achá-lo, o celular voltou a tocar e consegui atendê-lo daquela vez.

— Alô? Bella? — Atendi de maneira afobada.

— Edward? Tudo bem? Liguei em má hora? — Ela perguntou do outro lado da linha, a voz parecia trêmula.

— Não, não mesmo. Quer dizer, estou bem, mas a hora é boa. — Respirei fundo e me levantei, colocando uma mão na cintura e olhando para os meus próprios pés. — Tudo bem, Bella?

— Tudo bem. — Bella fez uma breve pausa antes de continuar, eu apenas esperei. — Você está em Nova York?

— Sim, estou. — Engoli em seco e passei a mão livre pelos fios de cabelo, passando a andar pelo quarto. — E você?

— Também. Será que nós podíamos nos encontrar para conversar?

Mordi o meu sorriso e dei alguns pulos de felicidade. Ela queria falar comigo!

— Claro!

— Perfeito. Na minha casa?

— Ótimo. — Assenti, mesmo que ela não pudesse ver. — Que horas?

— Está livre agora?

— Sim, muito livre. Se tem algo que eu estou, é livre.

Ouvi a sua risada baixa do outro lado da linha e não consegui evitar abrir um enorme sorriso.

— OK. Então pode me encontrar agora?

— Posso. Até daqui a pouco, Bella!

— Até. — Falou antes de finalizar a ligação.

Porra, porra, porra! Não conseguia acreditar que ela queria mesmo conversar comigo, que queria acertar tudo e que não demorariam anos para isso. Sabia que não podia ter esperanças de que algo aconteceria, mas apenas por não perdê-la já me deixava extremamente feliz.

Fui ao banheiro tomar um banho caprichado, mas não demorado. Não queria deixá-la esperando. Coloquei uma blusa de manda comprida e um moletom, junto com calça jeans escuras e tênis nos pés. Fazia frio, mas eu estaria protegido dentro do meu carro até a casa da mulher.

Assim que terminei de arrumar os meus cabelos, que agora estavam cortados por exigência da minha mãe e irmã, peguei as chaves e saí rapidamente do quarto. Minhas meninas estavam na sala assistindo televisão e se viraram com a minha movimentação barulhenta.

— Aonde vai? — Esme perguntou e eu me virei para ela, com a mão ainda na maçaneta na porta.

— Conversar com Bella.

— Edward...

— Ela me ligou, Alice! — Comemorei com um enorme sorriso e vi a expressão surpresa no rosto das duas. — Nós vamos conversar.

— Uau... OK, filho. Tome cuidado. — Minha mãe pediu.

— Tomarei. — Assenti e saí dali, mas falei antes de fechar a porta: — Não me esperem acordadas!

Tudo bem, talvez eu estivesse criando expectativas.

Dirigi com um enorme sorriso no rosto e cantando algumas músicas que tocavam na rádio. Quando cheguei na casa de Bella, ainda tive que enfrentar a imprensa, mas consegui passar por eles sem grande fatalidades. Sabia que a minha presença causaria rebuliço na mídia, mas nós lidaríamos com aquilo depois.

Estacionei o meu carro na parte de fora da casa e fui até a porta, sendo prontamente atendido. Bella também usava um moletom e calças de ginástica, mas os seus pés trajavam meias confortáveis e ela tinha os cabelos presos em um coque. Não havia passado nenhuma maquiagem, mas estava tão linda quanto eu me lembrava.

— Oi. — Sorri para ela.

— Oi, Edward. — Ela mordeu o lábio inferior e me deu passagem. — Fique à vontade.

Entrei e coloquei as mãos nos bolsos da calça, esperando ela passar por mim e nós nos sentamos na sala. A lareira estava ligada e deixava a casa mais quente, e eu agradecia por aquilo. Me desfiz da minha blusa de moletom e fiquei apenas com a que estava por baixo, deixando a peça que havia tirado de lado.

Bella estava virada de frente para mim, as pernas cruzadas em cima do sofá e as mãos unidas em seu colo enquanto ela olhava para o movimento dos seus dedos. Apoiei um braço no encosto do sofá e a olhei, esperando que ela começasse a falar. O silêncio pareceu eterno e cheguei a me questionar se deveria ser eu a começar aquela conversa.

