Antes de ir embora (Em revisão)
5 Capítulo 5 – Desejos do câncer
Notas iniciais
Os amigos dos Hotchners foram embora depois de longas conversas e muitas taças de vinho. E como o Jack ainda não chegara com Garcia, o casal resolveu dar uma “geral” na casa, que realmente estava uma bagunça. Emily estava um pouco desequilibrada, tinha bebido muito junto com os amigos, fora tantas taças de vinho que era capaz dela nem se lembrar do próprio nome, mas foi consciente o bastante para ajudar o marido a arrumar o quarto... Se ficar parada segurando o lençol da cama por um tempo como se fosse uma estátua viva conta como ajuda. Já Hotch estava mais calibrado, não bebera muito já que pelo menos um deles teria que colocar o filho para dormir e colocar no lugar toda bagunça da casa, até brinquedo tinha espelhado por alguns cômodos.
O homem riu observando a mulher parada com o lençol branco nas mãos, os olhos dela estavam vermelhos e ela estava parecendo uma “estátua tonta” no meio do quarto de casal. Ele podia até gravar essa cena, mas era bom demais para fazer isso com a esposa.
— Então, querida, no que está pensando?- Pediu ele, esperava que ela respondesse.
— Como porra você pode me amar?- Perguntou ela do nada. Hotch riu para a Emily bêbeda, ela era realmente engraçada as vezes. – Quero dizer, eu te amo pra caralho, mas e você?- Perguntou ela terminado de dobrar o lençol e jogando-o na poltrona que tinha ali.
Hotch suspirou.
— Olhe as palavras inadequadas, senhora Hotchner!- Repreendeu ele, em tom de brincadeira é claro. Adorava ver como chateada ficava sua mulher bêbada, mas quando lembrava do que eles passariam na manhã seguinte, ele não gostava nada da bêbada Emily.
— Eu estou doente!- Jorrou ela. – É um saco!- Fez uma careta colocando a língua para fora e olhando para ele. – Mas você parece não se importar.- Disse ela. – Sabe o que eu queria?- Perguntou tentando se movimentar, mas foi um pouco difícil já que estava totalmente sem controle do seu corpo por causa da bebida. – Realizar todas as minhas fantasias com você, porque eu tenho muitas!- Disse ela.
O homem mais velho se assustou com o modo em que sua mulher falou. Com certeza ela não iria acreditar no que disse quando ele contasse a ela no dia seguinte, com ela sóbria é claro.
— O bom de estar doente é não que se preocupar com essas coisas!- Exclamou ela. Gargalhou engraçado e Aaron riu um pouco.
— Ok, amor, e qual é o seu desejo, hein?- Pediu ele se aproximando dela e segurando seu rosto delicadamente.
Depositou um selinho nos lábios da esposa e esperou que ela respondesse sua pergunta. Sabia que ela tinha algum desejo, e mesmo bêbeda, sem consciência, ainda tinha um pouco de verdade nas palavras dela... Só esperava que não fosse algo muito “fantasioso”.
— Eu quero fazer sexo com você enquanto estivermos em um caso.- Começou ela, tinha uma expressão triste no rosto, um pouco engraçada até. – Eu quero transar com você no banheiro do avião. Eu quero transar com você no banheiro de uma boate qualquer. Eu quero fazer amor com você no carro, na cama do hospital, no seu escritório e no parque.- Terminou com um sorriso malicioso no rosto.
Aaron riu para o que a mulher acabou de dizer agora. – Os seus desejos comigo só envolvem sexo?- Perguntou ele em brincadeira.
— Não!- Exclamou ela como se estivesse incrédula. Sorriu para ele com os olhos fechados, só sentindo o toque suave de suas fortes mãos em seu rosto. – Eu quero eu e você, cozinhando para Jack todos os dias, quero visitar junto com ele um canil, ir ao zoológico pelo menos duas vezes na semana, ensinar para ele como jogar paintball, levar vocês a um karaokê, ir ao cinema todos os sábados, ter um encontro com o meu marido pelo menos uma vez ou mais na semana, ir a todos os jogos do meu filho na escola. Viajar um final de semana inteiro para nossa casa de campo longe da cidade, ficar mais tempo com minha mãe...- Falou ela, ficando um pouco cabisbaixa agora. Lágrimas caíam de seus olhos, ela não olhava para o marido mais, sua cabeça estava baixa e encostou no peitoral do marido, para conforta-la ele a envolveu em seu braço. – Eu não quero te perder, Aaron!- Exclamou chorando.
Essa frase soou até um pouco irônica. Não era ela que iria perder ele, era ele que estava para perdê-la.
