Notas iniciais
Dedicada à Gabriela Omura, (♥) que me ajudou de mais nesse finalzinho! E que eu realmente descobri que na casa dela a inspiração brota que nem ovo de galinha! Uma fic bem diferente de todas que eu faço do Talon com a Katarina... Já que a maioria pensa que eles são irmãos. Nesse pensamento, eu me baseei e fiz uma fic-diabetes! Fofura demais! Obrigada por lerem.

Another chance of death lost

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Os gemidos dentro do quarto deixavam o ambiente abafado. Porém, só se ouvia os masculinos. A face da mulher era serena e seus cabelos vermelhos estavam espalhados pelos lençóis brancos, ela não demonstrava negação ou alguém que queria continuação. Seu rosto pálido era calmo e não mostrava dor – ou desejo. Parecia apenas aceitar o sexo que era lhe proposto. Seu corpo estava ali, presente a cada toque que Garen lhe dava, mas sua mente divagava, estava longe. Igualzinha uma marionete, ela não parecia ter emoções próprias.

Um único nome estava em sua mente, uma pronuncia tão doce aos seus lábios quanto mel. Talon, o seu precioso irmãozinho que não era tão doce assim. Só de pensar na pele morena esfregando contra a sua, um gemido baixo saiu de seus lábios e Garen sorriu. “Doce engano” pensou. Katarina não gemia pelas carícias aplicadas, e sim com suas próprias memórias.

Ela colocou seus dedos sobre seus lábios, percebendo sua reação só ao lembrar-se de seu irmão. Um arrepio percorreu seu corpo inteiro e a saliva parou em sua garganta. Afastou Garen pelo ombro e se levantou da cama. Abriu a porta da sacada e observou o céu que podia se ver do instituto. Viu o céu negro e lamentou a ausência da lua. O vento gelado invadiu seu corpo e observou as nuvens trazendo uma tempestade. Aquele súbito nome lhe veio à mente e preencheu o vazio de sua alma. E se lembrou da escuridão que as pupilas negras de Talon possuíam.

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O céu estava negro e o vento gelado urrava. A escuridão da noite se mesclava com a claridade dos trovões. Só havia um breu e quando o céu se iluminava via-se uma garota na faixa dos onze anos sentada no chão. Seus cabelos vermelhos eram curtos até os ombros, sua face estava escondida entre seus joelhos e com um dedo estava tentando tampar os ouvidos com medo dos trovões.

– Kat? – Ela levantou a cabeça e podem-se ver as lágrimas que estavam escorrendo dos olhos verdes. Um garoto mais velho que ela vinha carregando um castiçal com uma vela, seu cabelo era castanho e tinham o mesmo comprimento que o da garota. Sua franja estava jogada para o lado e sua pele era bronzeada. – A luz acabou.

– Eu percebi! – Ela rangeu os dentes e seus olhos verdes brilhavam com uma raiva desnecessária. Ele franziu o cenho e sentou-se ao seu lado.

– Ah, é. Você tem medo de raio. – Ele sorriu de canto, debochando-a. A face da garota esquentou, mas antes de fazer qualquer coisa, a claridade iluminou o céu e o garoto a viu colocar a cabeça entre pernas. – Ei. – Ele colocou a mão no ombro dela e a fez encará-lo.

– Talon, você não precis– Ele lhe tapou a boca com a mão e sorriu fraco ao ver os orbes verdes confusos.

– Como pode ter medo? Temos para-raios.

– Tendo! É assustador.

– Como uma descarga elétrica causada pela atração de polos opostos feita pela passagem de energia na resistência do ar pode ser assustadora?

– Me enganei, mas assustador é você falando de física. – Talon a ignorou com outro sorriso e pegou a mão branca dela.

– Kat, olhe. – Com a outra mão, ele apontou para o céu e no mesmo momento um clarão entre as nuvens foi visto pela garota sem piscar.

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Eu tinha medo da beleza dos raios.

Ela sentiu seu corpo ser envolvido por braços fortes e algo doeu dentro de si quando reconheceu o cheiro de Garen. Não era o mesmo entorpecedor que Talon tinha. Com a comparação eminente, percebeu que pensava demais em Talon.

– Por que ainda não voltou para a cama? – Garen lhe perguntou ao pé do ouvido e seu estômago revirou com a voz dele. Engoliu seco e sibilou a verdade em pensamentos.

– Talon. – Só a pronuncia daquele nome o fez soltá-la.

– Isso é incesto! – Ele gritou, sem argumentos.

– NÃO É INCESTO! – Katarina gritou com um tom de voz superior ao dele. – Não é incesto! – Ela voltou a repetir a si mesma, tentando se convencer.

