Antes das Chamas - Suécia, 1872
8 Sonhos Mais Loucos
Notas iniciais
– Ele parece um idiota para mim – Oliver disse saindo do esconderijo.
Ele estava atrás de algumas cortinas grossas que cobriam parcialmente as janelas.
– Não, normalmente ele é mais educado – Greta o defendeu.
Ela também saia de onde estivera escondida, atrás de uma grande mesa, provavelmente ela estivera embaixo dela para se esconder melhor.
– Se você quer saber como alguém é de verdade observe como esse alguém trata os empregados.
Luci sorriu. Ótima dica, ela pensou.
Greta pareceu pensar um pouco sobre o que Oliver havia dito, como se estivesse fazendo uma anotação mental.
– Talvez ele só esteja em um mau dia – ela ainda o defendia.
Oliver lançou um olhar pra ela que parecia perguntar algo como “sério?”.
– Mas o que eu estou fazendo aqui? Deveria estar na porta – Luci falou.
– Não – Greta disse antes que Luci desse o primeiro passo até a porta – não precisa, já pensamos em tudo.
– Tudo? – a criada perguntou.
– Tudo – Oliver e Greta falaram ao mesmo tempo, olharam um para o outro e sorriram e Luci não pôde deixar de sorrir também, ela estava feliz pela felicidade dos seus amigos.
– O que é tudo? – e curiosa também.
– Você logo saberá – Greta a abraçou enquanto dizia essas palavras.
– Eu preciso ir – Oliver anunciou – nos veremos em breve.
As duas se soltaram do abraço e Greta apressou-se para abraça-lo.
– Sim, logo, logo – ela disse.
A criada estava encantada com o carinho que os dois tinham um pelo outro. Oliver deu um beijo na testa de Greta e em seguida foi até Luci e deu-lhe um beijo nas costas de sua mão, ele fez com que a garota lembrasse de um amigo que tinha um comportamento parecido.
– Ele a deixa feliz – Luci disse quando o garota já havia saído.
– Sim – Greta corou – vê-lo me alegra.
– Estou feliz pela senhorita.
– Poderá ficar ainda mais quando eu tiver certeza de que não irei me casar com Hugo.
– Como a senhorita pretende fazer isso?
Greta riu com a curiosidade da amiga.
– Oliver e eu tivemos algumas ideias, mas desculpe, Luci, você não precisa participar do plano A.
– E existe mais de um plano?
– Sim – Greta parou para respirar fundo e manter os pensamentos distantes por um segundo – na verdade, eu preciso tentar uma coisa antes do plano de verdade, ou o plano B, como quiser chamar – a voz dela não trazia mais tanta felicidade, mas uma tristeza.
– Tudo bem, avise-me quando eu puder ajudar.
– Avisarei sim, talvez eu precise de sua ajuda depois – ela disse sorrindo.
Já era tarde da noite quando Luci acompanhou Greta até o seu quarto para que ela não tivesse que vagar sozinha à noite. Luci não quis perguntar mais sobre os planos, pois as perguntas pareciam não trazer bons pensamentos para amiga, então, elas se despediram rápido e a criada logo foi para o seu quarto. Sem dificuldades, chegou ao quarto, trocou de roupa e deitou-se, em pouco tempo Luci foi domada pelo sono e por sonhos.
Ela estava deitada no chão, ou melhor, no gramado, Luci não sabia exatamente onde estava, mas tudo o que ela podia ver era isso, grama. Ela sentiu uma textura estranha em suas mãos e quando olhou para descobrir o que era, viu o mais lindo dos vestidos e o melhor de tudo, ela estava vestindo-o, ainda por cima era azul, a sua cor preferida.
Luci estava encantada. O clima estava agradável, conseguia ouvir passarinhos não muito longe dali, tudo estava perfeito e ela apenas fechou os olhos e aproveitou a tranquilidade do lugar.
De repente, ela pôde sentir um perfume que ela reconheceria em qualquer lugar. Abriu os olhos e deparou-se com um par de olhos difícil de esquecer, os de Cameron Briel. Ele estava sobre Luci, segurando-se pelos braços para não pôr todo o seu peso sobre a garota, os dois corpos estavam tão próximos, suas pernas estavam meio entrelaçadas e Luci podia sentir a respiração dele batendo em seu rosto, era provavelmente o mais perto que os dois já haviam estado e iriam estar em toda a vida.
– Está aproveitando o dia? – ele perguntou.
A criada – que a essa altura não lembrava mais que aquilo era um sonho – deu um sorriso enorme.
– Muito – respondeu.
– Eu tenho um presente – ele anunciou.
– O que é?
– É uma surpresa – ele sorriu, deixando ela ainda mais encantada – feche os olhos – o sorriso dele ganhou um toque de malicia.
Ela o obedeceu. A garota não viu – mas sentiu – quando Cam aproximou-se ainda mais dela e estava prestes a lher dar um beijo. Mas, sem que ela entendesse como, o peso dele sumiu de cima dela, ela abriu os olhos e pôde testemunhar que ele realmente não estava ali, sentou-se rapidamente e procurou por Cam.
Ao virar o rosto, ela viu Cam caído ao chão, não muito longe dela, o garoto que ela havia conhecido aquela noite estava por cima dele socando-o. Assustada, Luci correu para próximo da ação e gritou:
– Pare! – o pedido não parecia fazer efeito – Pare! – ela repetiu, batendo nas costas do loiro.
O loiro virou para ela com um olhar de raiva no rosto, ele levantou e só então ela percebeu que Cam não estava mais lá. O medo cresceu dentro dela e tudo que ela pensou foi em correr para longe dali, longe daquela cena.
– Volte – o loiro gritou quando ela começou a correr.
Percebendo que nada que ele falasse a faria voltar, ele decidiu ir atrás dela. Luci gritava por socorro e ele permanecia correndo atrás dela, dizendo que não queria machuca-la. Ela queria acreditas, porém o medo que sentia era maior do que qualquer outra vontade que pudesse se manifestar dentro dela.
Ele chegava cada vez mais perto dela e a única defesa que ela tinha – os gritos – aumentavam. Então, ele finalmente a alcançou e os dois caíram sobre o gramado. Ela fechou os olhos com força com medo de encará-lo.
– Luci – ela ouviu alguém chamando-a, mas essa não era a voz dele.
A garota abriu os olhos e percebeu que não estava mais naquele campo, estava de volta ao seu quarto e a única pessoa ali era Milene.
– Você está bem? – Milene perguntou, aparentemente bastante assustada.
– Sim – Luci se espreguiçou e passou a mão nos olhos.
Tudo havia sido um sonho, ela pensou e se permitiu rir um pouco de si mesma. Até lembrar de seu quase beijo com Cameron e ficou um pouco desapontada que pelo menos aquela parte não fosse real.
– Teve um pesadelo? – Milene questionou enquanto arrumava algumas coisas no quarto.
– Sim – ela pensou de novo no loiro e, logo em seguida, em Cameron – mas também foi meio que um sonho.
Milene sorriu.
– Espero que pelo menos a parte boa se realize.
Com essas palavras, Milene saiu do quarto, estava pronta para o trabalho.
Luci pensou um pouco e depois disse para si mesma:
– É, acho que eu também.
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