Antes Dele E O Fim Do Mundo
3 Capítulo III
Notas iniciais
Não tenho certeza de como as coisas tomaram à proporção que têm hoje.
Eu e Ichigo continuamos nossa relação de ódio e desejo, e conforme o tempo foi passando, tudo foi se intensificando cada vez mais.
Nós perdemos a virgindade juntos quando tínhamos ainda 12 anos. Ainda me lembro do quão ridículo foi a nossa falta de experiência naquele dia. Eu só tinha alguma noção do que fazer porque em casa ninguém nunca se preocupou com pudor ou coisa do tipo. Starkk levava de vez em quando algumas garotas para casa, Szayel costumava transar com uns caras mais velhos desde cedo. Lembro-me também que uma vez, vi Aizen fodendo uma mulher qualquer em seu escritório.
Eu não me importava de ter crescido em um ambiente sexual. Na verdade, nunca me importei com coisas desse tipo.
Ichigo continuava se declarando para mim a cada dia que passava. Costumávamos transar no banheiro da escola e raras vezes eu ia para casa dele. Ele estava sempre lá, com aqueles olhos castanhos enormes em minha direção, fazendo mil juras de amor. Aquilo era mentira. Sempre era mentira no final das contas. Eu nunca aprendi a confiar em ninguém, nunca tive família ou em quem me apoiar. Eu odiava a certeza que Ichigo tinha quando me dizia com todas as letras o amor que sentia por mim.
Começamos a conversar mais. Descobri que a sua mãe tinha morrido, não que isso fosse grande coisa, pois eu nunca tinha visto a minha. Ele contou sobre o irmão gêmeo esquizofrênico dele, e logo entendi como o moleque era fodido. Passei a me sentir melhor quando estava do lado dele, Ichigo nunca me obrigava a falar nada sobre a minha vida. Era como se entendesse o meu lado escuro e o aceitasse. Sempre quando eu o chamava de idiota ou algo do tipo, ele gargalhava com todos seus dentes brilhantes que me deixavam com vontade de rir também, apesar de eu quase nunca tê-lo feito.
Um dia quando eu tinha quatorze anos, Aizen me chamou em seu escritório. Era tarde da noite e eu não entendia para que ele precisava de mim no momento, mas para não arriscar de levar uma surra desnecessária, fui de encontro a ele.
Filho da puta desgraçado. Toda vez que penso no sorriso dissimulado dele, sinto uma vontade enorme de mata-lo.
- Aizen... Mandou me chamar? – Perguntei cauteloso, enquanto observava o sorriso crescer em seus lábios, poderia ter imaginado que não era boa coisa.
- Grimmjow, que bom que veio! Gostaria de conversar com você... Sente-se. – Ele disse calmo e observador.
Eu sentei a sua frente e esperei ele dizer o que queria.
- Soube que está brigando menos e vi que suas notas estão aumentando. – Ele disse ao me observar com um olhar analítico.
- É... E o que tem isso? – Disse com a minha rebeldia característica.
- Isso é ótimo, Grimmjow. Lembro quando chegou nessa casa querendo morder a todos que chegavam perto de você. – Ele levantou e se sentou na beira da mesa, ficando mais perto de mim. – O que será que está fazendo você mudar tanto assim?
- Eu não vou cair no seu jogo, Aizen... Não vou te dar motivo para me castigar! – Disse um pouco alto demais.
- Quem falou em castigo, Grimmjow? Apenas acho que você deveria me agradecer por tudo que fiz por você... Sabe o quanto me custou consertar você? – Não gostei do modo que a palavra “consertar” foi usado. Me senti como uma porra de um objeto, algum tipo de fantoche que ele brinca e joga fora a hora que quiser.
- E o que quer que eu faça? – Perguntei e me arrependi logo depois.
- Quero que me dê uma retribuição por tudo que fiz a você. – Ele disse enquanto caminhava em direção à porta do escritório. Lembro-me do barulho da chave virando e me trancando com aquele louco no local.
