Anti-Heróis
31 Fizemos Tudo Errado
Notas iniciais
Bella Swan
Eu não me levantei de imediato, porque não tinha forças para isso, mas o fiz assim que senti segura o suficiente de que minhas pernas não me trairiam. Caminhei na direção do banheiro para fazer xixi e tomar um banho em seguida, sem dizer uma só palavra.
Esperava que Edward fosse embora dali. Se vestisse e saísse. Queria que ele fingisse que nada aconteceu, mesmo sabendo que, para nós, aquilo seria impossível.
Apoiei a testa na parede fria e respirei fundo, sentindo a água quente batendo nas minhas costas. Eu precisava me acalmar, havia passado por uma crise na noite passada enquanto mantinha Zafrina ao telefone, conversando comigo o tempo todo, e tudo o que eu menos precisava era ter outra naquele momento.
— Bella? — Ouvi Edward me chamar e me cobri com as mãos, olhando para ele através do box e limpando a gotículas de água que se acumularam ali enquanto o ouvia rir. — Eu já vi o que tem aí.
— De novo isso? O que foi? Já conseguiu o que queria, agora pode ir. — Falei, pegando um pouco de shampoo e passando nos cabelos.
— O quê? Bella, não é assim. Nós dois queríamos. — Ele resmungou e pelo canto do olho vi que estava jogando a camisinha no lixo.
— Você me coagiu no meu momento de fraqueza. Veio até aqui porque estava com tesão pensando em mim e Tanya. — Acusei.
Ouvi um barulho de líquido se chocando com outro. Ao abrir os olhos, encontrei Edward fazendo xixi sem se importar com a minha presença.
— Que merda você pensa que está fazendo, Cullen?! — Gritei, vendo o homem se assustar e derrubar um pouco da urina para fora da privada.
— Merda, me desculpa, é que... Porra, isso é muito íntimo, né? — Ele perguntou, passando a limpar a bagunça que havia feito.
— Você é um imbecil. — Murmurei, voltando a lavar os meus cabelos.
— Pode ser, mas não usei você e Tanya de fetiche. — Explicou enquanto lavava as mãos. — Na verdade, eu estava bem irritado antes de chegar aqui. Eu realmente achei que vocês ainda estavam trepando, mas ao ver o seu estado percebi que estava sendo só um grande idiota. — Ele fez uma careta e eu pude vê-la pelo espelho.
— E aí me comeu por dó do meu estado terminal? — Perguntei, voltando a me lavar com o sabonete e vendo o homem vestindo a cueca que havia levado consigo para o banheiro.
— Não. Eu só fiquei irritado pelo jeito como você falou comigo. — Deu de ombros e eu ri, balançando a cabeça em negação e revirando os olhos.
— E aí transou comigo? — Ergui uma sobrancelha, olhando para ele com um sorriso debochado nos lábios enquanto fechava o registro da água, passando a me secar. — Você precisa amadurecer urgentemente. — Falei, me enrolando na toalha e saindo dali.
— Para de colocar a culpa só em mim, Isabella. — Falou, me seguindo para fora do banheiro. — Nós dois quisemos isso. Tudo bem estar arrependida, mas pelo menos assuma que foi uma decisão conjunta. Você já está bem grandinha pra isso.
Fiquei em silêncio. Sabia que ele estava certo e não queria mais discutir. Só queria que Edward fosse embora ou teria uma crise de choro ali mesmo.
— Bella...
— Vai embora, Edward. — Pedi quase em um sussurro.
— O quê?
— Você me ouviu. — Voltei a falar, começando a me vestir ainda sem olhar para ele.
— É isso mesmo o que você quer? — Ele perguntou e eu me mantive quieta. — Se é isso mesmo o que você quer então fale olhando nos meus olhos. — Exigiu.
Ri em deboche e olhei para ele depois de vestir uma camiseta larga que ia até a metade das minhas coxas. Aqueles olhos verdes que antes me hipnotizavam, hoje tinham o mesmo efeito. Depois de cinco longos anos eles tinham o mesmo efeito em mim.
— Você é covarde. — Edward riu e balançou a cabeça em negação, enfiando os dedos entre os fios cor de cobre. — Mas tudo bem, eu vou. Não tem sentindo ficar sendo hostilizado.
Ele começou a pegar as roupas do chão e vestir enquanto eu apenas observava com os braços cruzados. Eu queria pedir pra ele ficar, queria que ele voltasse para a cama e me comesse por horas, que nós pudéssemos ser um casal normal, mas não éramos. Nós havíamos estragado tudo sendo jovens inconsequentes e babacas.
Quando ele se olhou no espelho, vi que analisou a bochecha onde eu o havia acertado durante o sexo. Pressionei os lábios, contendo a vontade de rir e vi seu olhar encontrar o meu.
— Você quer... Gelo? — Perguntei, mordendo o lábio inferior.
