Anti-Heróis
20 Nó Na Minha Garganta
Notas iniciais
Bella Swan
Edward me acordou pouco depois, dizendo que deveríamos tomar banho e voltar a dormir em camas de verdade. Eu ainda lutei contra isso, tentando distraí-lo com beijos, mas ele logo percebeu a minha jogada e me carregou até o banheiro.
Nós tomamos banho inocentemente apesar de termos lavado um ao outro. Edward havia sido incrível durante a transa e eu não poderia estar mais grata por ele ser aquele homem incrível. Eu tinha mesmo muita sorte.
Nos separamos já vestidos em frente à porta do seu quarto, onde a sua irmã dormia. Ainda o beijei por longos minutos antes de deixá-lo ir e voltar a me deitar. Para a minha sorte, Alice estava encolhida em um canto e eu me ajeitei ao seu lado, observando enquanto o sol nascia na janela.
Eu estava vivendo um sonho do qual não queria acordar tão cedo.
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Assim que acordei para o café da manhã no dia seguinte, os três já estavam reunidos em volta da mesa de jantar enquanto conversavam. Me sentei ao lado de Alice e sorri para para todos antes de desejar bom dia.
— Dormiu bem? — Perguntei para Alice.
— Sim. — Ela assentiu, comendo a sua torrada e trocando um olhar cúmplice com Jasper. — Mas a casa estava barulhenta de madrugada.
Congelei com a mão na jarra de café e olhei para Edward, que parecia sem graça.
— Como assim? — Pigarreei e me servi de um pouco de café.
— Não sei te explicar. Parecia que alguém estava gemendo pelos corredores. — Alice disse, mordeu o lábio inferior e Jasper explodiu em uma gargalhada.
— Vocês são infantis à esse ponto? — Edward revirou os olhos e esticou a mão sobre a mesa, vendo que eu sorria sem graça. — Não ligue para eles, Bella.
— Ah, Isabella! Quem não te conhece, que te compre... Ai! — Jasper rosnou e recebeu um olhar feio de Edward.
— Isso é para você parar de ser um idiota.
— O que ele quer dizer? — Alice me perguntou e eu engoli em seco.
— Não quer dizer nada. — Edward cortou a irmã e eu me levantei. — Bella?
— Não estou com fome, pessoal. — Saí dali a passos largos.
Entrei no quarto, fechando a porta atrás de mim, mas nunca a ouvindo fechar no baque como deveria. Edward logo me pegou em seus braços e eu me permiti chorar, me virando para abafar o choro em seu peito.
— Não, anjo. Por favor. — Pediu, acariciando os meus cabelos enquanto eu continuava a chorar, tendo dificuldades para me manter em pé.
— Isso sempre vai me assombrar? — Olhei para ele, soluçando e fungando.
— Eu vou conversar com ele. — Prometeu e limpou as minhas lágrimas. — Não acho que tenha feito por maldade, Jasper não tem muita noção do que diz.
— Isso não me magoa menos, Edward. — Balancei a cabeça em negação e passei as mãos pelo rosto.
— Sinto muito, meu amor. — Edward beijou o meu rosto e eu abri um meio sorriso. — O que foi?
— Você me chamou de amor. — Sussurrei e toquei o seu peito.
— Você gosta? — Perguntou com um enorme sorriso.
Assenti e o abracei.
— Mas prefiro "anjo". — Confessei, sentindo Edward beijar o topo da minha cabeça.
— Estava pensando em almoçar com a minha mãe na semana que vem. — Ele começou a falar e eu o olhei, apoiando o queixo em seu peito. — Quero que você vá.
— Por quê?
— Quero apresentar a minha namorada. — Edward colocou uma mexa do meu cabelo atrás da orelha e beijou a minha testa.
— Edward...
— O quê? — Riu e ergueu as sobrancelhas.
— Sem um pedido oficial? — Fiz um pequeno bico.
— Droga, eu sou um idiota. — Edward beijou o meu bico e eu ri.
— Tudo bem. Não somos o casal mais normal do mundo. — Acariciei o seu rosto e fiquei na ponta dos pés para beijar os seus lábios brevemente.
— Então isso é um sim?
— Sobre? — Ergui uma sobrancelha.
— Sobre conhecer a minha mãe e ser oficialmente a minha namorada. — Mordeu o lábio inferior.
