Ante Mortem / Post Mortem - Interativa
4 Capítulo 4 - Um Porto de Insegurança
Notas iniciais
O homem que acabara de sair do furgão dirige-se até a parte traseira do veículo, abre-a e de lá retira um carrinho de supermercado repleto de produtos diversos. Todos apenas observam o homem que deixa a mostra sua pistola presa na cintura, acompanhada de uma machadinha igualmente segura pelo cinto.
̶ Devemos ir lá falar com ele? – Pergunta James a Dave enquanto observa os movimentos de Benjamin.
̶ Não será necessário, ele virá até nós...
A porta do furgão se abre novamente e de lá saem duas mulheres. A primeira aparenta ter vinte e oito anos, é loira e seus longos e lisos cabelos são mantidos presos em um rabo de cavalo; sua pele pálida e levemente rosada contrasta com seus azulados olhos, seu corpo é curvilíneo e seus seios são fartos, ela veste-se com uma regata branca e uma calça negra.
A segunda mulher a sair do veículo deve ter a mesma idade da primeira, tem os cabelos negros ondulados um pouco abaixo dos ombros, em sua pele clara encontram-se sardas que só perdem destaque para seus penetrantes e castanhos olhos; seu corpo tem curvas sem exageros e suas roupas se resumem a uma blusa um tanto surrada e um jeans azul.
̶ Temos que começar a procurar novos lugares Ben... Esse mercado já foi saqueado tantas vezes que já não há mais quase nada por lá... – Lamenta a primeira mulher a sair no furgão ao conversar com Benjamim.
̶ Eu sei Roxanne, estive pensando isso nesses últimos dias... – Ben passa as mãos nos cabelos – Eu não sei por quanto tempo vamos conseguir manter isso de pé...
̶ Seja como for, daremos um jeito! – A segunda mulher exclama com potência na voz – Não podemos deixar esse lugar para trás, nenhum de nós vai aguentar mais uma viagem espremidos nesse furgão, passando frio... Daremos um jeito!
̶ A Kate tá certa! Esse não é o momento para... Mas que porra é essa? – Espanta-se Banjamin ao ver as quatro novas pessoas de pé encarando-o.
Kate e Roxanne dirigem o olhar para o mesmo lugar, Roxanne exclama:
̶ Parece que tem gente nova...
̶ Organizem as coisas na dispensa, chamem o Nae e o japinha para ajudarem... Eu vou ver quem são essas novas pessoas! – Ordena Benjamin as duas.
Benjamin caminha a passos largos, aproxima-se de forma séria e firme das novas pessoas presentes em seu acampamento, seu olhar é como um scanner, analisando tudo e todos, ele se aproxima, ajeita sua arma na cintura e ainda com o rosto sério, pergunta a Dave:
̶ Trouxe gente nova?
̶ Olá Benjamin... Eu os encontrei na floresta, estavam sem comida e sem abrigo, vagando sem rumo... Os trouxe para cá, pois achei que seria o melhor...
Benjamin ouve minuciosamente os argumentos de Dave, vira-se na direção de James e diz:
̶ Vocês já devem saber, eu sou Benjamin!
̶ Sim, já ouvimos bastante o seu nome... – James impõe-se a falar de forma firme – Me chamo James, essa é minha esposa Juliet e esses são Richard e Emily.
̶ Vocês tem uma grávida no grupo? – Questiona ele ao ver Emily.
̶ Sim, encontramos ela a alguns dias... – Responde James.
̶ Não temos nenhum médico aqui, não sei se poderemos ajudar com o parto, quando ele ocorrer! – Benjamin mantém sua seriedade dosada por uma aparente calmaria.
Emily se dispõe a falar:
̶ Não se preocupe comigo senhor... Eu posso cuidar de mim, não serei nenhum peso, apesar de todos aqui acharem isso... Não estou doente, estou grávida! Posso ajudar nas tarefas... Só peço que nos deixe ficar, não iremos sobreviver se voltarmos para aquela floresta... E porcaria! Vocês tem espaço o suficiente por aqui, tenho certeza que isso não será problema para você!
