Anti-Heróis
18 Me Deixa Louquinho
Notas iniciais
Bella Swan
Nós não voltamos a tentar uma transa e uma semana havia se passado mais comum do que eu poderia ter imaginado. Eu e Edward nos limitávamos a beijos e carícias, nada que indicasse sexo, e eu estava frustrada.
Queria transar com Edward, queria foder com o meu... Edward, mas não conseguia. Apenas a ideia dele meter o dedo em mim já me trazia lembranças ruins. Talvez eu devesse deixá-lo em paz, deixar com que ele procurasse outro alguém que pudesse fazê-lo feliz.
Derramei o café na minha mão e rosnei, era a milésima vez no dia que eu errava na dose.
— Bella? — Maria chamou e eu a olhei. — Pode ir almoçar, eu cuido de tudo por aqui.
— Maria, eu...
— Pode ir, Bella. Você está precisando esfriar a cabeça. — A latina se posicionou em minha frente e começou a refazer o café.
Me afastei até os fundos logo depois de lavar a mão, guardando o meu avental e pegando a minha carteira. Havia combinado de me encontrar com Edward no parque para que pudéssemos comer cachorros quentes.
Essa minha cobrança pessoal não tinha nada a ver com alguma pressão de Edward. Pelo contrário, o homem era fodidamente perfeito e nem sequer dava indícios de que seu sentimento havia diminuído após o episódio da noite do seu aniversário.
Não falei sobre aquilo com ninguém e acreditava que Edward também não. Jasper às vezes soltava algumas indiretas sobre algo ter acontecido depois de termos sumido da boate no outro dia, mas nenhum de nós caía no seu jogo e ele continuava apenas na curiosidade, imaginando o que poderia ter acontecido.
Eu agradecia por Edward guardar o nosso segredo, manter aquela situação entre nós. Aquilo era algo para ser tratado na nossa intimidade, sem envolver terceiros, e me admirava Edward entender isso. Ele era um homem, como um nunca havia visto nenhum outro antes, mesmo que já tivesse tido tantos entre minhas pernas.
Comprei os nossos cachorros quentes e um refrigerante, me sentando na grama e vendo o homem se aproximar pouco depois com um enorme sorriso. Ele se jogou ao meu lado e eu sorri, selando os nossos lábios e entregando um dos cachorros quentes para ele.
— Como você está? — Perguntou, mordendo um pedaço do cachorro quente.
— Uma merda. — Suspirei e ele franziu o cenho. — Estou em um dia ruim no trabalho, fazendo tudo errado, e Maria parece irritada comigo. — Fiz uma careta e mordi o meu cachorro quente.
Edward tocou o meu joelho e fez uma carícia despretensiosa na região.
— Todos temos dias ruins, Maria vai entender isso. Não se preocupe.
Suspirei e continuamos a comer em silêncio, dividindo o refrigerante e aproveitando a companhia um do outro. Ele acabou primeiro e deitou a cabeça em minhas coxas enquanto eu fazia um carícia em seu rosto. Terminei de tomar o refrigerante logo depois de comer e notei que ele me observava com curiosidade.
— O que foi? — Perguntei, passando a acariciar os seus cabelos.
Ele acariciou o meu braço que agora descansava em seu peito e engoliu em seco antes de falar:
— Bella, eu estava pensando... Por favor, não entenda mal e nem se sinta pressionada, mas eu acho que você deveria procurar um psicólogo.
Eu fiquei em silêncio, apenas olhando ele por um momento antes de respirar fundo.
— Está falando isso porque...
Edward se sentou, passou as mãos pelos cabelos e se virou para mim.
— Por causa do seu trauma com sexo, você sabe.
— Achei que você esperaria para que isso passasse. — Fiz uma careta, tentando conter as lágrimas e sentindo meu peito se apertar. Eu estive errada sobre Edward esse tempo todo?
— E eu vou esperar, Bella. Eu posso viver sem isso, mas só quero você bem. — Ele tentou tocar as minhas mãos e eu me afastei, limpando algumas lágrimas teimosas. — Bella, por favor, eu tenho a melhor das intenções, você sabe.
Balancei a cabeça em negação e funguei, tentando conter mais lágrimas para não chamar a atenção.
— Eu não estou louca, Edward.
— Eu nunca disse que estava. — Ele tocou o meu ombro e eu o olhei com mágoa. — Por favor, meu anjo. Não faça assim. É muito comum as pessoas fazerem terapia, seria bom para você se abrir com alguém.
Queria ser capaz de confiar nele, de acreditar nele, de dizer que estava tudo bem, que eu procuraria pelo psicólogo, mas não conseguia. Simplesmente não conseguia naquele momento e, antes que eu dissesse algo que pudesse me arrepender, me levantei.
— Aonde vai? — Edward perguntou, também se levantando.
