Notas iniciais
Heeeeeeeey leitores ^^
Esse capítulo é especial do meu aniversário - que é hoje u.u
Eu não ia postar, mas decidi dar esse presentinho para vocês :D
Só tenho a agradecer pelos favoritos, pelas recomendações, e, óbvio, pelos reviews e MPs que tenho recebido. Fico imensamente feliz e grata a cada um pelo apoio incomparável com os quais estou sendo agraciada.
Espero que gostem do capítulo.
Boa leitura!

Capítulo Vinte

Alguém sacudia meu ombro levemente.

Minha mente estava nebulosa e completamente alheia ao fato de que, número um, a pessoa que estava me sacudindo o ombro talvez não fosse Theo, e, número dois, era meu dever acordá-lo, e não cair no sono como um bebê recém-nascido.

Senti meus dedos completamente firmes na camiseta dele. Na verdade, mais do que firmes – eles não queriam soltá-la. E depois eu fui tomando consciência do cheiro dele, da temperatura, do contato entre nossos corpos… de como eu estava deliciosamente repousando em seu peito.

– Mianah, acorda – Theo sussurrou baixinho.

Forcei-me a abrir os olhos, mas sem muita convicção.

O rosto dele estava a centímetros. A mão parara de sacudir meu ombro. A luz ainda estava apagada. Não havia ninguém no quarto.

Graças a Deus.

Dei um suspiro de satisfação com a percepção de que não tínhamos sido pegos, e puxei sua nuca para beijá-lo. Seus ombros ficaram tensos de súbito, mas ele não resistiu e acabou se entregando ao beijo.

– Eu preciso ir. Acho que eu posso ter ouvido o portão abrir, não tenho certeza – Theo segurou minha mão, que estava em seu pescoço, e tentou se desvencilhar de mim.

Revirei os olhos.

– Não tem ninguém aqui – falei.

Mesmo assim ele saiu de perto de mim, o que me deixou carrancuda. Caminhou até a janela.

– Não dá para ver a garagem daqui – eu disse mais para ser rabugenta do que por qualquer outra coisa. Mas não dava mesmo para ver.

Theo deu de ombros e acendeu a luz do quarto. Arrancou a camisa de meu pai – isso me deixou desconcertada por um segundo – e procurou por suas roupas.

– Não seja idiota. Meu pai não vai dar falta dessas roupas. Depois você me devolve.

Enquanto eu falava isso, ouvimos passos na escada e uma voz abafada dizendo o meu nome.

Me encolhi na cama enquanto Theo erguia as sobrancelhas para mim.

– Eu disse – ele provocou. Parecia mais preocupado em mostrar que estava certo e que tinha ouvido algo mesmo do que com o fato de que meus pais tinham chegado e que ele estava sem camisa dentro do meu quarto.

– Deixe-a dormir – ouvi a voz da minha mãe dizer enquanto a fechadura estava se mexendo.

Theo apagou a luz.

– Você está doidão? Se esconde! – eu falei sussurrante para Theo, com urgência.

Enquanto uma parte do meu cérebro estava preocupada e com uma leve apreensão sobre o que aconteceria, a outra parte estava adorando a adrenalina que era ser pega fazendo algo aparentemente errado. Eu ainda gostava dessas coisas. E isso provaria aos meus pais que eu ainda podia resistir às suas leis idiotas.

Theo olhou para todos os cantos do quarto e procurou novamente sua camisa enquanto meu pai abria a porta.

E acendia a luz.

E grunhia.

Eu olhei a cena por um segundo, como se ela estivesse pausada. A cara de meu pai mudando de branca para levemente azulada enquanto a de Theo ficava vermelha. Theo estava sem camisa e com a bermuda abaixada até os joelhos. Seus olhos estavam quase saltando das órbitas. Minha mãe apareceu logo atrás de meu pai e arquejou.

E eu comecei a rir.

Isso provavelmente piorou minha situação. E muito. Theo olhou para mim quase tão bravo quanto o meu pai, mas eu simplesmente não conseguia parar de rir. A cena toda era muito hilária.

Quando me forcei a trincar os dentes – embora eu tivesse certeza de que, se fosse obrigada a falar, começaria a rir de novo –, Theo subiu a bermuda e vestiu a camiseta enquanto meus pais estagnados tropeçavam para dentro do meu quarto.