Eu arregalei meus olhos, assustado.
- A-aizen... O q-que...? – Disse baixo enquanto levantava da cadeira, me preparando para fugir. Inutilmente, é claro.
Ele veio em minha direção e eu corri para o outro canto do escritório. Ele riu em deboche.
- Socorro! Alguém me ajude, por favor! – Gritei desesperado batendo na porta. Até Aizen me agarrar pelos cabelos e me jogar no chão.
Eu chorei. Lembro-me do medo que senti naquela noite. O homem que me tirou da miséria me colocou lá novamente, só para me ver afundar. Aizen era um monstro, a pessoa que eu mais odeio na minha vida.
- Cale a sua boca! Agora! – Ele me disse isso tão frio que eu obedeci de imediato. Ele sorriu a me ver assustado e encurralado daquele jeito. – Muito bem. Agora, tire as suas roupas.
- N-n-não... Aizen, por favor, eu... – Eu tentei pedir, eu tremia da cabeça aos pés e chorava como um animal indefeso. E eu odiava quando alguém me fazia eu me sentir dessa maneira.
Aizen se agachou no chão a minha altura e eu me afastei, até encostar em uma parede. Ele me deu um tapa. O que fez meus olhos se encherem mais d’água ainda.
- Eu disse agora, Grimmjow. – Eu tentei chutá-lo, mas ele me agarrou pela perna e me puxou pra mais perto. Eu entrei em desespero, me debatendo. O que recebi foram mais tapas e um soco na porra da minha barriga. Soltei um grito de dor e Aizen não perdeu tempo, se desfazendo logo da minha calça e da minha cueca de uma vez só. Eu tentei fechar as minhas pernas e me cobrir, mas ele era mais rápido, e mais forte também.
- Me solta, me solta! – Eu gritava enquanto ele me prendia por debaixo dele, ouvi um barulho de zíper sendo aberto e me desesperei. Aizen agarrou os meus cabelos e bateu com a minha cabeça no chão.
Ele começou a beijar e morder o meu pescoço, e eu só sentia vontade de vomitar. Eu me senti ridículo, fraco por não conseguir ser mais forte do que aquele homem.
O que veio depois foi uma dor insuportável que eu nunca havia sentido antes. Aizen forçava o seu membro para dentro de mim, assim, sem ter feito nada antes para amenizar a minha dor.
Eu já havia deixado o Kurosaki algumas vezes ficar por cima, mas eram raras e nunca sem preparação. E é claro, que mesmo assim, eu sempre comandava, sempre deixava claro o lugar que ele pertencia.
Aizen soltou um gemido nojento perto do meu ouvido, enquanto eu gritava. Ele colocou a mão sobre a minha boca e disse no pé do meu ouvido: “Cale essa boca antes que eu arranque a sua língua, você é tão irritante”.
Eu tentei controlar os meus gritos de dor, porque não duvidava de mais nada vindo daquele homem. Aizen abusava de mim com força e rapidez e eu minha visão já estava ficando embaçada por conta de toda a dor. Depois de alguns minutos violentando o meu corpo, Aizen gozou dentro de mim. Enquanto respirava com dificuldade perto do meu ouvido.
Eu chorava baixo agora e quando ele se retirou de mim, vi o sangue e sêmen escorrendo pelas minhas pernas. Eu queria vomitar. Estava envergonhado, com raiva, ódio, e qualquer tipo de sentimento ruim que posso tomar conta de alguma pessoa.
Aizen se levantou e fechou as suas calças e me deu uma olhada com o olhar mais desprezível que eu já vi em minha vida.
- Quero você fora da minha sala quando conseguir levantar, ouviu? Vou te dar dez minutos. – E simplesmente saiu pela porta caminhando tão tranquilo, como se não tivesse acabado de me estuprar.
Naquela noite eu tomei o banho mais longo da minha vida. Eu esfregava cada parte do meu corpo que aquele miserável havia tocado. Meus olhos vermelhos de raiva.
