Another Life
2 Contando
Notas iniciais
— Você nunca me contou sua história completa — acusou Jamie, durante a noite que eu estava deitada em seu peito recebendo carinhos de suas mãos gentis. Havíamos acabado de tomar banho e jantar, então logo seguimos para nosso quarto.
— Não gosto de falar sobre isso — pronunciei baixinho e indistintamente, estreitando os olhos.
— Mas... — ele iniciou, respirando fundo. — Não, esquece, deixa para lá. Você não gosta, portanto não precisa falar sobre isso.
Por um tempo, deixamos o silêncio da noite reinar sobre o quarto. Mudei-me para o quarto de Jamie não muito tempo depois do casamento de Mel e de Jared, e agora somos oficialmente — no sentido mais verdadeiro da palavra — namorados. Contudo, estar tão perto dele era desconcertante. Desconcertante por eu me sentir confortável. Eu nunca me sentia confortável.
— Tudo bem — suspirei, fechando meus olhos em rendimento. — O que quer saber?
— Você falará sobre isso? Tem certeza? — ele investigou e consegui sentir em mim o toque de preocupação em sua voz.
— Eu tinha medo — confidenciei, mordendo meu lábio inferior. — Para ser sincera, ainda tenho. Tenho medo dos fantasmas do meu passado. Algumas coisas me... traumatizaram. Foram traumas emocionais e é... complicado falar sobre isso. Contudo, o escolhi para ser meu parceiro, portanto você merece. Com certeza sim.
— Se não se sentir à vontade... — ele começou com a voz rouca.
— Eu sei, eu devo parar se não me sentir à vontade. Porém... — parei por um momento, constrangida. A última parte da fala disse rapidamente e com a voz em um volume baixo. — Sei que você é capaz de fazer isso. Você pode me ajudar a enfrentar meus maiores fantasmas.
Ele emudeceu e um pavor sem sentido me tomou. Era como se o que tivesse dito fosse errado. Não deveria ter exposto o segredo de que ele era capaz de me ajudar a fazer coisas que eu nunca havia conseguido. Era insano, apesar de ser verdade.
— Fico... lisonjeado com isso. Sinceramente — ele me disse. Deu-me um empurrãozinho de leve apenas para eu me sentar e ficou sentado em minha frente, como um espelho de mim. Segurou em minhas duas mãos e sustentou meu olhar, me fazendo tremer inexplicavelmente. — Você pode falar o que quiser para mim. Eu ouvirei, sem nenhum julgamento. Não se preocupe.
Comovi-me com sua fala. Um sorriso gentil e pequeno se insinuou em meu rosto. Arrastei-me até mais perto dele e envolvi seu pescoço com delicadeza, entrelaçando meus dedos nos fios de seu cabelo e fechando meus olhos, maravilhada com a maneira como ele me tratava. Ele rodeou minha cintura com seus braços longos e fortes e enterrou sua cabeça em meus longos cabelos escuros. Estava protegida. Eu sabia.
Ele se afastou com lentidão, contudo ainda conseguia sentir o seu corpo tocando o meu. Era como se ele fosse capaz de se fazer extremamente perto mesmo com alguma distância. Ele respirou fundo e olhou intensamente em meus olhos. Sabia que quando fazia isso ele era capaz de ler minha alma e de desvendar tudo sobre mim, todavia não me importava. Ele podia me conhecer.
— Qual a sua primeira lembrança? — perguntou de maneira cautelosa, sustentando meu olhar com firmeza.
Puxei o ar entre meus dentes.
— Poxa, minha primeira lembrança! — exclamei, percebendo o quanto a tristeza conseguia me atingir rapidamente. — Ela ainda está... muito vívida dentro de mim. É assustador o quanto eu consigo senti-la, mesmo depois de tanto tempo.
— Se não quiser falar... — ele repetiu, balançando a cabeça.
— Eu quero — esclareci, repreendendo-o firmemente com o olhar. — E eu vou. Caso não consiga terminar eu paro, mas eu quero falar. Quero me livrar de tudo isso.
— Tudo bem — ele sussurrou com os olhos arregalados e pegou minhas mãos novamente, agindo como uma âncora.
Suspirei vacilante e tentei não tremer.
— Eu tinha em torno de sete anos — comecei, franzindo o cenho com todas aquelas cores e sons de minhas lembranças. Cores e sons que somente eu conseguia ver e ouvir, o que me desconcertava. Não tinha ninguém para compartilhar exatamente o que eu senti naquele momento, ninguém conseguiria imaginar como foi. Foi o extremo. O ápice do medo. Após uma curta pausa, continuei: — E, obviamente, não entendia muitas coisas. Não entendia, por exemplo, por que tinha que viver em condições precárias enquanto crianças da minha idade tinham casas para morar. Não entendia por que não podia fazer parte da civilização. Eu queria um amigo. Apenas isso. Alguém para brincar comigo. Um desejo simples. Infantil. Uma carência muda e perigosa em nossas condições...
