Antes que a vida nos separe
1 Valsar à beira do vazio
Notas iniciais
Já era alta madrugada quando Guillermo abriu a porta da cabine. Um vento fresco soprou contra seu rosto, e seus poros se arrepiaram com a súbita mudança de temperatura. Ele sentiu como se voltasse à vida por dois segundos preciosos.
Lançou um último olhar para a garrafa de rum sobre a escrivaninha lá dentro, e decidiu que já havia passado da hora de deixar a cabine. Desde que o Encouraçado se lançara ao mar há duas semanas, Guillermo só estivera no convés duas vezes. A primeira, no dia em que a tripulação embarcou, e a segunda quando o rapaz no cesto da gávea avistou os navios franceses. Fora isso, ele estivera confinado com documentos da Coroa, garrafas de rum e goles agridoces de nostalgia.
Alguns homens se divertiam com histórias no posto de vigília da proa, rindo e passando um cantil de mão em mão. Abaixo da plataforma, outros dois jogavam cartas sobre um barril velho. Reconheceu neles Tim Gordo e Malaquias, e quase não pôde resistir à ideia de se juntar a eles. Talvez à noite. Como parte de seu próprio protocolo, deveria checar primeiro o timão.
Devagar, com o corpo ainda fraco das ressacas, o capitão direcionou-se à popa. O céu noturno esta límpido, repleto de estrelas frias e cintilantes, como Castor previra. O vento varria o sal e a poeira por todo o navio, sacudindo levemente as velas recolhidas nos mastros. Guillermo já havia vivido noites bonitas como aquela, mas era então outra época – e lhe parecia que era também outra pessoa.
Aos pés dos degraus do leme, um marujo roncava de boca aberta. Um odre de pele de cabra jazia em sua mão, e Guillermo teve de resistir à tentação de tomá-lo para provar do conteúdo. Você já bebeu o bastante para uma vida inteira, capitão. Bufando, ele cutucou o traseiro do rapaz com a ponta da bota até acordá-lo.
— Capitão! — O marujo ficou surpreso ao vê-lo, atrapalhando-se com seu odre. Uma golada da bebida manchou a madeira do convés e escorreu pelos veios.
Aquele um dos novos integrantes da tripulação, que Conde Amaro insistira tanto para que Guillermo aceitasse em seu navio. O azedume que vinha correndo por sangue o deixou tentado a dar um safanão no gajo, mas estava cansado demais para estressar-se. Em vez disso, gesticulou para as escadas que davam nos cômodos de dormir.
— Estou te rendendo, marujo — disse, passando por cima de suas pernas até os degraus da plataforma do timão. — Vá dormir um pouco.
Às suas costas, o rapaz levantou-se aparvalhado, murmurou uma despedida e cruzou o convés tão rápido quanto seus pés trôpegos permitiram. O capitão revirou os olhos, pensando em palavras educadas, porém firmes para devolver os meninos do Conde quando voltassem a Lisboa.
— Está com o humor negro, meu amigo? — Castor sorriu para ele assim que venceu o último degrau. — Acho que eu também estaria depois de hibernar na cabine com tanta bebida. É bom ver que ainda está vivo.
Guillermo suspirou pesadamente enquanto se arrastava até o amigo.
Vivo. Sim, ainda estava vivo. Mas podia jurar que uma parte sua havia necrosado, e ele a arrastava consigo como um membro meio decepado. Às vezes, quando colocava a mão sobre o peito, mal podia sentir o coração pulsando.
Castor o recebeu com um abraço apertado, esmagando-o contra o peito nu com o braço esquerdo. Sua pele negra era quente mesmo com o vento rodopiando pela popa. E Guillermo sentiu, pela primeira vez desde que haviam começado a missão, que podia relaxar.
Estava tudo bem. As estrelas não desabariam sobre sua cabeça, e as tempestades não alcançariam o Encouraçado. Buscariam as mercadorias em Gênova e voltariam sãos e salvos antes da festa de Santo Antônio. E a vida continuaria bem, entre missões, pagamentos generosos do Conde Amaro, festas na vila e... E barris de bebida, que é o que me resta.
— Você realmente comeu da comida que te levei? — Castor perguntou com as sobrancelhas arqueadas, enquanto apertava a alça de ancoragem nas malaguetas do timão.
Guillermo confirmou com um meneio de cabeça, mas não disse uma palavra sobre ter colocado mais da metade das refeições para fora.
— Não acha que já passou tempo demais sozinho? Os mais novos estão começando a se perguntar quem é o capitão de verdade aqui.
— Que vão para o inferno, todos eles! — Estalou a língua, gesticulando como se repelisse algo.
— Está bêbado?
