Ante Mortem / Post Mortem - Interativa
26 Capítulo 26 - Esperança Vadia II
Notas iniciais
Angelo não parecia ter a atitude de um líder, seu corpo um tanto curvado e seu óculos estilo ‘A Revolta dos Nerds’ além do seu excêntrico modo de olhar para a atual circunstância o fazia parecer alguém assustado, encolhido. Ele ajeitou o óculos na face mais duas vezes, antes de se afastar um pouco das novas pessoas e voltar a falar:
̶ Qual a razão de terem trazido essas pessoas, vocês não sabem o risco que... – Angelo é interrompido por Aaron:
̶ Sem problemas cara... Eles sofreram um acidente nos nossos muros, alguém deles se feriu e eu os trouxe para cá, para que não morressem de frio lá fora.
Angelo levanta o indicador, olha rapidamente para os lados, como se hesitasse em dizer algo, após uma breve pausa, ele finalmente volta a se manifestar:
̶ Você sabe quais são os procedimentos, não sabe?
Dessa vez é Evelyn quem se prostra a frente:
̶ Olha, não se preocupa, eles não estão mordidos... – Angelo a interrompe e diz apontando para Ben:
̶ Sangue... Os poros deles podem ter absorvido o sangue, é por isso que eu digo para vocês cobrirem todo o corpo se forem entrar em combate com um daqueles doentes... O contato de sangue com a mucosa também é uma forma de contaminação! – Exclama ele de forma rápida, quase atropelando as próprias palavras.
Effy de braços cruzados sorri enquanto balança a cabeça negativamente, Evelyn caminha na direção de Angelo, que se afasta impedindo que ela o tocasse.
̶ O que foi? – Pergunta ela intrigada.
̶ Todos vocês tiveram contato com essa novas pessoas, podem estar contaminados... Estão de quarentena até segunda ordem! – Responde ele enquanto vira as costas e segue caminhando rumo a um dos corredores do supermercado.
̶ Vai colocar todos nós em quarentena? – Pergunta Aaron rindo e de braços abertos, porém não obtém resposta. Ele olha para Benjamin e prossegue – Não se preocupe, ele é gente boa, só é meio maluco!
Benjamin sorri, mas não pelas palavras de Aaron, já que ele mal o havia escutado. Ben sorria pelo simples fato de ter visto quem era o tão citado Angelo, como o próprio companheiro de sobrevivência havia nomeado: apenas um maluco. Benjamin não viu no pretenso líder uma possível ameaça, viu apenas um homem fraco, que não deve conhecer muito do mundo lá fora, alguém que se julga apto, mas morreria em poucos segundo se tivesse que conviver com a real situação. Ele sorria também por saber que seria muito fácil se tornar o déspota daquele grupo, que em sua mente, necessitava de alguém com pulso e coragem para fazer mais do que conjecturas sobre os tipos de infecções.
̶ Ei, está me ouvindo? – Pergunta Evelyn a Ben que mergulhara tanto em sua própria mente, que não percebera que a mulher chamava a sua atenção.
̶ Me desculpe eu não ouvi...
̶ Você não quer tomar um banho? Tenho certeza que lá fora vocês não tinham essa mordomia... – Benjamin sorri e responde:
̶ Uau! Vocês também têm chuveiros aqui?
̶ Tem o vestiário dos funcionários, e nos fundos um banheiro, lá tem três chuveiros... – Ela se aproxima um pouco mais – O Angelo e o velho Brian conseguiram consertar um defeito na parte elétrica e no encanamento, então a água é quente...
̶ Perfeito! Eu vou esperar a mãe dessa menina voltar, ela está no posto junto com o restante do meu pessoal...
̶ Ok então! E você vem? – Questiona Evelyn a Deschen que ainda parecia extremamente impressionada com o mercado.
̶ Sim... Sim! – Respondeu ela em poucas palavras.
Evelyn então passa a olhar para os corredores do mercado, como se procurasse por alguém, ela então grita:
̶ Josh! Josh onde você está?
