Another Life
4 Sentimentos
Notas iniciais
— Você já se apaixonou por alguém, você sabe, antes de me conhecer? — perguntou Jamie em uma noite qualquer, sua cabeça apoiada em sua mão e seus olhos piscando lentamente.
Respirei fundo.
— Na verdade, já sim — murmurei, deitada no colchão encarando o teto. Sorri com as lembranças que invadiram minha mente. — Foi uma experiência interessante. Trágica também, mas sobretudo interessante.
O silêncio dominou o quarto por alguns instantes; tempo suficiente para eu fechar meus olhos e iniciar caminho até a inconsciência. É claro que isso teria acontecido se um Jamie ciumento não tivesse me acordado.
— Qual era seu nome? — sua voz estava grave e séria; reconheci como ciúme.
Pisquei lentamente, tendo como visão novamente o teto da caverna.
— Austin.
— Mahone? — ele completou, com um sorriso que forçava despreocupação.
— Não acredito que você ainda se lembra de Austin Mahone — balancei minha cabeça, rindo fracamente.
— Qual é, ele fez sucesso quando éramos humanos e convivíamos com outros humanos.
— Você é humano e convive com outros humanos — repliquei.
— Você entendeu o que eu quis dizer — ele murmurou irritadiço. — Ele era famoso quando o mundo era um lugar normal. Quando pessoas da nossa idade tinham tempo para idolatrar pessoas famosas e não precisavam lutar todos os dias por sua sobrevivência.
Suas palavras ecoaram em minha mente. Para ser totalmente sincera, eu não repudiava tanto a nossa realidade precária de viver em uma caverna e sermos sobreviventes. Nós poderíamos nos considerar lutadores e não havia honra maior que aquela, pelo menos não em minha mente. Eu era uma lutadora e já precisei enfrentar muitos Buscadores; e, sim, eu ganhei deles incontáveis vezes. Eu ainda estou aqui viva, cheia de saúde e tenho a vida mais perfeita do mundo; muito mais perfeita do que eu teria se o mundo fosse um lugar normal.
— Tendo que lutar todos os dias, aprendemos a importância da vida — refleti, sabendo que tempos de guerra ensinam as pessoas a valorizarem aquilo que elas nunca haviam notado; era um ensinamento diário viver com a vida por um fio. Você aprende a suportar, a superar, a levantar a cabeça e seguir em frente. É preciso deixar de lado algumas necessidades que algum dia já foram consideradas imperativas ao longo da vida; e realmente viver. Experimentar o gosto amargo e doce da vida.
Jamie não teve o que falar diante de minha posição. Ele ficou em silêncio, com a face séria, olhando para além de mim. Tentei imaginar por quais caminhos sua mente caminhava, contudo não cheguei a conclusão nenhuma. Sua falta de expressão no olhar não indicava absolutamente nada.
— Acho que deveríamos dar uma volta lá fora — ele murmurou, e eu não consegui entender sua intenção por trás daquela frase. Queria ter protestado, eu estava cansada por ter trabalhado na colheita o dia todo e queria simplesmente dormir, porém cedi ao seu pedido. Sentia que a nossa conversa não tinha chegado ao fim.
Ele segurou em minha mão enquanto andávamos em silêncio através da caverna adormecida. Não havia nenhuma luz; a noite fazia tudo ficar assustadoramente escuro. E, mesmo assim, eu não temi. Ainda sentia a mão de Jamie envolvendo a minha.
Quando alcançamos o deserto, o frio da noite me envolveu sem delicadeza nenhuma. Senti-me cortada por dentro. Sem proferir nenhuma palavra, Jamie tirou seu moletom e me vestiu com ele.
— Você vai ficar com frio — protestei, constando que ele utilizava somente uma camiseta branca fina.
— Faça-me o favor — ele replicou, andando comigo em seu calcanhar. — Ainda me resta um pouco do cavalheirismo que o meu pai me ensinou.