Ele riu de maneira debochada e se virou para mim ao falar:
— Vai se foder, Isabella.
Eu arregalei os olhos, chocada com a reação dele. Tudo bem, estava sendo uma vadia, talvez eu merecesse aquilo.
Fui atrás dele, mas parei na metade da escada quando o vi passar pela porta, deixando ela bater e me fazendo soltar um pulo pelo susto.
Recostei meu braço no corrimão e a testa ali. Por que eu sempre tinha que estragar tudo? Por que as coisas sempre tinham que ser uma merda para mim?
xxx
Eu não estava falando com Tanya e aquilo me deixava cada vez pior. Decidi não chamar a minha amiga, mas fazia uma semana que nós não nos falávamos e aquilo estava me matando. Zafrina insistia que eu devia conversar com ela, mas temia magoar ainda mais a minha melhor amiga e perdê-la de vez.
Também não estava falando com Edward e o clima durante as filmagens estava uma merda. Sabia que nem todos teriam essa percepção já que Edward só não estava mais falando diretamente comigo ou não opinando, mas tinha uma pessoa que havia notado e eu sabia que em breve isso recairia sobre Edward.
Apesar de tudo, eu não queria ter que acabar com o filme, não queria ter que iniciar um novo projeto e abandonar aquele porque não fomos maduros o suficiente. Eu gostava de Monstros e queria ir até o fim.
— O que foi? — Royal perguntou enquanto retocava a minha maquiagem. — Está muito pensativa e quieta.
Eu queria contar para ele, queria poder desabafar com alguém que não fosse Zafrina, queria alguém que conhecesse à mim e Edward. Será que valia a pena me abrir? O meu lado frágil dizia que sim.
— Royal, tem algo que eu quero que você saiba. — Eu disse, me sentando ereta e olhando com seriedade para ele.
Ao perceber que era sério, o homem arregalou os olhos, largou o pincel, pegou minhas mãos e me levou até o sofá, se sentando ali comigo.
— OK. O que aconteceu? — Perguntou com preocupação no tom de voz.
Eu respirei fundo e, quando ia começar a contar, meu celular tocou. Rosnei e revirei os olhos, me levantando para pegá-lo na mesa da comida.
— Não. Deixa tocar. — Ele choramingou.
— Pode ser James ou Tanya. — Murmurei e vi o nome da minha amiga na tela. — Viu? — Mostrei para ele, voltando a me sentar ao seu lado e atendendo ao telefonema. — Oi, minha loira. Aconteceu algo?
— Hmmm... — Royal provocou e eu dei um tapa no braço dele, arrancando risadas suas.
— Bella, eu estou indo embora.
Congelei quando ela soltou aquilo tudo de uma vez, olhando assustada para Royal. O meu amigo se recompôs no mesmo momento e tocou as minhas costas, me amparando.
— Como assim indo embora? O que está acontecendo, Tanya? Você foi ameaçada? Ele descobriu? — Ainda tinha que falar em códigos porque ninguém sabia sobre a sua gravidez.
Eu ouvi seu choro do outro lado da linha e sentia minhas próprias lágrimas escorrendo.
— Não... — Choramingou.
— Eu estou indo aí. — Falei, finalizando a ligação.
— Bella, o que aconteceu? — Royal perguntou quando me viu saindo do camarim apressadamente.
Eu sabia que tinha compromisso, que tinha que filmar, mas a minha amiga era a minha família, ela era tudo o que eu tinha naquela cidade. James ficava a maior parte do tempo em Los Angeles e me dava pânico pensar em ficar sozinha.
Entrei em meu carro e comecei a dirigir pelas ruas de Nova York, querendo apenas chegar na casa da minha amiga, querendo saber o que havia acontecido, querendo olhar em seus olhos e resolver os nossos problemas. Jamais me perdoaria por resolver aqueles problemas pelo celular.
Quando eu decidi comprar aquela casa em Nova York, a cidade que me trazia tantas lembranças de um passado que eu queria esquecer, a pedido dela, quando eu decidi aceitar aquele projeto, sabendo que íamos filmar em Nova York, foi pensando que eu teria o seu suporte. Pelo menos o suporte dela já que James era tão ocupado, não apenas comigo, mas com suas outras estrelas também.
Meu celular tocava insistentemente e eu o desliguei, querendo focar apenas em minha amiga. Se ela estivesse em perigo, eu queria ajudá-la. Se ela estivesse sofrendo, eu queria ajudá-la. Tudo seria sobre Tanya e nada mais importava.
Consegui fácil acesso à sua propriedade e saí do carro assim que estava na entrada da sua casa, deixando a porta do carro aberta e correndo até a porta que se encontrava aberta. Encontrei Tanya sentada no sofá da sala de estar, os cotovelos apoiados nos joelhos e o rosto nas mãos. Me ajoelhei na sua frente e a abracei, sentindo o choro preso no meu peito me dominar.
