Notas iniciais
Olá pessoal! Há quanto tempo! Estou repostando minhas fanfics no Spirit em uma conta nova e agora trouxe esse novo trabalho para vocês. Para compor e dar nome a esta nova fanfic usei como base a música Another You do Of Mice & Men, incluindo apenas a tradução no texto, para ficar mais fácil. Sugiro que escutem a música antes ou depois de lerem, para aproveitarem melhor a experiência (Link: https://www.youtube.com/watch?v=Gj93e2Z2EOc ). Todos os direitos da música reservados à banda. Espero que gostem. Boa leitura.

Another You

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Paredes brancas
(cheias de nada, além)
De passos nervosos
(eu vejo tudo ao redor)

Colocou com delicadeza o pequeno buquê de flores brancas frente à pedra memorial. Havia passado a manhã trancada em casa, sendo julgada por suas paredes, mas não poderia deixar de vê-lo naquele dia, por mais penoso que chegar ao seu túmulo tenha sido.

Permaneceu alguns minutos ajoelhada, olhando fixamente para a pedra com o nome gravado, como se esperasse ouvir algo da lápide. Ao lado dos crisântemos brancos que acabara de trazer, outros dois buquês e um incenso apagado encontravam dispostos lado a lado, Lee e os Hyuugas provavelmente estiveram mais cedo para prestarem suas preces e homenagens. Ela sabia, por isso demorou-se tanto para fazer o mesmo, não gostaria de ver ninguém, não aquele dia.

Há exato um ano Neji morrera, há um ano sacrificara sua vida, há exato um ano a deixara sozinha. A paz poderia estar presente entre as vilas, mas não em seu coração.


Alguma coisa está fora
(dentro de mim mesmo)
Eu vejo isso em seus rostos

Cerrou os punhos com força, deixando marcas de unhas nas palmas das mãos. Recolheu todo o ar que seus pulmões eram capazes de suportar e levantou-se. Estava na hora de voltar para casa.

Saltando pelos telhados, evitando as ruas cheias, as lágrimas voltaram a lavar o rosto de Tenten. Não precisava mais ser a ninja forte e treinada que não chorava em batalha pela morte de um companheiro. Um ano havia passado e em nenhum momento permitiu que vissem o buraco em seu peito depois que ele se foi.

Diga alguma coisa, diga alguma coisa
Diga alguma coisa que possa fazer tudo ficar bem
Leve embora, leve embora
Leve embora todo esse vazio que sinto
Porque eu nunca encontrarei outro você
Outro você, outro você

Parou em frente à porta de sua pequena casa, não havia ninguém lá dentro, apenas ele e suas lembranças. Girou a maçaneta, deixando os sapatos do lado de fora, fechou a porta atrás de si e permaneceu alguns segundos parada observando a bagunça acumulada no cômodo. Roupas, tigelas de comida, copos, material de treino estavam espalhados no chão e nos móveis da sala a cozinha ao lado. Torceu a boca, sem lembrar da última vez que parou para limpar a própria casa. Talvez há um ano. Durante os meses que Neji frequentara sua casa, a residência tornara-se impecável, organizada de cima a baixo pela meticulosidade do rapaz. Agora, havia apenas o caos.


Eu ainda escuto você nesta casa (sussurrando)
Eu ainda sinto você em meus ossos (nestas veias)

Recolheu as roupas pelo caminho, mas parou ao chegar no meio da sala, os porta-retratos sobre a estante a encaravam. As três fotos emolduradas, duas do antigo time 9, a primeira de quando eram crianças, com seus 12 anos; a segunda, mais velhos, formados como chunnins. No centro, entre as duas fotos da equipe, uma apenas com ela e Neji. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios ao lembrar de como fora difícil convencer o rapaz de tirar aquelas fotos. E como estava feliz por tê-las.

Passou a ponta dos dedos sobre a fotografia, e o buraco em seu peito pareceu aumentar. Voltou a recolher a sujeira da casa, era o mínimo que poderia fazer por ele.


Como os retratos nas salas (não consigo deixar de pensar)
Eu queria que você estivesse olhando para mim (mas você se foi)

Com as tralhas recolhidas e os cômodos minimamente limpos, subiu para seu quarto. Como se ele não estivesse ali também. Jogou-se na cama, desejando afundar na espuma.

Seu quarto, ainda podia sentir o cheiro dele na fronha do travesseiro ao lado do seu. O travesseiro em que seus longos cabelos se espalhavam quando ele decidia ficar e dormir abraçado-a. A cama em que fizeram amor pela primeira vez.

Ergueu a cabeça, na mesinha ao lado da cama havia mais duas fotos, apenas dos dois, e em uma delas Neji sorria. Sentiu a garganta se fechar em um nó, nunca mais veria aquele sorriso.

— Neji ...

