Anti-Cinderela

1 Perfeitamente imperfeita


Notas iniciais
Yoo!
Cheguei com a minha segunda participação pra um coletânea do CcL!
É um romancezinho bem fluffy que eu já vinha pensando em escrever bem antes do tema surgir, e eis que tenho uma oportunidade de finalmente colocá-la no papel!
Passei o dia inteiro (sem brincadeira) encarando o documento do word sem conseguir desenvolver muita coisa (três parágrafos, acho), mas perto das sete a inspiração resolveu dar um oi e cá estou eu, uma hora e quarenta minutos depois, postando isso!
Vejo vocês lá embaixo!

Naquele momento, tudo ao redor de Conner o irritava.

Os balões vermelhos em formato de coração, a iluminação cor de rosa e a decoração com as três cores juntas. As músicas lentas, românticas e melosas estavam quase lhe causando diabetes, assim como os casais apaixonados que já iniciavam as danças daquele baile.

Ele odiava absolutamente tudo sobre o dia dos namorados desde que Ashton desenvolvera uma paixonite aguda por Kendall Duchannes. Desde a quarta série, era arrastado até aquele maldito baile para não fazer nada que não fosse observar a garota mais popular do colégio existir e ouvir os resmungos de ciúmes e os suspiros apaixonados do amigo em seu pé de ouvido. Simplesmente insuportável.

E lá estava ele novamente, na pior data do ano, em uma noite de sábado que ele poderia estar usando para fazer qualquer coisa que não fosse estar preso no ginásio do colégio na companhia de colegas que ele não gostava, ouvindo músicas que o deixavam vontade de ficar surdo e rodeado cores que não conseguia suportar. Ainda por cima, a princesinha da escola resolvera que atrasar era uma boa ideia. Bem, apenas para ela.

—O que será que aconteceu? Ela não é de atrasar assim e...

No momento em que Ashton começava a falar de Kendall, Conner já sabia que podia parar de ouvir. Não importava quantas vezes tentasse convencer o amigo a esquecê-la, o mesmo não tirava a menina da cabeça em momento algum.

—...Conner? Conner! Você está me... Ela chegou!

Suspirando, dirigiu seu olhar para a porta do ginásio — tinha que, ao menos, fingir que se importava com a Duchannes. Tudo seguia do mesmo jeito que sempre ocorria: ela entrava, com um sorriso falso nos lábios e o rosto carregado de maquiagem, usando um vestido bufante e brilhante demais, e Ashton, assim como a maioria dos outros garotos, se derretiam com a visão.

O que ele não esperava era que, juntamente à loira, outra garota estaria adentrando o local. Os olhos de todos se fixavam em Kendall, mas Conner não conseguia desviar o olhar da garota misteriosa por um segundo sequer, ela lhe encantara de tal forma que ele jamais achara que era possível.

Mal parecia irmã da garota que caminhava ao seu lado, não trajava um longo vestido, saltos altos demais ou maquiagem muito além do natural. Os cabelos, negros feito petróleo, nem mesmo alcançavam os ombros, embora ultrapassassem o queixo, e possuíam uma (linda, na opinião do garoto) franjinha que lhe cobria a testa. A face, pálida e emburrada, era natural de modo que ele não via havia muito tempo, sem um grama de maquiagem que pudesse denunciar falsidade, e os olhos enraivecidos eram de um azul tão profundo que pareciam o oceano. Não, eram definitivamente mais bonitos que o oceano. Vestia uma simples saia branca e uma camisa azul de mangas longas, nos pés, simples all stars azuis.

—Calma, calma! Sei que demorei, gente, mas eu tenho motivos! Essa aqui ao meu lado é Leafa, minha irmã mais nova, e essa pestinha não queria entrar em um vestido, mas no final consegui enfiar uma saia nela!

Pronunciou-se Kendall. Seu sorriso parecia ainda mais forjado ao lado da irmã, pelo menos para Conner, e a simpatia, mais falsa do que nunca. Em sua humilde opinião, a saia estava perfeitamente bem em Leafa, melhor do que qualquer vestido. Ah! Leafa. Aquele nome, tão único quanto a garota que o possuía, o deixara mais vidrado ainda naquela figura.

Permaneceu sentado em sua cadeira o processo inteiro, mas tinha certeza absoluta de que tinha na face um olhar de tolo apaixonado. Até que, em dado momento, os olhos azuis nos quais tanto viajava olharam de volta. Sentiu as bochechas esquentarem pateticamente quando os lábios dela se repuxaram em sorriso de deboche. “Francamente, que ridículo. Você está parecendo o Ashton”.

—O que estamos esperando parados aqui? Vamos dançar!

Gritou Kendall, fazendo Conner erguer as sobrancelhas e Leafa balançar a cabeça em negação.

