Another World

3 Just friends


Notas iniciais
Olá! Obrigada a todos que comentaram e favoritaram e estão acompanhando.

_ Olha aqui seu... protótipo de fantasma! — digo empurrando o peito de Luke, ele não parecia um fantasma... – Só porque voltou do mundo inferior não sei lá como, não quer dizer que pode chegar e tomar minha namorada!

_ Ela não é sua namorada! – Luke exclama pausadamente. – E você não devia vir bêbado para a aula!

_ Ok, vamos parar com essa briga. Hoje é o primeiro dia de aula e já devemos ter perdido a primeira aula! – Annabeth diz se colocando entre nós dois.

_ Ah não Annie! – Thalia exclama. – Deixe eles brigarem até o intervalo pelo menos...

_ Não! Chega! – Annabeth exclama pondo as mãos na cintura com aquela postura que cala todo mundo, talvez ela podia até calar Zeus com aquela expressão, não duvido de nada... – Luke e Thalia, vocês vão para a aula e eu vou ver se consigo trazer a Percy alguma lucidez.

_ Eu não vou te deixar com ele! – Luke diz me mandando um olhar de raiva e eu apenas ergui as sobrancelhas pro fantasma. – E não adianta vir com aquele papo de que ele é seu “melhor amigo”, porque Percy já deixou bem claro o que realmente quer com você!

_ Ele está fora de si Luke. – Annabeth rebate dando um beliscão nada sutil no braço de Luke. – Eu te prometo que só vou ajudar ele.

_ Cuidado. – Like sussurra para ela meio contrariado e puxa a cintura da MINHA LOIRA para si, lhe beijando e olhando para mim em seguida. Eu, com um controle que não era desse mundo, apenas cerrei os punhos. Luke tinha morrido como um herói, mas seu conceito de filho da puta estava voltando para mim. – Se ele tentar te agarrar você grita.

_ Eu sei me defender. – Annabeth exclama ofendida, e eu seguro uma risada convencida. Só um idiota mesmo para achar que Annabeth poderia ser agarrada por águem ou alguma coisa, minha sabidinha era esperta demais para isso. – Vão.

Luke e Thalia deram as costas e começaram a ir para a escola muito contrariados, mas eu não tinha tempo para isso, tinha que trazer Annabeth a razão.

Trazer Annabeth a razão... nunca pensei que pensaria uma coisa dessa...

_ Muito bem Percy, vamos nos sentar e tentar entender essa sua confusão. – Annabeth diz como se eu fosse um doente mental e me puxando para a esquerda do prédio da escola, ali tinha duas arquibancadas grandes de frente para um campo de futebol. Annie se sentou na arquibanda e indicou para que me sentasse ao seu lado. – Percy... porque disse que eu sou sua namorada? – ela me pergunta meio hesitante, estreitando os olhos para mim.

_ Porque é a verdade. – respondo respirando fundo. – Annie, nós temos que sair desse lugar! Esse... universo alternativo não está me cheirando bem! Pode ser perigoso, e... você tem que enxergar a realidade! Tente se lembrar da verdade!

_ Você está alucinando Percy? – ela indaga mudando sua expressão para preocupada. – Usou algo diferente noite passada?

_ Eu não me droguei! – exclamo exaltado. – Você tem que perceber que não sou o louco aqui Annie! Vocês todos que estão pirados.

_ Ok, você está muito agitado. – ela comenta esticando a mão e repousando-a na minha testa como se eu estivesse doente. –Tomou seu remédio de hiperatividade hoje?

_ Annabeth eu não estou doente. – digo afastando sua mão com certa urgência. – Algo muito sério está rolando aqui! Temos que agir, descobrir o que está havendo...

_ Eu estou tentando te ajudar Percy! – ela diz cruzando os braços. – Muito bem, me diga o que você acha que está acontecendo.

_ Presta atenção Annie... Ontem nós estávamos no acampamento, Luke e muito outros estavam mortos a tempos. E então hoje eu acordei, na casa da minha mãe sem fazer ideia de como fui parar lá, e agora está todo mundo aqui, agindo como se não se lembrassem de nada. Você está com Luke, Thalia falou que as caçadoras são uma banda... Parece que de alguma forma alguém ou alguma coisa tirou a memória de todo mundo e os colocou aqui nesse mundo paralelo onde ninguém se lembra da realidade. – digo gesticulando nervoso. Aquela situação era no mínimo desesperadora, ninguém parecia perceber aquela loucura, apenas eu.