– Vocês cresceram juntos, Katarina! – Ele buscava argumentos enquanto enlouquecia ao vê-la juntando as roupas.

– Isso não nos faz irmão, faz? – Ela revirou enquanto se vestia.

– E se não fizer? Vai ir correndo para seus braços no dormitório dele? – Garen cuspiu as palavras, mas sua única reposta foi o som do bater da porta.

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– Eu... – Talon engoliu seco e suspirou, reunindo coragem suficiente. – Talvez, só talvez, esteja apaixonado por você. – Ele a olhou no fundo dos olhos, buscando alguma lacuna para entrar.

– O que disse? – Katarina pensou que seus ouvidos a enganavam. Os olhos verdes tinham um brilho confuso, em sua mente se passava que aquilo tudo era apenas uma brincadeira.

– Eu disse – Ele a pegou pelos dois pulsos com força e fazia questão de penetrar seu olhar ao dela. – que talvez te ame, porra! – Ele a soltou quando o brilho se perdeu e Katarina pode compreender. Abaixou a cabeça e a franja negra escondeu seus olhos. – Mas você só quer o que é errado. Tem fascínio por aquilo que não pode ter.

– Fala de Garen?

– A primeira coisa que eu escuto depois de me declarar é ouvir o nome desse filho da mãe. – Ele a olhou e finalmente ela pode ver o sofrimento que as pupilas castanhas escondiam. O cabelo que ia até um pouco mais dos ombros estava sujo, os fios entravam em sua boca e seus dedos tremiam. – É, Katarina, o desgraçado que te conquistou.

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Katarina estava sentada na grama, estava escuro e observava a tempestade se aproximando. Havia discutido com Garen por causa de Talon, de novo. Perdeu-se em seus próprios atos ao defendê-lo e agora estava se afogando nas próprias mentiras. A quem ela queria enganar? Estava com Garen há dois anos e aquela farsa tinha que acabar. Estava cansada de se portar como uma rebelde apaixonada que enfrentava tudo por amor. Era hora de amadurecer e parar de ignorar o que sempre estava diante de si. Havia quase um ano desde declaração de Talon, e aquilo a perseguia em seus sonhos. Estava com a imagem de Talon na cabeça há mais de cinco meses mas sempre preferiu ignorar. Ele não era seu irmão, era um rato que seu pai tirou da rua e fez ser seu subordinado.

Naquele mesmo dia, depois de se declarar, Talon a beijou e Katarina lhe mordera. Ela estava com Garen e depois disso não conseguia mais olhar nos olhos dele. Queria se explicar, mas sabia que ele manteria a distância suficiente para que nem trocassem palavras. E sentada no escuro, parou para pensar. Seus batimentos cardíacos acelerados, seus arrepios e desejos contínuos pelo corpo de Talon tinham que ter uma explicação – não tão lógica – mas estava apaixonada por seu irmão. Era a única resposta das milhares de perguntas que estavam em sua mente. Já se fazia quase um ano que eles não trocavam uma só palavra, e aquilo a corroía por dentro. Katarina de principio achou que poderia ser apenas desejo por Talon, mas depois sentia falta dos abraços, das missões, das risadas, das noites em claro e principalmente do cheiro que ele tinha. Apaixonada pelo irmão que não era irmão. Aquela descoberta parecia uma onda a atingindo e inundando o seu ser. A inquietação da paixão a fazia estremecer. Olhou para o céu e por alguns segundos a claridade dos raios lhe incomodou.

– Talon... – Ela sussurrou a si mesma enquanto sentia os primeiros pingos agressivos da chuva em seu corpo. Tinha que vê-lo, que sentir o cheiro dele e ouvir a voz rouca que sempre era dona da verdade. Uma mão lhe tocou o ombro e seu coração acelerou, porém sua excitação sumiu ao ver os olhos azuis de Garen. – O que você quer?

– Que paremos de brigar? Que você volte para o quarto e que pare com essas loucuras? – Ele desligou a mão pelo ombro de Katarina e ela lhe tirou com um tapa.

– Tire as mãos de mim! – Garen a olhou por alguns segundos tentando a reconhecer. – Isso não é loucura! É a realidade! Até quando vamos continuar brincando de casinha? Eu... Eu... – Ela tentou não hesitar, mas quando percebeu suas lágrimas já escorriam. – Eu quero e preciso do Talon.

– A convicção de sua voz me surpreende, chego até a acreditar. Se você quer tanto, já que eu não fui capaz, por que não vai atrás? Ou ele te dispensaria no mesmo momento?

– Se passou tempo demais.

