Antes Que Você Vá
12 Capítulo 11
Notas iniciais
Então, aqui está mais um capítulo. Mal pude acreditar quando percebi que já passamos do décimo capítulo! Quero agradecer muito a cada um de vocês, que estão acompanhando a história.
Boa leitura!
Capítulo Onze
Enquanto o horário que Arthur marcou não chegava, fiquei vagando por lugares improváveis para mim. Entrei em um shopping e em um supermercado, só para gastar o tempo. Aqueles eram os tipos de lugar em que meus pais e quem mais estivesse atrás de mim – e me conhecesse, obviamente, – jamais pensaria em me procurar. Era engraçado que eles tivessem me tomado o celular – a única possível maneira de me encontrar. Eles mesmos tinham se feito ignorantes.
E eu estava livre, e ao mesmo tempo presa.
Porque… para que lugar eu iria? No fim do dia, seria obrigada a voltar para casa e encarar meus pais. Eu não ia voltar para Lena e nem para Victoria. Mesmo que Victoria não tivesse nada a ver com minha briga com Lena e…
O pensamento passou por minha mente como um relâmpago.
Não… Theo, ou Arthur… eles jamais me ajudariam a sair de casa. Especialmente Theo. Ele não parecia – eu sabia que ele não era – alguém como eu. Ele não fugia da escola. Ele não era um inconsequente… e, de certa forma, talvez Arthur também não o fosse.
Imaginei um milhão de possíveis “faces” para Theo. Imaginei fatos sobre sua vida. Ele ainda estava no colégio ou já fora para a universidade? Qual era a idade dele? Sua comida preferida, seu seriado, filme, livro favorito… Ele tinha irmãos? Irmãs? Ele gostava de carros, jogos, esportes?
Ele era todo um mundo novo para eu adivinhar, deduzir, imaginar. Simplesmente, Theo era um mistério.
Eu segurava uma barra de chocolates no meio do mercado enquanto pensava nisso. Não sentia o ambiente ao redor, não sentia o exterior. Quando me dei conta disso, de como absolutamente todos os meus pensamentos acabavam em Theo, larguei o que tinha pegado de volta na prateleira e saí do supermercado, completamente ultrajada comigo mesma.
Na maior parte do tempo, desde que conheci Theo, era assim. Pensamentos estranhos sobre um cara desconhecido, olhos invadindo minha cabeça, a voz dele por trás de tudo. Eu me sentia uma estranha aos meus próprios olhos, e não tinha nada a ver com meu modo de agir ou me vestir. Era só que não parecia certo – não ia dar nada certo – aquela combinação de mim mesma com Theo.
Forcei-me a simplesmente mudar de assunto comigo mesma. E se Arthur realmente fosse melhor? Ele já estava perto. Ele agia como eu, ele era como eu… tão diferente de Theo e tão próximo…
Cheguei à pista de skate mais rápido do que eu pensava, e Arthur já estava lá. Foi estranho caminhar até ele, olhando seus lábios sorrirem e suas mãos nos bolsos de forma tão… desconfortável. Eu o deixava desconfortável. Ele pedira a Lena para me apresentar, ora, ele estava interessado em mim!
Eu não devia estar fazendo aquilo, simplesmente não devia.
Mas estava. De qualquer forma, eu estava.
– Então… você não foi pega – disse Arthur, quando cheguei a certa distância dele.
– Me escondi em um supermercado muito inóspito – expliquei, obrigando-me a agir como uma garota normal nos meus padrões (nos nossos padrões).
Ficamos olhando um para o outro por um momento. Nenhum de nós dois estava com skate. Na verdade, a pista não estava muito cheia.
– O plano não era andar de skate, pelo visto – eu murmurei.
– Bem – Arthur olhou atrás de meus ombros, fitando um ponto distante. Percebi que ele podia até ser aquele enorme garoto tatuado, mas ainda era só um garoto. Nervoso, desconfortável em frente a mim. Porque ele gostava de mim… talvez gostasse.
Aquilo me fez lembrar de meu ex. Eu evitava pensar no nome dele, mas era mais por ódio do que por mágoa. Bruno. Nome comum, que acompanhava feições comuns, um sorriso comum. Uma pessoa que me tratava de forma comum, ou até pior – sem uma gota de respeito e gentileza. Eu simplesmente tinha… caído na rede dele. Ele gostou do meu rosto e acabei me apaixonando – pelo menos, na época pensei que estava apaixonada. Aquilo não era paixão, não era nada, era um engano. E vi isso quando ele me jogou fora, como um copo descartável. Um brinquedo velho. Até eu perceber que não era paixão, que ele nunca foi meu, meu coração já tinha se partido em mil pedaços.
Não parecia ser assim com Arthur. Eu me lembrava do meu primeiro encontro com Bruno, e ele não parecia preocupado como Arthur estava. Arthur parecia pelo menos querer me conhecer e me fazer gostar dele.
Percebi que Arthur estava falando. Eu tinha perdido metade de sua frase, e pisquei forte para tentar me situar.
Será que eu estava sofrendo de algum problema de concentração? Como… como os semideuses de Percy Jackson e os Olimpianos?
Deus, por que eu estava pensando em Percy Jackson e os Olimpianos?
–… eu particularmente prefiro.
Finalmente o zumbido da voz de Arthur formou palavras em minha mente.
– O que você prefere? – perguntei, abobalhada.
Arthur deu um sorriso de quem não entendeu nada e pigarreou.
– Prefiro andar de jet-squi – ele respondeu.
– Ah! – eu dei um sorriso torto. – Saquei.
