Anthony Adams & The Olympians - Livro 1
1 Capítulo 1 - Uma cobra de duas cabeças morre por queimadura solar
Notas iniciais
Olha, não é que eu queira imitar meu amigo Percy Jackson...
Mas é realmente um saco ser semideus. É muito perigoso, muito cansativo, exaustivo, dá fome, sede, dor, um monte de coisas.
Mesmo quando você acha que está seguro, você não está. Sempre está à beira da morte e se matando de preocupação. Dá muita dor de cabeça.
Sua vida é baseada em tragédias e perdas. Definitivamente, não é algo muito desejável. Você é farejado por monstros toda hora. Não pode usar aparelhos eletrônicos. E mais, sempre tem que estar em estado de alerta com a presença de monstros disfarçados em formas humanas. Ainda bem que nós temos a Névoa, que é a força sobrenatural que distorce a visão dos mortais da realidade ao seu redor. Talvez por causa dela que não fracassamos na maior parte das missões.
Não é recomendável.
Meu nome é Anthony Adams.
Tenho 13 anos de idade. Até alguns meses atrás, eu era aluno de uma escola particular, a CATS Academy, uma escola particular pra filhos de pessoas importantes na sociedade no estado de Massachusetts.
Se eu sou um adolescente problemático? Talvez. Não dá pra afirmar ou negar.
Na minha opinião, eu era uma criança problemática, com problemas para me socializar, chorava sempre que me frustava ou quando os meninos me zoavam.
Mas as coisas começaram a ir realmente mal no último mês de junho, quando só faltava mais uma semana de aula para a tão desejada férias, já que aconteceria a Copa do Mundo no dia 12.
Eu não posso dizer que sempre fui um aluno exemplar. Minhas notas sempre foram na média, e às vezes um pouco acima. Às vezes. Sempre causei vários problemas sem querer, e nunca entendi como realmente os causei.
Eu esperava que teria férias perfeitas. Certamente com alguma viagem pro exterior ou algo assim.
Cara, como eu tava errado.
Saiba: já causei vários problemas sem querer, como disse anteriormente. Por causa da maioria deles, eu troquei algumas vezes de colégio. Como na minha escola da terceira série, quando a turma foi pra uma sessão de cinema no shopping, e eu causei com a tela do cinema. Tava com raiva de um garoto que tinha roubado meu lugar ao lado de uma garota linda, e aparentemente sem querer (eu não lembro de ter feito isso), esbarrei no interruptor de luz, que foi pra intensidade máxima, deixando 240 pessoas cegas.
E depois disso, quando fizemos um passeio por um aquário, e eu, de alguma forma, deixei o lugar sem luz e o vidro do aquário estilhaçou. E depois disso... Bem, já dá pra você ter uma ideia.
Deve ser por isso que eu tava louco pelas férias.
Eu cheguei em casa depois das aulas e vi minha mãe, Monica Adams, colocando roupas minhas em uma mala de viagem calmamente.
Quando eu a perguntei para onde nós estávamos indo, ela foi bem clara: Líbia. Perguntei para ela o porquê de ela não ter me consultado antes, já que ela sempre me dava o privilégio de escolher o destino da viagem que nós faríamos. Ela alegou que nós encontraríamos meu pai em uma reunião com uns empresários importantes na Líbia, mas, por sua expressão extremamente preocupada, eu percebi que ela não havia falado toda a verdade, mas decidi não me aprofundar no assunto. Ela disse que nós deveríamos estar em 2 horas no Aeroporto Internacional de Boston Logan, e portanto eu deveria pegar um biscoito e comer no caminho, já que não teria tempo de almoçar.
Ela pegou o celular, discou números que eu não consegui ver e pediu um táxi pra nos transportar até o aeroporto à companhia. Logo após a ligação, ela me mandou tomar o banho mais rápido que alguém já havia tomado porque o táxi taria lá embaixo em cerca de dez minutos. Antendi prontamente seu pedido: eu tomei um banho rapidamente. Descemos o elevador, colocamos as malas no porta-malas do táxi, que tava à nossa espera, entramos e sentamos, e o motorista deu partida.
Nós chegamos ao aeroporto 15 minutos antes do voo partir.
Dava pra ouvir uma voz anunciando nos auto falantes a última chamada pro voo.
Minha mãe tava andando na velocidade da luz, e eu quase não conseguia acompanhá-la.
Entramos na fila pra mostrar nossos passaportes.
Assim que mostramos, seguimos pelo túnel em direção ao interior do avião.
Sentei-me na poltrona.
Peguei meu iPhone, conectei os fones de ouvido, fechei os olhos e deixei a playlist tocar Toxic, da Britney Spears, caindo no sono.
***
Era uma noite muito escura em Nova York e chovia muito, de vez em quando aparecia alguns raios e trovões no céu. A temperatura tava realmente muito fria e o trânsito em Manhattan era intenso.
No topo do Empire State Building, no 600° andar, ficava o Monte Olimpo.