— Sim, para as duas coisas.
Edward me ergueu e girou, fazendo com que eu soltasse um gritinho.
— Você é maluco! — Falei quando ele me colocou no chão.
— Casal? — Ouvimos a porta abrir e Jasper entrar. — Posso interromper?
Edward me olhou e eu assenti.
— Claro, Jasper. Entre aí. — Falei, indo me sentar na janela.
— Vou deixar vocês à sós. — Edward falou, saindo do quarto e fechando a porta trás de si.
Jasper continuou parado à poucos metro de mim, as mãos na calça de moletom enquanto fitava os próprios pés.
— Eu queria pedir desculpas, Bella. Não fazia ideia de que esse assunto te magoava e muito menos que Alice não sabe sobre o seu passado. — Ele falou, colocando os olhos em mim e engolindo em seco.
Respirei fundo e vi a verdade em seus olhos, sabendo que Jasper não havia falado nada com maldade, como Edward mesmo havia dito. Me levantei e caminhei na sua direção, esticando a mão na sua direção e vendo a sua expressão confusa antes de tocar a minha mão em um aperto desengonçado.
— Aceito as suas desculpas. Só peço para que você esqueça tudo sobre o meu passado.
— Tudo bem. Não se preocupe. Posso te abraçar? — Perguntou com timidez.
Eu ri e assenti, abraçando o amigo de Edward.
— Você faz bem ao Edward. — Ele disse quando se afastou. — Por isso gosto de você.
— Obrigada, Jasper. — Sorri abertamente.
— Que tal irmos terminar aquele café?
— Ótima ideia. — Concordei e saí do quarto com ele.
Ao voltar para a mesa de jantar com Jasper, encontramos Alice e Edward conversando animadamente.
— Tudo bem? — Alice perguntou, me abraçando de lado e eu assenti. — Se precisar conversar, sou toda ouvidos.
— Obrigada, Alice. É bom saber. — Sorri para ela.
Quando me voltei para Edward, o vi piscar na minha direção. Eu era completamente apaixonada por aquele homem e pela nova vida incrível que ele me proporcionava.
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— Mesa 16, Isabella. — Maria disse, entregando uma bandeja pra mim.
O café estava lotado e eu corria de um lado à outro. Não fazia ideia se conseguiria almoçar com Edward, Esme e Alice naquele dia. Não acreditava que ia ter que cancelar o primeiro almoço oficial com a minha sogra que não sabia que era a minha sogra.
— Aqui está, senhor. Um cappuccino e um brownie. — Falei, sorrindo para o homem loiro sentado na mesa 16.
— Obrigado...
— Isabella. — Completei.
— Muito prazer, Isabella. — Ele esticou a mão na minha direção e eu franzi o cenho, mas toquei a sua mão em um cumprimento formal para não ser rude. — Sou James Hunter. Já pensou em ser uma atriz?
— O quê? — Eu ri e balancei a cabeça em negação. — O senhor está brincando comigo, certo?
— Claro que não. — Ele tirou um cartão do bolso da camisa e esticou na minha direção. — Eu empresario alguns famosos que hoje participam de grandes filmes de Hollywood. Te observando pelo café, vi um grande potencial e estou interessado em agenciá-la. O que acha?
Olhei para ele e então para o cartão, que continham o seu nome, o nome da agência e seus contatos.
— Isabella! — Maria chamou.
Mordi o lábio inferior, sem tempo para ponderar sobre aquilo.
— Até quando posso te dar uma resposta?
James abriu um largo sorriso e se recostou na cadeira.
— Quando quiser. Estarei esperando pelo seu sim.
Engoli em seco e pressionei os lábios, guardando o cartão no bolso da calça jeans antes de me afastar e voltar a trabalhar.
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Quando chegamos ao restaurante, Esme e Alice já nos esperavam. Fomos recebidos com abraços calorosos e sorrisos largos.
— Estamos tão felizes por Edward ter trazido você para o nosso almoço, Bella. — Esme disse, tocando a minha mão por cima da mesa.
— Obrigada, Esme. É muita gentileza sua. — Sorri e olhei para Edward.
— Trouxe ela para almoçar conosco com um objetivo. — Edward começou a falar, indo direto ao ponto e se virando para a mãe. Eu conseguia ver Alice quase quicando de felicidade em seu próprio lugar. — Mãe, eu e Bella estamos namorando.