Diga alguma coisa, diga alguma coisa
Diga alguma coisa que possa fazer tudo ficar bem
Leve embora, leve embora
Leve embora todo esse vazio que sinto
Porque eu nunca vou encontrar outro (eu posso nunca mais me encontrar)
Eu nunca encontrarei outro você

Virou-se na cama, fitando o teto de madeira acima de si. O coração apertado, apenas queria ter tido mais tempo com ele. Ou ter tido a chance de beijá-lo pela última vez. Mas não teve, e nunca teria.

Apertou as mãos sobre o peito e fechou os olhos. Permitiu que a mente vagasse por suas lembranças, onde poderia senti-lo e tê-lo mais uma vez.

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Há quase 2 anos ....

Tenten aguardava Neji em frente à loja de dango. Mais cedo a garota havia lhe convidado para comer o doce, e mesmo estranhando o convite inesperado, o Hyuuga concordou. Mas somente ao encontrá-la naquela noite que Neji entendera. Sua companheira de equipe não o chamou para comer doce, ela o havia convidado para um encontro. Estavam apenas os dois na frente do pequeno estabelecimento pedindo uma porção de bolinhos, Tenten trajava um vestido simples rosa-claro e tinha os cabelos soltos. Como pode não perceber? Sentiu-se estupido por não ter lhe trazido nada ou ter-se arrumado minimamente para um encontro com a garota. A única coisa que pode fazer foi pagar pelos dangos.

— Você está muito bonita, Tenten — foi tudo que Neji conseguiu dizer ao chegarem na praça onde se sentaram para comer.

Tenten agradeceu e sorriu para ele. E nada mais foi dito.

O Hyuuga examinava a última bolinha no palito quando a morena levantou para jogar a embalagem vazia no lixo. Não conversaram durante toda a refeição, ao entender o possível motivo pelo inesperado pedido, Neji não sabia mais como agir.

— Me desculpe por hoje, Neji — sem olhar para ele, Tenten sentou novamente ao seu lado — Você está desconfortável com isso, sinto muito.

— Eu apenas não sabia que era um encontro — confessou tímido, lançando o palito na lixeira perto de si.

Quando Tenten virou para encará-lo, o Hyuuga estava próximo demais, seu rosto a centímetros do seu.

— Por que me chamou para vir aqui hoje com você, Tenten? — Neji perguntou de supetão, fazendo o coração da morena disparar.

Tenten desviou o olhar, abaixando os olhos para suas mãos, a direita sendo levemente tocada pelos dedos quentes de Neji.

— Eu… — respirou fundo, ainda olhando para baixo — Eu gosto de você, Neji… Por isso te chamei hoje, mas sei q — não pode terminar a frase, os lábios do Hyuuga a calaram. A mão que antes tocava a dela enlaçou sua cintura e a outra segurou seu rosto.

Neji não era impulsivo, suas emoções não o guiavam. Beijá-la daquela forma significava apenas uma coisa para Tenten: ele sentia o mesmo. Fechou os olhos, assim como ele, e retribuiu o caloroso beijo. Quando se separaram, Neji estava mais vermelho do que Tenten e um sorriso tomava conta da face seria do rapaz, a morena lhe sorriu de volta e o puxou para outro beijo, dessa vez levando uma das mãos à nuca de Neji.

O sorriso abafado de três crianças que ainda brincavam pela praça enquanto os pais conversavam, fizera os dois levantarem apressados. Tenten desamassou o vestido e chamou Neji para tomar chá em sua casa, corado o rapaz aceitou e rapidamente deixaram o ambiente público.

Na casa de Tenten o chá foi rapidamente deixado de lado. As xícaras vazias ficaram sobre a mesinha da sala, enquanto os dois seguiram para o quarto da moça. Aos 17 anos, nem a racionalidade de Neji poderia impedi-lo. Há algum tempo seus sentimentos por Tenten eram confusos, e a confissão dela foi tudo que precisou.

Deitou cuidadosamente a moça sobre a cama, uma das mãos já explorava a pele macia por baixo do vestido. Logo a peça de roupa foi posta de lado, junto a camisa de Neji, e o mundo pareceu parar quando Tenten sentiu os beijos do rapaz descerem do seu pescoço ao busto. O fecho das costas foi aberto e o corpo da morena arqueou ao toque quente do Hyuuga.

Neji explorava seu corpo com carinho, beijando, lambendo, apertando, arrancando suspiros de Tenten. E quando a última peça foi tirada, bem como as dele, o desejo consumia ambos. O Hyuuga ficou sobre a morena, entre suas pernas, segurou firme sua mão direita e fitou os olhos castanhos.

— Tenten, você tem certeza? — sussurrou apenas para ela, a voz rouca, era a primeira vez dele também, estava tão tenso quanto ela, mas queria que ela se sentisse segura em seus braços.