Arthur franziu o cenho e depois sacudiu a cabeça.
– Vamos? –, perguntou, sem jeito.
– Onde?
Senhor, eu não ia saber falar como uma pessoa normal?
– Andar… de jet-squi. Meu amigo tem um e… podemos alugar outro, se você quiser.
– Desculpa, não tenho dinheiro.
– Eu pago.
Mordi os lábios. Ele queria andar de jet-squi. Tentei fazer minha cabeça trabalhar de modo sincronizado, mas tudo ainda parecia coberto de fumaça nebulosa.
– Qual era a outra opção? – sussurrei, sem jeito.
– Hã… acho que era escalar o…
– Não! – quase gritei. – Escalar não.
A mínima referência a uma possível escalada, a uma volta no lugar onde conheci Theo, com Arthur… revirava-me o estômago.
Arthur ergueu as mãos e concordou com a cabeça, como se a ideia nem tivesse passado pela cabeça dele.
– Certo. Claro. Nada de escalar.
~
Chegamos à marina após uma longa caminhada. Eu e Arthur nada dissemos, e tentei me concentrar em dar atenção a ele. Meus olhos às vezes caíam nos dele e parecia falso demais o ato de fazer qualquer comentário. Então, simplesmente andamos.
Era linda a visão dos barcos e jet-skis enfileirados no mar verde azulado. As tábuas úmidas misturadas ao sal e ao cheiro de areia e mar deixava todo o ambiente até bem romântico. Eu respirei fundo, sentindo o ar pesado e olhando o céu nublado.
– Será que a água está muito gelada? – murmurei, quebrando enfim o silêncio.
Arthur deu um sorriso.
– Já andou de jet-squi?
– Não.
– Bom, você vai ver que o frio não existe enquanto estiver lá – ele riu.
Eu dei um sorriso meio desconfiado.
– Ok.
Arthur me pegou pelo cotovelo e me deu uma piscadela. Ele me puxou para uma lancha muito chamativa. Soltei um assobio baixo.
– Esse seu amigo é…
– Só ele é riquinho aqui – Arthur explicou, adivinhando meus pensamentos. – Somos amigos desde a primeira série e ele confia muito em mim. – ele tirou uma chave do bolso e sacudiu para mim. – Sendo assim…
– Você tem uma cópia da chave da lancha dele. Beleza.
– Exato.
Arthur pulou para dentro da lancha e eu pulei atrás dele. Fiquei observando o mar enquanto Arthur levantava um dos bancos de passageiro. Debaixo dele havia uma chave.
– Ah, aqui está – ele deu um sorriso. – A chave do jet-squi.
– Hum, ótimo. – resmunguei.
Saímos da lancha novamente. Caminhamos alguns metros na marina e encontramos o jet-squi. Ele estava acorrentando a um pilar de madeira e balançava suavemente na agua.
– Olha… – Arthur tirou a camisa e expôs novamente seu tórax tatuado. – Cabe um passageiro aqui… se se sentir confortável…
Eu dei um suspiro.
– Ok, mas, para falar a verdade, nem tenho roupa de banho – dei outro sorriso torto e abri minha mochila. Lá dentro remexi até encontrar jeans limpos e outra camiseta. – Acho que posso molhar essa troca de roupa.
Arthur deu um sorriso satisfeito para mim, e eu devolvi as roupas na bolsa, decidindo molhar as que eu já usava e depois trocar.
Deixamos nossas coisas ali mesmo, no chão de tábuas da marina. Arthur perguntou se eu queria ajuda para subir no jet-squi, mas recusei.
Ele assentiu e subiu naquela coisa. Eu nunca tinha andado naquilo. O vento soprava forte e frio, e o pouco de sol que tinha aparecido parecia estar se escondendo.
A água estava gelada, sim. Muito gelada.
– Você tem certeza de que sabe pilotar? – perguntei, dando um riso excitado com a adrenalina que tinha começado a sacudir meu sangue.
A sensação era ótima, como eu me lembrava. Quente, efervescente, tão única, tão deliciosa.
Arthur acelerou o jet-squi, espirrando água para todo lado. Minhas calças já estavam encharcadas, e eu estava rindo enquanto ele acelerava sem medo para o meio do mar.
O vento zumbia, cortava meu rosto, minha pele, meus cabelos, e nos afastávamos mais e mais da costa, enquanto Arthur aumentava a velocidade. Me segurei nas costas dele, colocando a cabeça na curva de seu ombro para proteger meus olhos da água fria e salgada.
Eu não tive medo, nem por um segundo.
Lamentei quando chegamos novamente à marina.
– Ah, parece que acabou tão rápido! – falei, rindo de prazer.
Arthur ria comigo. Tirei minha camiseta e sacudi meus cabelos, torcendo-os, tirando deles toda a água possível. Me estiquei no chão da marina, deixando minhas roupas escorrerem. Eu não me importei quando Arthur se sentou ao meu lado, não me importei de estar bem ali, de sutiã ao lado dele.
Tinha sido perfeito. Uma dose perfeita de aventura.
– Foi incrível! – exclamei.
Arthur se virou para mim, os cabelos pingando suavemente, e afastou meus cabelos molhados dos ombros.
Oh meu Deus, ele já ia me beijar?
Minha mente se desviou do pensamento quando uma voz dura me alcançou.
– Então você foge para ir fazer coisas incríveis. Última vez.
Notas finais
Mas no próximo capítulo eu... Muahahahahaha nada não.
Reviews, gente, por favor! Amo interagir com vocês, então vamos lá, hein?
Obrigada a todos, beijos!
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