Notas iniciais
Oi gente linda! Aqui está mais um capítulo para vocês. Novamente, obrigada a quem está lendo, isso é muito importante para mim. Então, só vou postar o próximo capítulo quando a história chegar a 7 reviews. Gente, é tão pouquinho! E vocês querem saber o que vai acontecer depois desse capítulo, não? Hahaha.
Boa leitura!

Capítulo Três

Eram olhos… hipnotizantes. Tinham uma luz que nunca me atraíra em um olhar. Na verdade, não haveria como, porque era peculiar e única, completamente desconhecida para mim. Esse era o tipo de coisa que se vê em filmes, e eu estava longe de ser a donzela em perigo, porque nunca fui uma donzela. E nunca seria.

Mas os braços dele… e o cheiro dele… e a respiração acelerada dele enquanto me segurava…

Quase xinguei o instrutor por ter subido tão rápido depois que ele já tinha me segurado. Quero dizer, quando eu estava morrendo, ele não parecia ter pressa em me salvar!

– Para baixo ou para cima? – perguntou o instrutor a si mesmo, sem saber o que fazer.

Revirei os olhos. Pronto. Eu não estava mais morta, já podia voltar a ser chata e louca.

– Me deixe continuar – falei. – Só cuide para que a próxima corda não arrebente e me deixe com duas dívidas.

– Dívidas? – perguntou a criatura cujos braços ainda estavam ao meu redor e cujos olhos eu não suportava fitar.

– Sim. Por ter salvado a minha vida. Não suportaria passar por isso uma segunda vez.

O garoto estreitou os olhos.

– Não se sinta em dívida comigo. Sempre odiei essa coisa de escalar. Espero que não se coloque em risco novamente.

Emiti um som incrédulo.

– Se odeia essa “coisa de escalar” o que está fazendo a trinta metros do chão pendurado em uma pedra? Quero dizer, como isso se chama para você? Dançar na vertical?

O instrutor mordeu os lábios para não rir, mas eu não quis ser engraçada. Continuei olhando o garoto de forma indireta, esperando uma resposta plausível.

– Foi uma aposta com meus amigos idiotas ali – ele jogou a cabeça para o lado, onde seus amigos estavam.

– Ah, uma aposta – resmunguei.

– Você tem sorte, garota – disse o instrutor.

– Vão me mandar outra corda? – me limitei a perguntar.

– Não – respondeu o garoto. Ele era muito metido mesmo. Como se pudesse mandar em algo só porque tinha me segurado! – Vamos descer já.

– Olhe aqui, – eu disse indignada, cerrando os punhos no peito dele, quase me distraindo com os músculos que… esqueça. Suspirei e continuei. – Escute aqui, você não pode decidir por mim. Além do mais, está me usando como pretexto para descer também e não levar a aposta até o final.

O garoto começou a rir. Era um som tão… doce. Rouco, meio diferente. Que me gelava e aquecia ao mesmo tempo.

– Você é louca, garota – disse ele em meio ao riso.

Quase não consegui me conter e mostrar a língua para ele, mas gritei por sobre seu ombro, para seus amigos:

– Não paguem o que quer que tenham apostado com ele! Ele não quer cumprir a aposta até o final! Isso é trapaça! Trapaça!

Os garotos atrás de nós começaram a rir, e eu me dei conta do quanto estava ridícula. O que estava havendo comigo? Experiências de quase morte alteram o cérebro das pessoas, deixando-as retardadas? Ou era só porque tinha me sentido atraída por esse cara idiota que provavelmente me achava uma estúpida e já tinha confessado me achar louca?

As palavras seguintes foram doloridas. Eu nunca tinha me rendido antes. Nunca.

– Muito bem, vamos descer.

– Então você ama esportes radicais – disse ele.

Tínhamos acabado de chegar à base de escalada e eu estava devolvendo meu equipamento para outro instrutor. Ele tinha me feito o favor de descer em silêncio, deixando que eu me afogasse no arrependimento por ter sido tão submissa. Mas agora resolvera ser simpático? Ah, que meigo.

– E você não – respondi secamente, pegando minha bolsa.

– É, não gosto.

– Então beleza. Continue sendo uma pessoa que não gosta de esportes radicais e, se quer meu conselho, não aceite mais apostas com seus amigos. Obrigada por salvar minha vida e seja feliz. Adeus.

Acenei para ele com indiferença, já me virando para partir quando ele me chamou.

– Ei!

Voltei-me para ele com má vontade.

– Oi?

– Não vai perguntar se pode expressar sua gratidão de alguma forma?

Revirei os olhos e ri sarcasticamente.

– Ah, sim. Você é um clichezinho, não?

Ele deu de ombros.

– Então me diga seu nome.

Ergui o queixo, pronta a negar. Mas algo me fez mudar de idéia.

– Mianah – eu disse. – Caso não tenha ouvido o instrutor falar comigo.

– Ouvi, sim. Só queria saber se seria sincera comigo.

Idiota. E clichê, sempre clichê.

– Ah, sim. Ótimo.

– O meu é Theo – ele disse.

Theo. Era um nome lindo. Principesco, mas lindo.

– Adeus – eu disse, e desta vez fui embora mais rápido, antes que decidisse voltar por mim mesma.

Meu Deus, onde é que você se meteu? – gritou Lena.

Ela e Victoria estavam encostadas em minha moto, exatamente onde eu a tinha parado ilegalmente.

Pela primeira vez olhei ao redor de verdade. O fluxo de crianças na orla tinha diminuído muito, e havia mais idosos e atletas correndo. O sol poente no céu também deixava claro que não era cedo.

– São quase seis da tarde! Estava esperando a gente morrer do coração? – Victoria me segurou pelos ombros e me chacoalhou.

– Por que estão tão preocupadas? Vocês sempre estão se lixando para o que houve comigo.

– Porque nós tínhamos brigado – disse Lena. – Porque você já tem várias passagens na polícia. Porque houve um assalto aqui perto, e não sabíamos se algum tiroteio havia sucedido… e porque você está horrível! Olhe os seus braços machucados!

– Isso não foi nada – murmurei, esfregando meus braços. – Fui escalar o Pão de Açúcar e acabei… quase caindo.

Victoria arregalou os olhos.

– Meu. Deus! Te deu ataque de loucura? Quer se matar?

– Para com isso, Victoria. Um cara me segurou.

Victoria e Lena se entreolharam, e eu suspirei.

– Vamos embora?

As duas lentamente concordaram e subiram na moto. Eu as ouvi trocar palavras indiscerníveis, e só a última frase me foi clara.

– Cancele a pichação hoje.

Notas finais
Então, mereço reviews ou não? Preciso saber o que vocês acham para poder melhorar ainda mais a história :D
O próximo capítulo está quase pronto. Reviews!
Até logo, eu espero...