Antes Que Fosse
5 Capítulo 04
À medida que Demetria se afastava, Benjamin sorriu em um novo estranho incentivo.
Enquanto a batida pulsante da música preenchia o ambiente, ele a observou por um tempo. Demetria levou apenas um breve momento para se sentir à vontade o suficiente, permitindo que a música a envolvesse. Seu cabelo, uma vez preso em um coque, agora caía livremente em cascata, seguindo o ritmo da melodia como se fosse uma extensão de seu corpo, respondendo a comandos diretos de seu cérebro. Quando a música mudou, Demetria sequer percebeu; nem na segunda e nem na terceira vez.
Não deveria ser tão fácil para Benjamin admitir que ela era boa… Na dança, é claro. E se ela soubesse o que corria na mente do francês, poderia até jogar na cara dele este fato, uma vez que havia duvidado de seu talento. Com o fim de uma nova música, ele percebeu ainda segurar o copo vazio. Procurou então pelas bebidas sobre o ombro – tirando, pela primeira vez, os olhos da pista de dança – e ao achar uma mesa com taças cheias de líquido avermelhado, traçou um caminho até lá. Ao pegar a taça, avistou, discretamente posicionada à esquerda, uma porta de vidro que dava acesso à área externa do bar. Era convidativo demais para negar, então não o fez.
A varanda era estreita e o sol brilhava acima da cabeça, e apesar de ser possível escutar a música ao fundo, ali era mais agradável do que permanecer do lado de dentro. A vista das ruas parisienses distraiu Chevrin por tempo suficiente para que a taça esvaziasse outra vez e fosse deixada numa mesinha de vidro próxima à parede. Ao se aproximar, aproveitou para espiar a pista de dança e constatou que Demetria ainda estava lá, emendando uma música na outra conforme se animava com a amiga.
Dentro do lounge, Lauren tentava conversar com Demetria, projetando sua voz por cima da música alta.
— Aquele era o cara que não ia te deixar ficar de vela, se você não tivesse trazido outra pessoa.
Demetria seguiu o olhar da amiga até um dos rapazes da roda de trouxas, exatamente o homem de cabelos escuros que insistentemente tentara manter uma conversa com ela minutos antes.
— Se não tivesse me largado o dia inteiro por causa de um trouxa, talvez eu tivesse aparecido sem companhia — a sonserina rebateu, ignorando a sensação de que preferia que as coisas tivessem acontecido exatamente como aconteceram.
— Olha pelo lado bom — Lauren riu, virando o restante de seu drink — pelo menos encontrou um gato. Achou onde? Foi ontem depois que saí? Você não levou ele pro hotel, levou?
Demetria quase engasgou com a bebida.
— NÃO! Ele é meu cunhado — corrigiu. — Quer dizer, ex-cunhado.
— Cunhado? Você nem tem namo... — e então a expressão de Lauren modificou em entendimento e assombro. — Não me diga que você tá furando o olho da sua irmã?!
Lauren parecia se divertir com a constatação, mas Demetria nem estava mais prestando atenção porque no momento que Benjamin virou assunto, seus olhos escanearam o entorno para garantir que o lufano não estivesse suficientemente perto para ter ouvido a conversa. A confirmação de que o bruxo não estava em qualquer lugar à vista, a fez parar de dançar abruptamente.
"Não acredito que ele foi embora! ", Howard pensou com desânimo.
Largando a pista de dança independente dos protestos da amiga, Howard procurou Chevrin no interior do lounge, em vão. Antes Benjamin já aparentava estar se sentindo deslocado, mas Demetria nunca imaginaria que ele iria embora sem sequer dizer au revoir. Aquela já conhecida sensação de nunca conseguir se despedir das pessoas que gosta — grupo no qual Benjamin havia sido adicionado recentemente -, pinicou no fundo do seu estômago. Estava desistindo de procurá-lo quando deu meia-volta para a pista de dança. O anfitrião havia tomado seu lugar próximo à Lauren que parecia bem mais feliz com a atual companhia. Sem querer atrapalhar, por mais estranho que aquilo pudesse soar, principalmente vindo de quem era, Demetria pensou no que deveria fazer agora que Benjamin havia ido embora. Os olhos verdes da americana varreram rapidamente a área externa, bem menos movimentada que o interior do lounge; talvez pudesse pegar um ar até que a amiga tivesse deixado a pista de dança.