—É a minha chance, Conner. Te vejo depois.

Falou Ashton, dando dois tapinhas no ombro do amigo enquanto se levantava e corria em direção à pista de dança. Riu da tolice do amigo, até que uma voz doce se fez ouvir atrás dele – uma voz que, sem nenhuma razão lógica, fez seu coração se acelerar e as palmas de suas mãos suarem.

—Posso me sentar aqui?

—C-Claro.

E, antes que ele pudesse processar a informação, uma garota de curtos cabelos pretos, elétricos olhos azuis e all stars nos pés estava sentada na cadeira ao seu lado.

—Podemos fingir que minha irmã não me apresentou e que você não estava me olhando agora pouco? Você parece a única pessoa sensata nesse lugar.

Leafa o encarava com os cotovelos apoiados na mesa e as mãos sustentando o peso da cabeça, a sombra de um sorriso brincando nos lábios sem cor da menina. Conner ergueu uma sobrancelha em resposta, tentando reconstruir sua imagem – pelo menos perante ela.

—E o que te faz pensar que eu estava te olhando?

Ela riu. E, Deus, ele queria ouvi-la gargalhando todos os dias.

—Eu sou uma pessoa muito perceptiva, caso ainda não tenha caído a ficha. Eu percebo quando alguém está me encarando.

Ergueu as mãos em rendição, um sorriso brincalhão estampando a face.

—Você me pegou.

A morena abriu um sorriso, se recostou na cadeira e cruzou o braços.

—Ótimo. Então, podemos ou não? Você sabe, esquecer aquilo que aconteceu.

Ele deu de ombros.

—Me parece justo. Sou Conner Wright.

Estendeu a mão para a de olhos azuis, que a apertou para logo responder o cumprimento.

—Aí está um nome interessante. Leafa Duchannes, muito prazer.

—O seu também não é ruim. Então, Leafa, posso lhe fazer uma pergunta?

Ela deu de ombros, sorrindo.

—Já fez, mas lhe permito que faça outra.

—Pelo que sua irmã falou, foi difícil te convencer a vestir uma saia, porque um vestido foi impossível. Não gostaria de ser a Cinderela por uma noite?

Contrariando todas as expectativas de Conner, Leafa gargalhou. Riu tanto que ficou sem ar, dobrou o corpo e balançou a cabeça, chegou até a lacrimejar.

—M-Me desculpa, é só que... Nunca me perguntaram isso... É uma ideia tão absurdamente absurda!

Disse, enxugando os olhos. O Wright franziu as sobrancelhas, sem compreender.

—Por que é tão absurda assim?

—Quando eu era criança, assistia Naruto e Pokémon, achava que a Branca de Neve era burra e considerava a história da Cinderela estupidamente chata.

Foi a vez dele de rir. Nunca havia encontrado garota tão perfeitamente imperfeita em toda a sua vida.

—Vou ter que concordar com você, animes são realmente melhores que contos de fada. Mas discordo em certo ponto, Fairy Tail e Nanatsu no Taizai são muito melhores que Naruto e Pokémon.

A Duchannes abanou a mão e estalou a língua, em sinal de desaprovação.

—Assim você me ofende, moço. Nunca disse que gostava deles mais do que todos. Sword Art Online e One Piece são os melhores de todos!

O menino soltou uma risada nasalada, balançando a cabeça em negação.

—Não acredito que em algum momento cogitei que você fosse legal.

—Não creio que achei que você fosse sensato.

Passaram-se alguns instantes de puro silêncio até que, finalmente, eles desataram a rir. Após recuperarem o fôlego, a falta de som – por parte de ambos, já que uma música agitada tocava no volume máximo nas caixas de som – voltou a se instalar entre eles.

—Hey, Leafa?

A garota se virou para ele, fitando-o com os olhos azuis que o haviam encantado desde que ele pusera os próprios orbes em sua figura.

—Hum?

O garoto, tomado por um impulso que não sabia de onde havia vindo, pronunciou as palavras que nunca achou que pronunciaria, e a morena ouviu o que nunca achou que ouviria:

—Você quer, você sabe... Dançar?

Ela riu da falta de jeito dele.

—Com você?

Constrangido, Conner coçou a nuca.

—Bem... é.

Leafa sorriu.

—Claro, por que não?

Notas finais
Bem, é só isso mesmo.
Como disse, bem fluffy mesmo.
Esse final ficou relativamente aberto, e eu não tinha muita certeza quanto a ele. Nos planos iniciais, a one acabava em "Leafa sorriu.", sem a resposta dela, mas achei que o Conner e vocês, leitores, mereciam essa última fala.
Espero que tenham gostado da one :3
Sayonara!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!