Antes Que Você Vá
27 Epílogo
Notas iniciais
Espero que gostem, fiz tudo isso com todo o amor que tenho pela arte de escrever e também com o amor que acabei tendo por cada uma de vocês.
Boa leitura!
Epílogo
– Mianah! Você acordou – Arthur tentou sorrir através de sua careta de preocupação. Eu sabia que toda essa preocupação não era pela minha saúde, e sim por que ele tinha certeza de que eu ouvira algo de sua conversa com Bruno. De que eu vira Bruno.
O incrível era que ele também tinha caído do jet-ski, mas estava inteiro. Perfeitamente são e sem nenhum arranhão. Já eu olhei ao longo de meu corpo e me deparei com uma ridícula camisola de hospital e um lençol em cima das minhas pernas. O ventilador ao pé da cama continuava girando. Eu estava sentindo uma dor incômoda na parte de trás da minha cabeça, e percebi que havia uma faixa ao redor dela. Algo pulsava dentro de meu cérebro, como uma bombinha de ar. Alguns dedos da minha mão esquerda estavam engessados e eu sentia gesso também em meu joelho. Minhas costas doíam um pouco, e eu podia imaginar cada hematoma que cobria – e que eu sentia – minha pele branca.
– O que você está fazendo aqui? – eu me sentia zonza, mas queria falar. Queria esclarecer as coisas. Queria jogar uma luz sobre aquela confusão.
– Estou aqui para cuidar de você. – Arthur se sentou na cadeira ao lado de minha cama. Eu não consegui não me encolher para longe dele, o que já deve ter entregado todo o jogo.
– Não. Quero dizer… por que você não está arrebentado?
– Para ser honesto, eu não sei – ele sacudiu a cabeça e passou a mão nos cabelos. Percebi que estavam levemente molhados, e que ele também vestia uma roupa de hospital. Era difícil me ater a detalhes naquele momento, com a minha cabeça pulsando daquele jeito. – Mas eu tentei, Mianah… tentei ajudar você assim que percebi que você não tinha ido para a superfície. Eu… eles… – Arthur começou a se embaralhar nas próprias palavras. Então parou e respirou fundo.
– Olhe, não foi culpa sua. Eu sei disso –, murmurei. Isso deve tê-lo feito pensar que eu não tinha visto Bruno, afinal, eu realmente não parecia brava. Na verdade, eu não sabia se estava. – Havia muito sol… e estávamos em alta velocidade. Foi um acidente.
– Trombamos com outro jet-ski – Arthur esclareceu. – Você ficou presa nele, de alguma forma e… eu não percebi rapidamente. O cara do outro jet-ski também estava meio que preso e ele disse que ficou desesperado e começou a se segurar em você, e acabou te empurrando para baixo. Ele foi para a superfície e você provavelmente bateu a cabeça em um dos jet-skis, o que gerou um traumatismo craniano… – e isso explicava por que a minha cabeça estava estranha daquele jeito. –… você se debateu muito e só consegui te pegar quando você desmaiou. A coisa foi mesmo feia, porque os jet-skis estão destruídos.
Eu sorri um pouco, surpreendentemente.
– Isso foi muito radical. Mas… o outro cara está bem?
– Sim. Ele ficou no mesmo quarto que eu. E então eu saí fugido de lá para vir aqui ver você.
Ah. Tudo fazia sentido naquele momento. Arthur tinha saído comigo da água e alguém chamou uma ambulância. Ele foi obrigado a chamar minha família, que chamou o resto da cidade (inclusive Theo). Arthur chamou Bruno, porque ele era o garoto rico que dividia a casa com ele (na verdade Arthur era quem devia morar na casa de Bruno). E Bruno veio com ele ao meu quarto ver se afinal eu não estava morta.
Uma onda de raiva me atingiu, quando até mesmo com meu cérebro confuso consegui perceber tudo isso. Arthur mentiu para mim todo aquele tempo. Ele escondeu as coisas de mim. Por isso ele ficava estranho quando falava do amigo rico que morava com ele. Era Bruno. Ele sabia de toda a história com Bruno, e mesmo assim quis entrar na minha vida, como se eu nunca fosse descobrir… ele usava até o jet-ski de Bruno comigo… e Lena e Victoria sabiam de tudo.
Lágrimas de raiva se formaram nos cantos de meus olhos. Bruno, Arthur, Lena, Victoria. Todos tinham me enganado.
– Não só você veio, como aquele estúpido do seu amigo – eu murmurei, sufocada.
Arthur se moveu na cadeira, e ele realmente parecia desconfortável. Não, não desconfortável. Só com a velha expressão de “estou ferrado”.
– Mianah… – ele começou. Não sei onde pretendia ir com aquele tom de cachorro pidão. – Mianah… você teve um traumatismo… tem que descansar… e além do mais, daqui a pouco alguém chega aqui e… esse não é o momento…
– Olhe aqui – eu interrompi sua fraca evasiva. A raiva me dava força, e eu sabia usá-la muito bem. – Cale a boca.