— Mamãe — chamei sua atenção em um dia que ela resolveu que ficaríamos em um barracão abandonado por um tempo. — Por que não temos casa?
Ela parou o que estava fazendo imediatamente e me encarou com os olhos semicerrados. Apesar de minha pouca idade, compreendi o desespero em seu olhar estreito e cheio de zanga.
— Ora, e precisamos ser igual a todos os outros? — ela questionou rispidamente, fazendo-me recuar.
— Não, mamãe — murmurei receosa. — É que... parece ser tão legal e confortável. Também parece que todas as pessoas que tem casa têm amigos. Eu queria ter uma casa, para assim poder ter um amigo.
Suas emoções oscilavam, eu percebia. A zanga tinha ido embora e lágrimas se alojaram em seus olhos azuis. Ela me olhou com uma ternura assustadora que me fez desandar. O zelo era tudo que eu conseguia perceber em sua expressão preocupada.
— Oh, minha filha — ela sussurrou, me puxando pelos ombros e apoiando sua cabeça na minha. — Não se preocupe. Essas pessoas que têm amigos, na verdade, não são boas e muito menos felizes. Você será mais feliz que todas elas. Tenha um pouco de paciência.
Contudo, eu não conseguia compreender o que ela queria dizer por trás daquelas palavras. Ter paciência? Isso não fazia sentido. Soava errado. Tinha pressa de ser feliz e de viver. Tinha uma extrema vontade de ter amigos.
Naquela noite, quando ela saiu para pegar comida para mim (ela sempre fazia isso, o que eu não entendia. Por que nunca podia ir junto?), me fez prometer que ficaria em nossa “casa”. Eu prometi. Apesar disso, no momento em que vi uma garota na rua, meu instinto foi maior que eu.
Saí silenciosamente do barracão. Escondi-me atrás de uma moita e, quando ela estava perto o suficiente, saltei de lá gritando, com o intuito de assustá-la. Ela também gritou, porém quando percebeu que tudo estava bem se acalmou e começou a rir. Sorri para ela.
— Qual seu nome? — ela me perguntou inocentemente.
— Susan — esclareci. — E o seu?
— Iluminada pelo Sol — ela disse e não consegui evitar rir de sua cara. — O que foi? — questionou franzindo o cenho.
— O seu nome — expliquei. — Ele é definitivamente muito estranho.
— Não acho — ela murmurou desviando o olhar. Após um curto suspiro, me perguntou: — Bem, você estava brincando para estar suja dessa maneira? — a maneira doce como ela proferiu as palavras não me deixou com ressentimento.
— Mais ou menos — resmunguei erguendo os ombros e não entendendo por que estava mentindo. A verdade é que eu não conseguia entender nada do que estava acontecendo naquele dia.
— Vamos para a minha casa — ela ofereceu com um sorriso gentil em seu rosto. — Lá você pode tomar banho. Eu te empresto uma roupa. Tudo bem?
— Claro — confirmei, feliz por estar sendo tratada de maneira tão atenciosa. Por que minha mãe disse que essas pessoas não eram boas?!
Fomos para sua casa e seus pais me receberam de maneira atenciosa igualmente. Iluminada pelo Sol me arrastou até o banheiro de sua casa, onde me deu toalha e roupas para eu me lavar. Extremamente grata, tomei banho depois de dias. Vi toda a sujeira indo embora pelo ralo e me senti de uma maneira estranha mais leve quando saí de baixo do chuveiro.
Saí do banheiro vestida e segurando minhas antigas roupas em meus braços. A garota sorriu para mim e me guiou até seu quarto, para brincarmos de boneca. Estava achando tudo tão fascinante que até me esqueci de minha mãe.
— Onde você mora? — Iluminada pelo Sol perguntou, me estendendo uma Barbie.
— Ahn... Na verdade, eu me mudo bastante — justifiquei triste. — Não tenho nenhuma casa definitiva.
— Isso é estranho — ela refletiu com um biquinho confuso em seus lábios. — De qual planeta você veio, afinal? Ou a Terra é seu primeiro planeta?
— O quê?! — exclamei, iniciando uma sequência de risadas estranguladas. — Não existe vida em outros planetas! — esclareci, considerando-a anormal.
Entretanto, naquele momento um carro virou a esquina. Em um dia qualquer eu não o teria percebido, mas naquele breve instante foi imperativo esse fato. Um carro havia virado a esquina e seus faróis atingiram meus olhos e me cegaram momentaneamente, obrigando-me a esconder meu rosto. Ouvi algo indistinto e estranho vindo de perto de mim. Era agudo e penetrante. E me fez recuar de susto.