— Então... Como passou as festas de fim de ano? — Ela perguntou e ergueu o rosto, olhando em meus olhos.

— Tranquilo. — Assenti e apoiei uma perna em cima do sofá, me desfazendo dos tênis. — Passei com a minha mãe, irmã e Jasper. Nada demais. E o seu? O que fez?

Eu sabia que ela esteve com Tanya e temia que algo pudesse ter acontecido entre as duas, que ela tivesse descoberto uma paixão escondida pela melhor amiga, mas esperei para saber o que ela falaria.

— Passei as festas com Tanya na Grécia. Foi bom. — Ela abriu um pequeno sorriso e eu engoli em seco, sentindo um frio na barriga. — Você devia ver o tamanho da barriga dela, Edward. Lucy está enorme!

— Uma menina? — Perguntei e ela assentiu. — Isso é muito legal!

— Sim. — Bella mordeu o lábio inferior e seu sorriso morreu.

Mais uma vez o silêncio prevaleceu e eu me senti agoniado. Será que deveria perguntar se nós estávamos acabados? Se ela ficaria com Tanya? Eu não aguentaria ter essas dúvidas dentro de mim.

— E agora vocês estão juntas? — Perguntei com calma e vi o seu olhar confuso na minha direção. — Me desculpa, é que...

— O quê? Não. Claro que não. Eu não me sinto assim sobre ela. — Ela umedeceu os lábios, as sobrancelhas unidas e a cabeça balançando negativamente.

— OK, me desculpa. — Pedi quase em um sussurro.

Bella respirou fundo e endireitou o corpo, olhando em meus olhos antes de voltar a falar:

— Eu te chamei aqui para você ter a oportunidade de se explicar, porque eu realmente quero entender o que aconteceu. Mas está aqui também porque tenho algo importante para te contar e não quero mais esconder.

Fiquei pensativo por um momento, imaginando o que poderia ser tão importante que ela queria me contar, mas não conseguia fazer ideia. Parecia ser algo muito importante e eu senti a ansiedade tomando o meu corpo pouco a pouco.

— Será que podemos fumar um cigarro? Estou nervoso. — Disse, me levantando e vendo a mulher assentir.

— Devo ter alguns cigarros lá no quarto. Espere só um pouco. — Pediu e eu assenti, esperando a garota recostado no corrimão da escada.

Não demorou muito para ela aparecer com o maço e isqueiro em mãos, e eu a acompanhei para a parte externa da casa. Estava um frio infernal, mas eu precisava me acalmar e aquele hábito maldito me dava aquela sensação de alívio.

— Deveríamos parar de cair em tentação. — Ela falou e entregou o isqueiro para mim. — No cigarro, eu quero dizer.

Não consegui evitar um sorriso e assenti, deixando o isqueiro ao lado do maço em cima da mesa em que estávamos sentados.

— É horrível. Olha ao que nos submetemos. Nesse frio congelante, aqui fora, apenas para nos acalmarmos. — Comentei e a via assentir, mais uma vez deixando o silêncio nos predominar. Aquele era o momento certo? Não fazia ideia, por isso respirei fundo e me concentrei em começar a falar tudo o que precisava ser dito. — Eu sei que errei e nunca serei capaz de reparar este erro. Sei que vai ser difícil recuperar a sua confiança, mas eu tentarei isso todos os dias pelo resto da minha vida se você permitir. — Bella continuava a fumar, mas nunca tirava os olhos de mim, nem mesmo para soltar a fumaça por entre seus lábios. — Irina suspeitava de uma gravidez e eu a acompanhei durante longos dois meses em ultrassons. Não fazia ideia se aquele filho era meu ou não, mas não queria negligenciá-lo. Eu sei que deveria ter te contado, mas eu temia tanto a sua reação, Bella. — Engoli em seco e voltei a fumar, puxando a fumaça para os meus pulmões e soltando em seguida. — Quando os quatro meses estavam completos, eu exigi o teste de DNA e ele deu negativo. Ela me ligou contando naquela manhã...

Não fui mais capaz de dizer uma palavra, limpando as lágrimas que haviam escorrido e voltando a fumar.