Arthur não se atreveu a me desobedecer. Eu tratei de secar minhas lágrimas. Ninguém as merecia.
– Você sabia de tudo, não é? Você não me viu na pista de skate; você me procurou. Você queria me usar, como o Bruno? Você sabe muito bem o que ele fez.
Eu apertei os olhos. Cenas inundaram minha mente, como em um filme antigo onde as imagens passam corridas e em preto e branco, e as vozes se misturam, e no fim tudo é lágrimas, dor e arrependimento.
Eu tinha me apaixonado por Bruno, mas ele só queria brincar comigo. Então quando lhe dei a notícia – precipitada – de que estava grávida, a primeira coisa que ele fez foi jogar um cheque na minha cara e dizer três palavras: “acabou tudo. aborte”. Eu peguei o cheque e o fitei por vários segundos. Eu sabia que não podia me dar ao luxo de rasgar o cheque no nariz dele, como queria fazer. Meus pais ficariam furiosos comigo quando soubessem de tudo, e eu não teria dinheiro para criar meu filho longe deles. E por mais que isso fosse pavoroso e errado, doentio, nojento, eu pensei que obedecer a Bruno seria a melhor coisa que eu tinha a fazer.
Passei uma semana pensando, me remoendo na dúvida. Bruno sumiu e eu não pensei em procurá-lo. Era um pesadelo imaginar que seria a mãe de um filho dele. Eu não contei nada a ninguém, exceto a Lena e Victoria, que me aconselharam a criar o bebê e levar Bruno à justiça por uma pensão. Se eu precisasse sair de casa, teria o apoio delas e poderia morar com qualquer uma das duas.
E depois de exatamente nove dias, três testes de farmácia com resultado positivo e um cheque jogado debaixo do colchão, eu simplesmente abri o exame de sangue que tinha ido fazer com Lena.
Negativo.
Estava escrito lá, em letras garrafais. Negativo.
Eu nunca contei diretamente a Bruno que fora alarme falso e que os testes estavam errados, mas tenho certeza de que ele ficou sabendo há muito tempo. E eu simplesmente coloquei uma pedra em cima daquilo, mesmo que ainda tivesse raiva todas as vezes que alguém mencionava o nome dele, ou mesmo quando eu me pegava pensando vagamente no assunto. Claro que me senti aliviada por saber que não precisaria lidar com um filho naquele momento, mas o que sempre me deu raiva foi a atitude de Bruno. Obviamente, eu não esperava que ele me pedisse em casamento. Eu só pensava que ele estava apaixonado por mim e que no mínimo fosse me dar apoio.
Por isso eu estava mais do que com raiva. Como Lena tinha concordado em me apresentar para Arthur? Arthur, que, tenho certeza, ela sabia que morava debaixo do mesmo teto da pessoa que eu mais odiava no mundo todo?
– Eu nunca tive nada a ver com isso! – Arthur me trouxe de volta ao presente com seu tom desesperado. – Eu nem conheci você quando era namorada do Bruno! – claro que não. Bruno e eu sempre nos encontrávamos na minha casa quando meus pais não estavam. Eu sabia tudo sobre ele (ou pensava saber), mas nunca tinha conhecido sua casa ou coisa parecida. – Eu não apoiei o que ele fez quando você disse a ele que estava grávida. E no fim das contas, era tudo alarme falso, a Lena disse isso.
– A Lena é uma traidora – sibilei.
– Não. Ela era minha amiga, só isso. Ela nunca foi amiga do Bruno. Ela sempre pensou que eu fosse diferente dele, por isso aceitou me apresentar a você. Ela gostava de mim, sabia?
– Isso só torna as coisas mil vezes pior – respondi.
Arthur suspirou e se levantou.
– Eu não sou como ele, está bem? Eu não sou como ele. Eu gosto de você. Eu sempre soube, até quando não te conhecia, que você era boa demais para ele. Se eu te conhecesse, não deixaria você sem saber quem ele era.
– Se você concorda tanto assim que ele é um imbecil, por que continua sendo amigo dele? – eu ergui as sobrancelhas.
– Porque ele me ajuda. Ele me deixa morar na casa dele, ele me dá uma força com as despesas… parte dele também não é ruim como você pensa.
– Então você age por interesse. De todas as maneiras. Comigo, com ele… com todo mundo. Você também me enganou. Você podia ter dito isso tudo no começo e agora tudo não estaria destruído.
– Eu sempre soube que se contasse para você, nunca teria chance. Aliás, pelo que o Bruno acabou de dizer, eu nunca tive chance, de modo algum. Mas eu estou apaixonado por você.
Eu não acreditava no que estava ouvindo. Naquele momento, eu quis apoiar minha cabeça nas mãos e sacudi-la, para ver se tudo voltava ao normal. Mas é claro que isso seria simples demais para existir a possibilidade de acontecer.