Eu mal consegui dormir, chorei baixo para ninguém conseguir me ouvir, mas Neliel entrou no meu quarto e deitou ao meu lado na cama. Ela me abraçou e acariciou meus cabelos. Se fosse em outro momento, eu a chutaria para fora e perguntaria qual era o seu problema. Mas naquele dia eu só consegui chorar um pouco mais forte até pegar no sono.
Tudo que eu sentia de bom morreu naquele dia.
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Três anos depois...
- ICHIGO! EU JÁ MANDEI VOCÊ ACORDAR! VAI SE ATRASAR PARA ESCOLA! NÃO VOU TOLERAR MAIS UM DIA DE FALTA, VOCÊ ME OUVIU BEM? – Meu pai gritava do outro lado da porta enquanto eu colocava meu travesseiro sobre a minha cabeça. Merda... Eu não deveria ter bebido tanto ontem à noite.
- EU JÁ VOU, PORRA! – Gritei irritado e finalmente ele parou de bater insistentemente na minha porta.
Levantei da minha cama, ainda meio desnorteado. Inferno. Eu odiava a escola. Ainda bem que esse era o último ano naquela droga de lugar.
Fui para o banheiro e tomei um banho frio para poder acordar. Minha cabeça doía tanto e eu jurei a mim mesmo que nunca mais beberia. Em vão, é claro. Peguei minha toalha e me sequei enquanto me observava no espelho. É, eu havia crescido muito esses últimos anos. Meu corpo estava mais forte e mais definido e meu rosto não era mais feminino. Observei o meu cabelo que estava na altura do meu pescoço, tinha tempos que eu não o cortava, mas eu não dava a mínima para aquilo.
Fui para o meu quarto, coloquei meu uniforme e peguei minha mochila. Desci as escadas e fui para a cozinha. Minha irmã Yuzu cozinhava alguma coisa no fogão enquanto meu pai colocava café em sua xicara e lia o jornal. Karin comia um pão distraidamente. Todos eles pararam para me olhar quando entrei na cozinha.
- Bom dia, Ichigo! – Minhas irmãs falaram juntas. Eu ri, pois desde pequenas sempre faziam isso.
- Bom dia, meninas. – Cumprimentei minhas irmãs e sorri. Eu amava muito elas, e mesmo que o meu humor não estivesse muito agradável, elas eram as únicas pessoas que eu fazia questão de agradar.
- Que bom que você acordou hoje, Ichigo. – Meu pai disse, olhando para o jornal. Eu sabia que ele não me suportava mais. ‘Seu comportamento está insuportável, Ichigo!’. ‘Você bebeu hoje de novo, Ichigo!’. ‘Isso são horas de chegar em casa, Ichigo? ’. ‘Que notas são essas, Ichigo?’.
- Ficaria meio difícil dormir com você enchendo o meu saco do outro lado da porta, Isshin. – É, a minha relação com o meu pai estava uma merda nos últimos anos. Eu não era mais o menino de ouro dele e isso o irritava.
Ele suspirou e me olhou decepcionado. Como sempre.
- Você sabe que dia é hoje?
- Sei lá, terça?
- Não digo da semana e sim do mês. – Eu pensei e neguei com a cabeça.
- Hoje é dia 15, Ichigo. É hoje que ele sai. – Meu pai disse um pouco emocionado.
Meu coração acelerou. E eu arregalei meus olhos. Meu Deus... Quanto tempo já havia se passado desde a última vez que eu o vi?
Lembro que costumávamos visita-lo na clínica psiquiátrica quando eu era criança, mas o médico disse que era melhor eu e as meninas não irem mais lá, pois isso atrapalhava em seu tratamento.
- Ele vai sair do hospício hoje? – Perguntei surpreso.
- ICHIGO! – Karin me repreendeu.
- O que? – Fingi indiferença, embora tenha certeza que aquilo magoava todos ali presentes.
- Seu irmão não estava em um hospício, Ichigo. Ele estava se tratando de seus problemas psiquiátricos. Você sabe que ele nunca superou a morte dela. – Meu pai me disse com um olhar sofrido. É, pai. Eu sei. Nem você superou a morte da mamãe.