– Que bom que você sabe, assim poupamos sofrimento.

– O seu. Nós não temos mais nada. – Por fim declarou, aceitando o novo sentimento que era lhe oferecido.

– Realmente.

Ao dizer isso, Garen deixou-a sozinha novamente. Ainda sentada, ela observava os trovões e as nuvens. Observou a grama em suas mãos e viu as gotas que caiam do céu. Olhou as colunas de gesso que sustentava os dormitórios e sorriu ao reconhecer onde estava. Era uma ironia estar justo na frente do quarto de Talon. Sabia o que lhe aguardava, mas se levantou. Caminhou pelo ambiente iluminando pelas lâmpadas e tocou algumas vezes a madeira revestida de branco. Nada aconteceu. Ela começou a berrar enquanto esmurrava a porta, dizendo que ia derrubá-la a força. Quando ela viu os cabelos negros presos em um elástico, seu ar faltou e pensou por um segundo que seu coração ia sair pela boca.

– O que quer? – Ele abriu a porta o suficiente para conseguir a ver toda molhada.

– Estou com medo do relâmpago.

– É raio, ‘tá tocando o solo. E não é pra isso que você tem um namorado?

– Não mais. – Ele fechou a porta na cara dela com essa declaração. Ela voltou a esmurrar e se afastou para pegar mais impulso. – Será que dá pra você abrir essa merda de porta, cão?

– Sinto muito, agora só obedeço à senhorita Cassiopeia.

– Não me importa. Abre essa porra antes que eu acorde todo mundo e faça uma cena!

– Você não vai. – Dito isso, ele abriu a porta e a puxou para dentro. Imediatamente ela sentiu o cheiro de cigarro e depois pode ver o peitoral nu de Talon.

– P-Porque voltou a fumar? – Ela disse gaguejando sem tirar os olhos do corpo dele.

– Perdi algo aí, coisinha básica. – Ele disse enquanto sorria ironicamente para ela. Os anos e anos com ele a fez reconhecer aquele sorriso de imediato.

– O combinado era parar.

– O combinado era – ele apontou para ela e suspirou, abaixando o dedo. – você ser minha. Olha como as coisas são!

– E-Eu sou sua.

– Aham, agora é a parte onde eu acredito?

– E-Eu ‘tô falando sério, seu idiota. – Talon riu e pegou uma toalha branca. Deu uma volta por Katarina e parou atrás dela.

– Você nunca gaguejou na minha frente, não é, Kat? – Ele falou e seu ouvido, lhe colocando a toalha quente sobre os ombros. – Pena que só está falando assim por causa do frio. – Ele voltou a rir e abriu a porta do quarto. – Se já me disse seu desejo, já pode ir, Miss Du Couteau.

– Talon, é sério. Eu estou– Ele a interrompeu.

– Tá, Katarina. Agora, vamos voltar ao mundo real, tá? Eu não vou ser mais o idiota que fica esperando por você.

– Você estava me esperando? – Talon viu o sorriso que começava a nascer nos lábios dela, viu o começo do brilho que brotava nas pupilas verdes, viu até mesmo a nova curva que as sobrancelhas dela fazia! Antes de fazer algo sem pensar, pegou o braço dela, e a colocou para fora.

– Vá para seu quarto.

– Talon, você estava me– Ela foi interrompida quando Garen apareceu ao seu lado. Tudo aconteceu rapidamente diante de seus olhos: Garen puxou Talon pelo cachecol vermelho que ele usava e o jogou na grama, enquanto distribuía socos na face dele. A coisa mais sensata que Katarina fez foi entrar no meio, abraçando a cabeça de Talon.

– VOCÊ FICOU LOUCO?! – Ela berrou enquanto a chuva caía sobre eles. Olhou para Talon e viu o sangue escorrendo pelo nariz. – Você está bem?!

– Acho que eu quebrei o meu nariz. – Talon sussurrou para ela e se levantou, tentando avançar em Garen.

– É porque você é fraco. – Seu sangue ferveu com as palavras ditas por Garen, se largou do abraço de Katarina, e acertou com tudo um soco no olho esquerdo de Garen. Uma luta só não começou porque Katarina segurou o braço de Garen. Talon detestou a visão. Sentiu como se uma navalha bem afiada cortasse seu pulmão e o impedisse de respirar. Sem olhar para trás, voltou para seu quarto, se lembrando do que Katarina falava para Garen antes de ela bater em sua porta. Poderia ter sido apenas um teatro dos dois. Mas algo em sua mente dizia que já era tarde demais... Se antes ele talvez estava apaixonado por ela, agora ele tinha certeza.