– Acredite, você não está – eu sussurrei. – Eu sei o que é estar verdadeiramente apaixonada por uma pessoa. E você não está apaixonado por mim. Assim como eu nunca fui realmente apaixonada pelo Bruno, e assim como não sou apaixonada por você. A única pessoa que eu realmente amo… quis quebrar a sua cara… e nunca mais vai querer olhar na minha.
– Eu duvido. Ele entrou no meu quarto gritando que eu era um imbecil irresponsável e quase rasgou essa camisola de hospital ridícula – Arthur mostrou a gola esgarçada da camisola de hospital dele. – Eu nunca vi um mauricinho tão descontrolado por causa de uma garota – ele riu. – Mesmo… mesmo ela sendo você – ele completou quase de forma inaudível.
Foi impossível não rir com ele. Porque, sim, Theo era um mauricinho, mas era o meu mauricinho. Ou fora. Um dia.
Na verdade, todo o problema ali era Arthur nunca ter me contado. Eu não estava exatamente com raiva dele, porque eu sabia que ele era bom. Tinha seus problemas e traumas, isso eu podia afirmar com certeza, mas ele era bom. E talvez… talvez um dia, futuramente, ele até pudesse se apaixonar por mim, se eu deixasse. Só que isso nunca aconteceria.
– Ele está magoado – eu murmurei para Arthur, me referindo a Theo.
– É, ele está. E está com raiva também – concordou ele. – Mas ele jamais perderia a oportunidade de bater em mim antes de ir embora – ele sorriu e fez uma pausa. – Sabe, Mianah, eu não concordo com você. Eu acho que sou apaixonado por você, sim, porque na verdade, tudo o que acontece é que todos nós temos um jeito de amar diferente. É assim que eu amo você. Procurando uma maneira de esconder de você algo que nos afastaria. Isso é egoísta e errado, eu reconheço. Mas eu já ia te deixar ir. Você ia para Roma… e eu não ia fazer absolutamente nada para te impedir. Porque em todos os modos de amar… não há um que não diga que amar é querer ver o outro feliz. E eu quero te ver feliz. Então acho que de uma forma ou de outra, nossos caminhos não foram feitos para se cruzar. Eu só queria que soubesse que eu nunca, nunca quis te magoar ou machucar, e que eu sinto muito. Por tudo. Mesmo. E eu vou passar por aquela porta agora mesmo e se você quiser, não precisa me procurar nunca mais. Mas eu nunca vou deixar de pensar em você. Só queria ter certeza de que se você nunca mais me ver, minha consciência pode estar limpa porque você não tem raiva de mim. Então posso contar com isso? Posso pensar que você me perdoa e que não tem raiva de mim?
Eu desviei meus olhos dos de Arthur para fitar minhas mãos. Aquele fora um discurso de peso, que mudara um pouco minha concepção do que era amor, paixão e tudo o mais. Ele estava certo. Há muitos modos e gêneros de amar. E talvez ele me amasse.
E então ele se aproximou da cama e sorrimos um para o outro como costumávamos sorrir antes de tudo aquilo.
– Sua consciência pode ficar brilhando a partir daqui – eu sussurrei.
Ele sorriu ainda mais. E assim como eu fiz com Theo, Arthur segurou minha mão e a apertou forte por alguns segundos. Depois a soltou e saiu pela porta.
E assim eu também me despedi dele, – de certa maneira, de um modo até feliz –, ainda que algum tempo mais tarde do que o planejado.
~
Depois daquele momento, tudo foi meio atropelado. A enfermeira chegou ao quarto e lhe perguntei que horas eram. Dezenove e trinta. Eu provavelmente ficara sedada por horas. Ela me perguntou como estava a minha cabeça. Eu quase disse “cheia”, mas aquela seria uma resposta literal demais. Apenas respondi que precisava dormir um pouco mais, o que era estranho, porque pessoas com traumatismo craniano podem morrer enquanto dormem. Pelo visto eu estava fora de risco ou coisa parecida, porque tudo o que ela respondeu era que logo eu poderia fazer isso.
Então ela saiu do quarto e nele entraram meus pais, Luiza e a mãe dela. Todos me cercaram e eu não sei dizer se minha mãe queria me matar ou me beijar. Eu sabia que se não desse um tempo a eles, os dois acabariam doentes de preocupação comigo, e naquele momento prometi a mim mesma que daria um descanso a eles e não seria mais uma filha tão horrivelmente irresponsável. Se cada vez que eu quase morresse, eu acabasse provocando um quase ataque neles, com certeza eu ficaria órfã antes de morrer – já que minha extrema sorte não me permitia morrer antes de meus pais.
Assim que todas as lamentações e lágrimas acabaram, pedi para ficar sozinha com Luiza, e todos atenderam meu pedido.
