Antes do fim
13 Madrugada a dois
Pedro se aproximou lentamente da porta esperando ouvir alguma resposta do outro lado, mas a pessoa bateu outra vez, fazendo o menino ficar um pouco assustado.
— Pai? — Ele perguntou novamente, olhando ao redor e procurando por algo que pudesse se defender ao se lembrar do pai pedindo para que ele fechasse tudo na casa.
— Pedro? — A pessoa o chamou, mas logo ele percebeu quem era, já que reconheceria aquela voz doce em milhares de quilometros a sua frente.
O garoto abriu a porta com rapidez e foi surpreendido por um abraço forte. Ana estava agarrada a seu peito lhe dando um aperto de conforto, o que fez com que o coração do menino esquentasse mais um pouco naquele momento. Ela era tão preciosa para ele.
— Você está bem? Te liguei umas vinte vezes, mas você não atendeu...também ouvi a conversa com seu pai e preferir checar como você estava, me desculpa se estou incomodando.
— Claro que você não incomoda. — Pedro respondeu de imediato. — Só fiquei um pouco assustado com toda essa situação, me bateu uma saudade da minha mãe, meu pai anda ausente, é muita coisa acontecendo para pouco tempo, sabe?
Ana olhava no fundo dos olhos do menino outra vez, fazendo com que ele esquecesse tudo ao redor e só existisse os dois bem ali, parados no meio da sala. Sem que pudesse exitar, o garoto beijou a menina novamente como se fosse o último dia deles. O silêncio que os rodiava fez o menino se entregar mais ao beijo e Ana desejava que aquele momento nunca mais acabasse.
— Eu posso passar a noite aqui, se quiser. Seu pai falou quando volta?
— Nenhuma previsão. — Ele respondeu. — Quer subir para o meu quarto?
Ana pareceu meio envergonhada e olhou para baixo, com medo de aceitar o convite.
— Quer dizer, podemos ficar na sala, claro. — O menino tentou se justificar. — Temos o sofá, podemos ver uma série, fazer uma pipoca...
— Com brigadeiro? — Ana perguntou querendo fazer graça.
— Com brigadeiro. — O menino riu e fez uma caricia de leve no rosto da Ana.
Ambos se acomodaram ao sofá de madeira que estava próximo a eles e então passaram a falar com os amigos por chamada de vídeo. Todos ainda continuavam sem explicação nenhuma sobre a atitude do exercito na cidade. Com o passar do tempo, Pedro pôs um filme de romance chamado Questão de Tempo para que pudesse assistir com Ana. Os dois ficaram abraçados durante um bom tempo, comendo brigadeiro e trocando caricias que os deixavam cada vez mais apaixonados um pelo outro.
No começo da madrugada, quando o filme havia acabado e a única luz que pairava sobre eles era a da caixa de som que tocava em um volume baixo a música Myth da Beach House, Ana encarava o menino, já que estavam deitados no tapete da sala quase encostando os seus narizes, sem falar uma palavra sequer.
Pedro admirava a garota em sua frente em todo o seu explendor. Ela estava linda com aquele baby look e os cabelos um pouco bagunçados, o sorriso incrivelmente perfeito aparecia de leve em seu rosto e o garoto sentia seu coração bater mais forte. Ele sentia vontade de falar um grandioso eu te amo em todas as línguas possíveis, mas não sabia se a assustaria e nem quando seria o momento correto para isso.
— Você já parou para pensar que depois de amanhã já é natal? — Ana perguntou, num quase sussurro.
— Nossa... — O menino pareceu voltar a realidade. — Tinha esquecido completamente disso. É a sua época favorita, né?
— Sim, sempre foi. Mesmo com tudo que esta acontecendo, ainda continua sendo. Adoro as luzes brilhantes pela cidade, ver a família, o clima de empatia no ar...
— Você fez planos para esse natal? — Pedro perguntou.
— Na verdade, meus pais vão fazer um jantar, pediram para que eu convidasse você e seu pai. Não seria um natal correto sem vocês.
O garoto abriu um sorriso e de cara aceitou o convite, a puxando para mais perto e dando um selinho demorado. — Eu quero estar onde você estiver.
— Não importa onde? — Ana perguntou. — Mesmo que eu tenha que sair da cidade para fazer faculdade?
O menino se lembrou de imediato do vestibular que havia se inscrito e que em alguns dias, provavalmente após o natal, o resultado da lista dos aprovados seria divulgado. Mesmo que estivesse indo para o último ano do ensino médio, seu pai provavalmente conseguiria uma liminar na justiça para que tudo desse certo.
— Podemos falar sobre isso depois?
Ana ficou um pouco confusa, mas concordou sem exitar.
— O que acha de irmos ao lago amanhã? Ainda quero aproveitar os dias que restam dessas férias.
— Chamo os meninos? — A garota perguntou.
— Sim, faça o convite a todos. Quero me divertir e esquecer um pouco disso tudo, quando chegar no natal já não me lembrarei de mais nada.
A menina riu e pegou seu celular, digitando no grupo dos amigos o convite, ignorando toda a situação como o menino havia feito e de imediato aceitaram. Provavelmente todos eles também estavam querendo voltar a realidade e viver aqueles dias como sempre faziam nos anos passados.
— Com sono? — Ana perguntou.
— Nenhum pouco e você?
— Também não... — A menina se virou e passou a encarar o teto observando que uma das suas músicas preferidas estava começando a tocar. — Você quer dançar comigo?
— Dançar? — Pedro a encarou incrédulo. — Agora?
— Agora. — A garota se levantou e em seguida estendeu a sua mão para que ele fizesse o mesmo.
Pedro se pôs de pé a menina o puxou para mais perto, fazendo com que os dois começassem a dançar em passos lentos. A música pareceu ficar mais alta na medida que ele se concentrava para não parar a dança e beijar a menina outra vez. Ela encostou sua cabeça em seu peito e eles permaneceram assim até que a música acabasse. Ana levantou seu olhar para o dele e em seguida o beijou com toda intensidade que estava guardada desde o momento que havia chegado mais cedo.
O menino sentia seu corpo ficar mais quente, como se o calor quisesse evaporar por sua pele. A menina comprimia seu corpo contra o dele, fazendo com que o garoto desejasse tirar toda a sua roupa e poder apreciar cada parte do seu corpo naquele momento. Pedro a empurrou um pouco e a encarou seriamente, mas a menina não deu a mínima, lhe surpreendendo com outro beijo e puxando a sua blusa sinalizando que ele tirasse.
— Você tem certeza? — Ele perguntou.
Ana sinalizou que sim com a cabeça e então o menino tirou a sua blusa, fazendo o mesmo com ela. Pedro estava nervoso, mas não queria perder nenhum momento daquela noite. Ele estava encantado com a menina, sempre surpreso com a beleza dela. Ele lhe deu outro beijo e em meio a suspiros ofegantes, ele pegou em sua mão e a puxou escada acima para o seu quarto.
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