Another: The Curse

1 O valor de uma vida, a tristeza da perda


Notas iniciais
Desde já agredeço a S_Darkness por sempre me motivar!

Alguns consideram a morte algo de todo ruim, pois ela retira nossos entes queridos. Outros, a tratam como algo relativamente bom, pois torcem para que aqueles que forem levados estejam em um local pior.Ainda existem aqueles que sabem o quanto é inevitável é a morte,que é apenasum dos estágios no ciclo da vida. Não se pode generalizar os sentimentos que a morte nos causa, exceto em um único e curto momento, da ocasião em que perdemos a pessoa em que mais nos importa. É nessa hora que, independente da nossa opinião sobre o assunto,sempre deixamos que um mesmo pensamento passe por nossa mente, é quando refletimos o quão injusta é a morte.

Foi assim que Usuke Korugame se sentiu quando viu o corpo de sua irmã sobre a maca do necrotério de Yomiyama. Não pôde conter as lágrimas que a muito não se mostravam em sua face.Deixou de lado toda a postura que havia construído com os anos de carreira na polícia de Tóquio. Olha para a foto de sua irmã na lápide onde havia sido enterradaera para ele um tormento, pois se culpava pela morte de Sakura, mas não poderia deixar de ir até o cemitério diariamente, sentia-se obrigado a visita-la.

E foi assim que tudo começou para ele. Ali parado diante do retrato da garota ele se lembrou de tudo o que ouviu naquele fatídica noite em que viu o corpo de Sakura no necrotério, quando os boatos começaram.

[...]

O som do ar condicionado era a única coisa que impedia o silêncio de reinar dentro da sala.Os dois homens permaneceram sentados, olhando os papéis que a poucoestavam dentro do envelope pardo. O clima pesava sobre eles, por alguns minutos, ambos permaneceram sem pronunciar palavra alguma.

– Meus pêsames, Usuke. Essa é certamente uma notável perda, não só para você. Como também para toda a Yomiyama -disse o velho legista em um tom triste e com uma voz rouca, mas carregada de sentimentos -Sakura era uma menina meiga e encanadora, além de serextremamente inteligente e simpática. Com toda a certeza, um prodígio entre os adolescentes da cidade.

O doutor Oomura Kirioha era um dos mais respeitáveis médicos da cidadede Yomiyama e amigo de longa data da famíliaKorugame. Nascido na pequena cidade, havia estudado em Tóquio,dedicando-se especialmente, àcardiologia. Aos 53 anos já era uma das referências japonesas nessa área.

– Ela havia conseguido uma vaga para estudar nos Estados Unidos — disse Usuke enquanto olhava para o laudo feito pela polícia local -Era o sonho dela desde criança. Um fim como esse, sónos faz pensar o quanto nossa vida pode ser insignificante.

– De fato, a vida é tão curta... enfim, olhando para esses documentos, parece que Sakura realmente andava desenvolvendo hábitos incomuns -falou o Dr. Oomura enquanto largava os papépis sobre a mesa -O que ela estaria fazendo tão longe da escola em pleno horário de aula?

– Não sei Doutor. De acordo com os amigos dela Sakura não havia demonstrado nenhum comportamento diferente. Atéa horas antes de sua morte parecia agir de forma comum — seus olhos não saíam dos papéis, mas pareciam distantes, como se ele pensasse em outra coisa.

– A polícia classificou como suicídio. Acha uma hipótese possível, Korugame-kun?

– Não sei dizer, há meses que não via. Meu trabalho em Tóquio ocupou todo o meu tempo, por isso a deixei sobre os cuidados de nossa tia, Meiko. Foi meu grande erro.

– Mas Meiko-chan não teve culpa alguma, afinal, estava trabalhando quando tudo ocorreu.

– Não me refiro a isso, mas sim ao fato de que não pude protege-la como prometi para meus pais — sua expressão pareceu ainda mais sombria e triste.

– Também não é culpa sua — disse o velho ao acender seu charuto — Pois bem. Não sei como te ajudarcom isso Usuke — apontou para os papéis — parece totalmente fora da minha área

–Eu sei, porém, algo me deixou mais curioso do que o comum. De acordo com o relatóriodo legista, Sakura havia morrido devido àhemorragia que sofreu, culpa do corte em sua garganta.A faca em sua mão continha traços do seu sangue e apenas suas digitais, o que consolidou a ideia de suicídio, porém, no mesmo relatório consta um defeito encontrado no coração, uma artéria rompida de dentro para foda — essas palavras fizeram a expressão do doutor mudar, sua sobrancelha direita subiu alguns milímetros, e seus olhos fixaram-se sobre os papéis nas mãos deUsuke — Apesar disso, não consideraram para morte se não o suicídio.

– Realmente, é um mistério dignodas obras de Sir Arthur Conan Doyle — disse o velho enquanto expelia fumaça do charuto — Preciso ter acesso a todos exames feitos pelo logista, talvez encontre algo a mais que possa esclarecer tudo isso.

Um brilho nos olhos do jovem investigador, porém foi de forma breve e quase imperceptível. Levantou-se da cadeira e guardou os papéis dentro do envelope.

– Farei o possível para conseguir todos papéis — disse enquanto fazia uma breve referência para omédico — Obrigado por disponibilizar seu tempo Kirioha-senpai.

–- Não há de quê. Sabe, você me lembra muito o seu pai, meu velho amigo Hiru -sua voz parecia carregar uma tristeza ainda maior que anteriormente, como se as lembrançaslhe deixassem ainda pior.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.