- É... E ao invés de você ajuda-lo, você o trancou na porra de um hospício, ‘papai’! Muito legal da sua parte! – Elevei minha voz. E ele se levantou. Yuzu se encolheu em um canto e passou a olhar para o chão. Karin nos olhava preocupada.
- Na frente delas, não, Ichigo. – Meu pai pediu. E eu me calei. Só por causa das minhas irmãs. Aquela família não precisava de mais sofrimento.
- Bom dia pra vocês. – Disse olhando fixamente para o meu pai. Virei às costas e sai de casa.
Shiro saia do hospício hoje. Meu irmão gêmeo. Crescemos separados. Nunca ficamos juntos, só quando criança. Quando minha mãe faleceu, meu irmão enlouqueceu. O médico disse que era normal ter um trauma assim depois da morte de alguém tão próximo, mas depois de meses e anos meu irmão não melhorou.
Ele apontou uma faca para o meu pai quando tinha sete anos. Mordeu um menino da escola. E fez algumas professoras chorarem. Mas Shiro nunca fez nada de ruim para mim. Eu sempre cuidei dele depois da mamãe morrer. Meu pai entrou em depressão e todo o tempo dele ficou para cuidar das meninas. Meu irmão só tinha a mim. E até isso foi tirado dele.
Meu pai disse que era melhor para todos que ele ficasse um tempo em uma clínica psiquiátrica. Mas acabou que o que era pra ser por pouco tempo, durou anos e anos. Meu irmão trancado como bicho em um lugar qualquer.
Como será que ele estava? Havia 7 anos que eu não o via. Será que seus cabelos ainda eram pálidos assim como sua pele? E seus olhos? Será que ainda se pareciam com o da mamãe? Mesmo sendo gêmeos nós tínhamos muitas características diferentes. Embora com os mesmos traços e mesmo tamanho.
Cheguei na porta do colégio e percebi que alguns olhares se direcionavam para mim. Algumas pessoas cochichavam e outras me olhavam feio. Eu olhava para eles com indiferença.
Muitas coisas aconteceram nesses anos. Posso dizer que a idade em que tudo mudou foi aos 14, e a pessoa culpada por isso foi Grimmjow.
Até hoje quando o vejo meu coração se acelera. Mas eu simplesmente não posso mais correr em sua direção, ou até mesmo dizer que o amo. Não, tudo está diferente agora. Eu não sou mais aquele moleque idiota que corria atrás dele. Eu mudei. Mas eu só mudei porque ele mudou primeiro. Eu nunca soube o que aconteceu. Um belo dia Grimmjow passou a me ignorar efetivamente. Eu tentava conversar com ele e entender o porquê de tudo aquilo, mas quando toquei em seu braço a primeira coisa que recebi foi um tapa no rosto, e em seguida um olhar cheio de raiva e um ‘não toca em mim’. Naquele dia, eu cheguei em casa e chorei tanto que parecia que minha mãe tinha morrido de novo.
Uma semana depois dessa minha tentativa, Grimmjow apareceu no colégio com os cabelos pintados de azul. Todos passaram a comentar o quão estranho ele estava, mesmo que aquilo o fez ficar lindo. Mas conforme o tempo foi passando, Grimmjow parecia mais entranho. Mais introspectivo. Ele emagreceu tanto que hoje eu tenho mais massa muscular que ele. Seus olhos azuis ficaram cada vez mais opacos e envoltos por olheiras. Alguns comentavam que ele estava usando drogas, mas eu não tinha certeza disso. Um tempo depois, foi comentado que o viram injetando algo na veia no banheiro. Eu tentei conversar com ele, mas ele só me falou: ‘Você ainda não desistiu de me importunar, Ichigo?’, sem nem mesmo direcionar o seu olhar para mim.