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Já havia se passado quase três semanas desde o incidente entre Talon e Garen, e apesar de não ter nada para fazer, Talon não se decidia o que fazer em relação ao que Katarina lhe falara. Estava na floresta atrás do instituto da guerra, em um campo que não era mais utilizado para batalhas. Estava sentado em um tronco de uma árvore cortada, fumando seu cigarro, apreciando cada tragada como se fosse a única coisa que jamais o deixaria.

Foi quando ele ouviu passos, ele contou quatro de princípio, mas havia outro escondido. Talon não era ingênuo de achar que seriam campeões ou invocadores, mas mesmo assim, se virou e no mesmo instante foi atingido na cabeça por uma barra de metal. Ficou desnorteado, viu tudo girar e sentiu seu corpo se colidir contra a grama. Ao abrir os olhos, viu quatro barras de metal o ameaçando. Não tinha pegado nenhuma arma, sem contar com as lâminas em sua capa. Mas antes de fazer qualquer movimento, foi atingido na barriga pelas barras de metal. E foi atingido de novo, e de novo, e de novo.¹ Sua visão ficou turva, e se levantou, apoiando-se nas árvores. Tudo doía e a única coisa que viu antes de desmaiar foi o cachecol azul do quinto homem, enquanto ele sussurra: Isso é por ela.

Katarina voltava de Noxus com sua carruagem quando viu marcas de sangue em algumas árvores. De princípio, ignorou achando ser apenas um animal que foi caçado, mas quando os portões do instituto foram abertos, seu coração sentiu uma pontada. Ela pensou ter sido porque acabara de voltar de Noxus e sentia falta de sua casa. Foi até o dormitório de Talon, com argumentos na ponta da língua. Mas ninguém atendeu a porta de novo e ela conseguiu – com uma força extrema – derrubá-la. O quarto estava impecável e algo dentro de si dizia que tinha alguma coisa errada. Perguntou à todas as pessoas que via, mas nenhuma sabia onde Talon estava. O mais próximo que chegava de uma resposta concreta foi: "Não vejo ele há um dia." Talon era o tipo de lobo solitário, mas não se isolava. E ele não voltaria para Noxus, caso isso acontecesse, ela seria informada. Foi quando se lembrou das árvores manchadas de sangue. Correu até os portões e entrou na floresta. Quando viu o corpo jogado no chão, reprimiu o máximo que pode as suas lágrimas. Pegou o rosto gelado de Talon em suas mãos e juntos suas faces. As lágrimas se misturavam com o sangue e em sua cabeça a única coisa se passava era que ele não podia morrer. Gritou várias vezes por ajuda, e assim outras pessoas chegaram, o levando para a enfermaria.

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Os olhos de Talon abriam lentamente, o ambiente era um pouco escuro e a luz que iluminava era meio alaranjada. Reconheceu o lugar como seu dormitório no instituto da guerra, e demorou para que sua visão ficasse nítida. E quando ficou, ele pode ver a dona dos fios vermelhos dormindo em uma cadeira ao lado. Um sorriso nasceu em seus lábios e com dificuldade se sentou na cama. Viu a faixa sobre seu abdômen e sentiu que tinha uma também em sua cabeça. Katarina apoiava seus braços em uma parte do colchão e sua face era serena. Talon esticou o braço direito e o viu enfaixado. Passou a mão pelos fios vermelhos e seu sorriso só aumentava. Não queria que esse sonho acabasse.

– Talon? – Ela perguntou-lhe ao levantar a face e vê-lo. – Que bom, você acordou. – Ela fechou os olhos e sorriu, reprimindo novamente as lágrimas que insistiam em cair.

– Não me acorde. Estou gostando desse sonho. – Ele disse enquanto passava gentilmente o polegar pela bochecha dela.

– Isso não é– Ele a interrompeu.

– Xiiu. Me deixa te observar, não acha que eu já esperei demais?

– Você sempre me interrompe, né? – Foi a vez de Katarina acariciar os cabelos dele enquanto deixava as lágrimas escorrerem livremente por sua face.

– Já que é um sonho, eu vou me confessar de novo. – Ele riu enquanto a olhava nos olhos. – Eu nunca me senti suficientemente bom para estar na liga, para ser o braço direito do general Du Couteau, ou bom para simplesmente gostar da filha prodígio dele. Kat, eu só me confessei porque já fazia anos que eu não conseguia te esquecer, então eu achei melhor contar pra você e ser logo recusado. Você não tem ideia do quanto eu tentei te tirar da minha cabeça, e, merda, você começou a gostar de um demaciano! Aquilo não foi uma ofensa somente pra mim, mas pro seu pai e pra Noxus inteira! E eu havia decido que você ia sair daqui de dentro nem que eu tivesse que ir pra Zaun e sofrer uma lavagem cerebral. Não ri, eu nunca gostei de ninguém assim. Minha obsessão pelo desaparecimento do seu pai me trouxe até aqui, porque pra mim ele era o meu pai também. E quando eu penso sobre isso... Eu me pergunto até onde a minha obsessão por você me levaria.