– M-m-m-m-m-mas o que é isso? – minha mãe gaguejou, jogando as mãos para o alto.

Ela estava usando um vestido azul horroroso que me fez ficar com vergonha de apresentar aquela mulher como sendo minha mãe a Theo – mesmo que eu tivesse a breve impressão de que só eu achava o vestido feio naquele lugar.

E só eu estava reparando nisso.

– Olá, senhores – a voz de Theo tremia tanto que quem ouvia até achava que ele realmente estava fazendo algo errado.

– Theo – eu disse, e fiquei surpresa porque não ri. – Esse é o Theo, gente.

Eu saí da cama e fui para o lado de Theo. Ele parecia uma estátua de gelo. Passei os braços pelos ombros dele – precisando ficar nas pontas dos pés – e sorri para a minha mãe.

O segredo era banalizar a situação. Porque, bem, a situação era mesmo banal.

– Fomos à praia. E então choveu. E então ficamos molhados. Theo me trouxe aqui em casa e eu o convidei a entrar e se secar. Emprestei roupas suas a ele, pai. E então nós dormimos até agora, sem querer. E ele está de saída já.

Expliquei tudo calmamente. Theo olhou para mim e engoliu em seco, mas passou um braço por minha cintura, o que me deixou bem mais confortável.

– Então o carro na minha garagem é seu – meu pai falou com um ar de “eu já tinha entendido tudo”. E eu entendi que nos denunciamos antes mesmo que meus pais pisassem em casa. – Ótimo. Fiquei com medo de que minha bela e educada filha o tivesse roubado.

Minha mãe lançou um olhar feio ao meu pai. Ele apenas deu de ombros.

– Você estava com a “Luiza” – ele continuou.

Theo olhou para mim como se dissesse “livre-se dessa agora”.

– Eu falei para a Luiza que queria voltar para casa porque não estava passando bem. Ela não tem nada a ver com isso –, tratei de dizer.

– Claro que não –, minha mãe concordou, e não foi com sarcasmo.

Theo finalmente pareceu perceber que tinha que dizer algo além de “olá”. Ele pigarreou.

– Eu sinto muito, senhores. Aliás, nós sentimos – seu braço se estreitou ao meu redor.

– Olhe aqui, garoto – meu pai ergueu uma mão. – Se a minha filha aparecer aqui grávida, eu…

– Pai!…

– Ela não vai, senhor – Theo me interrompeu. – Nós não…

– Eu não quero saber o que vocês fizeram e nem o que não fizeram. E você pode ter certeza de que seus pais saberão disso em breve. E Mianah terá uma ótima conversa conosco assim que você pegar suas roupas “molhadas” e der o fora daqui.

Theo assentiu e eu apontei a sacolas de roupas molhadas. Ele se trancou no meu banheiro para se trocar.

Virei-me para meus pais. Eles estavam realmente furiosos. Mas eu não me importava. Nunca me importei, nunca me importaria. Eu só me importava com uma coisa.

– Vocês não vão me proibir de vê-lo, certo?

~

Não, eles não me proibiram de vê-lo.

Mas ele ia ter de vir me ver. Isto é, na minha casa. Isto é, no sofá. Isto é, sob os olhos afiados do meu pai. Isto é, não nos tocaríamos.

Sim, isso era melhor do que o regime extremamente fechado de meus pais, mas era muito mais divertido fugir de casa ou cometer qualquer outra loucura para ver Theo. Tipo, ver de verdade.

Theo concordou com isso e parecia revoltantemente satisfeito. A verdade é que meus pais olharam bem para ele e viram sua refinada educação, sua completa ausência de piercings e tatuagens e etc. Isso contava muitos pontos a mais para ele, e, para ser franca, eu não podia reclamar.

O estranho é que depois fiquei pensando em Arthur. Ele não ficaria satisfeito com namorar no sofá – se é que namorar no sofá é namoro. Ele não ficaria satisfeito em abaixar a cabeça para os meus pais, não ficaria satisfeito com o que eles estavam fazendo comigo. Ele não ficaria satisfeito com nada daquilo.

E Theo estava.

