– Robert? — Pergunta Peter. Na tentativa de cortar o silêncio enquanto caminhavam, pelas ruas daquela velha e chata cidade, onde não tinha muitas opções de cultura e diversão. Apenas uma única praça, onde os adolescentes se reuniam todos os finais de semana, para conversarem e se divertirem. Tentando fugir da inevitável verdade, que todos iriam morrer. Menos os vampiros, que apesar de serem eternos, muitas vezes a ideia da eternidade se tornava insuportável. Ver gerações e gerações de humanos crescendo e morrendo, enquanto os vampiros continuavam, vivos e fortes. Por isso, muitas vezes eles evitavam os contatos com os humanos, ter amizade, ter contato físico, até mesmo amar um humano, era proibido, por que ele acabaria morrendo por velhice, ou como alimento, de um vampiro…
Tentando farejar alimento eles continuavam andando até que Robert faz um gesto com sua cabeça, dizendo “sim?” enquanto estava, olhando ao redor na tentativa de achar alguém perdido pelas ruas escuras.
– Você já assistiu Bob Esponja, cara? É muito massa! Ele é uma esponjinha amarela que vive dentro do mar e tem... — Robert interrompe a fala dele, rindo e fala:
– Cara, sério isso? Você acha que eu tenho cara de quem assiste Bob Esponja? Me diz, eu tenho cara de criança por acaso? Me responda na sinceridade... Por favor! — Peter trava por alguns segundos, pensa, repensa e fala rapidamente:
– Não. Você tem cara de ser um cara chato, que assiste filmes pornográficos enquanto morde o travesseiro. Mas sei que você não é chato! Apesar de querer ser durão é um bom amigo e tem bom coração, eu te conheço há séculos.
– Não Peter, eu não assisto Bob Esponja e muito menos filmes pornográficos. Prefiro atuar e não assistir. E sobre o desenho… eu prefiro "As meninas super poderosas", que são três fofas meninas chamadas: Lindinha, Florzinha e Docinho. Que salvam o mundo de um macaco louco. — Ambos caem na gargalhada, ignorando a caçada por alguns minutos.
Star não aguenta, o tamanho da infantilidade dos dois e fala brava, fazendo seus caninos aumentarem:
– Estou cercada por dois babacas sem infância! Podem fazer um favor para a humanidade? CALEM A BOCA! E se concentrem aqui ou vocês não estão com fome?
Eles não respondem, se recuperando das gargalhadas que eles deram. Star continua: -Peter dá a mão aqui pra mim! Não vamos marcar bandeira.
– Não somos sem infância, Amorzinho. Só somos dois vampiros, com muito tédio. — Peter murmura, dando um sorriso falso pra ela.
– Não estariam com tédio se vocês estivessem concentrados aqui. — Fala ela, agora mais séria se colocando no meio dos dois.
Peter dá a mão para ela com um sorriso largo no rosto, dessa vez. Ele fala:
– O que acham de irmos na rua perto da praça? Não vamos catar nem moscas aqui, e provavelmente...
– SHIU! FIQUE QUIETO! — Interrompe Robert. Fazendo seus caninos aumentarem rapidamente... — Star e Peter lembram do plano?
– Sim! — Dizem em coro.
– Ótimo, coloquem ele em execução. A partir de agora! — Robert se afasta devagar e corre em direção uma moita, com algumas rosas vermelhas do outro lado da rua...
A madrugada estava fria, era outono e ventava, muito, mas a lua estava linda! Estava cheia e brilhante, iluminava aquela rua e o resto da cidade toda.
Passam alguns segundos, Peter sussurra no seu ouvido, enquanto ela olha pra lua, magnética.
– Me beija? Faz parte do plano!
– Não mesmo! — Responde ela, atenta.
Sem pensar duas vezes, Peter puxa ela para mais perto de si, pega em sua cintura com força e a beija. Foi um beijo frio e sincronizado. Tinha gosto de desejo. Mas de imediato Star, lhe deu um tapa no rosto, mordeu seu braço e completou o gesto dizendo: -HAHA! Falei pra não tentar nada, queridinho! A propósito seu sangue não é tão ruim quanto eu pensava… — Ela ri, enquanto passava a língua sobre seus lábios, tirando o resto do sangue que ficou alí...
– VOCÊ ESTÁ LOUCA? -Pergunta Peter estérico.
– Desculpa, Amorzinho mas, eu não estou louca eu sou louca. — Responde Star, dando um sorriso meigo e irônico...
– Olha o que você fez! Está sangrando muito, Star. Pode resolver isso agora! — Ordena Peter.
– Com todo o prazer do mundo. — fala ela, fazendo seu caninos diminuírem um pouco. Ela pega o braço dele e começa a fazer leves movimentos com a língua para retirar o sangue que estava escorrendo.
–Star, isso está me machucando. — Grita Peter segurando o cabelo dela.
– Aí.. Tadinho. Estou morrendo de dó de você! Se não comermos hoje a noite pelo menos eu vou sair um pouco alimentada. Com o seu sangue, já vocês dois, eu não sei... — sussurra Star.
– Falando nisso. Não era pra nós dois estarmos concentrados na calçada? -Pergunta.
– Pois é. Pensei que seu sangue era um pouco podre. Mas não é, me enganei completamente, é muito gostoso. — Dizia Star sugando cada vez mais o sangue dele.
Peter puxa o braço de volta e diz:
– Já deu! Você vai me matar.
Star decepcionada volta sua atenção pra lua, novamente.