A morada dos 12 deuses principais, o panteão dos deuses gregos. Um lugar muito lindo, mesmo à noite, onde há dúzias de palácios com vários níveis, todos com frontispícios de colunas brancas, terraços dourados e braseiros de bronze brilhando com fogos.
Estradas dobravam-se de um jeito alienado até o pico, onde o maior dos palácios brilhava contra os raios.
Jardins precariamente trepados floresciam com oliveiras e rosas. Poderia abalizar um mercado a céu aberto cheio de tendas coloridas, um anfiteatro de pedra construído em um lado, um hipódromo e um coliseu. Enfim, por todo o Olimpo, dava pra ouvir os gemidos de uma mulher que parecia uma atriz de TV de tão linda que era. Seu cabelo era completamente loiro, longo e liso; vestia um vestido lilás até o joelho com diversas linhas pretas, que era segurado por um coração feito de borracha, que prendia o vestido ao corpo; seus olhos eram de um azul vivo magnífico, sua pele tinha um brilho meio rosa, seu nariz parecia ter sido esculpido, seus lábios eram vermelhos e carnudos e seu corpo em forma.
Ela tava dando à luz um bebê e, provavelmente, sentindo muita dor. Alguns deuses a ajudavam no parto. Um deles parecia observá-la com raiva. Ele tinha cabelo branco, longo e liso; suas sobrancelhas eram brancas; seus olhos eram uma mistura de azul e roxo; tinha uma barba pequena e branca, alisada e sua pele era morena, tendo um certo brilho alaranjado.
– Não olhe pra mim desse jeito! — o homem de cabelo branco reclamou com a mulher. — Esse é o resultado de sua irresponsabilidade!
– Pai, tenha piedade de mim! — a mulher implorava, com uma expressão sofrida no rosto. — Seu neto está nascendo...
– Eu já falei um bilhão de vezes que você não é minha filha! — respondeu o homem, furiosamente. — Você é filha daquele titã idiota, que vocês insistem em chamar de "meu pai"!
O homem de cabelo branco saiu do palácio pesadamente e se dirigiu a seu palácio.
Seu palácio era o maior e mais bonito, no topo da colina. Ele sentou-se em seu trono e começou a refletir.
Ao final de sua reflexão, chegou a uma conclusão:
Eu preciso pôr um fim nisso!
Ninguém mais vai me desobedecer nesse panteão. Não enquanto EU for o líder!
Depois disso, ele levantou-se e dirigiu-se novamente ao palácio da deusa loira.
Lá, ele encontrou alguns deuses reunidos ao redor de uma cama.
A deusa loira tava deitada, envolta em lençóis amarelos, segurando um lindo bebê.
– Grande Senhor Zeus, meu filho não é lindo?
– Eu, como líder desse panteão, tomei uma decisão.
– Você e seu filho serão separados. Você permanece aqui e seu filho vai ser trancafiado numa concha, que você mesma vai criar, e vamos afundá-la no mar congelado do Alasca. FIM DE PAPO!
Afrodite tentou discutir.
Mas ela sabia que, se não o fizesse, seria banida do Olimpo e perderia todos os seus poderes.
Ela começou a chorar e criou uma concha grande o bastante pra um bebê e a jogou dentro do mar do Alasca.
Eu acordei.
***
Eu acordei. Minha cabeça repousava no ombro direito de minha mãe que, por sua vez, repousava em cima da minha cabeça. Tentei mover minha cabeça para tentar enxergar através da janela, sem sucesso.
Cutuquei ela para acordá-la.
Ela murmurou alguma coisa e lentamente abriu seus olhos, que ficaram entreabertos por ela ainda estar grogue de sono.
Peguei a mão direita dela e consultei o horário no relógio de pulso: 21h13min.
Do lado de fora do avião, chovia muito e era visível uma tempestade. Chamei uma aeromoça, que estava distribuindo batatas fritas, salgadinhos e refrigerante entre os passageiros, e perguntei nossa localização.
– Nós estamos sobrevoando o Deserto da Líbia, senhor. — ela disse, com um sorriso gentil.
– Obrigado. — agradeci.
Dos auto falantes, nós ouvimos a voz do piloto.
– Senhores passageiros, apertem os cintos que iremos passar por uma pequena turbulência devido à tempestade.
Eu apertei meu cinto e minha mãe, o dela.
Peguei o fone de ouvido no chão e coloquei ele de volta no orelha.
Nesse exato momento começou a tocar This Is How We Do, da Katy Perry.
Comecei a olhar a tempestade através da janela e depois do que pareceu um longo tempo, comecei a ver uns clarões no meio das nuvens negras. De repente, um desses clarões atingiu as turbinas do avião e alguns passageiros começaram a gritar, e a aeromoça tentava acalmá-los. Mas daí o avião começou a balançar de verdade, e aí, sim, eu entrei em pânico. Eu entrei num pânico paralítico, pois não conseguia mexer sequer um músculo do corpo.
Repentinamente, então, o avião deu uma inclinada e começou a cair em direção ao vazio. A única coisa da qual me lembro claramente de ter feito depois disso foi de fechar meus olhos e cair em mais um sono...
***
Eu acordei novamente, mas dessa vez em outro lugar.