Minha amiga se sentou na cadeira onde Arthur se sentara e juntou as mãos no colo. Ela respirou profundamente.
– Ufa – riu baixinho; um riso aliviado. – Todos nós pensamos que você ia morrer.
– Seria melhor assim? – falei, sorrindo.
Ela arregalou os olhos e sacudiu a cabeça rapidamente.
– Não! Claro que não. Mas talvez seja mesmo melhor você parar de tentar matar seus pais do coração.
– Acabei de prometer a mim mesma que não vou mais fazer isso.
Luiza assentiu, satisfeita.
– E então, o que quer saber?
– Como sabe que quero saber algo?
Ela sorriu.
– Conheço você. Vamos logo, desembuche.
Eu respirei fundo.
– Bom… me disseram que o Theo veio aqui. Ele já foi embora?
Ela assentiu.
– Já. Claro que antes ele foi ao quarto do Arthur, armou um escândalo e disse que o mataria se ele te colocasse em risco novamente. Então ele saiu de lá de dentro contido pelo pai dele e várias enfermeiras… a propósito, ele tem um físico e tanto! – ela riu, e eu a acompanhei. – Enfim, ele se apresentou formalmente para mim e me contou o que você fez esta manhã – ela me olhou severamente. – Você vai mesmo deixar ele?
– Sim – eu engoli o nó em minha garganta para conseguir responder. – Eu não mudei minha decisão. Só queria saber se ele deixou um recado para mim ou coisa do tipo.
Ela sacudiu a cabeça.
– Não. Ele apenas me disse que espera que você seja feliz. Ele não pode mudar por você, e nem você por ele. Ele também estava com raiva de você, se quer que eu seja sincera.
– Eu sei – não consegui conter o tom de lamento.
– É. Mas… de certo modo… fico feliz que tenha escolhido a chance de ter uma carreira.
– É – eu assenti. – Só mais uma coisa… você viu Lena e Victoria?
– Ah. As suas amigas. Sim.
– Não sei se “amigas” seria o termo correto para denominá-las – eu estreitei os olhos. – O que elas disseram?
– Elas ficaram por aqui até o momento em que as enfermeiras e a médica confirmaram que você não corria mais risco de morrer. Não falaram com ninguém além de, claro, o Arthur. Eu só sei disso, porque elas foram vê-lo no quarto. Provavelmente passaram por aqui, mas você estava sedada.
– Certo. Tudo bem.
Nós duas ficamos olhando fixamente em direções diferentes depois disso. Enfim, Luiza resolveu falar.
– Mianah?
– Oi?
– Você quer me contar algo mais? Está estranha. Quero dizer, excluindo o fato de estar moída.
– Bom… hum… não. Eu conto outra hora. Não é nada que eu queira falar agora.
– Tem a ver com o Arthur?
– Sim – eu assenti.
Ela me olhou intensamente, e então percebi o quanto tínhamos nos tornado amigas e confidentes.
– Certo. O Mateus está me esperando lá fora. Não é mais o horário de visitas – ela sorriu. – Ele mandou um oi e melhoras para você.
– Agradeça a ele – eu sorri fracamente.
Ela se inclinou para mim, me deu um beijo na bochecha e acenou, indo embora.
~
Demorei alguns dias para sair do hospital, e quando finalmente fui liberada, encontrei minha casa igualzinha à última vez em que a vira, mas agora ela estava muito mais agradável. Claro que meu quarto continuava odioso com todas aquelas coisas que não combinavam comigo, mas todo o clima agradável vinha do fato de que meus pais estavam melhorando seu comportamento, e percebi que logo teria minhas coisas e direitos de volta. Não houve realmente uma conversa entre nós três que tenha colocado os pingos nos “i”s, – incluindo o fato de que eles nem tentaram responsabilizar Arthur pelo nosso acidente –, mas talvez eles tenham entendido sozinhos que não ia adiantar querer me mudar.
Enquanto eu me recuperava quase cem por cento, fui voltando a pensar em Roma e no e-mail de Gloria. Eu tinha mantido tudo isso afastado de minha mente até estar quase boa e poder arrumar meu próprio caminho sozinha, sem depender das pessoas, mas tive medo de que quando respondesse o e-mail de Gloria ela não estivesse mais interessada no meu trabalho. Eu não tinha mudado minha opinião; aceitaria a proposta. Não ia me importar com o que os outros dissessem, eu já tinha decidido havia muito tempo.
Foi realmente difícil ficar sem Arthur, sem Theo, sem Lena e Victoria. Eu sentia como se já tivesse rompido todos os laços, mesmo aquele fininho que assegurava que eu morava pelo menos na mesma cidade que qualquer um deles. Eu já me sentia distante.
Em uma tarde qualquer, finalmente contei para Luiza o que tinha descoberto sobre Arthur e Bruno – claro que tive de contar a ela primeiro sobre Bruno. Obviamente, ela ficou surpresa, e fiquei ainda mais surpresa com o conselho que ela me deu.