— Mas eu posso aguentar o frio — insisti, olhando em seu rosto iluminado pela lua prateada. Ele parou seus passos e respirou fundo, virando seu rosto diretamente para mim. Parecia nervoso, mas seu rosto na luz da noite foi a visão mais linda que eu já tive em minha vida.
Seus malares acentuados, seus dentes cerrados, seu cabelo escuro se agitando com o vento, seus olhos que sempre se derretiam, de repente firmes e escuros. Sua postura tensa tendo que aguentar o frio que ameaçava abalá-lo, o fato de ele ter me entregado sua blusa sabendo o que teria enfrentar, seus músculos definidos de sobrevivente transparecendo na camiseta fina. Tudo isso e mais um milhão de outros motivos me fez suspirar pesadamente, lançar minhas mãos em seu rosto e ficar na ponta dos pés, afundando-me em seus braços enquanto nossos lábios se transformavam em apenas um.
Ele me segurou firme, correspondendo ao meu beijo com ardor. Meu corpo todo queimava com o nosso contato, a nossa aproximação. Eu tinha um pedaço do céu em minha boca e milhares de estrelas em meus olhos fechados. Eu senti todo o melhor turbilhão de emoções que o universo pode proporcionar quando você está na presença de seu parceiro.
Suas mãos que me sustentavam firmemente me traziam calma. O que antes era um vento frio e desconfortável, de repente se tornou uma brisa quente de verão. Eu queimava internamente com a dança de nossos lábios, com a eloquência de suas mãos.
Ele me reconstruiu, pedaço por pedaço, sempre me recolhendo quando eu me quebrava, e levou tempo para fazer isso. Mas com apenas um beijo tinha o incrível poder de me desmontar inteira. E o que eu podia fazer senão amar isso?
Quando separamos nossos lábios, eu me sentia muito mais calma para me sentar no chão de areia e ser acompanhada por Jamie. Ele me abraçou e eu apoiei a cabeça em seu peito, porque era o lugar em que eu ficava mais confortável.
— Por que me trouxe até aqui? — sussurrei, contemplando as estrelas e a lua no céu.
— Eu achei que fosse um lugar melhor para você realizar um pedido meu — ele murmurou, brincando com os meus dedos que ele envolvia.
— Qual pedido?
Ele não me respondeu a princípio, simplesmente se afastou e sentou-se de frente para mim, envolvendo minhas duas mãos. Parecia que conversaríamos.
— Feche seus olhos — ele ordenou delicadamente. Quando estava prestes a protestar, ele me interrompeu. — Por favor. Faz parte do pedido.
Com relutância, inspirei pesadamente antes de me privar da sua visão. Ele ainda segurava em minhas mãos.
— Agora, recorde-se de Austin. Todos os detalhes. Se quiser, narre-os para mim. Se não quiser, simplesmente não fale.
— E depois disso? — murmurei apressada.
— Uma parte por vez.
Tentei lembrar-me de Austin, dos detalhes, de como ele era, de como eu me sentia. Contudo, era impossível me concentrar tendo consciência que tinha um Jamie passando frio na minha frente.
— Não consigo me concentrar — resmunguei com os dentes cerrados.
— Shhh — ele sussurrou. — Consegue sim. Esqueça-se de mim, da noite, do deserto. Se concentre em suas lembranças. Apenas nelas; vamos lá, Susi, você consegue.
Levei algum tempo para realmente conseguir. As lembranças sempre escapavam de minha mente e eu não conseguia alcançá-las a tempo. Uma delas, porém, eu consegui. E então, em um passe de mágica, eu estava em outro lugar, com outras pessoas, pensando diferente. Era quase como se... outra pessoa estivesse em meu corpo, pensando outras coisas, agindo diferente. Estava amargurada ainda.
≈ ≈ ≈
Ele apareceu em minha vida de repente. Foi em um dia qualquer, no qual eu e minha mãe havíamos ido a uma casa saquear comida e talvez algumas roupas. Rotina comum em nossa realidade.
