Antes Que o Céu se Rompa

3 Capítulo II - Depois do Encontro



E depois que os caminhos se separaram, nenhum dos dois conseguiu realmente partir por inteiro. Ele retornou ao mundo que sempre conhecera, aos grandes salões, onde as vozes que esperavam dele a firmeza de quem jamais hesita, sustentando novamente a postura imponente que aprendera a vestir como armadura, mas agora havia algo diferente, porque por trás de toda força ainda permanecia viva a lembrança daquele olhar que atravessara suas defesas como a luz atravessa pequenas frestas mesmo em quartos fechados há anos. E enquanto tentava afundar-se outra vez naquilo que sempre fora, percebia que alguma parte de si havia permanecido naquele encontro, como se o próprio peito já não aceitasse retornar completamente ao vazio de antes.

Ela caminhava entre os campos carregando em si um conflito que crescia em silêncio, como chuva pesada escondida atrás de nuvens calmas, dever ainda queimava em seus pensamentos como uma ordem impossível de ignorar, porque desde muito antes de conhecê-lo já lhe haviam ensinado que certos nomes não deveriam despertar nada além de distância e ruína. Mas agora cada passo parecia tornar mais difícil separar aquilo que fora mandada fazer daquilo que o coração começava a desejar sem pedir licença, e quanto mais tentava sufocar aquela inquietação, mais ela crescia dentro de si como marés que avançam mesmo contra as pedras. O vento atravessava a vastidão dos campos bagunçando levemente seus cabelos enquanto o céu lentamente perdia a claridade, e havia algo naquela tarde que parecia suspenso entre o inevitável e o destino, como se o próprio tempo aguardasse silenciosamente o instante em que aquelas duas forças voltariam a se encontrar.