Quando eu fiz quinze anos comecei a me envolver com alguns delinquentes. Foi quando eu comecei a beber, fumar e usar algumas drogas. Maconha, ecstasy, LSD. Passei a ir a festas todos os dias e a transar com qualquer um que tinha um pênis. Foi quando as pessoas começaram a falar mal de mim. Mas eu não estava nem ai, era um bando de abutres e imbecis que não sabiam de nada sobre a minha vida.
Entrando no pátio pude visualizar meu amigo Shinji com seu sorriso exagerado e cheio de dentes.
- Ichigo! Achei que não tinha sobrevivido a ontem à noite! – Ele disse logo depois dando um longo trago em seu cigarro.
- É claro que sobrevivi, idiota. Aquilo não foi nada. – Disse com um sorriso e peguei em minha mochila um cigarro e o acendi em seguida.
- Não foi nada? Você acabou transando com o Kensei e com o...
- Não me interessa. – Falei frio. E ele retirou o sorriso do rosto.
- Tudo bem... Só pensei que talvez quisesse saber.
- Tanto faz. Não importa mesmo. – Disse olhando para longe. Avistando logo Grimmjow. Ele estava com Nelliel e Luppi. Aquele garoto ridículo que mais parecia uma menina. Grimmjow começou a namorá-lo há um ano e quando soube fiquei morrendo de vontade de arrancar o cabelo dele, fio por fio. Vi Luppi sentar em seu colo e a rir de alguma coisa que Nelliel havia falado. Grimmjow estava sério. Eu não conseguia parar de olhá-lo. Até que ele olhou para mim também. Sempre quando nossos olharem se cruzam algo no meu peito explode. Eu o amava tanto. Tanto. E nunca entendi o que eu fiz para não merecer o amor dele. Eu não entendia porque aquela bicha saltitante podia andar do seu lado de mãos dadas e porque eu não podia nem ao mesmo falar com ele.
- Você vai acabar o deixando mais magro do que ele já é de tanto secá-lo. – Shinji me disse baixo e eu o olhei ameaçador. Mesmo que aquilo não fosse nada para ele.
- Eu quero matar aquela coisinha minúscula que está em cima dele.
- Ichigo... Pare de se importar com isso. Já tem tanto tempo. Deveria esquecê-lo.
- Você nunca vai saber o que é amar alguém de verdade, Shinji! – Eu disse irritado e me pus a caminhar para longe dele. O ouvi me chamar, mas continuei andando.
- Hey, Ichigo. – Escutei uma voz conhecida e virei para olhar. Hisagi. Já havíamos transado algumas vezes pelos cantos da escola.
- Hey. – Disse o olhando agora.
- Você viu o Kensei? – Ele me perguntou com uma voz venenosa. Pfff... Era só o que me faltava.
- Não, acho que ele não veio hoje. – Virei às costas e comecei a andar de novo.
- Sabe, Ichigo... – Parei e respirei fundo. Não queria me meter em brigas hoje. – Transar com todo mundo na escola não vai te fazer menos sozinho do que é.
Virei para encará-lo.
- O que você está dizendo? – Perguntei perigosamente e me aproximei dele. – Você está irritadinho só porque eu transei com a sua paixãozinha? – Ri com escárnio. – Eu entendo porque gosta tanto dele. Quer dizer... Com aquele pau, quem não se apaixonaria? – Eu vi seus olhos se enchendo d’água. – Mas eu não quero nada dele. Você sabe muito bem que o eu gosto mesmo de fazer é meter. – Sussurrei a última frase em seu ouvido. Ele se afastou de mim com os olhos marejados.
- O que? Te fiz chorar? Estou sendo muito duro com você? – Disse com todo deboche possível.
- Não, Ichigo. Não estou chorando por causa do que você disse. Eu só estou chorando porque deve ser muito doloroso ser você.
Aquilo me acertou como um tapa do Grimmjow. Ou como um olhar do meu pai. Ou como o carro que atropelou a minha mãe.
Ouvi o sinal tocar e andei em direção a minha sala. Não sem antes lançar um olhar raivoso sobre Hisagi.
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