Another Way
3 III. Cherry Pie
Notas iniciais
Bobby estava fazendo omeletes na cozinha para o café da manhã, eram quase 5:00 da manhã, mas ele já havia recebido um telefonema dos garotos e os esperava; também haviam pedido que ele fizesse algo para comer, o que achou um tanto quanto estranho. Os dois não eram os tipos de cara que gostavam de cafés da manhã. Sua campainha irritante tocou alto e ele desligou o fogão para ir atender a porta da frente, sem tirar o avental, que escondia uma pequena pistola dentro do bolso e com a espátula na mão, feita de ferro.
Parou na frente da porta e retirou a cortina de perto do vidro para que pudesse ver se eram mesmo Sam e Dean; se surpreendeu ao ver Castiel ao lado de Dean, Sam estava atrás com algo ou alguém nos braços.
– Merda. — xingou ao imaginar que os dois haviam trazido um corpo para ser enterrado, só não entendia porque a necessidade do anjo.
Abriu a porta dando passagem aos três, Sam entrou por ultimo, com uma garota jovem nos braços, desacordada, mas muito tensa. O garoto a ajeitou no sofá velho de Bobby, enquanto ele trancava bem a porta, olhando para fora antes para ter certeza de que não havia ninguém atrás deles.
– Então? — Bobby perguntou assim que todos se acomodaram, esperando por uma boa explicação.
– Basicamente? — Bobby assentiu e Dean continuou — Ela é filha de um anjo rebelde e ela é tipo Jesus.
Dean terminou a explicação rápida como se tivesse dito a coisa mais simples possível, a sala ficou em silêncio. Bobby apenas encarou um por um, esperando que alguém risse do que havia sido dito ou que o próprio Dean se corrigisse, como ninguém o fez, virou a cadeira de costas para todos, indo em direção a cozinha para terminar a refeição que provavelmente seria para a garota.
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Dean e Castiel desceram a escada até o porão a frente de Sam, que trazia a garota para o andar de baixo, para colocá-la no quarto do pânico; quando chegaram a porta deram passagem para que o mais alto entrasse e a acomodasse no colchão fino da sala. Dean entrou logo atrás e Castiel permaneceu na porta, já que não poderia entrar por conta dos signos de proteção feitos na sala.
Assim que Sam se levantou, depois de a ter colocado na cama, Aurora levantou em um salto e acertou em cheio uma joelhada no meio das pernas do rapaz; com o urro de dor do irmão, Dean se virou para ver o punho da jovem acertar o meio de seu rosto, tirando sangue de seu nariz. Sam se arqueou por conta do golpe e Dean cambaleou para trás, batendo em um pequeno criado mudo, sentindo uma pontada de dor nas costas. Aurora saiu pela porta e se preparava para trancá-la, quando Castiel tocou seu ombro; rapidamente ela torceu seu braço, o virando de costas e o jogando contra uma das paredes, correndo em seguida em direção as escadas. Chegando ao ultimo andar avistou a porta da frente e correu até ela, mas antes que pudesse chegar ao seu destino algo atingiu seu rosto a fazendo cair desacordada. Bobby tinha ouvido os barulhos no andar de baixo e a esperava com uma frigideira enferrujada na mão, pronto para derrubá-la.
– Eu não posso me distrair por alguns minutos, seus idiotas. — Ralhou para Dean que havia aparecido na porta da cozinha seguido pelo irmão e pelo anjo.
Sam ainda estava um pouco curvado por conta da dor do golpe e Dean esfregava o nariz machucado, limpando o sangue na manga da jaqueta. Castiel parecia muito confuso com o que havia acontecido.
– E vocês me criticaram quando não quis deixar o Sam sozinho com ela. — disse para os dois.
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– Aurora! — Os olhos castanhos tentaram focar a imagem vestida de branco que aparecia a sua frente; quando conseguiu olhá-la melhor viu a mulher que sempre estava em seus sonhos. Os olhos azuis a tranquilizaram.
– Mãe?
– Sim. Eu sempre vou estar aqui. Pare de fugir deles, não vão te fazer mal. Ouça o que eles dizem, desenhe seu destino. Escolha seu lado.
Quando a figura começou a desaparecer, Aurora esticou os braços tentando alcançá-la, mas ja era tarde. Ela não estava mais ali.
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– Mãe! — a garota gritou, acordando imediatamente. Estava ofegante, mas controlou sua respiração assim que notou não estar sozinha. Olhou para os três homens presentes na sala, carrancuda. Ainda não entendia como não tinha conseguido sair dali. Percebeu que estava sentada em uma cama, encostada na parede, um criado mudo ao seu lado com um como com água ao seu lado, mas quando esticou o braço para alcançar, sentiu seu pulso ser impedido por conta de uma algema presa a seu braço e a cabeceira da cama.
Dean estava encostado na parede mais próxima e empurrou o copo até onde o braço dela poderia ir para pegá-lo.
– De nada. — disse sorrindo.
– Ah... você quer que eu agradeça pelo que mesmo? Por terem me sequestrado ou por terem acertado meu rosto com muita força? — perguntou bruscamente, deixando muito clara sua irritação.
– Talvez nos agradecer por termos tirado você daquele bar cheio de coisas que queriam você morta ou, talvez, por termos deixado você fugir. — Sam olhou para o irmão, sabendo que eles não haviam deixado nada.
– Vocês deixaram é? Porque acho que o sangue escorrendo do seu nariz discorda — Dean, extintivamente levou os dedos ao local machucado, mas não encontrou sangue e Aurora sorriu vitoriosa.
– Ok. Não foi a atitude mais amigável te trazer aqui, mas esse é o lugar mais seguro que conhecemos, não podemos correr o risco de que algum deles te encontre e..