*****
Amanhecera, e era realmente muito cedo, mas o casal Hotchner já estavam acordados, motivo: Ressaca de Emily. A morena já acordara doente essa manhã, assim que abriu os olhos sentiu sua cabeça latejar, e quando finalmente acordou ela correu para o banheiro para colocar o conteúdo em seu estômago para fora. Foi quando ouviu a mulher no banheiro que Aaron acordou, e antes de fazer qualquer coisa que sempre fazia toda manhã, ele foi ajudar a esposa de ressaca segurando seus cabelos para cima para que ela não se sujasse, e depois a ajudou a escovar os dentes e voltou para cama. Riu quando ouviu os resmungos dela, ele não entendeu, mas lhe pareceu engraçado.
— Eu avisei...- Sussurrou Aaron no ouvido da esposa e em seguida beijara sua testa.
A mulher bufou. – É, é. Eu entendi...- Resmungou ela.
Aaron sorriu e deixou outro beijo na testa da mulher, a cobriu com o cobertor e foi para o banheiro fazer sua higiene matinal. Assim que estava vestido, Aaron deixou a esposa adormecida na cama sozinha e desceu as escadas para preparar o café da manhã da sua família... Ou pelo menos iria tentar fazer um café da manhã para eles. Pelo menos ele conseguiu o primeiro passo: Fazer o café. O que não era tão difícil, mas esperava que não ficasse tão ruim, e para sua “salvação” tinha um suco de caixa na geladeira, ele poderia muito bem fazer sozinho algumas torradas, e alguns bacons junto com ovos mexidos. Então ele começou pelo o mais fácil, colocou os pães na torradeira e a ligou, logo em seguida começou a fazer os ovos mexidos e os bacons.
Um menininho sonolento descia pelas escadas ainda vestido em seu pijama, quando estava no último degrau ele parou e bocejou, depois continuou a descer o último degrau que faltava, ele puxava junto com ele também um cobertor pequeno, e quando já estava no andar de baixo ele correu para o sofá deitando lá, mas antes falando com o pai.
— Bom dia, papai!- Gritou ele da sala para o pai que estava na cozinha.
O homem mais velho sorriu vendo como seu filho sonolento deitou no sofá cobrindo-se com o seu pequeno cobertor e ligando a TV com o controle para assistir seus desenhos matinais. A única diferença nesse sábado de manhã era a falta de Emily ali, a mulher sempre acordava cedo junto com o marido, fazia o café da manhã e depois ia deitar junto ao filho no sofá para assistirem um desenho qualquer.
— Bom dia!- Gritou Hotch de volta.
Os olhos de Aaron foram em direção a escada, sua mulher estava descendo com a mão na cabeça e os olhos baixos, vestia um vestido rosa e seu cabelo estava todo bagunçado. Ela realmente estava muito mal.
— Oh, falem baixo...- Pediu a morena quase sussurrando, fez uma careta de nojo enquanto caminhava até a cozinha para se encontrar com o marido. Se amaldiçoava por ter bebido tanto, ela tinha sido muito irresponsável por isso, e não era porque estava doente, mas porque sabia que tinha obrigações na manhã de sábado. Se sentia péssima por ter que deixar o marido fazer o café da manhã quando era para ela fazer.
— Senta aí.- Apontou para o banco enfrente ao balcão da cozinha, a mulher fez o que ele pediu assim que chegou lá, cruzando os braços ela os apoio-os na bancada e enterrou sua cabeça lá. – Toma, você vai se sentir melhor.- Garantiu Hotch colocando um copo com água e alguns comprimidos em cima da bancada para que ela tomasse. Levantando a cabeça para olhar para o marido, ela sorriu fracamente e pegou a água e os comprimidos. – Eu te amo...- Sussurrou ele com um sorrisinho no rosto.
A mulher sorriu e depois bebeu o comprimido com a água que o marido deixou para ela.
— Eu também te amo...- Sussurrou um pouco chorosa. – Me desculpa por te fazer passar por isso...- Lamentou ela.
— Nós somos casados querida, eu passaria por qualquer coisa por você.- Respondeu ele sorrindo. Respirou fundo mexendo os ovos e o bacon. – Quando você estiver melhor, veste uma roupa para irmos fazer um piquenique no parque.- Avisou ele. Ela sorriu para o que ele dissera, fazia tempo que eles não iam a um piquenique juntos, da última vez que tentaram, Hotch foi chamado para uma reunião de emergência e choveu naquele dia.
— Ok...- Respondeu tomando uma respiração profunda. – Eu pensei que eu fosse morrer de câncer, não de bebida.- Disse ela com uma careta de nojo. Sentindo seu estômago revirar novamente, a mulher correu para fora da cozinha em direção do banheiro para vomitar mais. Além do tumor, ela estava super de ressaca, e ela odiava essa combinação. Mas até que estava mais aliviada pelo seu marido não estar tanto no seu pé como antes, odiava ser um peso para ele ou para qualquer um, preferia não falar da sua doença por enquanto, e quando estivesse pronta ela finalmente contaria para sua família.
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