Joguei nossos lixos na lixeira mais próxima e ouvia enquanto ele me acompanhava.
— Bella? Por favor, vamos conversar...
Me virei para ele e por muito pouco o seu peito não se chocou contra mim.
— Só... Me deixa sozinha, OK? Nos vemos a noite. — Ia me virar, mas não contive a minha língua e sibile: — E não se preocupe, eu vou dar pra você em breve, sem precisar da pressão pela busca de um psicólogo. Caso não queira esperar, eu tenho certeza que Jasper tem uma porção de números para os quais você pode ligar e foder a qualquer hora.
Não dei espaço para que voltasse a falar, continuei a andar a passos largos deixando que ele me chamasse. Não olhei para trás, estava irritada demais para tomar uma decisão racional.
xxx
Eu não fiz o jantar naquela noite e avisei os garotos que não faria. Não sentia fome e fui deitar logo depois de tomar um chá. Estava jogando em meu celular, pronta para dormir, quando Edward bateu à minha porta pedindo para entrar.
— O quarto é seu. — Resmunguei e deixei o celular de lado, cruzando os braços.
Ele se aproximou sem dizer nada, se sentando ao meu lado e esperando que eu o olhasse, mas continuei fitando os meus próprios pés enquanto esperava que ele dissesse algo.
— Vai continuar brava comigo? — Perguntou e eu revirei os olhos. — Eu te trouxe um presente.
— O quê? Uma consulta com o psicólogo? — Debochei.
— Bella. — Chamou e pegou a minha mão, desfazendo o cruzar dos meus braços. — Olha pra mim. — Pediu e eu o fiz, sem desfazer a expressão séria. — Me desculpa. Eu não quis dar a entender aquilo.
— Mas deu. — O cortei e recolhi minha mão, voltando a cruzar os meus braços.
— Eu me expressei mal, não era o momento certo para dizer algo como aquilo.
Suspirei longamente e continuei a fitar a sua expressão de piedade. Eu também não estava sendo razoável, tinha que entender que Edward queria o meu bem e aprender a confiar nele de verdade. Sabia que ele sempre foi verdadeiro ao querer o meu bem e, apesar de ter razão no meu exagero, teria que aprender a lidar com aquilo sozinha, tinha que ser compreensível se não fosse aceitar a ajuda profissional.
— Aqui. — Ele voltou a falar e esticou para mim um livro com uma capa convidativa.
— Orgulho e preconceito? Propício. — Elogiei e ele riu.
— Espero que você goste de Mr. Darcy e Elizabeth Bennet tanto quanto eu.
— Essa também tem filme? — Perguntei, olhando para ele. — Quero assistir para conseguir visualizar os personagens do livro.
— Sim. — Assentiu e veio se sentar mais perto, colando as costas na cabeceira da cama como eu. — Quer assistir?
Olhei para ele, ponderando se deveria dar aquele voto de confiança para ele, e não demorou para aqueles olhos verdes hipnotizantes me convencerem de que eu deveria perdoá-lo, confiar nele e assistir ao filme que deu vida ao livro que eu tinha em mãos.
— Vou fazer pipoca. — Avisei, deixando o livro de lado e saindo do quarto.
xxx
— Então eu falei: você ficou emocionado sozinho, meu amor. Então peguei minhas coisas e saí da casa dele. Atualmente o macho lixo encontra-se bloqueado em todas as redes sociais, inclusive não consegue mais me ligar também. — Alice finalizou, fazendo todos na mesa rirem — exceto por Edward.
— Qual é! Foi uma boa história. — Belisquei a sua barriga e beijei o seu rosto.
Já fazia uma semana desde a nossa conversa e estávamos bem. O assunto psicólogo não veio à tona novamente e eu agradecia por aquilo. Nossos beijos não passavam daquilo e, apesar de insegura, eu precisava confiar que ele cumpriria sua palavra, que me esperaria até que eu estivesse pronta para transar.
Alice havia ido nos visitar naquele sábado e era sempre uma alegria quando a irmã de Edward estava por perto.
— Não quero ouvir uma história sobre uma transa fixa da minha irmã. — Resmungou.
— Como se você não transasse. — Alice bebericou do seu vinho e olhou no relógio. — Cristo, eu preciso ir embora.
— Nada disso, mocinha. — Edward se levantou e pegou as chaves do carro de Alice. — Você não vai dirigir e nem pegar um táxi estando assim.
— Eu estou bem. — Ela revirou os olhos.
— Você pode ficar e nós planejaremos o aniversário de casamento dos seus pais. — Sugeri.
Alice me olhou, seus olhos brilhando em alegria, e abriu um enorme sorriso.
— Sim, sim, sim! Parece ótimo! — Ela se levantou, deixando o vinho de lado e vindo se sentar perto de mim, onde antes estava o seu irmão. — Eu tenho tantas ideias!