Benjamin seguiu passivo diante do desabafo da garota, após ela terminar de falar, um pequeno sorriso brotou em seu rosto. James, Rich e Juliet mostraram-se bastante espantados com o que ela acabara de dizer, como se a mesma tivesse feito algo de errado. Ben então se manifestou mais uma vez:
̶ Gostei da garota, acho que você tem razão! Vocês ficam, porém, sobre o nosso julgo, seguindo as nossas regras! Isso é algum problema para vocês?
̶ Sua casa, suas regras! – Responde James, os demais balançam a cabeça positivamente. Ben retoma:
̶ Perfeito! Entreguem suas armas de fogo... Eu sou o responsável por guardar as armas, aqui apenas eu, Dave, Roxanne e Kate as carregamos, os demais usam apenas armas brancas. Não queremos correr riscos com alguém despreparado usando uma pistola!
Rich iria retirar sua arma da cintura, porém é impedido por James com um discreto movimento de mão, que apenas os dois notaram. James retira sua pistola da cintura e entrega a Benjamin.
̶ Aqui está a nossa arma, além dessa não temos mais nenhuma, só armas brancas! – Diz James.
̶ Tudo bem! Daqui a pouco será noite, amanhã teremos um longo dia e poderemos discutir sobre como vocês poderão ajudar o acampamento... Peçam para alguém levá-los até os dormitórios! – Após dizer isso Benjamin se retira caminhando calmamente.
̶ Nem um ‘bem vindos’? – Questiona Juliet.
̶ Esse é o perfil dele... Bom, venham, vou levar vocês até o nosso dormitório. – Diz Dave.
Todos caminham seguindo Dave, ao longe pode-se ver que alguns dos integrantes do acampamento ainda os olham com desconfiança, com certeza isso será algo presente principalmente nos primeiros dias. James, Rich, Emily e Juliet saem do que seria o estacionamento de caminhões da serraria e são levados até uma parte mais interna, onde várias portas são vistas.
̶ Essa segunda porta é a dos dormitórios, as outras são escritórios que usamos como dispensa, a nossa cozinha improvisada, o banheiro e outra saleta que o Benjamin mantém trancada... – Instrui Dave.
James abre a porta e ao olharem para o lado de dentro, se deparam com Roxanne sem blusa e com os seios a mostra. James espanta-se, mas antes que pudesse recuar, a mesma diz a ele com a maior calma do mundo:
̶ O que foi? É melhor se acostumarem, não temos muito espaço então costumamos nos trocar uns na frente dos outros... – Após dizer isso ela veste uma blusa e em seguida um casaco sem acelerar seus movimentos, de forma natural.
̶ De qualquer forma, peço desculpas... Vou me lembrar de bater da próxima vez! – Desculpa-se James.
̶ Como quiser... – Diz ela já se retirando do lugar.
̶ Fiquem a vontade, eu preciso... Bom, depois nos vemos, as últimas camas não tem donos, podem escolher... – Diz Dave que também retira-se dos dormitórios.
O lugar é muito grande, provavelmente recebia os trabalhadores por dias e, portanto, os mesmos precisavam dormir ali. Ao todo são vinte camas de solteiro, o lugar mais parece uma enfermaria, há um pequeno armário acima de cada cama, tudo muito simples, porém, é um conforto que James e seu grupo não veem há tempos.
̶ Uau! Isso tudo é perfeito! Eu preciso muito dormir em uma cama! – Exclama Rich.
James não parece estar tão animado como os outros, Juliet se aproxima dele e começa a falar:
̶ O que foi querido? O que te perturba?
̶ Parece que estamos sendo tratados como cachorros... Isso me incomoda!
̶ Temos que entender, tudo está de cabeça para baixo, se fossemos nós no lugar deles... – James a interrompe:
̶ Nós recebemos a Emily e o Rich como se fossem da família e eles eram completos estranhos... Não, querida, eu não consigo entender essa atitude!
