Notas iniciais
Não fiquem zangadas comigo! Eu sei que ultimamente venho chegando aqui e dizendo que "ia postar ontem, mas..." e essa é uma realidade muito pouco convincente, porém eu realmente ia postar ontem KKKKKKK eu disse numa resposta de review que ia, mas o ensino médio me dá o dobro de tarefas do que eu imaginei... hahahaha enfim, de qualquer forma, eu vou dar conta de tudo. Obrigada pelos reviews de vocês todas, e por acompanharem a história... eu fico cada vez animada para ver suas opiniões quando posto :D Espero não decepcionar vocês com o capítulo, só surpreender =P
Boa leitura!

Capítulo Dezesseis

Eu mal podia acreditar naquilo quando virei as costas para Theo e saí andando de volta à parte movimentada da praia.

Como ele pôde ser tão audacioso a ponto de me falar uma coisa daquelas? Que convencido!

Enquanto parte de mim bufava e sacudia a cabeça, eu me lembrava do final da conversa com um tom mental não tão irado quanto deveria.

Porque, por mais que o que Theo disse tivesse me deixado constrangida, ele era a pessoa mais linda e gentil do mundo. E… bom, ele tinha razão.

Eu tinha feito aquilo por ele, e eu mesma classificara como gesto de amor.

Um amor em que eu não acreditava – ou não deveria acreditar.

Eu me lembro de ter olhado no fundo dos olhos de Theo e dado de ombros. Aquilo não importava no momento. Mas ele também não fez menção nenhuma de retirar o que disse, e depois de segundos de silêncio, decidi que já tinha o bastante para um só dia.

– Bom, agora preciso ir – eu murmurara.

– Ok, vamos – Theo começou a se levantar, mas eu sacudi a cabeça.

– Não, vou sozinha. Pode deixar.

Tenho certeza de que ele não insistiu porque sabia que já tinha forçado a barra demais para um primeiro encontro. Porém, eu apenas queria ter coragem para dizer a ele o quanto tinha adorado cada segundo que passamos juntos; o quanto eu já esperava vê-lo de novo, o quanto ele tinha se tornado estranhamente importante…

E eu não disse nada disso. Me levantei sem jeito e Theo permaneceu sentado.

– Tchau – despedi-me.

Como eu não poderia deixar a ele nem um contato ou coisa parecida? Será que ele queria ir embora comigo para me deixar em casa e, desta forma, saber onde eu morava?

Talvez, de certa forma, fosse cômico se Theo aparecesse em minha casa para fazer uma visitinha. Eu com certeza gostaria de ver a cara da minha mãe.

Eu estava quase me virando para ir quando ele segurou meu pulso. Eu girei e olhei para baixo – para ele –, que se levantou.

– Você não pode nem estar cogitando um adeus, certo? – ele perguntou com um fundo de desespero no olhar.

Seus olhos me prenderam. Se aquele fosse um adeus, eu jamais conseguiria ir sem beijá-lo.

A cena ficou pausada por um tempo. Como se tudo tivesse congelado enquanto eu o olhava.

E depois descongelou.

– Não –, consegui quase afogar, quando me libertei do poder dos olhos de Theo.

– Mas você está de castigo, sem celular e sem computador – disse ele.

– Sim. Então acho que podíamos… – eu comprimi os lábios. – Podíamos nos encontrar aqui amanhã, neste mesmo horário.

– Certo. Eu vou esperar por você.

Meu coração disparou.

– E-e-e-e-e-e-eu – eu gaguejei tanto que minha voz falhou no final. – Eu não vou me atrasar.

Então eu me virei.

E foi isso.

Continuei andando pelo calçadão, perdida em pensamentos.

Eu o queria. Simples assim. Mas não podia usá-lo, brincar com ele como Bruno fez comigo, como se ele fosse um objeto à minha disposição. Theo era especial, único, e eu era uma garota complicada demais para ele.

Tentei pintar os nossos próximos dias. Íamos nos encontrar na praia para sempre?

De repente a minha vida perdera todo o rumo. Mesmo que ela nunca tivesse possuído um rumo muito concreto, naquele momento era como se não houvesse chão sob meus pés e céu sobre minha cabeça.

Theo um dia seguiria seu caminho. E eu seguiria o meu, qualquer que fosse ele.

Tudo pareceu passar muito rápido. Meus pés aparentemente lentos tinham chegado à parte lotada da praia muito rapidamente. Eu sabia do martírio que devia enfrentar quando chegasse em casa, mas talvez não fosse de todo ruim ver Luiza à noite…

Uma voz muito conhecida me assustou quando eu estava prestes a atravessar a avenida da praia.

– Ora, ora, olhe quem está aqui, Victoria.

Lena estava parada de braços cruzados ao meu lado. Sua expressão era insolente, e eu rapidamente me lembrei de meu desejo insano de arrebentá-la no braço por causa do que fez. Recalcada. Isso que ela era.

