Another Point of View - Bea's POV
7 Lembranças de um antigo amigo
Depois de pagar Nico, meu fornecedor – um dhampir de treze anos que comandava uma espécie de tráfico de doces e salgados dentro da St. Vladmir, eu peguei a sacola que continha à encomenda – a maioria torrões de açúcar e salgadinhos – e coloquei em minha mochila, seguindo para o quarto de Ana.
— Sério, um dia você precisa me dizer onde e como você arranja isso tudo. – Ana me disse quando eu esparramei a sacola em sua cama.
— Vou pegar algo para beber. Não toquem em nada até que eu volte! Eu quero provar cada um desses! – disse Angeline, se levantando e saindo.
Eu levantei as mãos para cima e me sentei no chão, encostada na cama, Ana fez o mesmo. Percebi que suas mãos estavam mais calejadas que o normal.
— Como está indo a reforma da biblioteca?
Ela deu de ombros. Algo a estava chateando.
— Dane tem ajudado?
— É, ele faz tudo que eu peço, mas eu evito falar com ele além do necessário.
Ela gostava dele. Não era capaz de assumir ainda, mas eu sabia disso. Ele era – na maior parte do tempo – um idiota alcoólatra, mas eu via como ele a afetava. Só não entendia como ou porque.
Dane Zeklos era um Moroi da realeza, alto, com cabelos loiros e olhos azuis que era a versão mais bonita e menos cruel do irmão, Jesse. Nunca tínhamos conversado de verdade, mas nos conhecíamos desde criança, na época em que nossos irmãos mais velhos eram obrigados a nos levar a tiracolo para todos os lugares e conforme ele crescia, todos entendiam que ele se inspirava e se rebaixava por Jesse. Ele era mais inteligente, mas não se importava em se empenhar nisso. Era mais bonito, mas não brincava com as garotas como Jesse e depois de começar a namorar Gwen, ele simplesmente se tornou uma sombra dela. É claro que para as pessoas que só olhavam por fora, ele era incrível. Alguém que ficou no lugar de Jesse e pode ter e fazer o que quiser. O grande mal das pessoas é achar que se você anda com esnobes e age como se tivesse toda confiança do mundo, você não tem problemas e sua vida é perfeita. Dane estava longe disso.
Eu me perguntava por que ele fazia questão de ser sempre invisível ou a sombra de alguém. Talvez porque ele não se especializou em nenhum dos elementos, ele ache que sempre dependerá de alguém para viver.
Lembro quando eu o encontrei bêbado debaixo da minha janela e depois de considerar entrega-lo, eu resolvi ser uma boa pessoa e desci para ajuda-lo.
— Espero não estar incomodando. – ele disse, sorrindo apatetado.
— A mim não, só as plantas que você está amassando, mas acho que elas já estavam morrendo mesmo. – eu disse e estendi a mão para que ele levantasse.
Depois de vê-lo tentar duas vezes, eu me abaixei e fiz com que ele se apoiasse em mim, conseguindo coloca-lo de pé.
— Hey, acho que lembro de você! – ele disse me encarando. – Você é a gordinha meia-irmã do Ralf, certo?
Gordinha. Eu suspirei e olhei para cima. Às vezes tentar ser uma boa pessoa era um saco.
— Poxa, você emagreceu muito. E cresceu. – ele disse surpreso.
— Acontece. – eu soltei e depois comecei a andar com ele em direção ao dormitório em que ele morava.
— Nós costumávamos brincar, lembra? E servir de escravos para Jesse e Ralf... – ele disse rindo.
Era verdade. Jesse e Ralf podiam até ser obrigados a andar com nós dois, mas éramos obrigados a fazer tudo que eles dissessem. Dane às vezes tentava fazer minha parte – já que eu realmente era baixinha e roliça – nem sempre dava certo e então nós dois éramos punidos.
— Sim, eu lembro disso. – eu respondi.
— Bea? – ele chamou depois de um tempo.
— Sim.
— Por que às vezes você fica com garotos se você se sente mal por isso?
Eu parei. Caramba, isso sim era mudança de assunto brusca.
— Como...?
— Não é como se eu lesse pensamentos, eu só... percebo as auras das pessoas e suas mudanças.
Bizarro. Ele provavelmente havia bebido algo a mais. Eu continuei andando e fiquei em silencio. Não entendia o que ele estava falando e na verdade nem tinha certeza se eu queria entender.
— Tudo bem, não precisa me responder. Só acho que você não devia fazer nada sobre pressão. – ele disse e o senti dando de ombros.
Lembro que depois de deixa-lo na porta, ele entrou e caiu no sofá, dormindo e eu voltei para o meu bloco. Até hoje me pergunto se não devia ter aproveitado o momento e continuado a conversa. Talvez mesmo bêbado ele pudesse me dar algum conselho ou se tornar um confidente, já que depois disso ele agiu como se nada tivesse acontecido e eu entendi que ele provavelmente nem lembrava daquela noite.
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