Ao alcançar a varanda, Demetria percebeu o lufano parcialmente obscurecido pela presença de uma mulher alta, cujos cabelos castanhos fluíam pelas costas e as unhas vermelhas se destacavam — mesmo ao longe — entre o cigarro que levava à boca. Por um breve momento a sensação familiar de quando tinha suas “coisas” roubadas de si tomaram seu corpo. Mesmo que não fosse mais uma adolescente, Demetria ainda via o mundo como se tudo acontecesse exclusivamente para afetá-la e não porque era assim que as coisas eram. Aceitou que sua companhia definitivamente não era melhor do que a de uma francesa com o corpo de modelo e que Benjamin merecia escolher. Assim como Lauren havia escolhido melhor companhia para passar as últimas quase vinte e quatro horas e as próximas, possivelmente. Ou Aria, que havia escolhido mudar de país, cortando assim todo o contato com a família. Ou Jasper, que escolhera tantas vezes o trabalho, que era quase como se ela morasse sozinha em casa.
Demetria estava longe o suficiente para não ouvir a conversa que se desenrolava entre Benjamin e a desconhecida, mas quando os olhos deles se encontraram pela primeira vez desde que ela se unira à área externa, a loira esticou os lábios e produziu uma expressão exagerada que causou uma ruga na testa de Chevrin.
— Vai com tudo! — Howard movimentou os lábios exageradamente às costas da trouxa, sussurrando ao mesmo tempo, como se fosse ajudá-lo a compreender.
Chevrin balançou a cabeça discretamente e disfarçou o riso nasalado antes de voltar à própria conversa, mas o sorriso no rosto era um sinal claro de que não fazia mais ideia do que a mulher à sua frente falava. Concordar, sorrir e acenar deveria ser o tipo de coisa apropriada para aquela situação. Um dos garçons que rodavam o lounge com bandejas de Kir Royale se aproximou da loira, a fazendo agradecer mentalmente por ter tido o diálogo — não que ele tenha respondido — quase mudo com Chevrin, interrompido.
— Gracias — agradeceu ao garçom, confundindo a língua numa sutil amostra do nível de álcool no sangue.
A americana olhou de rabo de olho para Benjamin novamente, para vê-lo incentivar discretamente que se aproximasse. Ela negou com veemência, antes de apoiar-se na cerca da sacada e desviar os olhos para a rua, como se aquilo fosse o que planejara fazer desde que chegou até a varanda. Uma parte de si, por menor que essa fosse, estava aliviada em pensar que se ele havia achado uma companhia feminina é porque realmente havia superado Aria. E isso diminuía a importância que ela havia dado à confusão durante o almoço.
— Aí está você — a voz se materializou no amigo de Jean, sobre quem Lauren havia falado na pista de dança minutos antes. — Seu amigo te deixou aqui sozinha?
— Talvez você não tenha notado, mas eu não falo francês — esticou um sorriso forçado nos lábios, lançando um olhar sugestivo para Chevrin do outro lado, torcendo pra que ele lesse em sua testa “que cara chato”.
— Pardon — o trouxa só recebeu a atenção da loira porque pela primeira vez na noite ela entendeu a palavra —, perguntei se seu amigo te deixou sozinha. Posso substituí-lo, se quiser.
— Você fala inglês — era uma afirmação; Demetria lembrava claramente de o avisar diversas vezes que não compreendia uma palavra do que ele falava. — Você só escolheu me fazer de idiota até agora.
— É que com as americanas não precisamos nos esforçar tanto — ele se aproximou o suficiente para diminuir o tom de voz e ainda ser compreendido. — Sabe, pra levar pra cama.
