Another Point of View - Bea's POV
2 O começo do fim do que nem sequer havia começado.
“Ela é bonita. Sem graça, mas bonita.” — eu recebi a mensagem logo depois de ter passado por ela com Ana ao meu lado.
— Siga os seus agora e vai dar tudo certo. Eu estou no segundo ano, então minha sala é para o outro lado. Por favor, só, por favor, não se perca me obrigando a ir te achar, Anastacia. – eu disse a novata e em seguida saí na direção oposta, voltando minha atenção para o celular.
A garota tinha cerca de um e sessenta, cabelos ondulados e ruivos, era magra e não tinha músculos nem sequer para aguentar uma semana de treinamento. Alberta não tinha mentido em nada quando disse que ela era despreparada e eu não esperava que ela fosse aguentar. Ela não falava muito, além de reclamar e gemer quando algo doía, mas seus olhos castanhos expressavam tudo que ela não dizia. E claro, seu rosto era parecido com o de sua mãe e de sua irmã, Rose Hathaway, a dhampir em quem eu me inspirava desde pequena.
“Sim, ela é.”— eu respondi.
Quando recebi cinco pontos de interrogação e nada além, percebi que tinha feito algo errado.
“O que foi?”— eu tentei perguntar.
Silencio em resposta.
“Ciúmes? Sério?”— eu tentei mais uma vez e dessa vez recebi um emoji raivoso.
Suspirei e tentei focar na aula, mas sabia que eu pagaria pela simples afirmação que tinha feito.
O que nós tínhamos, era como se fosse um relacionamento aberto, mas é claro que às vezes nós brigávamos por ciúmes. O problema é que não havia muito que nós pudéssemos fazer, uma vez que entrar em um relacionamento fechado, exigia que nós tivéssemos alguma noção do que nós éramos, mas nunca chegamos a discutir sobre isso.
As aulas do primeiro tempo sempre passavam rápido e logo eu estava, mais uma vez caminhando apressadamente até o vestiário.
— Vai me ignorar o resto do dia? Mesmo? – eu sussurrei em voz baixa, mexendo em meu armário que era ao lado do seu.
— Não sei.
— Ah, pelo amor do que for sagrado! Você que disse que ela era bonita!
Ela cruzou os braços e parou o que estava fazendo me encarando.
Quando estávamos discutindo, contanto que ninguém ouvisse o assunto, ninguém percebia nada. Nós sempre estávamos brigando mesmo. As pessoas acreditavam que nós nos odiávamos, então a tensão não era vista como realmente era.
— Engraçado. Não posso reclamar de você andar para cima e para baixo com sua Moroi, mas se eu arranjo uma amiga...
— Não é a mesma coisa!
E então as pessoas começaram a parar e perceber que estávamos brigando, esperando que saíssemos no braço ou algo assim e ela ao perceber as pessoas olhando, fechou a porta de seu armário com toda força e saiu.
Ia ser uma aula maravilhosa, uma vez que eu não deixaria que ela descontasse sua raiva na novata, já que era minha responsabilidade.
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