Antes dos Dezenove Anos depois
22 Capítulo 22- Uma novidade
Notas iniciais
Pov. Harry
É engraçado como as coisas mudam em nossas vidas, há uns anos atrás, eu jurava pra quem quisesse ouvir, de que eu era um azarado e que nada nessa vida valia a pena, mas como a vida sempre está aí pra pregar peças, em quem quer que seja, hoje eu me considerava o homem mais sortudo do mundo, um bom emprego, amigos sensacionais, uma família postiça linda, que me adotou com todo amor e o principal uma mulher linda, que dorme e acorda todos os dias do meu lado.
O que mais eu podia querer,... Nada. Gina era a realização, que qualquer homem em sã consciência sonharia, carinhosa, educada, independente, bonita, bem humorada,.... Tá ok, eu me rendo, o bem humorada eu retiro, de umas duas semanas pra cá ela tem estado meio instável, e eu não sei o que fazer.
Semana passada eu tive que fazer uma pequena viagem as colinas da Escócia, nada muito importante, só um pequeno desconforto com uns dementadores que ainda tentavam se esconder por lá, mas voltando ao assunto,... Eu recebi a missão em cima da hora, então não deu tempo de vir em casa avisá-la, e como bom marido que sou, mandei uma mensagem através de meu patrono avisando-a, a viagem foi curta, Ronny foi comigo e em dois dias já estávamos de volta.
E qual foi a minha surpresa ao chegar em casa, lá pelas tantas da noite e encontrar sem cerimônia nenhuma, um travesseiro, um pijama e um cobertor em cima do sofá, como pra bom entendedor, meia palavra basta, não tomei atitude nenhuma, me joguei ali mesmo, estava exausto.
E o pior de tudo, no dia seguinte ela acordou às cinco da manhã, fez um barulho infernal na cozinha e ainda teve o disparate de ligar o rádio naquele programa idiota do Lino Jordan, eu até gostava dele, mas desde o dia em que o ouvi elogiar as belas curvas da apanhadora do Harpias, aquilo pra mim foi o cúmulo, se ele não sabia “aquela apanhadora”, era minha mulher e apesar de que estava fazendo de um tudo pra me enlouquecer, ela sempre seria minha. A propósito, se algum dia algum bruxo das trevas quiser me vencer é muito fácil, até eu já descobri meu ponto fraco: Ginevra Molly Weasley Potter se aliem a ela, só ela me tira do sério.
Só eu sei o que penei e peno desde essa maldita viagem, se bem que não posso me queixar muito, pelo menos já voltei pra nossa cama.
_ Ei pequena! Você tem treino hoje, vamos levantar.
Tentei ser o mais romântico possível, talvez assim ela me perdoasse de vez, seja lá o que for que eu tenha feito e mereça seu perdão.
Ela dormia de bruços, com as costas nuas descobertas tentadoramente expostas a meus beijos.
_ Huumm!!! Para Harry! Eu quero dormir, não tenho passado bem esses dias e não quero ir a treino nenhum.
Ela puxou o coberto de encontro ao corpo e jogou o travesseiro em cima da cabeça.
_ Quer que eu faça algo pra você comer, ou sei lá, algo pra você beber, para fazer esse mal-estar estar passar?
Ele ergueu milimetricamente a cabeça e me fuzilou com o olhar.
_ Você na cozinha? Preparando uma comida pra mim, ou uma poção?
Eu disse que ela andava stressada.
_ Ah poupe-me Harry, eu prefiro o mal- estar.
Suspirei e sai do quarto, eu tentei.
Saí de casa, e antes de ir direto para o ministério dei uma passada na casa de minha sogra.
Era bem cedo, mas eu sabia que meu sogro já teria saído.
Fui recebido por uma sogra, que ouvia o mesmo maldito programa de rádio.
_ Harry querido, entre, eu fiz bolinhos agora, venha tomar um café, pela sua carinha, Gina não anda lhe alimentando bem.
Eu ri internamente, Molly era como minha mãe, e ela me conhecia muito bem.