Ela não podia ir embora.
— Por favor, me diz o que aconteceu. — Pedi e me afastei apenas para tocar o seu rosto molhado pelas lágrimas. — Por favor, me deixa te ajudar.
Tanya soluçou e fungou, limpando as lágrimas e passando a mão pelos cabelos, prendendo eles.
— Você não pode. — Ela disse em meio ao choro, bebendo um gole da água que havia colocado ao seu lado. — Não dá, Bella.
— Por que não? O que está acontecendo? — Pedi explicações, me sentando e vendo a mulher se recostar no sofá.
Suas mãos tocaram a sua barriga saliente e eu fiz o mesmo, me acostumando com a ideia da minha amiga ser mãe, de ajudá-la com aquilo apesar de não fazer ideia do que era ter uma família. Não pensava naquilo romanticamente, apenas como uma maneira de ajudar Tanya a criar aquele bebê sem a presença do pai.
— Eu me apaixonei por você, Bella.
Nossos olhares se encontraram e eu engoli em seco, vendo a tristeza em sua expressão.
— Tanya...
— Eu sei que você não sente o mesmo, sempre foi muito claro pra mim, mas eu não pude evitar. — Ela fungou e entrelaçou os dedos sobre sua barriga, continuando a olhar nos meus olhos. — Podem ser apenas meus sentimentos de grávida bagunçados, mas eu achei que isso ia acontecer uma hora ou outra. Quer dizer, você é tão linda, inteligente e esforçada. Eu te admiro tanto! E, porra, o nosso sexo é incrível...
Eu ri baixo e desviei o olhar, colocando os fios de cabelo soltos atrás da orelha antes de voltar a olhá-la. Para o meu próprio sofrimento, os seus olhos brilhavam de paixão.
— Eu sinto muito ter te trazido para isso, Tanya. Se eu soubesse que isso aconteceria, talvez tivesse feito tudo diferente...
— Não diga isso. — Pediu e tocou a minha mão com a sua. — Eu não suportaria ter vivido algo diferente com você.
Suspirei e a abracei com força. Me sentia culpada por não conseguir amá-la como ela me amava, por ter feito com que a mulher sentisse algo por mim que não era recíproco, senti por estar perdendo uma das únicas pessoas que eu tinha no mundo.
— Eu te amo, Tanya. — Falei quando nos afastamos, acariciando o seu rosto e olhando em seus olhos. — Mas não do jeito que você gostaria.
— Eu sei. — Sua voz falhou e seu lábio inferior tremeu. — Sorte de quem terá o seu amor, Isabella Swan.
— Sorte de quem vai merecer o seu amor, Tanya Denali. — Sorri e beijei o seu rosto. — Eu não queria que você fosse embora, mas também não quero te prender em um lugar que não te fará bem, que vá te deixar triste.
Tanya riu baixo.
— Você é tão compreensiva. Mas sim, ainda estou indo. Vou morar na Eslováquia por uns meses até o bebê nascer e um pouco depois.
— Oh... — Engoli em seco, mas senti as lágrimas se acumularem. Eu não podia imaginar que ela iria para tão longe. — Eu vou te visitar assim que as filmagens de Monstros acabarem, OK? Talvez possamos passar o natal juntas.
— Talvez. — Assentiu com um sorriso amarelo.
— Eu vou sentir tanto a sua falta. — Falei em meio ao início de um choro e voltei a abraçá-la, deitando a cabeça em seu peito dessa vez.
Não podia acreditar que Tanya estava indo, que eu estava sozinha novamente, que eu tinha arruinado a minha amizade com aquela mulher incrível. Eu não merecia o amor de Tanya e nem de ninguém. Eu era um verdadeiro monstro.
— Você precisa ir agora? — Perguntei, fungando e olhando para a mulher, que também chorava.
— Posso adiar o meu voo até que estejamos prontas. — Sugeriu, acariciando os meus cabelos e eu assenti, voltando a deitar a cabeça em seu peito.
Eu quis dizer que nunca estaria pronta para deixá-la ir, mas não queria causar mais sofrimento. Continuei agarrada, chorando silenciosamente junto com ela e trocando carícias. Não percebi em qual momento adormeci em seus braços.
Quando acordei, deitada em uma almofada e coberta por uma manta fina, a casa estava silenciosa e encontrei apenas um bilhete que dizia:
"Bella,
Eu te amo. Sempre te amarei com todo o meu coração.
Seja feliz.
T."
Voltei a me deitar, deixando que o choro voltasse com força total. Eu não podia acreditar que tinha perdido a minha melhor amiga por culpa minha. Eu era uma completa idiota e merecia ficar sozinha.
Me deixei chorar por longas horas antes de deixar a casa da minha melhor amiga, minha única família, para trás. Eu sabia o que tinha que fazer, mas tinha a péssima mania de tomar decisões erradas.
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