— Não. Parei de virar as garrafas ontem — falou depressa, querendo evitar o assunto. Até um ano atrás, Guillermo desprezava homens que se afogavam em bebida para ficarem entorpecidos. Porém, havia se tornado um deles, trocando refeições por garrafas de aguardente, e então se desprezava. — Não se preocupe, vou parar de destruir o estoque de bebidas.
Ele apoiou-se na amurada a estibordo, inclinando-se para verificar a lateral do navio, e fez o mesmo a bombordo. Os canhões e a casco pareciam intactos, assim como os mastros e o convés, o que significava que Castor estava segurando bem as pontas. Talvez eu possa continuar na cabine até chegarmos a Gênova. O pensamento foi banido tão logo quanto surgiu para que não ganhasse força.
— Parece que está tudo em ordem. Acho que deveríamos te promover de imediato a capitão, Castor — Guillermo gracejou, prestando uma continência ao amigo. — Os homens já estão acostumados contigo, e os garotos do Conde acham que é o comandante.
Um riso frouxo escapou de sua garganta, mas morreu no instante em que Castor lhe mostrou o sobrecenho fechado. Desde que o conhecia, aquele era um sinal para que se falasse a sério, ou então se arregaçasse as mangas.
— Precisa parar de fugir de suas responsabilidades, meu amigo. — Ele afastou-se do timão, cruzando os braços. As cicatrizes de facadas brilhavam sob a luz dos lampiões e das estrelas. — Mal consigo te reconhecer com essa cara amassada e essa barba.
— Não está tão grande assim... — Guillermo murmurou, acariciando os pelos ásperos com a ponta dos dedos.
— Mas está horrível. — Um esgar de repulsa assombrou o rosto de Castor. — Espero que dê um jeito nela antes de chegarmos em mares italianos.
O capitão não se barbeava há semanas, e tinha de reconhecer que precisava ajeitar aqueles pelos desgrenhados.
— Vou pedir a Frede...
— Gilberto — Castor o cortou, de costas para ele.
— Gilberto — Guillermo repetiu devagar, como se o nome fosse estranho em sua língua. De fato, ainda não se acostumara com o ajudante que Conde Amaro lhe empurrara. — Amanhã vou pedir a Gilberto para que me ajude a aparar.
Os corsários ficaram em silêncio por algum tempo, absorvendo o peso do engano e da situação delicada que a hierarquia do Encouraçado enfrentava. Guillermo envergonhou-se pelas obrigações extras que vinha colocando sobre os ombros de Castor e Gilberto. Deveria estar agindo como um capitão, não como um covarde.
— Posso confiar em você para vigiar o leme por algumas horas? — Castor pousou uma mão sobre seu ombro e voltou-lhe um rosto marcado pelo cansaço. — Gilberto já fez turnos demais, e eu preciso dormir um pouco.
— Claro. — Guillermo anuiu, caminhando até o timão.
Castor aproximou-se para apanhar um cesto lado da base, de onde as pontas de um travesseiro escapavam.
— Você... tem dormido aqui em cima? — perguntou, sentindo-se péssimo.
— Eu tinha de descansar sem tirar o olho do leme. — Castor deu de ombros, descendo para o convés. — Mande alguém me acordar na alvorada.
Guillermo observou as costas do amigo sumirem na escada que levava aos catres . Teve vontade de chamá-lo de volta e dizer que não queria ficar sozinho, mas sabia que Castor merecia o descanso. O pobre deve ter expiado todos os pecados com essa tripulação. Ele comprimiu os lábios, perguntando-se o que seus homens andavam pensando a seu respeito.
Do outro lado do navio, os marujos irromperam em gargalhadas e Tim Gordo ralhou como o velho ranzinza que era. Guillermo os invejou por um instante, relembrando noites e noites que passara contando causos naquela proa. Havia muito tempo que não se divertia assim tão genuinamente. Seu riso agora custava a sair, e suas bochechas doíam ao menor sinal de um sorriso. Quanto tempo um homem pode sobreviver sem felicidade?
— Por que me amaldiçoou tanto, Senhor? — inquiriu ao céu estrelado com um quê de raiva na voz, embora pudesse enumerar uma porção de motivos por si só. Para começar, havia tirado o último suspiro de mais de duas dezenas de homens e ferido outros tantos. Era um corsário, lidava com negócios ilegais e, sobretudo, não via como se deitar com outro homem podia ser um pecado. — Não se incomode em responder. De qualquer maneira, você nunca me responde mesmo.
O capitão suspirou pesadamente, girando o corpo para debruçar-se sobre a amurada atrás do timão. Ondas pequenas quebravam contra o costado do Encouraçado com um marulho suave. Não eram fortes o suficiente para matar um homem, porém, se subisse no parapeito e se jogasse para elas, talvez conseguisse prender a respiração. Não me dão a felicidade, mas sossegam esta angústia.
Era tentador.
Ele pôs uma mão na amurada.
— Está pensando em bobagens de novo, capitão?