Dytto – a versão mais nova e inconsequente e que não leva desaforo pra casa – sorriu cinicamente para o trouxa. Ela considerou pegar a varinha escondida na barra superior da calça, guardada numa emenda malfeita apenas para mantê-la à mão, e estuporar o idiota ali na frente de todo mundo mesmo. Mas por mais ofendida que estivesse, não ignoraria o fato de que limpar a bagunça seria bem pior. Então apenas decidiu fazer o que qualquer mulher em seu lugar faria.
— Deve ser — e ela também se aproximou, apenas o suficiente para falar mais baixo — porque vocês precisam se esforçar pra durar mais que três minutos. Com um americana ou não.
— Eu posso te levar pra casa e mostrar...
— Não, obrigada — a loira o interrompeu, erguendo o dedo do meio na altura do rosto do homem. — Meu dedo dura mais.
Howard deixou a varanda, voltando para o interior do clube, mais especificamente indo em direção ao bar. Não seria o primeiro e nem o último idiota com quem ela teria que lidar, e mesmo assim precisava de uma bebida pra esquecer que aquela conversa havia acontecido. Demetria procurou a amiga assim que apoiou os antebraços na bancada, não a encontrando em lugar algum até que o barman a atendesse.
— Você tem shot? Shots! — Repetiu mais alto com a expressão confusa do homem, fazendo sinal de virar alguma coisa na boca, os dedos indicador e polegar fingindo segurar um copo.
O rapaz fez sinal de entendimento com a cabeça e procurou algumas garrafas na estante atrás, retornando rapidamente com um copo de vidro – nem tão pequeno assim – onde derrubou uma considerável quantidade de um líquido cor âmbar.
— Merci! — Demetria agradeceu, erguendo o copo na direção dele com um sorriso e virando tudo de uma vez garganta adentro.
A loira fechou os olhos quando sentiu a queimação causada pela bebida e balançou a cabeça para os lados, bagunçando ainda mais os cabelos, para espantar o arrepio da dose de álcool que acabava de entrar em seu sistema. A bruxa tornou sua atenção para o salão e percebeu que a maioria das pessoas estava na pista de dança; a mesa que dividira com os amigos de Jean estava praticamente vazia e por isso seguiu até uma das poltronas vermelhas – não sem antes pegar outra taça de Kir Royale — próxima à duas mulheres que pareciam mais preocupadas em manter a aparência impecável ao invés de se divertir. Demetria se sentou e assistiu as pessoas sob a luz psicodélica da pista improvisada por um tempo até que Benjamin surgisse, próximo o suficiente, para que ela escutasse com clareza mesmo com a música alta.
— Um galeão se eu adivinhar o que aquele cara queria — disse, sentando-se no braço da poltrona na qual Howard estava.
— Então adivinha — Demetria olhou para ele, ignorando a surpresa que era vê-lo desacompanhado.
— Te levar pra cama — a resposta foi imediata, sem precisar de muita reflexão.
— Acho que nem precisa ser Legilimente pra adivinhar...
— Acordo é acordo. Não vai manter sua palavra? — Benjamin retrucou, um sorriso travesso se abrindo nos lábios.
— Não é como se eu tivesse um galeão agora — a americana deu de ombros e olhou ao redor em busca de alguém em específico.
— Sempre soube que sonserinos não eram confiáveis...
— Eu mantenho a minha palavra — as palavras saíram mais lentas do que ela havia coordenado.
— Vou acreditar nisso depois que tiver meu galeão — Benjamin a interrompeu.
— O que não vai acontecer porque você tá indo embora.
— Indo embora? — ele arqueou a sobrancelha. — Então você tem todo aquele trabalho pra me convencer a entrar e depois, quando quer se livrar de me pagar um mísero galeão, simplesmente decide me expulsar?
— Quem vai te expulsar? — A música alta se misturava às palavras do francês, fazendo com que Demetria absorvesse apenas as duas últimas. — Não me diga que estava dando em cima da mulher dos outros lá fora.