Estava no quarto de uma das moradoras da casa e pegava camisetas e calças jeans que me servissem enquanto minha mãe saqueava a cozinha. Consegui encher uma bolsa inteira com roupas simples e completamente úteis. Estava orgulhosa de meu trabalho enquanto voltava para a cozinha para contar para a minha mãe; porém sua voz me paralisou no lugar.
— A ou H? — era um código nosso, o qual significava “Alienígena ou Humano”. Era para testar se a pessoa era humana ou não antes de enfiar em sua cara uma lanterna. É claro que na época não tínhamos consciência do fato de os alienígenas se autodenominarem como “almas”, que também começava com A. E também não conhecíamos o termo “hospedeiro”, que também começava com H. Resultado: nosso código era ambíguo e nada seguro. Até os alienígenas poderiam compreendê-lo e então estaríamos encrencadas. Por sorte, isso nunca aconteceu.
Mas aquilo só poderia significar uma coisa: havia outra pessoa ali. Segurei minha respiração.
Uma voz masculina, não tão madura, respondeu depois de um bom tempo.
— H — foi apenas uma letra, mas o suficiente para minha mãe se encorajar em iluminar seus olhos com a lanterna. E, sim, ele era um humano. Um humano jovem, contudo que tinha porte de sobrevivente. Bem curioso.
Ouvi minha mãe suspirar.
— Poxa, você me assustou, rapazinho — ela exclamou e eu ouvi seus passos. Provavelmente foi abraçá-lo, pois tinha essa mania de abraçar o tempo inteiro. Era agradável de sua parte.
Ele riu constrangido.
— Não foi minha intenção, na verdade — ele murmurou.
— Ah, eu sei que não. Não se preocupe — mamãe apressou-se em dizer. — Quantos anos você tem?
— 14 — ele respondeu. Rapidamente, fiz as contas em minha cabeça. Ele era dois anos mais velho que eu.
— A minha filha tem 12 — ela gabou-se, provavelmente sorrindo.
— Você tem uma filha? — ele questionou.
— Sim! Quer conhecê-la? É claro que quer. Vamos lá.
Eles começaram a andar em minha direção e eu tive de preparar um mini teatro, para fingir que não tinha ouvido nada. Respirei fundo e comecei a andar em sua direção despretensiosamente, como se tivesse acabado de sair do quarto.
— Ah, você está aqui — minha mãe exclamou quando nos esbarramos na escuridão.
— É — assenti, rapidamente desviando o olhar para o rapaz que ela abraçava. Ele era louro e tinha olhos castanhos. Sardas se destacavam em seu nariz e pouco abaixo de seus olhos. Meu cenho se franziu como se eu tivesse curiosa para saber quem ele era.
— Ah, sim. Ele é o...
— Austin — ele completou, rindo fracamente.
— Isso aí. Ele é humano. E eu estava pensando em talvez...
— Acolhê-lo? — completei com as sobrancelhas arqueadas.
— É.
— Bem... — suspirei pesadamente. — Quantos anos você tem?
— 14.
— Vive sozinho?
— Sim.
— Desde quando?
— Desde que o mundo virou ponto de encontro dos alienígenas.
— Seus pais?
— Capturados.
— Como você descobriu que todos estavam diferentes? Por favor, sem o lance do olho.
Ele suspirou.
— As atitudes de meus pais me fizeram perceber que...
— Você está mentindo.
— Por que você está dizendo isso?
— Deu muitas explicações. Até então você tinha sido direto.
Ele ficou em silêncio por algum tempo.
— Cicatrizes.
— Explique.
— Meus amigos estavam com aquela cicatriz no pescoço. Todos eles. E então eu comecei a prestar atenção. Achei muito estranho. Aí veio o olho, e por último o comportamento.
— Por que mentiu?
— Achei mais sofisticada aquela resposta.
— Alguma outra pessoa já descobriu outra mentira sua?