– Por que você não conversa com Lena e Victoria? Tudo isso foi só um momento de raiva passageiro. Talvez sua amizade com elas valha à pena. Faça isso antes de partir. Por quem você é. Por quem sempre foi.
E eu prometi a mim mesma que faria.
Respondi o e-mail de Gloria e comecei a ajustar todos os pontos da proposta. Enquanto minha partida ficava iminente, um dia fui até a casa de Lena e conversei com ela. Contei-lhe que estava de mudança para Roma, onde estudaria e trabalharia na Escola de Belas Artes, e falei que sabia sobre a história com Arthur. Ela me contou que eles tinham começado a sair e que achava que as coisas iam dar certo. Nós acabamos chorando um pouco e depois Victoria chegou.
E eu senti que tinha atado mais um nó no fim da história.
Era estranho porque todas as pontas estavam amarradas, e eu estava conformada, até feliz, fazendo planos. Mas meu coração estava magoado porque lá no fundo eu pensava que merecia pelo menos mais algumas palavras de Theo.
Algo com muitas reticências e palavras embaralhadas, como o que ele tinha me dito há muitos dias, não parecia tudo o que eu merecia.
E, no entanto, parecia que aquilo era tudo o que eu teria.
Só no dia em que estava fazendo minhas malas para Roma que fui oficialmente contatar meus pais de que estava de partida, de que não tinha mudado minha decisão, e concluí que na verdade eles só estavam sendo legais comigo para tentar me manter por perto. Pensaram que minha ida a Roma era apenas um ato de resistência, e não uma decisão adulta e concreta, e então fiquei morrendo de medo de eles voltarem a ser os carrascos que eram antes.
As lágrimas rolaram de novo, e aquela era a pior parte, mas acho que pelo menos de um lado de minha conturbada existência, eles finalmente tinham percebido que eu não era como eles. E desta vez era para valer. Finalmente, me deixaram ir na direção que eu mesma tinha escolhido.
Excluí de minha vida todos os “e se” que eu tanto tinha imaginado desde que Theo Albuquerque me salvou da morte no Pão de Açúcar. Eu descobri que ele me salvou de todas as maneiras. Sim, digo “de todas as maneiras” porque ele tinha mudado os meus conceitos, tinha me reinventado, e eu percebi que mesmo sem me dar conta, já tinha mudado quase tudo em mim por causa dele.
Era uma ironia que logo agora eu tivesse percebido isso. Quando tudo já estava acabado.
Porque afinal, é isso o que o amor faz com a gente. E na última tarde de sol em que andei sozinha no deque de madeira onde tinha me encontrado com Theo, eu tinha três pontos sobre o amor muito bem esclarecidos em minha mente.
O primeiro, Arthur me ensinou. O amor sempre faz com que a gente queira ver feliz a pessoa que amamos.
O segundo, Theo me ensinou. O amor nunca exigirá que você mude. Ele te mudará sozinho, sorrateiro, lentamente, de forma quase imperceptível. E quando se der conta, você já será outra pessoa, mil vezes melhor do que aquela que era antes.
E o terceiro, percebi sozinha. As pessoas entram e saem de nossas vidas, abrem e fecham portas. Destroem e salvam. Elas te dão ferramentas para construir finais felizes, porque, sim, eles existem. A única diferença é que às vezes você pode pegar as ferramentas, construir seu final feliz e incluir pessoas nele. Outras vezes você não inclui quem gostaria. E não há resposta do por quê.
~
Eu não aceitei que ninguém me levasse ao aeroporto naquele dia. Peguei minhas malas, coloquei-as dentro de um táxi e me despedi dos meus pais na porta de casa.
– Eu volto para visitar vocês. Eu prometo ter juízo e eu mando e-mails e fotos sempre – recitei pela milésima vez.
Eles me abraçaram e fecharam a porta do táxi para mim.
– Aeroporto – murmurei para o motorista.
Ele assentiu e tocou o carro. Virei-me para a janela, colocando os fones de ouvido no volume mais alto. Acenei para os meus pais e fui perdendo-os de vista enquanto o som do baixo no fone rasgava meus tímpanos.
Fomos passando pelas ruas e fui me lembrando das pessoas que estava deixando e me despedindo. Arthur e sua prancha de surf, Lena e Victoria subindo a rua da velha escola, Luiza e Mateus de mãos dadas entrando no restaurante, o par perfeito. Meus pais me deixando naquela maldita escola… Pelo menos eu tinha me livrado daquela droga.
Eu já tinha me despedido de todos e de tudo, mas quando fechei os olhos enxerguei a falha que ficaria para sempre na minha vida.
E o nome dessa falha era Theo.
~
Fiz o check in quando ainda faltavam duas horas para o meu vôo decolar. Eu queria me livrar logo das malas, e sinceramente achava desnecessário que o tempo de embarque para vôos internacionais fosse de três horas antes do embarque.