– A propósito eu sou gostoso, okay? — ele diz -Gostoso? Gostoso? Certeza? Acho que não! Gostoso é meu irmão. Se eu não fosse irmã dele, eu pegava ele. — Ela olha pro seu irmão, que ainda estava atrás da moita, escondido.
– Claro! Super gostoso, o "melhor", o "poderoso"! Se eu fosse gay, eu catava…
– Ele é melhor que você sem dúvidas! Cara, eu te odeio! Só não te mato. Porque Vampiros não podem matar vampiros.
Ele ri, vira o olhar para o chão e fala:
– É, vampiros não podem matar vampiros. Mas quero morrer no seus braços, Amorzinho!
– GAY! GAY! GAY! Tão gay, que meu coração se comoveu. — Fala Star.
– Sério? — Pergunta Peter animado...
– ÓBVIO QUE NÃO NÉ! Iludido. — Exclama Star.
– HEY? vocês dois! Será que dá pra vocês pararem de viadagem e se concentrarem aqui? Eu agradeço! — Fala Robert.
– Claro irmãozinho. Só estava fazendo uma paradinha pro lanche aqui! — Explica ela olhando com raiva para o Peter.
Alguns minutos se passam e eles continuavam discutindo igual duas crianças. Enquanto Robert estava olhando ao seu redor tentando farejar sangue fresco. Passa mais alguns minutos ele se levanta e vai em direção ao Peter e Star que estavam bem abraçados e com uma expressão de cansaço. Robert decepcionado fala:
– Alarme falso!
– Sério Rob? Nossa... Tive que fica abraçada com essa "criatura" a toa? A eu não vou perder assim... Não podemos desistir agora! — Ela dá um empurrão no Peter, quando ela percebe que ainda estão abraçados.
No fundo, Star tinha razão. Não podiam desistir agora. Estavam fracos e feios. Precisavam sentir prazer em devorar alguém. Mas havia semanas que não sentiam esse prazer. Eram tempos difíceis. E os humanos, estavam cada vez mais com medo de sair durante a noite. Sabendo que a cidade estava tendo muito casos de vampiros, devoradores.
Peter abraça ela, mais uma vez… e ela empurra ele pra longe de si… essa cena se repete por várias vezes até que ele diz:
– Aproveita o momento, amorzinho.
– Ah! Com certeza vou aproveitar… eu vou aproveitar esse momento pra lhe dar uns socos. O que acha? — Pergunta Star.
– Não seja tão dura consigo mesma. — Murmura Peter. Dando um sorriso de lado e desviando o olhar para a Lua. Star ignora o comentário e também olha para a lua encima de si. Então ela respira fundo e fala:
– Tão bela. Tão forte. tão magnética. Mas tão fria... Tão...
Robert se aproxima dela e começa a olhar a lua assim como Peter e Star ele suspira e fala bem baixinho no ouvido dela: — Tão você... Star dá um sorriso de leve para Robert e fala baixinho também:
– Vai ficar tudo bem né, Rob?
– Vai, Star. Vai sim! Eu prometi que ia cuidar de você. Não prometi? — Fala ele, dando um beijo no rosto de sua Amada, irmã em seguida um abraço apertado e quentinho. Era tudo o que ela mais precisava naquele momento, um abraço.
– Ai... Isso é tão lindo. Quase chorei, aqui. — Fala Peter soltando uma gargalhada profunda e triste, ele queria ter uma irmã pra fazer igual.
Star bufa de raiva dele e grita, indo em direção a ele com fúria: — Vai se ferrar seu...
– Star? Peter? Fiquem quietos agora! Acho que agora vai! — Diz Robert.
– Como pode ter certeza? Dá outra vez deu errado. — Pergunta Peter
– Espera! — Ordena, olhando em volta procurando por pessoas. Era quase de madrugada não havia ninguém por alí. Sentiu uma raiva subindo pelo seu corpo, fazendo seu sangue ferver. Robert e Peter deram alguns passos para trás, com medo dela, seus olhos estavam vermelhos… Peter se aproxima de Robert e pergunta:
– Ai Papai... Ela não vai... Vai?
Robert acena com a cabeça que sim.
Star levanta a cabeça, olha para a lua e para eles depois e fala: — Eu... EU ESTOU COM FOME! E não vou sair daqui enquanto não sugar a última gota de felicidade de qualquer ser humano. Vou tirar sua vida e sua alegria de uma só vez. Eu não fiquei um mês esperando por esse dia pra acabar assim! Eu me escondi por muito tempo, já chega! Até posso imaginar o sangue quente descendo pelo meu estômago, fazendo meus músculos se regenerarem e eu vou voltar a ficar bela e forte... Mal termina de falar, quando percebe que está com os pés fora do chão. Ela olha pra baixo e vê os dois acenando pra ela descer de volta. Ela estava fraca. Mal conseguia ficar com o corpo reto... Mas continuava firme alí.
Ela era a única vampira da região que consegue levitar. O que causa muita inveja em diversos vampiros. Ter esse dom que ela herdou da mãe, era algo de muita responsabilidade e controle mental… Quando ela se encontra em estado de raiva, medo e insegurança, seu corpo se protege, levitando cada vez mais alto.
Star, olha para baixo. E vê algumas pessoas vindo em direção daquela rua. De imediato ela perde suas forças e caí no chão. Peter e Robert correm em direção a ela preocupados. Ela respira fundo, como se tivesse acordado de um pesadelo, ainda deitada chão ela fala: — Vão para suas posições eu estou bem!
Robert corre para seu lugar atrás da moita. Peter ajuda ela se levanta e a abraça, como se fosse última vez...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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