— Bem, algumas pessoas.
— Vai ter que treinar a mentir, mas passou no teste principal — sorri de canto, com o nariz empinado. — Começamos o treinamento amanhã.
Quando eu me afastei em passos confiantes, ouvi ele dizendo para a minha mãe:
— Ela é sempre assim?
— Às vezes pior. Mas você se acostuma.
Não pude deixar de sorrir.
≈ ≈ ≈
— Parece ter sido divertido — disse Jamie enquanto eu ainda não podia ver seus olhos.
— E foi. Ele me fazia companhia em um mundo em que ninguém era seguro. Não era o melhor protetor ou algo do tipo, mas tinha algum jeito para sobrevivência. Minha mãe praticamente o adotou — ri fracamente com as lembranças que borbulhavam em minha mente. — Eu gostava dele. De verdade. Não como eu gosto de você, mas era algo verdadeiro. Passávamos dias e noites conversando. Os nossos assuntos nunca acabaram. Nunca. E pareciam que nunca acabariam. Até que...
— Como foi? — Jamie murmurou e sua voz parecia um pouco consternada.
— Não muito agradável — sussurrei, estremecendo. — Alguns meses depois de o encontrarmos, um grupo de Buscadores se aproximou. Eles foram sorrateiros e espertos; nos analisaram por dias. Quando resolveram atacar, não tivemos tempo. Austin foi o primeiro e último. Eu queria ter ficado, lutado, socorrido ele. Eu o amava, muito, e não tinha tido chance nem de beijá-lo. Mas a minha mãe... bem, ela se preocupou primeiramente com a minha segurança. Sua primeira reação foi me arrastar com ela, sempre com a arma pronta. Disse que voltaria buscá-lo.
O meu tempo de silêncio preocupou Jamie, mas antes que ele pudesse falar eu completei:
— Isso nunca aconteceu — minha voz estava rouca e fraca. Estava com vontade de chorar. — Quando voltamos, já era tarde demais. Eu ainda alimentava esperanças de que ele tivesse conseguido fugir; em minha cabeça, ele era forte o suficiente para isso. Na verdade, ele era bem fraco. Não lutou. Não me encontrou. Nunca mais o vi.
Jamie brincou com os meus dedos que ele segurava, contudo em nenhum momento me conduziu a abrir meus olhos. Estava começando a me acostumar com a escuridão e o vento.
— Sente sua falta?
— Não — respondi imediatamente e eu sabia o quão sincera estava sendo. — Ele foi bom, naquele tempo. E talvez tivéssemos ficado juntos se ele não tivesse sido capturado. Quem sabe? Mas hoje, na condição em que vivo, eu não sinto sua falta. Seu momento comigo já passou — citei a frase Lily porque sabia que ela era real e fazia um terrível sentido para todos que já perderam alguém e superaram.
— Sinto muito — Jamie murmurou.
— Não, não. Tudo bem. Eu realmente não me importo em falar disso. Não se preocupe.
Eu não podia vê-lo, mas sabia que tinha um sorriso fraco em seus lábios enquanto ele me observava de postura reta, olhos fechados, expressão relaxada. Estava tudo bem.
— Ok, segunda parte do pedido — ele disse. — Diga o que sente por mim e compare com o que sentia por Austin. Eu sei, é meio absurdo. Mas... estou meio inseguro.
— Quer que eu te encha de elogios? — zombei, rindo tranquilamente.
— Não, não é nada disso...
— Eu entendi, Jamie — apressei-me em dizer. — É sério. Não se preocupe — inspirei profundamente, me concentrando. — Eu amava Austin. E era um amor de criança, sabe? Verdadeiro. Eu gostava de amar ele. Era uma sensação inédita; o primeiro amor, a primeira paixão. Quero dizer, qual menina não gosta? Estava perdidamente apaixonada por sua coragem e tudo o que vinha com ele. Era profundo. Mas era coisa de adolescente, uma fase, até mesmo na época eu sabia. Talvez se nunca tivéssemos sido separados aquilo tivesse se transformado em um namoro que duraria para sempre. Porém, isso não aconteceu. Não queria que tivesse acontecido.