Por um remoto segundo, eu pensei se, num futuro distante, no caso de termos filhos, se Theo os criaria da maneira como sua mente funcionava – que era a mesma maneira como a mente de meus pais funcionava. Daquele jeito regrado ao extremo e ridiculamente ligado à opinião da sociedade. Eu não entendia – e nunca entenderia – porque me deixaram me transformar no que era só para tentar mudar depois de dezoito longos anos. Eu não deixaria que Theo fizesse isso com os meus filhos. E não deixaria que ele fizesse isso comigo.

Quando finalmente adormeci, lembrei-me de que Luiza não sabia do que estava havendo e de que eu não podia avisá-la com alarde. Então procurei no lugar onde eu tinha escondido as valiosas dádivas que ela me dera, o celular. Digitei uma mensagem de texto explicando resumidamente tudo o que houvera, sem conseguir não me lembrar de quando fiz coisa parecida para com Lena e Victoria.

Meu estômago se revirou quando pensei nelas.

Então, coloquei o celular dentro da fronha do meu travesseiro e fechei os olhos.

E comecei a pensar em Theo.

E adormeci pensando em Theo.

~

Na manhã seguinte acordei desanimada. Domingos acabavam com tudo.

Meu pai estava em casa, mas minha mãe saíra para o plantão – graças a Deus ela tinha tomado vergonha na cara.

O celular tinha uma mensagem de Luiza, dizendo “ok, você me deixou preocupada, mas não liguei porque fiquei com medo de seus pais entenderem que eu sei das suas ‘peripécias’. O que importa é que vocês ainda vão se ver, não é? E seus pais ainda confiam em mim. Sabia que você não ia me entregar. Obrigada. Me ligue assim que puder. Beijos”.

Eu não podia ligar naquele momento, assim, larguei meu resto de café da manhã na cozinha e abri a porta da sala. O dia estava ensolarado e perfeito para a praia. Me lembrei de Theo e eu conversando. Me lembrei do cheiro que ele tinha deixado no meu travesseiro. Então eu quis voltar para a noite anterior e dizer a ele para não dormirmos, para ficarmos acordados nos beijando e conversando. Para não deixarmos meus pais estragarem tudo.

Eu tinha me despedido dele de forma tão fria. Foi o abraço mais mal dado da minha vida.

Saí porta afora e meu pai logo me repreendeu, dizendo que não era para passar do portão.

Eu concordei de forma muito rude e fui para a frente do portão.

Lá, no canto do portão, havia um embrulho. Em um cartão sobre ele estava legivelmente escrito o meu nome.

Dei um suspiro e pensei que Theo não era assim tão certinho. Me peguei sorrindo quando peguei o pacote.

No verso do cartão havia algumas palavras escritas em letras pequenas.

Eu penso em você todos os dias. Vamos fugir. Preciso te ver. A.”

Meu sorriso sumiu quando entendi que não era Theo o remetente do pacote. E sim Arthur. Mesmo que eu não fizesse ideia de como ele sabia o meu endereço.

Suspirei e abri o embrulho. Era uma caixa preta aveludada de tamanho médio. Na parte de dentro da tampa havia um espelho com um papel de post-it.

Você é linda assim, como está agora”.

Olhei-me no espelho e não me achei nada linda. Sacudi a cabeça e vasculhei o fundo da caixa. Havia mais dois post-its.

Você é linda de qualquer jeito”.

Você sempre será linda”.

E por fim tirei de dentro da caixa um anel daqueles de prata velha. Havia algo gravado nele em letras muito bem desenhadas.

Remember of Me.

“Lembre-se de mim”.

Senti quando desabei no chão ali mesmo e olhei através das grades do portão.

Arthur.

Vamos fugir. Preciso te ver.

Vamos fugir. Preciso te ver.

Eu queria fugir, pensei quase como uma resposta. E eu também preciso te ver. E eu preciso de você.

~

Theo chegou na minha casa às três em ponto, quando, por ordem do meu pai, terminei de lavar o último prato na pia.

Eu estava horrível, e com isso imagine que eu estava mais feia do que se estivesse vestida com as roupas que minha mãe tinha comprado. Porque, bem, eu estava com algumas simples peças daquelas, só que sem nenhuma maquiagem, e com os cabelos duas vezes pior do que se eles estivessem “feios arrumadinhos”.

A verdade é que o espelho de Arthur e o próprio Arthur não me saíam da cabeça.

E quando Theo chegou, bom, não é que eles saíram… mas eles silenciaram.