O vento salgado pareceu se reduzir a uma brisa, que se infiltrou por sua camisa folgada de linho e o fez estremecer. Muito lentamente, Guillermo afastou-se da amurada até o salto da bota topar com a base do timão. Uma quentura de embaraço subiu por seu rosto, e a sensação de covardia estava de volta.
— Longe de mim. — Ele engoliu em seco, virando-se com um pigarro.
— Oh, bem se vê.
Frederico estava de pé no cume da escada. Os braços se cruzavam sobre o peito num ar de censura. Tinha os cabelos castanhos levemente despenteados, e os últimos botões da camisa estavam abertos, deixando-se entrever os pelos de seu peito. Conforme se aproximava dele, completamente enlevado num piscar de olhos, Guillermo percebeu que sua barba estava feita.
— Você se cortou — comentou com a voz baixa. Umedeceu o polegar e o levou até o pequeno corte no queixo de Frederico. — Por que não me chamou para ajudar?
— Porque você não sabe barbear a si mesmo. — Frederico riu-se, resvalando os dedos por sua barba. — O que acontece com as navalhas por aqui? Estão em falta?
— Ah, não. — Guillermo deu um muxoxo, desvencilhando-se dele. — De quem acha que é a culpa? Sem você, não há ninguém para me ajudar com isso.
— Ora, não é verdade. Gilberto está ávido para que arranje alguma coisa em que ele possa te ajudar. — Frederico o seguiu para o guarda-corpo de balaústres.
— Você o viu? — Guillermo perguntou ansioso, com receio de a admissão do gajo ser tomada por traição.
— Eu vejo a todos. — Frederico revirou os olhos divertidamente, pousando as mãos no guarda-corpo. — Conde Amaro lhe arranjou garotos bons. Gilberto é o melhor entre eles, e você precisa arranjá-lo um lugar no navio.
— Colocar Castor no seu lugar já foi difícil o bastante.
— Mas é dever do capitão delegar tarefas e cargos dentro do navio — Frederico insistiu, deslizando mais para perto. — Você precisa parar de definhar na cabine para assumir seu posto de volta. Já é a terceira missão que fazem sem mim, Guillermo. Está na hora de se acostumar.
O capitão respirou fundo e comprimiu os lábios. Seus dedos se agarraram ao guarda-corpo com firmeza, e ele se concentrou em afastar o choro. Imagens do embate com os piratas espanhóis há um ano bombardearam sua mente como balas de canhão. Podia sentir o calor das chamas que se espalhavam por todos os lados do navio inimigo, e o medo que arrepiava seu corpo enquanto gritava ordens para voltarem ao Encouraçado. Frederico estava ao seu lado, brandindo o punhal que lhe dera de aniversário, e, no instante seguinte, não estava mais.
Guillermo se lembrava de estar a meio passo da prancha para o costado de seu navio quando seu imediato tombou. Havia uma flecha em seu ombro e um tiro fresco do lado esquerdo de seu peito. Ele o tomou nos braços para levá-lo para a segurança do Encouraçado, e Tim Gordo e Castor passaram três noites aos pés de seu leito tentando curá-lo.
— Ainda dói — disse, com a voz meio embargada. — Ainda dói todas as noites, Frederico. Não me deito nem me levanto sem pensar em ti, e cada missão é mais difícil que a outra. Agora parece que há mais rum do que sangue correndo pelas minhas veias.
Os olhos amendoados de Frederico eram tristonhos, brilhando sob os luzeiros como se estivessem marejados. Guillermo perdeu o compasso da respiração. Era já a segunda vez que o via depois de toda a tempestade de sofrimento, mas manter a compostura não havia ficado menos difícil.
— Dói em mim também, Guillermo. — Frederico umedeceu os lábios e pôs a mão direita em seu rosto. — Não pense que fico livre da angústia. Vê-lo se matando aos poucos e não poder fazer nada é terrível para mim... Por isso volto tantas vezes.
— Por que não fica aqui de uma vez, então? — Soou como uma súplica quando Guillermo o segurou pelo pulso. — Seria tão mais fácil...
— Oh, sabe que não posso. Não me torture assim — Frederico os deixou fronte a fronte, suspirando. — Precisa me deixar ir, Guillermo.
— Esta é a coisa mais dolorosa que já me pediu — sussurrou.
Por um momento precioso, os dois se deram ao luxo de apenas apreciar a presença um do outro e a brisa do mar. Guillermo poderia escrever um livro com tudo o que ainda tinha para dizer a Frederico. Coisas sobre como o vinho perdia o gosto sem ele, ou como nunca mais se deitara com ninguém e achava que o amor não lhe sorriria novamente. Entretanto, sabia que, de alguma forma, seu amado já tinha conhecimento de todas aquelas coisas. Nossas almas são feitas do mesmo tempero, não há segredos entre nós.