De um dos corredores surge um garoto, quatorze anos, cabelos castanhos volumosos e bagunçados, olhos claros e pele branca, ele caminha lentamente enquanto segue o chamado de Evelyn:
̶ Onde esteve? – Pergunta ela.
̶ Onde mais... – Bufa ele – Eu é que deveria te perguntar!
̶ Eu saí com o Aaron para fazer a demarcação, você sabe muito bem... Você poderia conseguir dois macacões para eles? Eles são novos e você sabe como o Angelo é...
̶ Ok, tudo bem mãe... – Diz o garoto que ainda entristecido sai caminhando em direção a outro setor do mercado, onde as linhas de roupa se encontram. Evelyn também deixa o lugar, levando Deschen até os vestiários e banheiro.
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̶ Tem certeza que vai ficar tudo bem lá? E se ela tiver uma crise, só você e a loirinha aqui sabem como lidar com isso! – O’Donnell ainda está muito nervoso, sua roupa está repleta de sangue e apesar do frio, o homem se encontra suado.
Ele, Brian e Emily caminham na rua, dirigindo-se até o mercado. Após a breve intervenção em Lisa, eles decidiram voltar, até porque Emily queria rever sua filha que havia sido deixada com Benjamin. Apenas Matt e Selena ficaram no posto, e essa era a preocupação de Lance.
̶ Não se preocupa filho... – Remedia Brian – Nada vai acontecer... Eu e essa linda moça aqui – Ele olha para Emily – Conseguimos estabilizar o ferimento da garotinha, como eu já disse procê, o pior já passou!
̶ Desculpa O’Donnell, mas eu preciso ver a minha filha... Você pode voltar lá depois!
̶ É claro que sim! – Responde ele sem a encarar.
̶ Cês vão gostar das pessoas, sabe, nóis não somos monstros... Vai cê um prazer ajudar ocês! – Volta a dizer Brian.
̶ E porque será um prazer? – Indaga O’Donnell encarando-o – Qual o motivo de vocês estarem tão solícitos assim?!
Brian para de caminhar de repente, olha para O’Donnell que parece estar irritado ao máximo, seu rosto se encontra vermelho de fúria. Ele o olha nos olhos e apesar de tudo compreende sua rude atitude. Sem querer iniciar algum conflito, o velho apenas diz:
̶ O frio deve de tá congelando o seu cérebro filho...
Lance nada disse, estava perdido demais para conseguir conjecturar mais alguma coisa. A imagem de sua machete mutilando a pequena Lisa não conseguia se desgrudar da sua mente, e talvez nunca mais essa imagem se apagasse. Ele nunca se sentira tão afetado com algo como se sente agora, mais parecia que a garota era sua filha. Além disso, o durão ainda briga em seu interior com o ‘velho Lance’, o cara que não se importava com ninguém e que não daria a mínima para algo que ele julgaria como insignificante. O’Donnell mudara após o apocalipse, e isso era o que mais o deixava louco.
Os três seguiram caminhando, e não demoraram muito para chegar até o supermercado. Assim como os antecessores, Emily e Lance se espantaram com a grandiosidade, calmaria e organização do lugar. A cidadela parecia livre de mordedores, parecia que eles estavam em outra dimensão, como se todos aqueles problemas não existissem mais. Toda essa sensação era assustadoramente inexplicável.
Brian bateu a porta, que logo fora aberta por Zöe. A mulher de olhos marcantes sorriu enquanto empurrava a pesada e revestida porta de ferro. Os olhos de Emily brilharam ainda mais quando se deparou com Ben e sua Lillyan, próximos a entrada, aguardando-a. A estudante de enfermagem correu na direção dos dois, tomando sua criança no colo e afagando-a fugazmente.
̶ Minha bebê! Mamãe já estava com saudades, meu amor! – Emily olha para Benjamin – Obrigado por cuidar da minha Lillyan Ben!
̶ Nossa Lillyan! Eu também fiz parte disso, se lembra? – Diz Benjamin referindo-se ao parto.