Entrei com ela, sentei-me e comecei a bebericar seu café, ela me estudou por uns segundos, até despejar suas dúvidas.
_ Problemas querido?
Eu não queria falar disso com ela, a escolha certa seria Hermione, mas eu estava nervoso demais pra esperar até encontrar minha amiga.
_ Eu não sei Molly, tem alguma coisa errada.
Desde que eu e Gina nos casamos tinha deixado as formalidades de lado, ficar chamando meus sogros de senhor e senhora a todo tempo, os colocava velhos demais.
_ Do que está falando Harry?
_ Ginna.
Eu levantei, estava nervoso demais para me manter parado. Ela não expressou reação nenhuma, continuou a me escutar.
_ Acho que ela não me ama mais Molly, ela tem estado estranha, mal humorada, nervosa, às vezes acho que ela está doente, sei que ela anda tento umas tonturas, seu treinador me falou outro dia que ela quase caiu no treino.
Ela continuava a me escutar calada.
_ Ela mal fala comigo Molly, e quando o faz, parece que tem uma raiva a consumindo, eu,... Eu não sei o que fazer, eu a amo demais para fazê-la sofrer, se ela ao menos me contasse qual é o problema, eu juro que farei o que ela quiser.
_ Não sei Harry, eu não acho que minha filha tenha deixado de amá-lo em apenas oito meses de casamento, e essas atitudes dela,....
Minha sogra estava pensativa, parecia que um mar de lembranças a estavam dominando.
_ Vá trabalhar querido! Eu só vou esperar ela chegar, e vou até lá ver o que se passa com minha menina.
_ Ela está em casa Molly, não quis ir treinar, deve estar dormindo agora.
Ela me olhou com o misto de piedade e compreensão.
_ Tenha paciência querido, se for, o que eu acho que é, você vai precisar de muita, mas muita paciência mesmo.
Dei um beijo nela e saí, olhei mais uma vez em direção a minha casa e fiz uma prece silenciosa, para que tudo se resolvesse.
Pov. Ginna
Trovões!
Era isso que eu ouvia, o barulho irritante deles ecoava, pelos meus ouvidos ainda semicerrados, por causa da sonolência.
Trovões!
Não é possível, depois de quase 5 minutos eles ainda continuavam.
_ Giiinnnaaa!!!!
Droga, essa voz,... Era mamãe, o que ela queria tão cedo. Levantei meio grogue e desci correndo para abrir a bendita da porta.
_ Muito bem senhora Potter, dá pra explicar o que está fazendo dormindo até onze horas da manhã? E estou a cinco minutos esmurrando essa porta.
Ah! Os trovões.
_ Bom dia pra você também mamãe.
Virei às costas e segui até o sofá branco da minha sala.
_ Bom dia filha, desculpe, mas é que eu estou meio preocupada com você.
Olhei para a claridade lá fora e me assustei.
_ Quantas horas a senhora disse que era mãe?
Ela me olhou.
_ Onze horas?
_Droga.
Murmurei em voz baixa.
_ O almoço de Harry vai atrasar.
Ela me confrontou com sua autoridade de mãe.
_ Se eu fosse você eu não me preocuparia com isso, eu duvido que ele venha almoçar hoje.
_ Por quê? Aconteceu alguma coisa com ele?
Pus-me de pé num pulo, se tivesse acontecido alguma coisa com meu Harry, eu queria saber.
_ Ele passou lá em casa de manhã, e sinceramente filha, ele parecia um trapo.
Merda, então era isso.
_ Ele foi se queixar de mim, ora aquele bruxinho de uma figa.
Aquela raiva estranha já tentava me dominar de novo. Mamãe atravessou minha sala e sentou-se ao meu lado acariciando meu cabelo.
_ Ele não foi se queixar querida, ele só está preocupado, pelo que ele me contou você não anda muito receptiva ultimamente, e o coitadinho está achando que você não o ama mais.
Senti meu rosto perder a cor. Meu marido está achando que eu não o quero... Merlin... O que estou fazendo conosco.
