Notas iniciais
Eu espero que tenham gostado do texto.

“Não chora” – ouço-te dizer enquanto enxuga minhas lágrimas. É engraçado como você diz isso como se, magicamente, eu fosse parar de chorar. “Vamos, fique alegre. Pensa nas ótimas coisas que a gente já fez.

Lembra quando a gente quebrou o cadeado da reserva florestal sem querer, mas você quis aproveitar para entrar? A gente ficou um bom tempo lá até que os guardas chegaram e expulsaram a gente” – você ri como se as imagens passassem agora na sua cabeça. – “E aquele dia em a gente invadiu uma escola só para comprar o lanche?” – eu ri.

"Sim.” – incrível ter forças para responder.

“Quando a gente espelhava flores pelos lugares; espalhamos tantas pela praia. Daria uma foto linda. O jeito como o vento estava fazendo carinho salgado nos nossos rostos. Tantas conchas e rosas no mar. Me arrependo de não ter tirado fotinho alguma.” – balança a cabeça. Seu cabelo preso num rabo de cavalo frouxo deixando que algumas poucas madeixas caiam sobre o rosto. – “E quando aqueles imbecis decidiram mexer com a gente por estarmos de mãos dadas? A gente deu uma bela surra neles, hein?” – você ri e eu não aguento não soprar um riso. Droga.

“Está tudo bem, En?” – pergunta segurando meu queixo para te olhar nos olhos. Orbes de brilho dourado tão confiantes e acolhedoras. A vontade é de deixar as minhas se desmancharem em água novamente.

“Claro. Eu vou ficar.” – sussurro o mais confiante que posso. Por que deixar você me ver tão fraco de novo?

“Pois bem.” – se levanta devagar da cama e ajeita a camiseta branca. A minha cama em estilhaços depois dessa noite e você ainda assim insiste em ir. Segura a mochila em um só ombro deixando a alça suspensa no ar. Você não tinha tocado nela a noite passada inteira, o que há nela? Eu te conheço tão bem, mas você ainda é um mistério tão grande. Todos aqueles ‘eu te amo’, todos os beijos, os momentos; todas as coisas boas. Nós nunca nem brigamos de verdade, sempre foi algo bobo ou infantil que se resolve em menos de dois dias. Por que agora você quer ir? E para onde vai?

O choque gélido sobe pela coluna aos toque frio de suas mãos nas minhas. Seus olhos me pedindo para que os meus os encontrassem. Seu rosto se aproximando do meu até eles se fundirem. Foi por pouco tempo e o seu lábio está tão frio. É uma despedida. Seu sorriso quase inabalável diz isso. Minha cama nesse estado diz isso. Meu rosto vermelho e salgado diz isso. Os meus enormes fios negros de cabelo embolados no meio do mar de ouro que pende da sua nuca também dizem isso. E cada cantinho da nossa existência indica esse fim, afirma que foi bom, mas avisa que tem que acabar agora. Eu sempre fui muito egoísta, não fui? Queria te ter só para mim. E eu ainda quero. Mas quando você cisma, você coloca a mochila e vai embora. Me deixa sozinho no apartamento que podia ter sido nosso, na cama que já tinha se feito nossa, no meio dos lençóis que sabiam o nosso sabor. As coisas boas, Ed. É difícil lembrar delas e dizer que foi bom e que valeu a pena quando não vai se repetir nunca mais. E o que faço com todos os meus arrependimentos? Todos as vezes em que disseste ‘Eu te amo’ e eu só respondi ‘Eu sei’; todas as vezes em que você me chamou para ir ao cinema ou só sair e eu só disse ‘quem sabe?”. O que acontece com tudo isso agora? Por que você fechou a porta, trancou a sua própria chave, sem me dar essas respostas antes. Vejo até seus lábios dizendo ‘Mas você não pergunto, En’. Droga. Essa mania que você me deu de abreviar o nome dos outros. ‘Ed’, ‘En’, ‘Al’. Isso, ainda tinha aquele seu irmão que vinha atrapalhar as nossas noites com aquelas ideias malucas de culinária. Tá, eu ria, eu cozinhava, eu... gostava; mas ninguém disse que eu queria aquilo. O que eu faço com as vontades que ficaram por conta do teu irmão?

O barulho de algo metálico atingindo o fundo da lata de lixo vazia do lado de fora do apartamento. Jogou a chave fora, não foi? Por que quando você cisma que não quer voltar, faz de tudo pra não voltar de verdade?

Eu gostaria de saber o que você fez com o meu colar, se sequer ainda o tem. Porque eu sei como você gosta de lembrar das coisas, eu sei que objetos físicos têm valor para você mesmo que o que valha sejam as lembranças que ele proporciona. E se você não usa ou não usar esse colar na sua vida, pelo menos eu vou saber que não significou para você o que significou para mim. Porque eu sei que, quando você joga fora, você não quer nunca mais lembrar; nunca mais voltar a ter aquele tipo de experiência. Tem quem diz que é fraqueza, eu acho que é esperto. Para que relembrar coisas ruins?

No dia que você me deixou, Edward, antes de dormir, eu sorri olhando para as estrelas, porque eu lembrei que você gosta de olhar para elas quando se sente sozinho. Mas foi por outro motivo que eu as observei; fiz isso porque sabia que você também estaria olhando, porque você estaria sorrindo forte e firme para elas como se você tivesse feito a coisa certa mesmo que fosse tão difícil. Porque você é diferente de mim, é incrível, eu admiro isso em você. Foi por isso que olhei para as estrelas àquela noite antes de dormir.

Notas finais
Eu tô com uma preguiça desgraçada de revisar; se tiver algum erro, perdoa que depois eu corrijo. Beijos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!