Tenten assentiu com a cabeça, e sem desviar um único instante dos olhos dela, Neji a penetrou, com calma, um pouco por vez, para que ela não sentisse nada além do prazer. E naquela noite ele a fez sua pela primeira vez, marcando sua cama, sua pele e sua alma. Amando-a pela primeira vez.

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Então, eu vou levar você comigo
Em meus sonhos
Na minha memória

Abriu os olhos lentamente, as lágrimas, que fluíram inevitavelmente ao relembrar o passado, secaram sozinhas. Quanto tempo havia se passado? Não importava, ainda precisava fazer mais uma coisa.

Levantou da cama e foi para a cozinha. Olhou o relógio na parede, a hora do almoço havia passado, bem como aconteceu com a do café da manhã. Se pôs a preparar uma refeição em uma pequena panela. Quando a comida ficou pronta, encheu uma tigela alta, fechou bem com uma tampa e embrulhou o recipiente com um pano, formando uma trouxinha. Pegou dois hashis e saiu.

Carregando cuidadosamente sua refeição, caminhou na direção do antigo espaço onde o time 9 reunia-se para treinar. Quando chegou a pequena clareira, suspirou. Um dos antigos alvos que usavam ainda estava preso em uma árvore. Escolheu a árvore oposta ao alvo, sentando-se de frente para ele e desfez seu embrulho de pano.

— É o seu favorito — tirou a tampa do recipiente — e você vai ficar contente de não estar aqui para comer, porque deve tá horrível — riu para si e pegou os talheres de madeira, abocanhando uma boa quantidade de macarrão.

Como profetizou a sopa estava péssima, mas engoliu assim mesmo. Porém, antes que avançasse novamente sobre a refeição, sentiu o vento em sua bochecha, como uma carícia quente. Olhou para o lado, as folhas das árvores intactas. Suspirou mais uma vez e continuou a comer.

Voltar ao lugar onde o antigo Time Gai treinava a preenchia de muitas outras lembranças. Quantas vezes treinaram ali? Quantas vezes não brigou com Neji ou viu ele brigar com Lee? Quantas vezes sentaram-se, como ela estava, e partilharam uma refeição? Não saberia dizer.

— Sinto sua falta, Neji …

Então, eu vou levá-lo comigo (você sempre estará comigo)
Em meus sonhos
Na minha memória

Acomodou o recipiente vazio ao seu lado e recostou-se na árvore, fechou os grandes olhos castanhos, para que não voltasse a chorar. Mas foi em vão. Uma lágrima teimosa começou a escorrer por sua bochecha, e novamente pode sentir a brisa quente, um carinho em sua pele, como se afagasse seu rosto.

Abriu os olhos e viu no alvo distante à sua frente uma kunai cravada no centro. Estava ali antes? Não saberia dizer. Passou a mão pela bochecha, mas não havia nenhuma lágrima nela.

Levantou e caminhou em linha reta na direção do alvo. Sem precisar de força, retirou a kunai do centro exato da madeira, olhou em volta, estava sozinha. Observou a arma por um instante e a cravou no centro novamente, com força, fazendo a lâmina afundar alguns centímetros. Tão simples, tão rápido.

Sentou novamente, com as pernas esticadas, encostando as costas na árvore marcada. Jogou a cabeça para trás e admirou o céu azul. O dia estava no fim, mas o sol ainda brilhava em um céu muito azul e límpido. Alguns pontinhos pretos cruzaram a imensidão celeste, uma revoada de pássaros seguindo seu destino em direção ao sul.


Então, eu vou levar você comigo
Você sempre estará minha memória

Sentiu o coração pequeno no peito, fechou os olhos mais uma vez, sentindo a brisa quente soprar forte, sorriu. Um ano havia se passado e ela nunca o esqueceria, seu amor por ele nunca morreria. Neji viveria para sempre em si, no seu coração, nas suas memórias, na sua alma. Nada poderia tirá-lo dela, e um dia ela também seria livre e voaria ao seu lado.

O vento quente pareceu abraçar seu corpo, e Tenten relaxou, permitindo que o sono tomasse conta de si, sentindo-se segura, Neji estava com ela, e sempre estaria.


Diga alguma coisa, diga alguma coisa
Diga alguma coisa que possa fazer tudo ficar bem
Leve embora, leve embora
Leve embora todo esse vazio que sinto
Porque eu nunca vou encontrar outro (eu posso nunca mais me encontrar)
Eu nunca encontrarei outro você

Notas finais
Gostaram? Consegui uma lágrima de alguém? Kishimoto nos tirou NejiTen, e aqui está minha homenagem a eles. Demorei bastante para encaixar a lembrança, criei duas versões, uma mais longa e outra resumida, acabei optando pela resumida para não quebrar o clima. Espero que tenham gostado, e não deixem de comentar! Até a próxima.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!