A lógica parecia ter deixado a mente de Demetria àquela altura. Benjamin tentou conectar uma coisa com a outra, mas parecia muito mais fácil simplesmente aceitar que o álcool já estava embaralhando os pensamentos da garota.
— Achei que só era expulso quem não dançasse — relembrou Chevrin, olhando ao redor.
Por todo o canto haviam pessoas se divertindo entre passos de dança cuidadosamente coreografados e outros que pareciam simplesmente surgir do improviso.
— Não que você tenha dançado pra garantir sua permanência.
— Garantir minha permanência nessa festa nunca foi exatamente uma prioridade — confessou.
— Eu vi lá fora qual é a sua prioridade... — ergueu as sobrancelhas, em desconfiança.
— Acho que eu preferia mesmo continuar lá — Benjamin soltou um suspiro discreto que revelava, nas entrelinhas, sua aversão por lugares lotados.
— Então você deveria voltar... — a americana ergueu a taça que segurava, ainda meio cheia, à vista dos olhos de ambos. — Eu só preciso terminar isso aqui e volto pra pista pra garantir que você não seja expulso. Pode me agradecer depois.
— Vai dançar por mim? — O francês arqueou a sobrancelha em sinal de dúvida.
— Melhor que seja eu — acabava de engolir a bebida que havia virado na boca. — Suspeito que se você precisar dançar, vai acabar é expulsando todo mundo da pista.
— Pelo menos sobraria bastante espaço. — Benjamin moveu os ombros, o rosto ganhando uma expressão sugestiva para acompanhar o tom de diversão de suas palavras.
— Como se tivesse graça dançar sozinho — o rosto de Demetria se contorceu numa careta.
— Engraçado você dizer isso... Não pareceu precisar de companhia pra dançar.
— Eu não preciso — ela afirmou, prendendo os olhos nos dele. — Só é melhor acompanhado do que sozinho.
— Então é melhor você conseguir uma companhia — pontuou.
— Bom, vejamos as opções — a americana correu os olhos pelo salão até encontrar a amiga, ainda com Jean. — Tem a Lauren que vem com o namorado trouxa dela, mas não sei se ela gosta muito da ideia de formar um trisal — a risada que saiu de Benjamin a fez alargar o sorriso também —, ou podemos ir nós dois, mas aí passarei vergonha por uma vida inteira com você dançando — essa opção foi deixada de lado no momento em que balançou os ombros — ou posso procurar qualquer idiota e ignorar o fato de que, eventualmente, ele vai tentar me levar pra cama como o anterior.
Os olhos do francês varreram o espaço ao redor para estudar as possibilidades. Ela parecia ter razão sobre todas as opções apresentadas, o que a fazia parecer menos embriagada do que estava considerando até o momento.
— Mas você não teve problemas pra lidar com o anterior. — Benjamin lembrou.
— Faltou isso aqui pra eu usar minha varinha — Demetria evidenciou as chances de ter usado o objeto mágico usando como referência a distância entre os dedos indicador e polegar, que eram mostrados muito próximos um do outro. — Não sei se terei o mesmo autocontrole de novo. Acho que, de todas as opções, a menos pior ainda seria você. — A loira riu para expressão de dúvida no rosto do bruxo. — Porque se for eu a dançar com você, pelo menos consigo disfarçar seus dois pés esquerdos. E em duas semanas eu não estarei mais aqui pra ser lembrada, caso sua habilidade com dança acabe com a minha reputação.
— Levando em conta toda sua delicadeza, vou ser obrigado a recusar.
— E por acaso você foi capaz de recusar qualquer coisa que eu tenha te pedido hoje, Chevrin?
Aos poucos, um sorriso se abriu nos lábios de Benjamin. Estava estranhamente dividido entre a admiração pelo raciocínio incontestável de Demetria, ao mesmo tempo em que também sentia uma pontada de incômodo em relação a isso. Não costumava ser uma pessoa com dificuldades para dizer "não"; em contrapartida, a americana não parecia ser uma pessoa que se esforçava muito para conseguir o que queria. Pelo menos não lembrava dela ter se esforçado além do comum para conseguir qualquer coisa desde que a encontrou brigando por uma mesa sem reserva no La Tour D'Argent .