Abri um pequeno sorriso e olhei na direção de Edward enquanto ela continuava a falar. Edward sorria na nossa direção e piscou para mim, parecendo feliz com a nossa interação. Jasper também sorria, mas olhava para a irmã do melhor amigo e eu mordi a língua para não soltar uma provocação.
Me voltei para Alice, prestando a atenção no que ela falava enquanto Jasper e Edward engatavam em uma conversa entre si.
Era difícil acreditar que, depois de passar pelo inferno, eu tinha uma vida tão próxima do normal quanto aquela e me sentia tão feliz quanto jamais fui. Eu era grata por Edward ter me encontrado naquela boate e por tudo o que ele tinha feito por mim até ali.
xxx
Caminhei para fora do quarto, fazendo o mínimo de barulho para não acordar Alice. Eram quase duas da manhã e eu ainda não conseguira dormir. Não trabalharia no dia seguinte, para a minha sorte, ou então ficaria exausta.
Estava indo até a cozinha quando topei com Edward no sofá da sala, colocando a mão no peito e sufocando um grito. Ele pareceu conter a risada e me chamou para sentar ao seu lado. Fui até ele e me aconcheguei ao seu lado, vendo o homem deixar o celular de lado.
— O que está fazendo aqui? Jasper te expulsou? — Sussurrei, agarrando sua camiseta e afundando o meu rosto em seu pescoço, sentindo o seu braço me envolver.
— Não, ele só é muito espaçoso e nós acabamos em uma conchinha. — Confessou e eu ri.
— Sempre soube que vocês eram mais do que amigos. — Olhei para ele e o vi revirar os olhos. — Não menti.
— Mentiu sim. — Edward selou os nossos lábios. — O que está fazendo acordada a esta hora? — Perguntou, acariciando os meus cabelos com a mão livre.
— Perdi o sono. — Fiz uma careta. — Para a sua sorte, agora podemos ficar nos beijando e recuperar o tempo perdido esta noite.
Edward riu e assentiu, aproximando os nossos lábios e começando um beijo calmo. Embrenhei meus dedos em seus cabelos e retribuí o beijo, deixando com que nossas línguas dançassem em nossas bocas e senti suas mãos subindo e descendo por minhas costas.
Em um impulso, me sentei em suas coxas e continuei a beijá-lo, suas mão repousadas nas minhas coxas sem malícia. Toquei o seu pescoço e peito, descendo minhas mãos por sua barriga e voltando aos seus cabelos.
Distribuí beijos por seu queixo e mandíbula, mordendo o seu lóbulo enquanto suas mãos subiam até a minha cintura, apreciando a minha carícia.
— Acho que senti sua falta. — Soprei ao pé da sua orelha. — Por isso não consegui dormir. — Beijei o seu pescoço, ouvindo a sua risada baixa e o olhei. — O que foi? Vai dizer que também não sentiu?
— Senti e muito. — Ele selou os nossos lábios demoradamente.
Olhei para ele, iluminado pela luz que entrava pela janela da sala, e senti o meu coração errar uma batida. Ele era tão lindo e tão tentador. Por que eu não conseguia simplesmente transar para esse homem incrível?
— No que está pensando? — Ele perguntou em um sussurro, colocando os meus cabelos atrás da orelha.
Mordi o lábio inferior e voltei a deslizar minhas mãos por sua barriga, brincando o cós da sua calça de moletom.
— Estou pensando... — Aproximei meus lábios do seu pescoço e lambi a região, soprando em seguida e vendo o homem estremecer. — Em te chupar.
Dito isto, coloquei minha mão dentro da sua calça, mas fui impedida quando sua mão agarrou o meu pulso e o olhei confusa.
— Bella, não. — Ele me olhou nos olhos e eu vi a apreensão ali. — Não quero que você faça isso.
— Por quê? Você não me deseja? — Franzi o cenho.
— Porra, eu já disse que te desejo pra caralho. Mas eu não quero que você se sinta forçada à isso.
— O que te faz pensar que eu estou sendo forçada? — Cruzei os braços e me sentei em suas coxas, erguendo uma sobrancelha para ele.
— Você sabe muito bem o porquê estou pensando isso.
Bufei e revirei os olhos.
— OK, talvez eu tenha exagerado um pouco na minha reação no outro dia, mas agora eu quero mesmo o seu pau na minha boca.
— Não me provoca assim, Bella. — Rosnou.
Sorri vitoriosa e saí do seu colo, me ajoelhando na sua frente.
— Eu sei que você quer tanto quanto eu.
Toquei a barra da sua calça e o olhei, esperando pela sua reação. Quando ele ergueu o corpo para que eu abaixasse a sua calça, abri um enorme sorriso.
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