_ Mãe!!!
Joguei-me chorando em seu colo, entre soluços e lágrimas contei a ela de todas as minhas neuras, inseguranças, nervoso, enjôos, tonturas e sono que ando tendo, agora eu entendia toda angústia que via nos olhos de minha mãe quando ela chegou, se eu parar pra pensar tenho agido rude com Harry ultimamente, e eu nem sei o porquê disso, ele continua a ser o mesmo cavalheiro de sempre.
_ Então mãe, me ajude, eu não sei o que fazer.
_ Vem querida!
Ela me arrastou escada acima.
_ Coloque uma roupa e vamos fazer uma visitinha ao St. Mungus.
Pov. Harry
Tive um dia exaustivo hoje, e tirando o almoço em que aproveitei a crise no meu casamento, para passar com Ted, o resto foi uma correria só.
Cheguei em casa e adentrei, pé por pé como se fosse um criminoso, tentei fazer o mínimo de barulho possível, não queria irritar Gina, estava cansado demais para uma nova discussão.
Já no quarto, notei um cheiro agradável no ar, mas não ousei a procurar seu dono, eu o conhecia muito bem, minha Gina já estava de banho tomado.
Caminhei silenciosamente, e me aconcheguei à água quente e receptiva, senti na hora todos os meus músculos relaxarem. Nossa! Como eu esta precisando daquilo.
Terminei meu banho e fui para o escritório, eu não estava com fome, e como estava evitando um confronto direto, me escondi atrás de uns relatórios inacabados.
_ Posso entrar?
Surpreendi-me, ao ouvir sua voz. Ela não esperou minha resposta, entrou e veio ao meu encontro, afastando minha cadeira e sentando em meu colo.
_ Você nem me deu boa noite....
Mudança brusca de humor. Ela só pode estar querendo me matar mesmo.
_ Boa noite.
Respondi seco e afastei-a de meu colo, caminhando até o outro canto, me acomodando no sofá. Ela me olhou, assustada com minha reação, era rara as vezes que eu me zangava com Gina, mas dessa vez eu estava fulo, quem ela pensa que eu sou?
_ Eu,... Eu não sei por onde começar.
Continuei carrancudo, ela tremia, seus olhos já estavam marejados, e as lágrimas já caiam em um papel que ela tinha nas mãos.
_ Que tal pelo começo...
Rendi-me a ela, ver minha Gina chorando era meu pior pesadelo. Abri meus braços pra ela, convidando-a, ela mais que depressa se aconchegou em mim, afundou o rosto em meu peito, e começou....
_ Desculpe. Eu tenho agido como uma criança mimada, mas eu não soube identificar os sintomas amor, desculpe, eu descarreguei todos eles em você. Desculpe-me fui uma tonta.
Ela falava tudo de uma vez, e eu já não entendia nada.
_ Mamãe foi comigo a St. Mungus, e depois de ser atendida,...
Doente! Era isso, Gina estava doente e eu nem percebi. Vai ser trouxa Harry....
_ Calma Gina, devagar. Eu não estou conseguindo te acompanhar.
_ Leia isso.
Peguei o envelope de suas mãos, meu coração perdeu duas batidas nesse instante. Merlin, que não seja nada grave.
Passei meus olhos pelo grosso pergaminho e segui até as últimas linhas, em negrito a palavra mais linda que eu já vira em toda a face da terra se destacava.
_ Positivo...
Olhei para ela, já sentindo a emoção tomar conta de mim.
_ Grávida amor?
Ela assentiu também emocionada.
_ Por isso dos enjôos, tonturas, irritação, eu não sabia Harry, como disse mamãe, “somos marinheiros de primeira viagem.”
Abracei-a com todo amor, a partir de agora tudo mudaria em minha vida, eu passaria de um órfão, a um pai, e eu prometi a mim mesmo, que eu seria o melhor pai do mundo, assim como eu sei que meu pai teria sido se tivesse tido oportunidade.
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