Porque Theo era Theo. Ele era o antídoto para os problemas, o silêncio na minha mente, o que me fazia esquentar, o prazer dos meus ouvidos ao ouvi-lo, ele era o que fazia minhas terminações nervosas se agitarem loucamente ou simplesmente se dissolverem. Ele era o controle e a falta dele.

Ele era a controvérsia mais controvertida da história da humanidade. Ou melhor; da minha história.

– Oi – eu murmurei baixinho, secando as mãos no guardanapo da cozinha.

– Oi – ele disse.

Abriu aquele sorriso. O sorriso que fazia meu coração parar.

Eu me virei e por cima do ombro dele vi meu pai. Fiz uma careta e puxei seus ombros para mim. Theo tropeçou para frente e acabei com as costas pressionadas contra a pia. Ele colocou os braços em minha cintura, mas seus olhos extremamente penetrantes e perfeitos apenas se cravaram nos meus.

Eu ergui as sobrancelhas numa espécie de desafio.

E o beijei. Nos beijamos por um tempo mais longo do que – eu tinha certeza – Theo gostaria ali, tão perto do meu pai. Mas ele não conseguiu desgrudar a língua da minha enquanto ainda tínhamos fôlego.

– Isso não é certo não – Theo disse com uma ponta de riso na voz.

– Eu amo, amo coisas erradas.

Olhei por cima do ombro de Theo novamente e meu pai não estava mais lá.

Eu sorri e me aconcheguei no peito dele, e ele cruzou os braços em minhas costas, apoiando o queixo no alto da minha cabeça.

– Vamos mesmo para o sofá, pelo visto – sussurrei.

– Calma. Eles vão aprender a nos deixar sozinhos.

– No próximo século – comentei, puxando-o para o sofá.

Olhei para a escada e meu pai estava lá. Ele cruzou os braços e Theo se virou para ele.

– Vou me comportar, senhor – ele disse.

Meu pai assentiu.

– E eu vou ficar de olho em vocês.

Eu revirei os olhos e me joguei no sofá. Theo se sentou ao meu lado, entrelaçando a mão à minha. Ficamos olhando para frente por um segundo.

– Está tudo bem com você? – ele perguntou por fim.

Eu assenti e meus olhos pararam no embrulho aos pés do sofá. Eu duvidava que meu pai tinha visto, mas, bom, Theo viu.

– O que foi?

– Nada.

– O que é aquilo?

Eu olhei para Theo e apoiei a cabeça no ombro dele.

– Não importa.

Mas a verdade é que importava. Importava, sim. E muito.

– Do que quer falar, então?

Eu forcei um sorriso.

– Como foi sua noite?

– Dormi como uma pedra e sonhei com você – Theo sorriu para mim.

Eu ergui as sobrancelhas.

– É mesmo? E o que você sonhou?

Theo hesitou.

– Tudo bem, estávamos pelados – eu ri alto e me esqueci de que meu pai estava em casa.

Theo apesar de ter ruborizado, também riu.

– Não, é lógico que não.

Eu revirei os olhos e fiz cara de magoada.

– Sabia que isso está acabando com a minha autoestima? – eu estava sussurrando para o caso de meu pai estar perto. – Você não quis dormir comigo ontem, e não sonha comigo nua. Você não me imagina nua ou qualquer coisa do tipo? – eu ri, porque sabia que o estava provocando e que estava funcionando, e que esse provavelmente não é o tipo de coisa que namorados falam no sofá.

– Não se preocupe com a sua autoestima. Tenha a certeza de que posso satisfazê-la muito bem – Theo deu um sorriso malicioso, e eu realmente me senti melhor.

– Tudo bem, o que sonhou?

– Não foi nada demais, só um pouco romântico. Estávamos de mãos dadas na praia e você disse que me amava.

Eu suspirei.

– Ah.

– Não gostou?

– Claro que gostei.

– Mas…?

– Eu só não queria que você soubesse que eu te amo por um sonho.

Theo sorriu.

– Ok. Eu fico sabendo um dia, na realidade.

Eu apertei a mão dele com mais força, e nos beijamos de novo. As mãos dele deram uma leve escapada para a minha perna, e não acho que estávamos sendo observados naquele momento.

– Pode me contar mais sobre você? – Theo perguntou quando nos afastamos.

– Claro. O que quer saber?

– O que você faz nas horas vagas?