Emily sorri, porém não parece dar muita atenção as palavras de Benjamin, ela apenas acarinha sua filha. O’Donnell se encontrava a poucos passos dos dois, e assim como Emily parecia deslumbrado, porém por motivos diferentes. Ele estava surpreso com a quantidade de comida que o lugar continha, parecia que o supermercado ainda estava intacto, como se nada dali tivesse sido retirado. O nível de organização do grupo de Angelo parecia espantar o povo de Ben.
̶ Bom, acho que agora vou poder aproveitar os seus chuveiros! – Exclama Benjamin em voz alta.
̶ Adentre aquela porta! No final do corredor. – Diz Zöe enquanto verifica algo na roupa de Brian.
Benjamin respira fundo e começa a caminhar pelo mercado, passando por um corredor de prateleiras. A mesma estava repleta de quilos e mais quilos de comida industrializada, além de produtos de higiene íntima e de limpeza. Latas e mais latas de feijões, almôndegas e tudo mais o que se possa imaginar também ajudavam a encher os corredores. Aquele realmente parecia ser um paraíso, todavia, por mais estranho que pareça, isso não o deixava feliz. Ben questionava a si próprio sobre o motivo de não ter conseguido dar ao seu povo o que Angelo deu ao dele, o porquê de não ter conseguido ter êxito em afastar os mordedores como o outro grupo teve. Ele se sentia falho, inútil, ultrapassado, e isso só o inflava mais, o fazia ficar ainda mais maluco.
A porta fora finalmente alcançada, nela encontrava-se uma singela placa escrita “Somente Funcionários”, não haviam piadas após o apocalipse, mas talvez essa se tornasse uma. Benjamin gira a maçaneta e empurra a porta, adentrando o vestiário, nele encontravam-se Effy e Deschen, as duas se enxugavam após o banho, e pareciam muito bem.
̶ A água tá ótima! – Diz Effy, ela parece olhar Benjamin por alto, sem expressar muito o que realmente quer dizer. Além disso, ela não parece fazer questão de esconder o seu corpo do homem que acabara de entrar, enxugando-se nua tranquilamente.
Benjamin apenas acenou positivamente com a cabeça, já fazia um tempo que não tinha relações sexuais e ele com certeza aproveitaria qualquer brecha, mesmo que aquela não fosse uma. Deschen, que agora parecia mais amena, passou a vestir-se rapidamente após a entrada do homem no vestiário, e assim que o fez saiu do lugar sem nada dizer enquanto ainda enxugava os cabelos.
̶ Nesses armários tem toalhas limpas! Pode usar qualquer uma delas, lá dentro também tem sabonetes e o que mais você quiser... – Diz Effy apontando para um dos armários do lugar.
O vestiário era como mais um típico vestiário de trabalho, um grande banco centralizado que se estendia de uma ponta a outra, armários numerados nas laterais e grandes espelhos. Nos fundos se encontrava a porta que os levava até os chuveiros.
̶ É aqui que ficam os chuveiros,não é? Não quer tomar um novo banho? Talvez o primeiro não tenha sido suficiente, além do mais agora eu posso te ajudar... – Diz Benjamin apontando para porta ao mesmo tempo em que tira a sua camisa.
Effy o olha e dá um breve sorriso, apreciando o seu corpo. Após um curto tempo o olhando, ela apenas diz:
̶ Eu não sou uma puta tiozão! Pelo menos não hoje! – A garota se levanta e passa a caminhar deixando o local.
̶ Não, é claro que não é... – Sussurra Benjamin para si próprio enquanto sorri da cena que acabara de ocorrer.