Areia e malas de viagem cobriam meu corpo e meu rosto.
Poderia ter ficado o dia inteiro naquela posição já que nós não tínhamos pra onde ir.
Não tínhamos uma bússola, um ponto de referência e sequer sabíamos pra onde ir.
Mas não, não seria vencido desse jeito.
Então, me levantei lentamente, sentando-me na areia. Vi os destroços do avião ao meu redor, um mar de malas de viagem e corpos deitados e sangrando.
Comecei a me desesperar: e se minha mãe fosse um daqueles corpos sangrando?
– MÃE! — berrei, chamando ela.
Eu gritei pelo menos mais umas três vezes, até ouvir um grunhido humano alto.
Me levantei rapidamente e comecei a olhar por todas as direções.
Tentei achar o dono do grunhido, até que, um pouco longe de mim, vi um corpo se mexendo com muita dificuldade.
Corri até ele e, graças a Deus, vi que era minha mãe.
– Mãe, você está viva! — eu anunciei, alegremente.
– É, eu acho que sim... — ela disse, com dificuldade, ironicamente.
– Vamos, eu ajudo você a se levantar. — eu falei, estendendo o braço.
Ela se levantou.
– Não sabemos quanto tempo vamos ficar nesse lugar. É melhor nós pegarmos água e comida. — ela analisou o chão à sua frente, cheio de malas de viagem. — Christopher, vá abrindo essas malas e catando garrafinhas de água e comida.
– Mãe, esqueceu que não pode levar comida e bebida em voos?
– Porcaria! Ok, vamos embora. — minha mãe disse, decidida.
– Embora pra onde? — eu perguntei, confuso. — Nós nem sabemos em que parte desse fim de mundo estamos e também nem pra qual direção seguir.
– Quem não arrisca, não petisca. — ela falou, com um leve sorriso.
Então, nós começamos a andar para uma direção que parecia ser o norte. No dia seguinte, eu já tava morrendo de fome e sede. Minhas pernas tavam fracas. Meu corpo, mole. Tava tendo alucinações.
– Comida... — eu murmurei, como se fosse um zumbi. — Eu preciso de comida...
Já deveria ser final da tarde, o sol tava quase se pondo.
– Água... Eu preciso de água...
Então eu vi um oásis há mais ou menos um quilômetro de distância.
– Um oásis, mãe! Vamos beber água! — eu gritei, apontando na direção dele e correndo.
Minha mãe então olhou pra onde eu tava correndo e tentou correr atrás de mim.
– Anthony, pare!
Então, quando eu cheguei no lugar onde deveria ser o oásis, eu tropecei e caí em cima de alguma coisa. Quando minha visão voltou ao normal, eu tava caído no chão ao lado de uma cobra gigante, que possuía uma cabeça em cada extremidade do corpo, tinha grades pares de chifres espirais em cada cabeça, era colorida de amarelo, vermelho, roxo e verde e tinha grandes presas amarelas.
– Oh, meu Deus! — minha mãe gritou, assustada. — Uma Anfisbena!
Por um momento eu também fiquei assustado. Eu nunca tinha visto uma cobra tão grande. Nunca tinha enfrentado um monstro. Nunca tinha visto um.
– Mãe, como eu mato? — eu gritei, voltando lentamente pro lado dela.
– Que tal acertar no coração? — ela disse, meio assustada.
– Acertar com o que? — eu perguntei.
– Fale Invocatio Gladiis.
– Invocatio Gladiis.
E, no meio do ar, saíram duas espadas do nada e caíram em cima de minha cabeça.
– Ai! — reclamei.
Mas a cobra não esperou mais. Ela acordou e nos viu. Uma das cabeças deu o bote, mas minha mãe esquivou-se. A outra cabeça tentou me dar uma rasteira, mas eu dei um pulo e ela passou sob meu corpo. Minha mãe acabou caindo em cima de uma das cabeças, que começou a jogar-se pra trás, mas minha mãe deu um salto, que não foi muito bem calculado, e caiu no tronco da cobra. A outra cabeça aproveitou a minha distração com a cena e tentou enterrar as suas presas no meu braço, mas eu me desviei quase que automaticamente.
– Esse plano não tá dando certo! — minha mãe gritou.
– Não me diga...! É mesmo, é?! — eu gritei de volta, irônico.
– Mudança de planos: afaste-se um pouco da serpente e fique olhando fixamente pra ela, concentrando toda a a sua raiva nela.
Me afastei cerca de três quilômetros do cenário de luta. Olhei fixamente pra serpente, concentrando minha mente. Imaginei que a Anfisbena estivesse comendo a minha mãe, e eu então fiz o máximo pra canalizar minha raiva nela.
Estranhamente o ar ficou mais quente, e ia ficando cada vez mais e mais e mais quente à medida que eu concentrava a minha raiva, até chegar ao ponto de a roupa da minha mãe começar a pegar fogo e a serpente começar a fumegar e logo em seguida pegar fogo, virando uma nuvem de cinzas.
Então minha visão ficou turva e eu desmaiei.
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