Fiquei andando no aeroporto, olhando os rostos que eu não conhecia, pensando em como seria minha nova vida, e estava até um pouco ansiosa para conhecê-la. O tempo passou mais rápido do que eu julgava possível, e a voz nos alto-falantes do aeroporto se fez ouvir até mesmo através da música alta dos meus foninhos.
“Passageiros do vôo FF-88 com destino a Roma, favor se dirigirem ao portão C. Passageiros do vôo FF-88 a Roma, dirijam-se ao portão C”.
Suspirei, ajeitando minha bolsa no ombro. Ela era toda a bagagem de mão que eu tinha. Procurei nas placas do aeroporto a indicação da direção do portão C, e me dirigi a ele. Fui andando lentamente, respirando pausadamente, de repente assustada com meu destino.
E então, alguém gritou meu nome.
Céus, seria possível que ele sempre ia me salvar?
Eu me virei.
Porque eu sabia quem estava gritando.
Porque eu sabia que Theo estava gritando o meu nome.
– Por favor. Espere só um minuto – ele pediu, ficando cara a cara comigo. Seus olhos estavam ardendo. O azul deles parecia em chamas, quente como eu jamais vira.
Eu assenti, mudando a bolsa de ombro.
– Eu não queria deixar você ir embora sem que soubesse que eu percebi o que você quis dizer todo esse tempo. Então, antes que você vá, quero que saiba que eu percebi que eu amo os seus cabelos pintados de roxo, como eles estão agora. E que eu amo todas as suas tatuagens, e amo o seu boletim de notas vermelhas. Eu amo o seu sorriso e a maneira como os seus dentes da frente são bem juntinhos. Eu amo seu quarto, mesmo se ele estiver bagunçado. Amo suas roupas, seus tênis sujos, amo sua mochila velha. Porque eu amo… amo você. Mas acima de tudo, eu amo o que você ama. Porque eu quero ver você feliz. E porque eu só sou feliz com você. E se você amar mais a sua arte do que a mim, eu vou entender, mas se estiver dando empate, saiba que eu amaria ir com você para onde você for.
Eu abri minha boca para falar, mas ele colocou o dedo sobre os meus lábios.
– Ah. Só mais uma coisa. Eu sinto muito por ter demorado dois meses para te dizer isso.
Eu sorri e soltei minha bolsa. Passei meus braços ao redor do pescoço dele e me ergui na ponta dos pés.
– Theo Albuquerque, eu… – “passageiros do vôo FF-88, favor comparecer ao portão C” a voz do alto-falante me interrompeu. Eu xinguei alto. – Que droga, por que ela tem que falar agora? Inferno, eu estou tentando falar com o meu namorado! – gritei. – Enfim – pigarreei, e ele estava rindo. – Não ria – pedi. – Não ria, por favor. Isso é sério. Eu percebi que tudo o que você queria não era que eu mudasse por você. Para você ter uma namorada certinha e legal. Eu percebi que tudo o que você queria era que eu mudasse por mim. Porque eu estava afastando as pessoas e as oportunidades… e só você via isso. E eu prometo que eu vou mudar não só por você, quando precisar, mas por mim também. Sabe, eu sempre achei que eu fosse forte. Sempre achei que eu não precisasse de regras, de amor verdadeiro ou apenas me render de vez em quando. Mas agora, bom, eu me rendo a você. E eu sei o que é o amor verdadeiro – fechei meus olhos e sussurrei para ele o que tatuei no meu braço direito. – “O amor verdadeiro sempre faz com que você queira ver feliz a pessoa que ama, e nunca exigirá que você mude. Ele te dá todas as ferramentas para construir seu final feliz e incluir pessoas nele”. – eu deslizei meu polegar pela bochecha dele, me deliciando com a sensação tão familiar da pele dele contra a minha. – Eu incluí você no meu final feliz.
~
Despertei com Theo beijando meu pescoço. Era um excelente modo de se despertar, para ser franca. A luz que entrava pela janela do meu quarto era tênue, e concluí que não devia passar das cinco e meia da manhã. Seria um sábado perfeito, como todos os meus dias ao lado de Theo. Com todos os problemas, desafios e alegrias, construíamos juntos nossos dias perfeitos, um a um.
Meu corpo estava colado ao longo do corpo dele, e eu deslizei minha mão quente pela barriga dele, e depois pelo peito e pelo braço direito. Ele entrelaçou a mão à minha e eu deitei a cabeça em seu ombro, puxando com a outra mão o lençol até a altura do meu peito.
– Você vai mesmo me fazer sair da cama tão cedo? – perguntei, bocejando baixinho.
– Você prometeu. Todo primeiro sábado do mês, faríamos a corrida antes das seis. Assim, estamos atrasados – ele olhou no meu relógio de cabeceira. – Semana passada eu passei o sábado todo pintando com você, e acabei com minha melhor camisa manchada de tinta.