– E vocês precisam decidir o que fazer comigo. — a garota terminou a frase de Sam, ja conhecendo o procedimento.
O quarto ficou em silêncio por um tempo até que ela mesma o quebrou.
– Eu posso ajudar a decidir, se me tirarem essas malditas algemas e me tirarem desse quarto minúsculo — eles se entreolharam pensativos — Eu não vou fugir de novo, prometo.
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Todos estavam no andar de cima novamente, Dean estava de frente para Aurora que estava de pé encostada na parede de braços cruzados, Sam estava esticado no sofá e Castiel estava parado no fundo da sala, como se fizesse parte da decoração. Esperavam pelo dono da casa. Aurora bufou e soprou uma mexa de cabelo para trás, notou que Sam a olhava discretamente. Ele sorriu sutilmente e ela virou o rosto ainda irritada.
Bobby entrou com um prato de omelete caprichado, uma garrafa de cerveja em uma bandeja bem arrumada em seu colo, indo em direção a garota. Ela apanhou a bandeja para colocá-la em cima de uma estante próxima.
– Obrigado, Bobby. — e como se não pudesse ficar mais estranho, ela tirou seu boné e beijou sua testa, fazendo com que ele corasse imediatamente.
Sam engasgou com o próprio ar, tentando entender o que acontecia a sua frente.
– Me agradeça comendo tudo e desculpe por ter te acertado. — os dois sorriram gentilmente.
– Desculpem interromper o momento, mas alguém pode, por favor, me explicar? — Dean perguntou ainda muito confuso.
– Bobby salvou minha vida enquanto eu morava no orfanato. Foi por causa dele que eu decidi virar caçadora.
– Ela devia ter uns 15 anos na época. E pra ser bem sincero, no ultimo minuto, foi ela quem matou a criatura e salvou a minha vida. — Bobby a olhava enquanto ela puxava uma cadeira e começava sua refeição; o orgulho em sua voz era muito aparente.
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– Se eles a querem tanto não vão se importar em matar vocês dois, independentemente de serem os receptáculos ou não, eles podem trazer vocês de volta se for necessário.
– Mas se ela realmente define o vencedor eles podem tentar convencê-la a escolher um dos lados.
– Ou podem coagi-la.
– Minha nossa, como vocês falam. — todos encararam a garota que tinham esquecido estar ali. O prato e a garrafa estavam vazios, ela os encarava seria — Acho que vocês esqueceram que estavam falando da minha vida e eu acho.. assim, só acho mesmo... que eu deveria dar a minha opinião também. Eu não vou aceitar ficar aqui sentada enquanto vocês decidem sobre mim como se eu fosse seu fantoche favorito. Eu não vivi sozinha a vida toda pra deixar um grupo de carinhas decidirem o que querem fazer com as minhas decisões.
– Você não entende a gravidade de tudo isso. Você vai precisar de treinamento angelical pra aprender a controlar o que sua mãe te deixou de herança, isso se você decidir mesmo entrar nessa guerra. Além de tudo precisa escolher um lado e...
– E você acha mesmo que eu já não decidi isso? Que parte do "é a minha vida" vocês não entenderam? — ela interrompeu o anjo e manteve a atenção de todos nela — Eu vou ficar do lado das pessoas. Mas eu não vou ficar aqui sentada esperando que a guerra chegue. Eu vou continuar caçando o que aparecer.
– Você não pode sair caçando sozinha.
– Então eu viajo com os dois palermas. Cansei mesmo de casos regionais. Assim eu permaneço em contato e não preciso ficar parada, Castiel pode me procurar pro treinamento sempre que não estiver ocupado na busca por Deus. — eles não responderam e ela achou melhor continuar — Aqui é o primeiro lugar em que eles me procurariam, até porque parece que é pra cá que vocês correm quando fazem merda. Eu não nasci pra ficar morando no Instituto Xavier, sem ofensas Bobby — ele deu de ombros. — Não vou conseguir ficar aqui por muito tempo, uma hora eu vou dar um jeito de fugir e ai vai ser pior pra vocês.
– Isso não parece uma boa ideia.
– Se vocês acham que isso é um acordo negociável é bom lembrarem da surra que eu acabei de dar em vocês. Eu NÃO vou deixar vocês decidirem a minha vida por mim. Ou me levam junto com vocês ou eu fujo mais cedo ou mais tarde. — se levantou da cadeira, socando a mesa e deixou a sala.
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– Acho que não temos muitas escolhas. — Sam foi o primeiro a dizer alguma coisa depois que Aurora deixou a sala.
– Ela não pode sair cantarolando por ai, como se não houvesse problema nisso. — Dean respondeu de volta, sem aceitar as condições.
– Eu não sei o que vocês acham da garota, mas eu sei o que eu conheço dela. Ela é muito boa no que faz, por isso sempre fez sozinha. Nunca precisou de uma retaguarda porque nunca teve e ela nos deu condições muito razoáveis. Até onde eu sei, vocês dois são os melhores pra tomarem conta dela. E eu não sei se vocês notaram, mas eu não tenho muito pique pra sair correndo atrás de uma garota de 20 anos. — Bobby tinha certeza que se ficasse do lado dela, os dois não contestariam, até porque a casa era dele.
– Então.. Acho que temos uma companheira de viagem. — Dean guinchou irritado e vencido.
– Partimos de tarde.
– Rapazes — a voz dela veio da cozinha e eles presumiram que ela tinha ouvido toda a conversa — eu vou precisar de roupas novas, já que vocês não pegaram nada das minhas coisas.
Sam riu baixinnho, caminhando até a cozinha; Aurora pegou duas cerveja da geladeira e entregou uma para Sam. Dean revirou os olhos e se jogou no sofá. Castiel já havia desaparecido e Bobby já estava pesquisando sobre um novo caso para os três.
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