Após Effy deixar o vestiário, Benjamin se dirigira para os chuveiros, onde pode depois de muito tempo aproveitar o doce toque de água quente em sua pele, era como se anjos estivem o banhando com as mais puras águas do paraíso. A sensação era maravilhosa, naquele momento tudo fora diminuído, esquecido, apenas aquele momento parecia ser eterno. Ele pode finalmente lavar o corpo e o rosto, que se encontravam imundos e necessitados de qualquer tipo de limpeza. Ao olhar-se no espelho, pode ver que seus traços se mostravam muito marcados, como se anos e não meses tivessem se passado desde que tudo foi para a merda. Ele passou a mão pela barba volumosa e pelo cabelo já crescido e pode constatar o quanto ele havia mudado desde que deixara de ser um simples soldado no Texas.
Ele se dirigiu até os armários e após procurar durante um tempo, conseguiu encontrar um barbeador. Voltou a ficar de fronte ao espelho e começou a fazer a sua barba, tirando-a por completo. As mudanças não pararam por aí, junto do barbeador ele também encontrara uma máquina para raspar cabelos, e após um longo suspiro, utilizou-a em si, raspando inteiramente a sua cabeça.
Careca e sem barba, Benjamin não conseguia se reconhecer no espelho, pelo menos não o ‘novo Ben’, ele estava um pouco semelhante a sua época de militar, porém com o rosto bem marcado pelo tempo e sofrimento.
Benjamin retornou ao interior do mercado, já vestindo o macacão que o garoto Josh dera para ele e Deschen, a pedido de Angelo. Um macacão azul semelhante ao que Evelyn e Aaron utilizaram quando andavam de bicicleta. Seu novo visual causara um tremendo espanto a todos que já o conheciam, principalmente a Emily, que parecia não acreditar em tamanha mudança.
̶ O que foi isso? – Questionou Emily perplexa.
̶ Eu mesmo não sei... Acho que às vezes é bom mudar! – Ele passa a mão na cabeça – Aproveita a água e dá um banho da Lillyan, vai ser bom esquentar um pouco o corpinho dela, essa garotinha já viu muito o frio! – Completa.
Emily responde positivamente com a cabeça, mas ainda está visivelmente surpresa com a mudança radical de Benjamin. Após olhá-lo por mais alguns segundos, ela atende ao seu pedido e se dirigi aos chuveiros.
̶ Emily! – Exclama Benjamin novamente chamando a sua atenção, a mesma olha para ele – Onde está o O’Donnell?
̶ Pegou alguns enlatados e voltou para o posto! Disse que queria ficar com a Lisa...
O grupo permanecera da mesma forma por algum tempo, a tarde se passara e a noite já se fazia presente. Angelo, que detinha o cotrole de todo o sistema elétrico e hidráulico, decidira por desligar as luzes, deixando apenas o aquecedor como uma forma de fazer economia. Todos – com exceção dos que ficaram no posto – se aglomeraram em um dos corredores do mercado, mais precisamente o de destilados, lá, sentados ao chão e a base de lanternas, passaram a conversar enquanto tentavam traçar um o perfil do outro.
̶ E então... De onde saíram, como chegaram até aqui? – Pergunta Zöe de forma serena.
Emily arruma os cabelos, que ainda se encontram molhados, ela também amamenta sua filha.
̶ Estamos rodando durante esse tempo... Estávamos em um galpão de uma serraria... Acabamos atacados... – Responde ela um tanto tristonha.
Benjamin se intromete:
̶ Fomos atacados por uma horda! – Ele mastiga um chocolate em barra – Acho que não sabem o que é isso, não é? Creio que nunca tenham visto um mordedor! – Diz ele em um tom desafiador enquanto ilumina com sua lanterna o rosto de Zöe.
̶ Talvez só tenhamos nos protegidos melhor... – Diz Aaron – Nem sempre o confronto é a melhor escolha...
Benjamin sorri.
̶ É claro que não... – Ele agora ilumina o rosto de Aaron – O que você fazia da vida, hein? Devia ser a merda de um professor, estou certo?
Aaron se mantém sereno apesar das provocações, ele permanece olhando normalmente para Benjamin, e sem se exaltar responde:
̶ Eu era professor sim... Professor de Filosofia! O que foi? Acha que isso me deixa impossibilitado de sobreviver nesse mundo? Qual deveria ser a minha profissão, fuzileiro?