Eu revirei os olhos.
– Eu dou outra camisa para você. E além do mais, você não achou assim tão ruim. Nós dois acabamos encharcados de tinta – eu sorri maliciosamente.
Ele riu e me beijou.
– Está bem, chega – ele gemeu, sem querer me soltar. – Você prometeu… calçando os tênis!
Eu me espreguicei, rolei para um lado e rolei para o outro, rindo das cócegas que ele estava fazendo na minha barriga, para me espantar da cama.
A partir daquele dia no aeroporto, foi assim. Nós dois abríamos exceções um para o outro, e sempre acabávamos nos divertindo juntos. Eu não embarquei para Roma – o que me fez ter a bagagem extraviada, só que isso foi o menor dos detalhes –, mas a felicidade dos meus pais ao me ver voltando com Theo fez tudo valer a pena.
Eu acabei percebendo que não ia adiantar ir para outro país e me tornar uma mestra das artes se eu não tinha meu final feliz completo, e sem Theo, ele nunca seria completo e muito menos feliz. Eu não precisava ser contratada para ganhar milhares de euros todo mês e ter um título de peso sem nem ao menos ter terminado a escola direito. Eu não precisava disso – percebi que aquela também não era eu. Eu era a garota que pichava muros. Claro que agora eu não fazia mais isso pelas ruas – Theo ficou feliz em me deixar pichar todo o quarto dele e os muros do fundo da imensa casa. Ele também tinha me ajudado a estudar e eu finalmente concluí o Ensino Médio. Ele tinha arrumado um emprego no fórum e às vezes, durante a semana, eu ia visitá-lo lá. No fim de semana nós saíamos com Luiza e Mateus ou com qualquer outro casal de amigos, ou então só ficávamos cumprindo nossos desafios – correr até não sei onde, pintar sei lá o quê, nadar até Niterói e até escalar o Pão de Açúcar de novo (sim, ele fez isso por mim!).
Meus pais estavam felizes; eles confiavam que Theo cuidaria de mim – porque, sim, eles ainda me consideravam incapaz de cuidar de mim mesma.
Não estou dizendo que a nossa história estava tendo um final feliz – não, ela ainda estava sendo construída. Ainda tínhamos nossos dramas e olhares furiosos, assim como tínhamos noites maravilhosas. Ainda nos atrasávamos para nos encontrar, e brigávamos sempre que alguém esquecia a chave e acabávamos trancados do lado de fora. Mas é assim que se constrói finais felizes. Tijolo por tijolo. Dia após dia.
Então eu finalmente cheguei ao nosso muro – o muro da minha pintura – e claro que Theo já estava lá há muito tempo, porque eu sempre fui um fracasso com corridas.
Ele segurou minha mão direita e ficamos olhando para o céu pintado no muro.
– Sabe o que eu sempre pensei dessa pintura? – Theo me perguntou.
– O quê? – sussurrei.
– A garota está tentando alcançar o céu. Simples assim. Ela está subindo, e o garoto está lá em cima, esperando ela. Quando ela chegar, eles se encontrarão enfim, finalmente. Quem sempre esteve dizendo “me encontre” foi ele.
Eu abracei, sorridente, a cintura de Theo, e ele passou um braço pelos meus ombros. Era realmente uma boa interpretação para o que pintei.
– Hum, então eu acho que na realidade, ela já chegou ao céu – respondi.
Theo sorriu.
– Por quê?
– Porque você está bem aqui ao meu lado.
Notas finais
Essa com certeza é a nota final mais difícil que já escrevi. Sempre é fácil para mim escrever o que sinto e, na maioria das vezes, saem coisas gigantescas e intensas. Acho que vocês já conhecem um pouco de mim por todos esses capítulos que passamos juntas, e sabem que eu sou meio dramática. Eu sempre falo que ler uma história minha é como abrir uma parte de mim, como ler a mim mesma traduzida em palavras mais simples. Mas Antes que Você Vá não é assim. Essa história não tem só partes de mim; tem partes de cada uma de vocês, que fui aos poucos colocando sem perceber, e sem motivo aparente, mas só pelo fato de que eu não teria conseguido sem vocês.
Pois bem, vamos lá. Eu deveria parar com tudo isso, porque já escrevi várias histórias sozinha e nunca me senti tão extremamente preocupada em passar algo para outras pessoas, por mais que seja um coisa simples. Sempre escrevi, acima de tudo, para mim, mas escrever para vocês acreditem; foi MUITO, MUITO MELHOR. Espero que um dia se lembrem, pelo menos brevemente, dessa história. Não como uma lição ou coisa parecida afinal, é só uma história porém espero que se lembrem que se tornaram pessoas muito especiais para mim, através desta história. Encarei tudo isso como uma espécie de estréia nessa nova realidade de escrever fanfics, e foi uma experiência maravilhosa.
