Antes que eu vá

1 O começo do fim


Notas iniciais
Não sei se alguém lerá, mas espero que gostem.

A carta. Inanimada, fria e impessoal. Um objeto simplório e inofensivo, mas que em letras gritantes determinava meu futuro. Outra vez li seu conteúdo, tendo uma pequena esperança que tivesse entendido errado nas ultimas vinte duas vezes, mas não havia engano.

Eu morreria em 10 meses, ou em 1 ano nas melhores estimativas.

Suspirei novamente e olhei o céu pela janela – pela enésima vez desde que voltei do consultório médico há três dias. Nesse período já havia feito tudo que imaginei que faria se um dia estivesse nesta situação.

Chorei por tudo que deveria ser e não será... Pelas maravilhosas e inimagináveis coisas que jamais faria.

Gritei a plenos pulmões, com a esperança de que aliviasse a angustia e o medo crescente.

Implorei... Por uma nova chance, por um novo começo, por um novo destino.

E aceitei que nem tudo acontece como desejamos e que há fatos que simplesmente não podem ser alterados.

Era irônico pensar que um dia imaginei que isso nunca aconteceria que meu fim nunca chegaria.

Fui tirado de meus pensamentos pelo toque incessante do telefone. Não preciso olhar para saber quem chamava, Jungkook não havia deixado de me ligar nenhuma hora destes 3 longos dias desesperado por notícias.

Enfim sua ligação foi para a secretaria eletrônica assim como as demais.

— Jimin, eu sei que esta aí, estou te vendo pela janela neste momento. Por favor deixe-me subir ou pelo menos atenda ao telefone e me diga que esta bem. Por favor Jimin...- sua preocupada soava a beira do desespero.

Procurei pela rua e logo o encontrei me observando fixamente na calçada em frente ao meu apartamento, buscando algum machucado ou algo que explicasse meu comportamento.

—O que esta acontecendo Jimin? Por que proibiu nossa entrada em seu prédio? Por que não atende nossas ligações? Por que não me responde? — suas palavras eram inquisitórias e preocupadas.

Olhei para seus olhos castanhos, e me perdi nas profundezas de seu olhar como sempre faço. Seus olhos eram tão transparentes, e transmitiam seus sentimentos como se fosse um livro aberto, sempre sinceros e penetrantes. Neste momento, enquanto me olhava seus olhos estavam tão desesperados, tão assustados...

Fechei meus olhos e mesmo que não pudesse ver , eu podia sentir seu olhar queimando em minha pele. Apertei em minhas mãos o papel que traçava meu destino e o rasguei decidido.

No tempo que me restasse eu viveria. Apenas viveria. Viveria tão intensamente quanto pudesse.

Enquanto retirava o telefone do gancho ainda ouvindo sua voz, fixei meu olhos nos seus desejando que quando o momento chegue, seus olhos sejam a ultima visão que eu tenha.

— Jungkook, minha porta esta aberta. – sussurrei cortando a sua fala logo desligando o aparelho.

O observei atravessar a rua correndo e respirei fundo aguardando o confronto que se seguiria. Afinal, eu lhe devia muitas explicações.

Escutei seus passos soarem cada vez mais próximos, até que o som da porta sendo aberta violentamente irrompeu pela sala.

—Jiminie... – Sua voz rouca sussurrou quando me abraçou com força.

E ali, envolto em seus braços tive certeza do que faria.

Eu o amaria.

Amaria até meu ultimo segundo, até o ultimo instante, até que em mim não restasse nada a não ser amor, amaria até toda existência ser resumida a este sentimento.

Amaria até tornar-me amor...