Demorei alguns instantes para perceber que Iluminada pelo Sol havia gritado e se levantado bruscamente.
Ela me olhava de cima, com os olhos cheios de medo.
— O que foi? — estreitei meus olhos, perguntando inocentemente. “Essa aí deve ser louca”, pensei.
— Você é humana — sussurrou, como se a palavra e a situação fossem erradas.
— Assim como todas as outras pessoas — revelei, rolando meus olhos nas órbitas.
— Mãe, pai — ela gritou, olhando-me com os olhos arregalados e cheios de lágrimas. Voltei meu olhar para suas mãos, que tremiam instáveis ao lado de seu corpo. Quis avisar-lhe que estava tudo bem e que eu não faria nada contra ela. Cheguei ao ponto de ajoelhar-me em sua frente, mas o tempo me foi roubado. Seus pais haviam chegado ao quarto.
— O que foi? — perguntou sua mãe, analisando o rosto assustado da filha.
— Ela é humana — a garota sussurrou em transe.
Todos me encararam com olhos arregalados. Não entendi. O que eles queriam dizer com “ela é humana”? Todas as pessoas do planeta Terra eram humanas, certo? Ou será que errado? O que minha quis dizer quando disse que eles eram maus?
— Chame os Buscadores — a mulher disse para o homem com um falso tom controlado. Mas eu conseguia traduzir o medo escondido em seus olhos que me analisavam de soslaio.
Buscadores. Um termo completamente desconhecido para mim. Para eles parecia ser importante, fazer algum tipo de diferença. Para mim parecia ser inapropriado, ruim. Desejei me levantar e sair correndo. Voltar para minha mãe o mais rápido possível.
No entanto, eles foram mais rápidos. Chegaram em um bando e me levantaram do chão gentilmente. Suas roupas pretas me assustavam, faziam-me temer, tremer. Lágrimas de puro pavor começaram a inundar meu rosto. O que estava acontecendo?!
— Mãe — gritei a plenos pulmões e me debati, tentando me soltar da mão daquelas criaturas nojentas que me seguravam. — Mãe!
— Sua mãe é humana? — perguntou um dos “Buscadores”. Olhei cuidadosamente para sua cara rude e, ao mesmo tempo, gentil. Tive nojo daquela expressão, daquela voz, daquele tom. Tanto nojo que cuspi em seu rosto e voltei a me debater freneticamente.
— Vamos apagá-la — um deles ordenou, mesmo que com um tom brando.
Desesperei-me. Naquele milésimo de segundo em que ouvi aquela frase definitiva, tive vontade de correr para o abrigo dos braços de minha mãe. Desejei ajoelhar-me em sua frente e pedir perdão abraçando suas pernas. Não queria morrer. Estava arrependida. Soluços estrangulados irrompiam de minha boca. Eu não queria morrer. Apenas não queria morrer e deixar minha mãe. Não podia fazê-lo.
E então uma voz forte, alta, feminina e decidida me salvou. Eu a reconheceria em qualquer lugar do mundo. Era a voz do meu porto-seguro, da minha salvação. Era a minha mãe, que disse bruscamente:
— Não.
Olhei para ela que irrompeu da porta com uma expressão zangada. A zanga não se destinava a mim dessa vez. Ela estreitou os olhos e os encarou demoradamente.
— Soltem-na — ordenou.
Eles não a obedeceram. Pelo contrário, tentaram persuadi-la.
— Você é humana também? — questionou o Buscador em quem eu havia cuspido. — Renda-se. O mundo das almas é ótimo — “mundo das almas”? O que diabos isso significava?
— Soltem minha filha, ou eu meto uma bala na cabeça de cada um de vocês.
— Não tememos — disse outro rapaz que estava atrás de mim, seu tom imitando o dos outros.
Minha mãe, ou simplesmente Dona Sandra, sacou a arma com lentidão. Pensavam que ela estava blefando, na certa, pois se surpreenderam quando ela acertou o primeiro tiro na perna de um Buscador. O susto me rendeu a liberdade: eles me soltaram subitamente. Corri para trás de minha mãe, sabendo que ela me protegeria. Tentei agarrar sua cintura, mas a ação acontecia muito rapidamente ao meu redor. Não tive tempo de pedir perdão.
A última coisa que eu vi no rosto deles foi a ira. Mas no minuto seguinte, eu já estava correndo como uma verdadeira fugitiva ao lado de minha mãe que espremia minha mão com garra. Havia um batalhão dos chamados Buscadores que nos perseguiam, contudo não temi. Enquanto ela segurasse minha mão, eu teria certeza de que tudo estava no lugar, pois estaríamos juntas.
Eles nos perseguiram por dias a fio, mas minha mãe sempre os acertava em algum lugar, os paralisando pelo tempo suficiente para fugirmos. Escapamos daquela vez, mas nunca mais me arriscaria. Não era viável.