Enfim tudo o que eu quero é agradecer a cada uma. Nesse exato momento, meu gerenciador de histórias está marcando em Antes que Você Vá a quantidade de 38 leitores e 24 favoritos, 3 recomendações e 142 comentários. Pode parecer pouco, eu não sei mas para mim é MUITO, e tudo isso veio de vocês, tudo graças a vocês, e eu fui só a presenteada. Todo mundo leva esse lance de fanfics como uma diversão, e foi sim uma diversão, mas acreditem, cresci muito com isso.
Agradeço a todas que acompanharam a história, não importa se foi desde o começo, no meio ou mesmo agora, há três ou quatro capítulos. O que importa é que todas leram, mesmo que várias provavelmente não tenham comentado. Talvez algumas tenham abandonado, eu não sei, mas agradeço mesmo assim.
Eu sei que é bem chato ler agradecimentos a cada pessoa, mas eu queria falar de cada uma porque todas são importantes e merecem ser lembradas já que se lembraram de mim ao deixar reviews e darem sinal de vida.
A Smith, que deixou um primeiro comentário na história e depois sumiu; muito obrigada. O continua dela me fez muito feliz. Cris Trindade, minha amiga do coração, que estava comigo onlinemente, como ela mesma diz hahaha quando eu postei a história, que leu alguns capítulos, depois parou por falta de tempo e há alguns dias voltou com tudo, e agorinha pouco acabou de ler o último capítulo postado. Obrigada Cristyoska, você é demais. Rebeca Bembem, ela também parou por falta de tempo, mas me prometeu que vai voltar! Espero que quando voltar leia isso e saiba que agradeço muito por tudo, inclusive pela recomendação perfeita! A Lyara, que leu váários capítulos e é uma leitora e amiga exigente, eu espero que consiga dar uma brecha no trabalho de babá para poder passar por aqui um dia, e voltar para as histórias dela também. all4cyrus, que acompanhou por um tempããão, recomendou ( ♥ ) e favoritou, e depois sumiu do Nyah!; ela faz falta! A Natacha, que comentou alguns capítulos, favoritou e sumiu, nossa conversa por MP foi muuuito legal. A Jenny Melo, que descobriu a história há poucos dias e já leu tudo; seu surgimento alegrou meus dias! A Pandinha, que esteve por aqui por vários capítulos desde o começo ela é muito divertida ♥ a Duddmenezes, que aparece às vezes e que comentou logo nos primeiros capítulos! E finalmente, SYNY, a linda ♥ eu não tenho nem o que falar, poxa. Meu Deus, algum dia não lembro quando eu fiz algo muito bom para ter ganhado uma leitora como você. E Julia Valenca, a dona da minha terceira recomendação, sempre presente, sempre fofa, obrigada por tudo. A Thaynná, tão tão tão linda, sempre com comentários construtivos e que me deixam muito muito feliz, obrigada, e também a Mariana Cardoso ♥ WolfBlack, que também passou comentando por alguns capítulos; estou com saudade dela, e a Rafaela Calizzoti, que é muito simpática e veio falar comigo por MP também :D a Laladhu, não podia esquecer dela, muito obrigada também, e a atina gois, espero que você esteja lendo isso e saiba que agradeço muito pelo review. Thaís Malheiros, que conversou comigo por MP quando eu estava bem beeeeeeem longe, fiquei super feliz com os seus reviews e pelas mensagens, sua linda ♥ a lyviamch, que apareceu outro dia e leu tudo mega rápido, eu amei cada review, e Hey Girl, que também deu o ar da graça, obrigada! E por fim, e jamais menos importante, a Gabi, que leu tudo super rápido e que veio através das propagandas lindas da Syny hahahaha você é muuuito talentosa, tem uma história ótima e já faz parte do meu coração ♥
Obrigada a todas vocês, pelas críticas construtivas, vários elogios eu nem penso que mereço tudo isso, mas agradeço muito e sem isso não seria a mesma coisa. Obrigada às minhas amigas que lêem e não têm conta no site, assim como as amigas da Syny. E a minha irmã, que já está chegando ao fim da história, e as minhas tias que também estão lendo! ♥ e as leitoras fantasmas que podem estar lendo isso e não apareceram apareçam, por favor?!
Quero por fim pedir desculpas por qualquer coisa, e pelas notas iniciais e finais enormes que eu sempre escrevo, pelos erros ortográficos, pela demora para postar às vezes, pelas enormes respostas de reviews que eu escrevo muitas vezes enfim, por qualquer deslize meu.
Isso não é uma despedida porque espero postar outra história em breve, e ver vocês lá, e espero conversar com vocês por MP, e ainda encontrar a Syny e a Gabi, e outras pessoas que têm histórias, nas histórias delas.
Obrigada. Dedico tudo a vocês amo vocês ♥ ♥ ♥
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