— Então essa vai ser a primeira da lista — observou o bruxo.
Benjamin estreitou os olhos em resposta ao sorriso se formando no rosto de Demetria quando ela se levantou e depositou a taça vazia sobre a mesa mais próxima. A música que tocava era animada o suficiente para fazer a bruxa começar a se mexer, bem ali, do lado de Benjamin, independente da pista estar longe demais para causar estranheza a quem lançasse os olhos na direção deles. Howard estava mentindo sobre passar vergonha com a falta de habilidade do francês; não porque ela achava que ele sabia dançar — e isso ela não duvidava minimamente -, mas porque ela mesma não estava familiarizada com a sensação de vergonha. Nunca foi de se importar com a opinião dos outros, e era dali que vinha a ausência de filtro ou controle de seus atos e palavras. Aquela não seria a primeira vez. Nem seria a primeira vez que Chevrin conseguiria negá-la de algo que agora se tornava o item número um da sua lista de prioridades da noite: fazer Benjamin provar suas inabilidades em acompanhar o ritmo de uma música.
A americana tentou fazer alguns movimentos de modo repetitivo – como mexer os ombros pra frente e para trás –, mantendo o olhar preso no dele como se o incentivasse a acompanhar, mas ele parecia fingir que não entendia a comunicação muda, sendo entregue do contrário pelo sorriso, que ela notava pela primeira vez, era bonito demais. Desistindo de deixá-lo dançar por conta própria, porque era óbvio que isso não iria acontecer, a americana prendeu ambas as mãos do francês com as suas, o forçando a espelhar seus movimentos.
O balançar do corpo de Chevrin era apenas uma resposta automática, que não expressava entusiasmo genuíno. Ele estava relutante e isso deveria enfatizar que a dança não estava na sua lista de coisas favoritas. Talvez essa também fosse a razão para a insistência de Demetria em fazê-lo parar de resistir. Funcionou. Porque em determinado ponto, entre um verso e outro, o francês praticamente cedeu, tornando a sincronia das mãos algo muito mais fácil e fluido.
— Eu sinto lhe informar, mas você já está dançando — Demetria anunciou, com um sorriso de satisfação. — A diferença é que daqui temos muito mais holofote do que lá, escondidos no meio de todo mundo.
— Acredite, ninguém além daquele trouxa está prestando atenção em nós... — Benjamin murmurou, fazendo um gesto sutil na direção do homem de cabelos escuros, que estava a alguns metros de distância, segurando um copo em sua mão.
— Um galeão que ele está prestando atenção em mim, não em você.
Howard precisou de apenas dois passos na direção contrária à Benjamin para fazê-lo se levantar da poltrona. Uma das mãos da americana largou a do lufano, mas a que permaneceu em contato foi usada como eixo para que a loira girasse no mesmo lugar, lento o suficiente para que fosse possível escorrer os olhos verdes pelo salão e encontrasse o trouxa o qual Benjamin havia citado. Demetria manteve o contato visual com o homem enquanto deslizava os quadris uma fração de segundo mais lento que o compasso da música que tocava. O sorriso que esticou os lábios da loira foram espelhados pelo trouxa, mas aquilo nada tinha haver com ele. Demetria estava estranhamente alerta ao corpo atrás do seu, mesmo que este não estivesse próximo o suficiente para tocá-la.
— E é assim que você não me deve mais um galeão — declarou Benjamin, seus olhos focando o trouxa que os observava à distância.
Já estava claro, naquele momento, quem realmente capturara a atenção do estranho. Da mesma forma, também parecia evidente que os esforços de Demetria em se movimentar à sua frente tinham o objetivo certeiro de ganhar a aposta mais recente.
— Bom fazer negócios com você — Demetria sorriu, mas ele não poderia vê-la, não quando ela permanecia de costas ao seguir na direção da pista de dança, os dedos entrelaçados de uma mão sendo o elo que faria Benjamin segui-la mesmo que em algum momento ele tivesse pensado em negar.
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