Parei por alguns instantes, reunindo tudo o que eu sentia por Jamie para fazer uma comparação boa o suficiente. Ele merecia.
— Já com você foi um milhão de vezes diferente — suspirei. — Não gostei de você no começo, aquele seu jeito curioso e intrometido me incomodava. Tinha consciência de que você poderia descobrir meu segredo com os seus questionamentos e tudo aquilo. Eu não queria ser invadida. Mas você soube administrar muito bem a sua curiosidade, Stryder. Soube as perguntas certas, as investidas certas. E, quando já era tarde demais para a minha cabeça e o meu coração, eu estava apaixonada por você. Por tudo o que te compunha. Teu jeito intrometido, curioso, cuidadoso e ao mesmo tempo irresponsável e impensável. Estava apaixonada pela sua cicatriz no joelho, pelas suas histórias, pela sua presença. Por seu jeito marrento que sempre emburrava comigo. Eu odiava aquilo, mas queria te beijar também. O tempo todo. Queria me jogar em seus braços e me declarar.
“Não pense que eu nunca perdi noites te amando em meus pensamentos; e não se iluda pensando que eu nunca passei noites te odiando por pensamentos. Jamie, você era tudo o que eu precisava. Aquele momento entre o perfeito e o imperfeito, que fazia tudo ficar na medida certa. Você sempre foi aquele que soube conduzir a dança e ser o melhor parceiro do mundo. Seus olhos derretidos, seu cabelo escuro e rebelde, sua postura firme. Tudo isso me faz... ter vontade de me jogar em seus braços todos os dias, em todos os momentos. Até mesmo quando você emburra comigo ou fica com ciúme sem motivo — parei por um momento, sorrindo. — Poxa, eu realmente estou falando como uma garotinha. E estou agindo como se você fosse a minha melhor amiga. Mas isso é porque você realmente é. Meu melhor amigo, meu melhor namorado, meu melhor irmão — as minhas palavras estavam carregadas de uma verdade inquestionável. Ele nunca poderia duvidar de mim. Respirei fundo. — Pronto, está feito. É isso. Eu fiz o que você pediu, eu te beijei mais cedo porque você é lindo e eu te amo mais do que poderia imaginar.
Não tive tempo de falar mais nada. A próxima coisa que eu senti foram as suas mãos impetuosas segurando em meu rosto e seus lábios cobrindo os meus. A minha reação foi enlaçar o seu pescoço e corresponder ao beijo como se fosse o último de minha vida. Éramos nós dois, sentados no meio do deserto, nos beijando. Sim, isso foi ridiculamente piegas. Mas quem não quer um romance desses? Era assim que eu realmente me sentia. Tudo aquilo que eu disse era real. Mais real do que muita coisa que eu já tinha dito durante a minha vida de mentiras.
Momentos raros como esse devem ser preservados em nossas mentes pelo resto de nossas vidas. Para sabermos que, quando tudo estiver dando errado, algum dia deu certo. E que o dia certo pode sempre voltar, pois lamentar não é a melhor opção.
Você gostaria de passar a sua vida lamentando por aquilo que nunca aconteceu? Mesmo com o cenário pós-apocalíptico de minha vida, eu sabia aproveitá-la muito bem. Sim, eu vivia em uma caverna e não tinha meus pais. Talvez algumas pessoas me detestassem. Contudo, eu tinha Jamie e meus irmãos. E várias outras pessoas. Que me abraçavam, me beijavam e faziam eu me sentir como sendo a pessoa mais feliz do universo. Principalmente em momentos como aquele que eu estava vivendo. E, Deus, como eu amava aquilo.
A dança de nossos lábios continuou noite adentro. Mas eu queria que tivesse durado a nossa vida inteira.
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