– Olá, traidora – eu murmurei, me virando para as duas com uma expressão não muito receptiva.

– Nossa, você está muito diferente, Mianah – disse Victoria, mas não de forma ruim, apenas surpresa.

– É, ela virou uma patricinha rica de colégio particular – Lena revirou os olhos para Victoria e me olhou com nojo.

– E você virou uma dedo-duro. Será mesmo que a polícia me descobria sozinha quando eu estava pichando ou você dava um toque?

Minhas sobrancelhas erguidas combinadas ao sarcasmo em minha voz fizeram Victoria colocar a mão em meu ombro e Lena rir.

– Você sempre foi incompetente, e a culpa disso não é minha.

– Meninas, parem de brigar – murmurou Victoria, quando afastei a mão dela de meu ombro.

Meu sangue estava quente, como sempre era quando eu ficava nervosa. Minhas mãos coçavam, e eu estava prontinha para entrar de cabeça na briga.

– Cala a boca, Victoria – Lena olhou para a garota como se ela fosse um monte de lixo.

– Cala a boa você, Lena – falei duramente.

– Acho que se você soubesse como é idiota e estúpida, abaixaria o tom de voz – Lena sorriu amargamente.

Victoria arregalou os olhos.

– Não, Lena – sussurrou.

– Cala a boca – repetiu Lena.

– Não o quê? – perguntei, erguendo as sobrancelhas, agora meio confusa.

– Ah, coitadinha – Lena riu de novo e revirou os olhos. – Vá para o inferno, Mianah.

Ela estava se virando quando a puxei pelo ombro. Victoria não tinha se movido.

– O que você está dizendo? – sibilei.

Algo as duas estavam escondendo de mim.

E eu tinha de saber o que era.

– Você nunca foi como nós. Você é… bacaninha demais. No mínimo deve estar com algum cara esnobe do colégio novo onde seus papaizinhos ricos te colocaram, para que fosse inserida na sociedade carioca e tivesse a chance de um “bom casamento” para salvar esse seu futuro porcaria. Você não tem talento e nem personalidade, você não é boa. Você é uma idiota, uma otária.

– Você não sabe nada sobre mim – eu disse. – E a única otária que vejo aqui é você. E você ainda vai se dar mal, seja o que for que está aprontando.

– Meninas, parem! – Victoria tomou coragem para interferir novamente. – Nós somos um grupo, lembram? As Garotas que Arrebentam? Quanto tempo faz que não saímos para uma noitada? Quanto tempo faz que não tomamos um porre, uma multa, ou passamos a noite na cadeia, nós três juntas? Vamos lá. Nós somos melhores amigas. Vocês estão sendo muito

– Ela destruiu isso, Victoria – eu interrompi. Parte de meu coração estava apertada, porque realmente nós éramos melhores amigas.

Isso. Nós éramos.

– Não, você foi quem destruiu! Olhe para você – disse Lena, encarando meus novos cabelos e todo o resto.

– Eu não devo satisfações a nenhuma de vocês. Não fui eu quem destruiu tudo. Mas vocês não me aceitam como sou, então não há mais nada que eu possa fazer.

Assim, atravessei a avenida quase correndo.

Eu já tinha sofrido minha cota de aborrecimentos por aquele dia. Não precisava de mais nenhum.

E quando Arthur apareceu, não sabia ao certo se ele não podia ser classificado como “aborrecimento”.

– Ei – ele disse, me puxando pela cintura de uma forma que me tirou o fôlego.

Obviamente, ele estava sem camisa, porque obviamente ele estivera na praia.

– Oi – eu disse, me afastando dos braços dele.

Arthur suspirou e cruzou os braços. Eles eram enormes e muito atraentes, mas… os de Theo, bom…

Percebi que eu estava sendo mal educada demais com Arthur. Minha mãe já o tratara de um jeito horrível, logo no dia em que nos conhecemos, em nosso primeiro encontro, e eu me sentia péssima por isso.

– Me desculpe por aquele último dia. Mas espero que não esteja me seguindo – eu forcei um sorriso simpático.

Arthur retribuiu com um lindo sorriso tímido.

– Tudo bem. Não, não estou te seguindo… eu vi você e as garotas ali.

Ele deu um suspiro, e eu o imitei.

– Melhor não falar disso – sussurrei.

Arthur concordou com a cabeça.

– Você sumiu; ficou de castigo?

Eu não queria contar toda a história, então simplesmente dei de ombros.

– Digamos que se fosse castigo eu já teria saído dele, mas as coisas só se prolongam.

– Foi por minha causa?

– Não. Foi por eu ter fugido da escola.

Era um tanto desconfortável falar sobre aquilo parada na calçada, diante de um cara enorme, tatuado e musculoso. Eu quase tinha de esticar o pescoço para olhar para Arthur, e aquilo podia ser hilário se não fosse tão incômodo.