_ E qual seria a realidade? – Annabeth pergunta me encarando.

_ Nós somos semideuses Annie! – exclamo pausadamente. – Nossos pais são deuses. Nossa vida é... diferente, perigosa. Nós lutamos contra monstros, vivemos no acampamento.

_ Semideuses? – ela repete sem conseguir segurar um sorriso zombeiro. – Como Hércules e Perseu?

_ Basicamente. – respondo dando de ombros. –Você precisa se lembrar Annie, isso é sério.

_ Ok, Percy... Vamos fazer assim. – ela diz se levantando e pondo as mãos nos meus ombros. – Você vai para casa, vai descansar, dormir... e quando acordar vai se sentir melhor. Essa confusão na sua cabeça não deve passar do efeito colateral da sua “noitada”.

_ Annabeth, você precisa acreditar em mim! – suplico me levantando e ficando extremamente próximo dela. – Algo ou alguém alterou suas memórias, mas você precisa se lembrar. É a pessoa mais inteligente que conheço, sei que consegue.

_ Perc...

_ Annie... – murmuro levando minha mão até seu rosto e a acariciando. – Eu preciso de você. O que quer que esteja acontecendo, é perigoso. Eu preciso da sua ajuda, de você ao meu lado.

_ Percy, você está delirando. – Annie diz suspirando. – Vá para casa...

_ Eu preciso fazer algo. – digo bem baixinho. Nossos narizes estavam quase se encostando e eu não deixei de olhar em seus olhos por nem um segundo. Eu devia estar vesgo agora. – Preciso te fazer lembrar...

Me inclinei e tomei seus lábios. Podia se passar anos e eu ainda iria sentir aquele arrepio ao beijar Annabeth, senti-la perto de mim. Suas mãos que estavam nos meus ombros desceram até meu peito e eu a apertei pela cintura. Dentro de mim eu tinha a esperança de que aquele beijo iria resolver tudo, como nos contos de fada.

_ ATENÇÃO! ATÉ MINHA AVÓ FAZ UMA FILA MELHOR QUE ESSA, SEUS MOLENGAS!

Annabeth se separou bruscamente de mim ao ouvir o grito que veio da outro lado do campo. Estreitei meus olhos para aquele lado e, surpreendentemente, vi o Treinador Hedge escoltando um grupo de alunos mais novos do que eu. Ele segurava um taco de beisebol e andava mancando.

_ Percy... porque,isso... – Annabeth sussurrou ofegante e eu voltei a olhá-la. Ela estava vermelha e completamente confusa. – Porque me... beijou..?

_ Annie...

_ Eu tenho namorado Percy! – ela exclama com uma voz falha. – Eu tenho Luke.

_ Não, isso é uma memória falsa! – digo me aproximando, mas ela se afasta. – Na nossa vida real ele está até morto.

_ Por anos Percy, por anos eu fui sua melhor amiga e... por anos eu quis ser mais do que isso. – Annabeth murmura parecendo não quer me escutar. Sua voz estava tremula e meu coração deu uma fisgada por perceber isso. – E quando eu finalmente supero isso, quando eu finalmente encontrei alguém... Você não pode fazer isso!

_ Mas você não entende Annabeth!

_ Entendo sim! – ela rebate passando as mãos pelo rosto. Esse dia já estava muito ruim, mas agora vendo Annabeth daquele jeito tudo ficou pior. – Você está inseguro, porque sempre me teve ao seu lado como amiga, e agora acha que vai me perder por conta de Luke.

_ Não...

_ Percy, eu vou sempre ser sua amiga. – ela diz dando um sorriso pequeno. – Mas vou sempre ser apenas isso.

_ Mas...

_ Você não está muito bem agora, deve ser por isso que está tão confuso. – ela diz respirando fundo e sorrindo. – Vá para casa e descanse, melhore.

_Mas.. eu não... ANNIE! – eu tento argumentar mas ela já deu as costas e está indo embora em direção ao prédio da escola. – Di Immortales! – exclamo chutando a arquibanda com força para tentar descontar minha tensão.

_ O que foi Jackson? – Hedge diz chegando do nada ao meu lado. – Você está bem garoto?

_ Estou longe de bem Hedge. – resmungo indo pelo mesmo caminho que Annie e deixando o sátiro para trás. Se Annabeth, que é Annabeth, não estava me ajudando, Hedge com certeza não ia adiantar coisa alguma.