Esme colocou a mão em frente aos lábios, mas era possível ver o seu enorme sorriso.
— Oh, meu Deus! Eu estou tão feliz! — Ela se levantou e veio nos abraçar fortemente. — Edward, finalmente você colocou um pouco de juízo nessa sua cabeça!
— Mãe, se acalme! — Edward disse quando sua mãe se afastou.
Àquela altura, tínhamos chamado a atenção de boa parte do restaurante, que nos olhavam com curiosidade.
— Bella, querida, estou tão feliz! — Esme suspirou, acariciando o meu braço que repousava em cima da mesa. — Você é tão linda. — Ela se virou para Edward. — Vocês farão bebês tão lindos!
— Mãe! — Edward ralhou.
Eu arregalei os olhos e ouvi Alice gargalhar.
— Só estou dizendo a verdade. — A mulher deu de ombros e sorriu.
— OK, vamos fazer nossos pedidos. — Ele chamou o garçom, impedindo que a mãe dissesse algo mais.
— Estou tão feliz por você finalmente ser oficialmente minha cunhada, Bella! — Alice falou quando o garçom se afastou com os nossos pedidos anotados e eu sorri para ela.
— Querida, podemos fazer um jantar com os seus pais. O que acha? Eles podem vir na nossa comemoração de aniversário de casamento! — Esme bateu palmas.
Eu engoli em seco e vi Edward ficar tenso. Não cabia à ele dizer algo, porque eu nunca havia dito nada sobre meus pais.
— Eu sou órfã, Esme. — Expliquei.
— Oh, querida. Eu sinto muito.
— E tem algo que eu preciso contar. — Edward interrompeu a mãe e eu o olhei confusa. — Bella está morando comigo há três meses.
— Vocês jovens são muito avançados. Minha cabeça de velha está ficando confusa. — Esme arregalou os olhos na direção da mesa e colocou a mão na testa. — Vou querer saber dos detalhes?
Olhei para Edward, temendo que já emendasse a história completa.
— Deixa para uma outra hora. — Edward disse e eu abri um sorriso aliviado.
— Eu quero saber. — Alice fez um pequeno bico.
— Problema seu. — Edward bebeu um gole da água da sua irmã.
— Ei! — Ela reclamou e eu ri.
— Não comecem, vocês dois. — Esme falou, olhando para os filhos. — Finjam que são comportados na frente da Bella.
Eu ri e balancei a cabeça em negação.
— Estou acostumada com a implicância desses dois. — Confessei.
— Ter filhos é muito difícil, Bella. Mas garanto que são uma bênção. — Esme se aproximou, voltando a tocar a minha mãe. — Por favor, me dê netos.
Eu ri e Edward chamou a atenção da mãe mais uma vez enquanto o garçom servia os nossos pratos.
— Vocês viram que Irina terminou o noivado? — Alice falou depois que o garçom se foi.
— Não me importa. — Edward murmurou, começando a comer.
— Quem é Irina? — Perguntei, olhando para todos à mesa.
Esme olhou para os filhos, Edward continuou a comer e Alice fez uma careta.
— Minha ex noiva que terminou comigo há pouco mais de um ano e noivou há alguns meses. — Edward disse, dando de ombros.
Não respondi nada, continuei a comer em silêncio enquanto Alice e Esme falavam sobre a festa de aniversário de casamento dos progenitores dos Cullen.
Fiquei pensando sobre o quanto escondíamos um do outro, sobre o quanto do nosso passado não havíamos partilhado e mesmo assim havíamos nos tornado namorados. Será que o passado tinha tanta relevância? Eu tinha certeza que o meu tinha a capacidade de acabar com qualquer ligação nossa.
Passei o resto do almoço em silêncio, assentindo e sorrindo quando algo era dirigido para mim, mas os pensamentos estavam longe. Pensei sobre a proposta que havia sido feita por James Hunter, sobre o sonho de ser atriz nunca ter passado pela minha cabeça, mas não poder ser descartado.
Será que era um ideia tão ruim assim? Será que Edward me apoiaria caso eu quisesse seguir aquela carreira? Será que valia a pena tocar naquele assunto com ele? Apesar de ser um homem incrível, temia por sua reação.
Talvez eu devesse jogar o cartão fora e nunca mais pensar naquele assunto.
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