– Talon... – Katarina tinha os olhos e a face vermelha, as mãos brincavam com os fios castanhos de Talon sem parar de olhá-lo.

– Eu ia voltar pra você, eu juro que ia. Aquele dia eu tinha visto você terminando com o Garen, e eu vi você trêmula enquanto o céu se iluminava! Eu ia voltar, era uma questão de tempo até eu me acostumar com a ideia de te ter de novo.

– Para de dizer isso, eu 'tô ficando com vergonha. – Katarina sorriu e eliminou a distância que seus rostos tinham. Selou seus lábios aos dele, aprofundando um beijo sedento que ambos tinham. Era um gosto peculiar, misturando casa e conforto. Mas tinha mel, era doce e suave, não deixando de ser urgente, necessitado. E tinha nas entrelinhas o desejo fundido com o sentimento recíproco.

No dia seguinte, Talon havia melhorado. Conseguia andar, descobrira que passou três dias dormindo e que havia quebrado duas costelas. Tossia sangue as vezes e seu pulmão doía, mas se sentia leve. Lembrava da declaração que havia feito à Katarina e percebeu que aquilo não era um sonho. Tinha que acertar as contas com seu coração, não adiantava mais fugir. Estava no jardim em frente aos dormitórios e sabia que ela iria vir. Observava uma árvore grande, maior que as demais. Não sabia o nome dela, mas a sombra que ela lhe dava fazia com que Talon quisesse ficar ali sempre. Foi quando ele ouviu os passos conhecidos, calmos e precisos.

– Eu... Talvez, mas só talvez, esteja apaixonada por você.

– Já ouvi essa declaração antes, não tem uma nova aí?

– Eu me apaixonei pelo meu irmão! Pelo único homem na face da terra que eu conheço até de avessos! Eu sei tudo sobre ele, e ele sabe tudo sobre mim. Ele foi a primeira pessoa a saber da loucura que eu estava disposta a fazer em lutar por uma pessoa de outra nação. Ele ficou irado, e não me apoiou em nada. Mas mesmo assim, ele não saía do meu lado! Claro que depois eu soube que não é porque ele me queria infeliz, e sim porque ele não queria outro alguém que não fosse ele mesmo ao meu lado. – Ela sorriu e Talon foi se afastando enquanto ela andava em sua direção, até que ele encostou no tronco da árvore e se viu encurralado. – Talon, eu sei tudo sobre você! Tudo o que você gosta, tudo o que você odeia, o que você não suporta e o que você admira! Tentar me enganar é pior que enganar a si mesmo, porque eu ainda sou o seu reflexo.

– Mas isso não é monótono, Miss Du Couteau?

– Depois de entrar em uma guerra contra o meu povo pelo homem errado e ver aquele que eu realmente amava quase morto, a monotonia não é nada além de um brinquedinho meu.

– Mas o que te faz pensar que comigo pode ser diferente? – Ele cruzou os braços sobre o peito e a encarou com um brilho esperançoso nas pupilas castanhas, olhando-a como uma presa adorável.

– Hum... – Ela colocou a mão no queixo como quem estava refletindo sério sobre o assunto. – Com você eu posso ser eu mesma. Não tenho que me esconder ou mentir. Você sabe dos meus desejos e sabe do meu passado. Sendo assim, não preciso fugir da verdade, ela vai sempre estar diante de meus olhos. Vai ser real, e essa é a melhor parte. Só não ganha de você me amando do jeitinho que eu sou.

– Você deveria parar de se achar, Katarina. – Ele sorriu satisfeito e descruzou os braços, a virando de costas e abraçando-a por trás. – Vou deixar você entrar no meu coração, mas não saía dele.

– Eu não quero e não vou. – Ela colocou suas mãos nas dele e entrelaçou seus dedos.

Notas finais
1. AND AGAIN, AND AGAIN, AND AGAIN, AGAIN, AGAIN, AGAIN, AGAIN... Me lembrou de um vídeo que eu vi, caso você queira ver quase 10 minutinhos de uma retardadice total, (mesmo assim é engraçado) copie e cole! :D http://www.youtube.com/watch?v=9VDvgL58h_Y
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!