Caminhei até o prédio e entrei, eu achei que os corredores iriam estar vazios mas estavam o oposto, com gente andando para todo o lado. O lugar era bem parecido com as escolas convencionais – armários, salas, cartazes de jogos de futebol e basquete — , andei sem rumo tentando pensar no que fazer até que alguém cutuca meu ombro.

_ Qual é Percy, primeiro dia e já matando aula?

_ Grover! – exclamo o encarando. Grover estava o mesmo, usando uma touca laranja nos cabelos e muletas.

_ Quem mais? – ele indaga rindo. – Mas diz aí, porque não foi nas primeiras aulas?

_ Eu... espera aí! – digo me agachando e puxando a barra da sua calça.

_ Tá Fazendo o que?- ele indago surpreso e confuso. Puxo a barra para cima, mas não encontro a perna peluda de bode que ele devia ter, e sim uma perna normal.

_ Sua perna... – murmuro me levantando abismado. Ok, uma coisa é alterar a memória de alguém, mas transformar um sátiro em um... não-sátiro? O que está havendo aqui?

_ O que tem ela? – ele diz arqueando as sobrancelhas.

_ Não são de bode. – balbucio.

_ Jura? Ah, que pena! – ele diz revirando os olhos e me puxando para cima novamente. – Percy, Thalia me contou que está meio... “alterado” essa manhã. Se bem que há razão não é? Ontem você virou tudo garganta abaixo.

_ É, já ouvi muito sobre essa tal noite passada. – murmuro impaciente.

_ Bom, conselho de amigo: Vá para casa, toma um chá e dorme para ver se tira essas coisas do seu organismo. – Grover diz colocando a mão no meu ombro.

_ Eu não vou conseguir descansar até entender toda essa bagunça. – digo passando a mão no rosto e suspiro no momento que uma menina com cabelos cor de caramelo aparece ao nosso lado. – C-Calipso?

_ Bom dia Percy! — ela exclama com um sorriso gigante e pula no meu pescoço me dando um abraço um pouco forte demais. – Soube que não está muito bem hoje.

_ Mundo diferente, mas a mesma velocidade das fofocas. – resmungo contrariado. – Calipso... você sabe onde está o Leo?

_ Valdez? – Calipso indaga cruzando os braços e franzindo a testa. – Deve estar por aí destruindo alguma coisa e coberto de graxa né!?

_ Mas... como você saiu da ilha? – indago sem conseguir me segurar, ignorando os olhares confusos deles. Essa loucura estava ficando louca demais.

_ Hãm, eu sempre vou para a ilha da minha família de jatinho. –ela responde meio em duvida, dando de ombros. – Enfim, o que queria dizer é que Rachel estava te procurando hoje.

_ Rachel também está aqui? – me surpreendo. Ela era o Oráculo, talvez notasse algo.

_ É claro bobinho. – Calipso diz revirando os olhos. – Sua namorada está morrendo de saudades suas.

_ Rachel é minha namorada?

Calipso troca um olhar com Grover e ele dá de ombros fazendo um gesto de desdém.

_ Onde ela está? – pergunto olhando para a Calipso.

_ Perto da biblioteca. – Calipso responde apontando para oficial do corredor e eu sigo para lá. O corredor começa a se esvaziar com o sinal para a próxima aula, e eu reconheço mais alguns rostos. Definitivamente todos ali eram semideuses.

Avisto o cabelo ruivo cacheado de Rachel ao longe, ela estava parada no canto do corredor com os olhos fechados e mexendo a boca rapidamente. As suas roupas não eram nada parecidas com as de normalmente. Em vez do jeans riscado e das camisetas coloridas ela usava uma saia curta e uma blusa decotada. Arquei as sobrancelhas e me aproximei dela.

_ Rachel!? – chamo hesitante e ela abre os olhos verdes me encarando.

_ Percy! – ela exclama suspirando aliviada, mas no segundo seguinte ela fica tensa. – Quem eu sou?

_ O q..? Você é a Rachel ué! – digo em resposta. Era só o que faltava, Rachel desmemoriada.

_ Além disso. O que eu sou? – ela indaga se aproximando e me olhando com expectativa. Talvez ela esteja esperando que eu diga que ela é minha namorada ou coisa assim, mas talvez... não custava tentar...

_ Você é Rachel Elizabeth Dare. – digo respirando fundo. – O Oráculo de Delfos.

Notas finais
Espero que tenham gostado!!! Se você está aí, comente, por favor! Beeijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.