̶ Desculpe interromper a ‘DR’, mas a grávida aqui precisa dormir, eu e minha menininha precisamos descansar! – Afirma Emily jogando-se na cama.
Cerca de duas horas se passam.
̶ Emily, Emily... – Sussurra Rich a beira da cama da moça
̶ O que foi? – Responde ela sonolenta e ainda com os olhos fechados.
̶ Venha, estão nos chamando para o jantar!
̶ Droga! Tudo bem, já estou indo... Acho que eu preciso mesmo comer! – Responde ela erguendo o corpo da cama com dificuldade.
Os dois se dirigem ao galpão central, já é noite e a luz da lua adentra pela fresta da porta que ainda permanece aberta, do lado de dentro uma leve brisa deixa o lugar um pouco frio, e as velas quase se apagam com tal vento.
Todos estão sentados ao chão, incluindo James e Juliet que sentam-se ao lado de Dave. Emily e Rich que chegaram por último sentam-se um pouco mais atrás bem perto do casal que vagara pela floresta com eles.
̶ Peguem, estava guardando para vocês! – Diz Juliet sorrindo ao entregar duas tigelas aos dois.
Issa que encontra-se de pé, começa a falar sorrindo:
̶ Antes que vocês ataquem esse delicioso banquete, vou falar o que foi que preparei... – Ela discursa com uma colher de pau na mão direita – Um delicioso guisado de castor com feijão enlatado e alguns temperos vencidos tirados do fundo da dispensa! – Kate dá um breve sorriso, Issa prossegue – Quero dedicar esse jantar a nossos novos ‘inquilinos’, sobrevivam, por favor!
̶ Foi uma boa deixa Issa – Benjamin pede a palavra – Como todos aqui já sabem, temos novos moradores juntos a nós... Dave os encontrou na floresta e fez o que qualquer um de nós faria... Mas quero que entendam, todos já passamos por muita merda aqui, já vimos muita coisa e a maioria perdeu alguém que ama para os mordedores... Tudo isso vai nos blindando, nos tornando menos humanos... Esse é o maior motivo para desconfiarmos de vocês, porém, se forem gente boa como dizem, provarão com o tempo e se tornarão inteiramente parte do grupo... – Ele faz uma breve pausa – Vão em frente, podem comer!
Todos começam a comer, já se acostumaram a falta de modos e ao alimento com pouco sabor, o mais importante ali é dar algo para forrar o estômago, pois todos precisam estar saudáveis para o dia a dia que pode oferecer diversos perigos.
Após terminarem o jantar, todos vão aos poucos deslocando-se para os dormitórios, Benjamin e Kate são os últimos, eles só vão dormir após checarem se tudo está trancado e seguro, é uma precaução que já se tornou rotina para eles.
O grupo dorme, James e Juliet espremem-se em uma cama de solteiro, os dois não conseguiriam dormir separados após tanto tempo de casados. Roxanne dorme ao lado de Kanato, ela parece cuidar dele, está sempre atenta a seus movimentos. Nae é quem dorme mais próximo dos novatos, e Benjamin prefere um pouco mais de privacidade, sua cama é a mais distante de todas.
As horas se passam aos poucos, o relógio de pulso posto ao lado da cama de Issa marca três horas da manhã, e o silêncio ali é quase sepulcral, porém, não dura muito. Um estrondo interrompe a noite de sono de todos, um tiro seco é ouvido e seu som ecoa por todo o lugar.
Todos despertam de súbito, Benjamin é o mais rápido, pega sua pistola abaixo de seu travesseiro e corre, saindo rapidamente dos dormitórios atrás do som do tiro. Ele dirige-se até o galpão central e ao chegar lá exclama assustado com o que vê:
̶ Deus! O que você fez?!
Notas finais
Os personagens irão sendo 'desmembrados' aos poucos, portanto não se preocupe se o seu ainda não apareceu muito, é preciso calma...
Nos vemos nos comentários!
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