̶ Gente, por favor! – Exclama Evelyn – O Josh está aqui!
O garoto balança a cabeça negativamente e diz em seguida:
̶ Não precisa se preocupar comigo mãe! Ou fingir isso... – Diz o garoto deixando sua mãe surpresa.
Zöe volta a se manifestar tentando evitar um conflito entre as pessoas que ali se encontravam:
̶ E você? Deschen, não é? O que fazia da vida?
Deschen se surpreende, não esperava ser solicitada, porém apesar dos pesares, ela se esforça para responder ao educado questionamento:
̶ Eu sou advogada... Era pelo menos...
O clima no mercado não parecia saudável, e para piorar a situação, Benjamin volta a falar:
̶ Acho que vocês estão fazendo muitas perguntas... – Ele segue devorando o chocolate que pegara em uma das prateleiras – Eu também quero algumas respostas, pois estou achando esse conto de fadas perfeito de mais! – Ele consegue chamar a atenção de todos, que passam a encará-lo – Primeiro, o que foi aquilo com as bicicletas e as máscaras de gás?
̶ Eles estavam demarcando um perímetro seguro!
Angelo, que não se encontrava na ‘roda da socialização’, chega de repente já respondendo ao primeiro questionamento de Ben. Sem acanhar-se, ele prossegue:
̶ O Aaron e a Evelyn são os melhores em enfrentar os ‘doentes’ no combate corpo a corpo... – Ele apoia uma mão na outra e de pé olha para todos sem encarar ninguém – Acho que todos nós... Bom, pelo visto não todos, mas a maioria de nós aprendeu que o contato do sangue dos doentes com a nossa mucosa, causará a infecção. Isso também inclui os olhos, nariz, boca... Bom, acho que você entendeu! A roupa especial era apenas para resguardar a segurança deles próprios... E a minha também, é claro! Eu nunca permitiria um infectado entre nós! – Ele ajeita o óculos ao terminar.
̶ O que você quis dizer com demarcação de perímetro? – Indaga novamente Benjamin. Angelo volta a responder:
̶ Vamos lá... – Ele respira fundo – As bicicletas, apesar da neve, são ágeis e principalmente silenciosas e discretas. O perímetro que eu citei, abrange as casas dessa cidadela... O que eles estão fazendo é limpando as casas que ainda contêm doentes e marcando-as com um ‘x’ feito com um spray vermelho. Isso nos dará a base da metragem da nossa segurança! Como nós isolamos a estrada com o muro de carros, novos doentes não conseguem mais ter acesso a nós, por isso à limpeza desse lugar fica bem mais plausível!
̶ E o posto de gasolina?
̶ O posto é a nossa rota de fuga, se formos invadidos aqui, temos um lugar para onde correr e nos abrigarmos o tempo necessário para traçar um novo plano... A área que nos leva até lá está totalmente livre, nós limpamos diariamente e nos certificamos que o nosso caminho até o posto de gasolina será sem sustos... Caso precisemos é claro!
̶ O que você fazia? Tinha algum cargo no exército? – Pergunta Emily.
̶ Não... – Ele sorri por poucos instantes – Eu sou Físico!
̶ E maluco... – Diz Effy em um tom sarcástico.
Benjamin calou-se, não conseguiu mais juntar forças para desafiar ou provocar aquele grupo. Era impressionante para ele o nível de organização que Angelo conseguira adotar, chegava a ser quase uma piada a comparação entre a segurança desse grupo com a do gerido por ele. Ben não conseguia aceitar a facilidade com que esse novo grupo conseguiu se estabilizar, bem diferente de todo o sofrimento que o seu pessoal passara durante esse inverno e anteriormente também. Talvez um recomeço fosse preciso, ou pelo menos uma profunda reflexão sobre quem ele realmente é, sobre qual Benjamin deve sobreviver, e principalmente sobre como prosseguir guiando o seu grupo.
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