— Acha que podemos valsar uma última vez? — Seus dedos vagaram pelas ondas no cabelo de Frederico carinhosamente. — Deixo você guiar.
— Você sempre diz isso, e então toma a liderança no meio. — Frederico riu, parecendo derreter-se sob seu toque. — Lembra-se da violinista francesa que tocou para o Conde Amaro naquele Natal? Quantos anos tínhamos? Quinze?
— Dezesseis. — Guillermo sorriu, segurando suas mãos e o levando para o meio da plataforma. — E como poderia me esquecer? Naquela noite, trocamos o primeiro beijo.
As maçãs do rosto de Frederico assumiram um tom róseo, tornando-o ainda mais adorável. Prestaram uma reverência floreada em preparação para a dança, então o capitão se deixou guiar numa cadência delgada. As mãos escorregavam pelas costas do imediato, procurando reter o máximo que podia de sua quentura.
A Guillermo parecia que flutuavam, que valsavam através das constelações que Frederico pintara nos mapas do navio. Estavam inalcançáveis num mundo próprio, compartilhando de risadas frouxas e sorrisos apaixonados. Haviam voltado para aquele primeiro Natal juntos no salão de baile do palacete do Conde, e a violinista francesa tocava para eles.
— Quantas vezes é possível se enamorar da mesma pessoa? — perguntou, deitando a cabeça no ombro de Frederico. Ele cheirava a mel e canela, o mesmo perfume do chá que costumavam tomar ao fim do dia.
— Também gostaria de saber.
O assoalho de madeira rangia conforme os pares de bota o percorriam. O marulho os embalava gentilmente, e a luz dos lampiões trazia um ar de aconchego. Guillermo sentiu-se completo e leve, como se viver fosse simples e não houvesse nada para se preocupar.
— Quando Gilberto acordar, vou conversar com ele. Talvez, depois de algum tempo, possa começar a treiná-lo com imediato. — Suspiro, dando-se conta de que não trocara mais do que três ou quatro palavras com o garoto desde que o conhecera. — E claro, vou falar com os outros gajos também.
— Fico feliz. — Frederico beijou-lhe no pescoço, apertando-o mais contra o peito. — Vê-lo agindo como um capitão é o que me deixa mais feliz.
— Lisonjeado, marujo — Guillermo gracejou.
Frederico os fez parar a valsa depois de alguns minutos, e o obrigou a encará-lo nos olhos.
— Pode me prometer uma coisa? Não se esqueça de que vou amar você para sempre.
Guillermo entreabriu os lábios para responder, mas pressentiu que seria engolfado pelo choro. Frederico colocou uma mão sobre seu peito e o beijou tranquilamente, como se dispusessem de todo o tempo do mundo.
Uma brisa forte varreu o leme, e timão balançou. A pedra presa na outra ponta da alça de ancoragem escorregou alguns centímetros, arranhando o piso. O som fez Guillermo se sobressaltar e, num segundo, estava sozinho.
Frederico se desvanecera, como uma miragem no porto. Tudo o que restava era o barulho das ondas, os risos e o falatório do convés que começava a ganhar vida além da popa. Ele se foi, constatou uma vez mais, pondo as mãos sobre o coração apaziguado.
— Capitão?
Malaquias surgiu no cume da escada, encarando-o com uma expressão de espanto. Guillermo apressou-se em enxugar uma lágrima ameaçadora no canto do olho, e fez o possível para se parecer de fato com um capitão.
— Está tudo bem? Estava falando sozinho?
— Como? — Guillermo pestanejou, sentindo um misto de vergonha e divertimento ao imaginar como o marujo o vira. — Está me chamando de louco?
— Bom... — Malaquias coçou a nuca sem jeito, dando-lhe um sorriso esburacado. — O senhor tem andado meio estranho. Todo mundo aqui acha que você enlouqueceu.
— Pareço louco? — O capitão abriu os braços, oferecendo-se para uma inspeção. — Não responda, por favor.
O sol começava a romper as trevas da madrugada, e as estrelas iam se camuflando no céu mais uma vez. Guillermo inspirou lentamente, despindo-se do véu de entorpecimento que aquela última valsa lhe deixara. Precisava despertar, mostrar à tripulação a si mesmo que estava vivo, e ainda era o capitão do Encouraçado.
— Reúna nossos companheiros, por favor, Malaquias — pediu, afagando o ombro do marujo.
— É para já. — Malaquias desceu os degraus ligeiro e correu para a escada que levava aos andares inferiores.
Guillermo voltou os olhos para o céu que se coloria, experimentando o gosto de uma súbita alegria. Em algum lugar, muito além do mar e das estrelas, Frederico o esperava para que pudessem valsar novamente. E não havia o que temer, uma vez que seu amor ainda era recíproco.
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