Mas Theo era alto como Arthur, e eu não tinha me incomodado com ele…

Tudo bem, eu podia controlar meus pensamentos com algum esforço, mas não estava a fim. Fiquei olhando para o lindo rosto de Arthur e pensando no quanto era lindo, e no quanto o de Theo era mais lindo.

Louca. Eu estava louca.

– Ah. É verdade. A escola – Arthur assentiu com a cabeça.

Houve um longo silêncio. Comecei a mexer em meus cabelos e me lembrei de como eles eram horríveis agora.

Dei um suspiro frustrado e Arthur afastou minha mão dos cabelos. Ele desceu o polegar por meu rosto e afagou minha bochecha.

– Está chateada pelo cabelo, certo?

– Achei que você fosse me poupar – eu dei um sorriso amarelo. Me sentia esquisita com seu toque. – Coisas de minha mãe. – expliquei. E coisas de Theo também.

Arthur sorriu.

– Desculpe. Só queria que soubesse que você continua linda. Sempre será linda.

Ele desceu o polegar por meu rosto e colocou a mão por meu pescoço.

Minha respiração começou a acelerar sem que eu permitisse. Não. Eu não gostava de Arthur como de Theo, mas… mas ele não iria surtar se eu resolvesse pular de bangee jump ou dar um mergulho noturno. Ele talvez entendesse coisas que Theo não entenderia e talvez tudo seria bem mais fácil… e talvez com ele eu tivesse uma forma de me entender com Victoria, pelo menos, já que com Lena parecia impossível…

Com Arthur eu poderia ser aceita, mesmo que meus pais não quisessem. E talvez Theo… bom, talvez Theo fosse alguém com a mente de meus pais, alguém por quem eu infelizmente tinha me sentido atraída.

No entanto, parecia impossível cogitar a hipótese de me afastar dele novamente.

Respirei fundo e senti o cheiro de Arthur. Era inevitável comparar Arthur com Theo e vice-versa. Enquanto o cheiro de Theo era suave e um pouco almiscarado, o de Arthur era refrescante e leve. E ao mesmo tempo, quente. Como sol, mar e areia; aquele cheiro de praia, de férias eternas.

Era um cheiro muito bom, assim como seu dono. Arthur era bom. Arthur era sincero, amigo e atraente. Talvez fosse melhor que eu retomasse o meu plano de antes, de fugir com ele. Antes eu estava achando possível, até fácil e aceitável, não é?

Por que não agora?

Cerrei minhas mãos em punho enquanto Arthur roçava o nariz no meu. Fechamos os olhos. Eu coloquei minhas mãos em seu abdômen e tentei gritar ao meu cérebro que o afastasse.

Mas havia muitos músculos ali, e… bom, a maneira como ele estava roçando os lábios em meu rosto me deixou mais que descontrolada.

Eu não sei se as pessoas conseguem compreender direito o que acontecia comigo. Eu sabia que gostava mais de Theo, mas não era de refrear-me no ato. Isso costumava acontecer raramente – e acontecera com Theo naquela mesma tarde depois de muito tempo.

Mas Arthur não era Theo, não importava quantas comparações eu fizesse. Ele estava bem ali e ia me beijar, e eu não ia me afastar. Se eu ouvisse a parte de mim que queria ser a pessoa que eu nascera para ser – louca, desregrada, despreocupada, uma adolescente eterna – eu sabia que Arthur era o caminho.

Então eu o beijei. Deixei nossos hálitos se misturarem, deixei que ele percorresse minha boca com a língua enquanto minhas mãos sentiam sua pele quente, o coração pulsando loucamente através das costelas.

Quente, quente, quente.

Eu respirei fundo – ou arquejei? – e ele afastou meus cabelos do rosto para me beijar um pouco mais.

O último cara que eu beijara fora Bruno, e antes dele não houveram mais do que dois ou três. Arthur tinha um beijo incomparável e muito melhor que o de Bruno, e o arrependimento me bateu forte quando me lembrei de tudo o que eu tinha feito com Bruno.

Sim. Exatamente o que você está pensando.

É por isso que eu tinha tanto nojo dele e de mim mesma. Por isso eu abominava tanto meu passado, por ele.

Foram enganos. Enganos e enganos.

Se Arthur… Arthur fizesse o mesmo comigo, eu não suportaria. Jamais suportaria ser enganada.

Ele encostou a esta na minha e eu dei uma última mordida no lábio superior dele.

– Eu vou para casa.

Notas finais
Então o que acharam???
Arthur e Mianah se beijando foi tão empolgante quanto eu imaginei. Foi realmente... quente KKKKKKKKKKK
Eu queria saber de vocês quais os atores que imaginam para ser Theo, Mianah, Arthur e Luiza... eu não me inspirei em ninguém para fazê-los, mas tenho umas ideias.
Theo: Zac Efron
Arthur: Taylor Lautner... e as meninas eu não faço ideia. Deixem uma opinião sobre isso nos comentários, por favor?
Me digam TUDO o que pensam!
Beijos e até o próximo capítulo!