Eu estava chorando. Lágrimas escorriam por meu rosto enquanto meu corpo tremia. Minha voz havia se embargado. Não conseguia continuar.
Jamie puxou-me delicadamente contra seu corpo. Envolveu meus ombros e acariciou minha nuca, tendo paciência durante todos os momentos em eu fechava meus olhos e acreditava que estava acabada e que não tinha mais forças para continuar. Ele me manteve decididamente firme, balbuciando fracas palavras de consolo. Elas não diziam: “se acalme que tudo vai melhorar”, muito menos “mas agora você está feliz”. Ele me dizia a única coisa que eu queria ouvir:
— Ela te perdoou.
Solucei, agarrando o tecido de sua blusa com força.
— Mas eu não tive tempo de pedir perdão a ela — insisti com a voz embargada, como uma criança que quer convencer os pais de algo.
Ele entrelaçou os dedos em meus fios de cabelo e afastou meu rosto para sustentar meu olhar inseguro. Não tive vergonha de chorar em sua frente. Não tive vergonha de parecer vulnerável. Estava inchada, vermelha, trêmula e dizia coisas incoerentes. E mesmo assim não me importava.
— Ela te perdoou, mesmo que você não tenha pedido perdão para ela — ele murmurou, sustentando meu olhar rudemente. Parecia que estava prestes a brigar comigo, mas eu sabia que era somente uma tática para me fazer aceitar. Balbuciei algo indistinto. — Quieta! — ordenou. — Fique quieta e me escute. Sua mãe te perdoou quando você voltou para os braços dela. Ela te perdoou quando te viu presa nos braços daqueles Buscadores e, vacilante, sentiu que te perderia. Ela nunca guardaria um rancor tão insano quanto este. Ela te perdoou.
Fechei meus olhos e deixei que minha cabeça pendesse para frente suspensa por sua mão. Ele soltou os fios de meu cabelo e deixou que eu me aconchegasse ao calor de seu corpo e à força de seus braços. Por mais que ainda pensasse dever alguma satisfação à minha mãe onipresente em meus pensamentos, conseguia acreditar parcialmente nas palavras de consolo de Jamie. Talvez ele estivesse realmente certo e ela tivesse me perdoado sem que eu soubesse. E, se acreditasse ardorosamente nisso, talvez conseguisse me perdoar. Tinha uma baixa probabilidade de conseguir enfrentar o mundo junto com Jamie se acreditasse em suas palavras. Portanto, prendi-me a esse instável fio de esperança. Ele me manteria viva.
— E a garota? — perguntou Jamie após alguns instantes silenciosos.
Funguei, rendendo-me ao fato de não poder ficar aconchegada no calor gentil de sua pele chorando e me lamentando para sempre.
— Nunca mais a vi, para minha felicidade — sussurrei. — Entretanto... eu ainda tenho a roupa que ela me emprestou guardada. É a minha maior lembrança. E o que me manteve longe de pessoas por um longo tempo.
— É por isso que você considera difícil confidenciar essas coisas — ele deduziu, agindo como se nada tivesse acontecido.
— Em parte — dei de ombros. — É muito difícil confiar em qualquer um depois do que aconteceu.
— Eu também ficaria traumatizado — ele refletiu. Em seguida, pegou dos dois lados do meu rosto e sustentou meu olhar melancólico. — Você pode confiar em mim, tudo bem? Em qualquer um dessa caverna, na verdade.
— Eu sei — sussurrei, repousando minha mão em seu antebraço e fechando meus olhos. — Mas eu ainda tenho medo. E se um Buscador pegar alguém daqui?
— Aquele grupo disse que... — ele começou a negar. Abri meus olhos imediatamente.
— Exatamente. Aquele grupo. Quem pode garantir que outros não estão à procura de humanos?
Ele soltou o ar lentamente pela boca.
— Eu ficarei aqui com você. Prometo — Jamie era dado a falar esse tipo de coisas. Ele sabia consolar, esperar e ser aquele que ninguém era. Entretanto, quando ele proferiu aquelas palavras eu só consegui reparar em seu tom sincero. Não carregava aquele pesado fardo da obrigação de me consolar para conseguir me fazer feliz. Ele falava a verdade. Forcei o maior sorriso que conseguia.
Ele segurou meu rosto com suas duas mãos e limpou com suavidade as lágrimas que ainda escorriam de meus olhos antes de se aproximar lentamente. Seu cheiro, o calor que seu corpo emitia e tudo que tinha a ver com ele eram inebriantes. Apoiei minhas mãos em seus ombros suavemente e permiti que ele cobrisse meus lábios com os seus com delicadeza. Deixei-me ser consolada pelo seu toque gentil.
Naquele exato instante, era tudo que eu tinha.
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