– Eu tinha uma banda antes. Mas briguei com minhas amigas. Eu toco guitarra… eu ouço música.

– Que tipo de música?

– Rock. Pop.

– Bandas?

– ACDC. Muse. Green Day.

– E o que você fazia antes? Sabe…? Antes de você virar essa garota toda rebeldinha – ele deu um sorrisinho, mas eu sabia que ele estava falando sério.

– Eu também ouvia música. Mas eu lia, principalmente.

– Sério? – ele pareceu mais animado. – Adoro ler, adoro. O que você lia?

– Eu lia… bom. Um monte de coisas clichês. Livros clichês. Romances, dramas, vampiros, lobos. Crepúsculo, Delírio, Harry Potter, Hush Hush, Nicholas Sparks, Shakespeare… essas coisas.

– Por isso é que às vezes tenho a impressão de que você tirava suas velhas ideias de livros e músicas da Taylor Swift.

Eu sorri, olhando para o passado.

– Eu adorava a Taylor. Eu adorava o Jacob Black. Eu odiava o Romeu. Eu cantava All too Well o tempo todo.

– Eu tenho a impressão de que só a sua casca é durona.

– Theo, isso tudo foi uma fase. Eu não sou mais assim. Isso tudo foi uma parte de mim. O mundo não é assim. As pessoas amam isso tudo, e eu entendo, mas…

– Por que você odiava o Romeu? – ele me interrompeu.

Era uma pergunta na qual tive de meditar para responder com sinceridade. Quando você odeia, você simplesmente odeia… não fica procurando motivos, porque o fato de procurá-los só pode querer dizer que eles podem ser revertidos. Não que isso faça muito sentido.

– Romeu encontrou seu grande amor. Romeu estava lá com a Julieta. Ele sabia o que era sentir-se… sentir-se como em uma piscina de água quente. Tudo estava tão certo e… por que ele tinha de matar logo o primo da Julieta? Que se danassem as circunstâncias, a honra, o que fosse! E, com toda a minha franqueza, se eu fosse exilada e estivesse casada e apaixonada por um homem, e no caso de Romeu, ele amava Julieta… eu a pegaria ali mesmo, eu subiria aquele maldito balcão na sacada, e eu pularia dentro do maldito quarto e a desceria de lá e mataria qualquer um que chegasse à minha frente, assim como ele fez com o primo dela, tão grande lutador. E eu sairia da cidade com ela e nunca mais voltaria, e eu faria dela a pessoa mais feliz desse mundo. E eu mandaria todo o resto para o inferno, e eu preferiria ficar sem família e sem sobrenome do que sem o amor da minha vida. Mas obviamente essa é uma história que foi escrita para ser dramática e apreciada, e, o mais importante, para dizer que ninguém ama ninguém verdadeiramente.

– Mas ele se matou por ela – contestou Theo.

– Ele se matou simplesmente porque era mais fácil. E lá estava a estúpida “honra” dele. Ele era um egoísta. Eu prefiro muito mais o Romeu de Romeu Imortal. Ele sempre soube que era um verme e não ia tentar mudar isso.

Theo deu um sorriso.

– Gosto de quando você fala. Mesmo quando eu não concordo.

Eu soltei a mão dele e passei meus dedos por sua nuca, mexendo nos cabelos assim como via as garotas fazerem com seus namorados no colégio antigo. Theo segurou minha outra mão e a beijou.

– Eu tenho certeza de que essa parte de você ainda está aí dentro. A que canta All too Well, a que lê Crepúsculo. E eu tenho certeza de que você escreveria um Romeu muito melhor.

Franzi as sobrancelhas e me senti mal por ele pensar que pessoas podem ser mudadas. Porque assim pensava que eu poderia ser mudada.

– Coisas e pessoas são como são. E elas não mudam. Nunca.

Notas finais
Bommmm eu não quero falar nada, mas só acho que o Arthur vai criar probleminha... notem como a Mianah está começando a ficar confusa... HAHAHAHA enfim. Espero ler a opinião de vocês logo mais, assim, eu ficaria muito feliz se vocês me deixassem reviews de presente ^^
Críticas, opiniões, palpites... me falem tudo! Estão achando a história parada? Chata? Ou detectaram erros de ortografia? Podem falar! Também estou disponível por MP :D
Obrigada por tudo, e até breve!