— Você teria me contado? — Ela perguntou e eu continuei a olhá-la. — Se eu não tivesse descoberto, você me diria mesmo assim?

— Não sei, Bella. — Soprei e balancei a cabeça em negação. — Não faço a menor ideia. Talvez eu contasse depois, talvez omitisse, não faço ideia. Eu só não queria criar alarde, não queria criar um problema em nossas vidas...

— O que você faria caso acontecesse algo assim novamente? Se algo muito importante estivesse acontecendo em sua vida e pudesse afetar a nossa relação, o que você faria?

— Eu contaria, porque já aprendi a minha lição. — Falei com certeza na voz, apagando o cigarro e o deixando no cinzeiro. — É melhor que eu conte no início e nós possamos nos resolver do que esperar para que o problema aumente em proporções que não será possível voltar atrás.

— É fácil falar, vamos ver se você colocará em prática. — Bella deu de ombros e também apagou o seu cigarro. Isso significava que ela me daria um nova chance? Decidi não estragar tudo e me mantive quieto. — Podemos entrar? Estou com frio.

Eu assenti e a acompanhei, sentindo alívio ao sentir a temperatura confortável da casa. Nós voltamos para a sala e nos sentamos um de frente para o outro no mesmo sofá como anteriormente.

— O que eu preciso contar para você é algo sério e que aconteceu poucos meses depois que havíamos nos separado há quase seis anos atrás. — Começou e eu ouvi atentamente, vendo a mulher respirar fundo algumas vezes antes de voltar a falar. — Nós transamos sem proteção, se lembra? A nossa primeira vez. — Eu assenti, sentindo o meu corpo começar a suar frio. — Eu não usava nenhum contraceptivo na época e a pílula do dia seguinte não deve ter funcionado.

— Bella, o que está tentando dizer? — Perguntei, vendo a mulher limpar algumas lágrimas.

— Algumas semanas depois de fazer a minha primeira audição, eu senti enjoos e achei que a menstruação atrasada era pelo nervosismo, por todos os acontecimentos recentes. Então eu resolvi fazer um teste. — Bella apoiou os cotovelos nas pernas e o rosto nas mãos, seu choro aumentando de intensidade cada vez mais.

— Bella...

— Eu contei à James e nunca deixei que a possibilidade de um aborto existisse. — Ela continuou, os soluços constantes e então voltou a me olhar. — Eu queria ter aquele filho, porque sabia que era fruto do nosso amor.

Eu estava tremendo e não conseguia me aproximar, sentindo o meu coração acelerado e minha respiração falha. Um filho nosso. Eu não conseguia acreditar. Com alguma dificuldade, eu perguntei:

— O que aconteceu? Onde está o nosso bebê?

— Eu o perdi. — Ela confessou e eu passei as mãos pelos meus fios de cabelo, sentindo as lágrimas acumuladas escorrerem por meu rosto. — Eu devo ter feito algo errado, devo ter acabado com o meu corpo no primeiro aborto, devo ter tomado pílulas do dia seguinte demais, devo ser podre por dentro. Me desculpa, Edward. Me desculpa por ter escondido isso de você.

Me virei para ela e vi a dor presente em todo o seu ser. Não pensei duas vezes antes de me aproximar e abraçar Bella, que prontamente se aninhou em meu colo e continuou a chorar copiosamente. Acariciei os seus cabelos e apertei os meus braços à sua volta, permitindo que chorássemos juntos.

— Não tem nada de errado com você. — Eu sussurrei e a vi se agarrar em minha blusa. — Me perdoa por não ter estado lá por você. Mas eu estou aqui agora e não pretendo sair do seu lado.

Bella assentiu e continuou a chorar, se acalmando aos poucos assim como eu. Jamais poderia mensurar a dor que Bella sentiu sozinha após um aborto espontâneo do nosso filho e nunca me perdoaria por não estar ao lado dela. Até quando eu traria tanto sofrimento àquela mulher? Eu com certeza não a merecia, mas faria de tudo para que ela fosse a mulher mais feliz do mundo pelo resto dos seus dias.

Notas finais
Ufa, que pesado. Entendem melhor os motivos deles agora? Não esqueçam de deixar o seu comentário e até domingo! ;)