Notas iniciais
Ai está mais um capítulo! Espero que gostem e boa leitura ^^

Junho de 2013.



Dois meses. Já havia se passado dois meses, quase três na verdade, desde o início da quimioterapia. Meses os quais passaram mais devagar que o comum; foram arrastados. Meses cheios de angústia, dor e medo. Medo do que poderia acontecer e do que estava acontecendo.

Soltou um suspiro e deu uma última olhada para a pia lotada de frascos quase vazios de remédios antes de encarar seu reflexo no espelho. Ah, como havia mudado; não só fisicamente, mas também psicologicamente. Ainda tinha cabelo, mesmo que pouco, e nem o médico conseguia explicar o porquê disso. E seus olhos... tão vazios que era difícil de acreditar que um dia eles já tivessem brilhado.

Seu psicológico então estava pior que seu físico. Hinata não ligava para mais nada e não se importava com o que as pessoas pensavam disso. Também não estava nem aí com os sermões que Ino e Sasuke lhe davam sobre continuar escondendo aquilo de Naruto; a vida, ou o pouco que restava dela, era dela e ela faria o que quisesse. Não que não tivesse tentado contar para o loiro sobre sua condição, muito pelo contrário, tentou diversas vezes, mas quando chegava a hora ela não conseguia. Ele sempre tão animado lhe contando sobre seus estudos e a experiência maravilhosa que estava sendo o trabalho que só a desencorajava a fazer o que deveria fazer. A verdade é que há mais ou menos um mês parou de tentar contar e quando a aparência começou a mudar deu um jeito de cessar as conversas que tinham por vídeo.

Respirou fundo e soltou o ar pesada e saudosamente enquanto pensava nele. Como sentia saudade de vê-lo... Mas sabia que deveria continuar sendo forte como estava sendo até agora. Deixou uma única lágrima rolar de seu olho esquerdo e logo tratou de sair do banheiro e voltar para a cama. Deveria ter tomado quatro pílulas, todas diferentes, mas, simplesmente, não estava afim. Queria voltar logo a dormir pois era o único jeito de não sentir nada; não sentir dor, medo, saudade ou culpa. Aquela era sua única válvula de escape.

– -



Ino espreguiçou-se e abriu um enorme sorriso quando a reunião acabou, que se abriu mais ainda ao ver que ainda eram quatro da tarde. Chegaria cedo em casa e poderia ver se Hinata estava bem.

Saiu apressada do prédio que trabalhava e, antes de ir para casa, passou no restaurante japonês preferido da amiga e pediu comida para as duas. Odiava cozinhar e a Hyuuga mal conseguia ficar em pé, quem diria preparar algo.

Assim que chegou no apartamento, deixou a bolsa e a blusa fina no sofá, a comida dentro do microondas e foi em direção ao quarto para se livrar dos altos saltos de uma vez por todas.

– Hinata! – gritou – Adivinha quem é a melhor amiga do mundo e passou no seu restaurante favorito para comprar o jantar? – dizia brincalhona enquanto retirava os brincos e colocava em cima de sua cômoda.

Mas nada. Nem um barulho pôde ser escutado.

– Hinata!

Mais uma vez, silêncio.

– Hinata?! – chamou preocupada, correndo em direção ao quarto da amiga.

Ao entrar no cômodo, encontrou a morena jogada na cama e com a cabeça pendendo para fora do colchão. Observou o chão em volta e viu uma extensa poça de vômitos da mesma.

A loira correu para sala e buscou desesperadamente seu celular por sua bolsa. Ligou para Sasuke pedindo para que ele fosse para lá e o moreno chegou em menos de cinco minutos. Nem ele sabe como conseguiu chegar tão rápido.

– Ino... Ino! Cadê a Hinata? – perguntou ele, tentando disfarçar o desespero na voz.

– N-No... No quarto... – respondeu completamente assustada.

Sasuke correu para lá e sentou no topo da cama, pegando o rosto da morena e colocando-o em cima de seu colo.

– Ela está queimando em febre! – disse enquanto passava a mão no rosto e pescoço dela. – Precisamos abaixar a temperatura dela.

– C-Como?!

– Vá ao banheiro dela e encha a banheira com água fria! – ordenou, mas viu que Ino continuava paralisada. E não era culpa dela, oras. Qualquer pessoa naquela situação, vendo a amiga tão debilitada daquela forma e sabendo que não podia fazer nada para ajudar ficaria daquela maneira. Mas Sasuke pareceu não perceber aquilo e logo se irritou. Também não era sua culpa; queria ajudar a morena o mais rápido possível – Anda, Ino!

A Yamanaka saiu do transe e correu pro banheiro, fazendo o que o namorado havia exigido.

Sasuke levantou Hinata com todo o cuidado do mundo, de uma forma que ela ficasse sentada, com a lateral do corpo dela apoiada no dele. Dessa forma, conseguiu sentir de forma mais intensa a pele quente e o corpo febril da Hyuuga.

– Me desculpe por isso, Hinata...

Tratou de erguer o moletom que a Hyuuga usava e tirou ao mesmo tempo a camiseta que usava por baixo. Fez o mesmo com a parte de baixo e a meia, deixando-a apenas com as roupas intimas. Levantou-a e colocou-a em seu colo, rumando ao banheiro.

Ao entrar, percebeu o olhar ainda mais assustado de Ino para ele e ele apenas a repreendeu com seu semblante. Rapidamente, colocou Hinata – que estava desacordada – dentro da banheira e assegurou-se que em nenhum momento ela escorregaria e acabaria se afogando.

– P-Por que ela está sem roupas?

– Você não queria joga-la ai dentro com moletom, queria? – respondeu frio e nervoso, enquanto recostava-se contra a banheira.

– M-Mas-

– Ino, por favor... – suplicou com o olhar e a tonalidade da voz arrastada.

E ela calou-se, recostando-se na parede ao lado da banheira, tão ou mais preocupada que ele.

– -

– Eu tinha que ir a faculdade agora... Tenho prova em meia hora, mas não posso deixar a Hinata assim. – disse respondendo ao namorado.

Nesse momento, a temperatura de Hinata já havia abaixado consideravelmente e ela estava dormindo, aparentemente, tranqüila.

– Vá, eu fico com ela.

– Não, imagina... Você não pode faltar à aula.

– Minha aula hoje é só fechamento de notas, já a sua é a prova final. Você é quem não pode faltar.

Ino pareceu pensar um pouco enquanto olhava seu relógio de pulso. Se ela saísse agora, conseguiria chegar para segunda aula. Porém, ao mesmo tempo, não queria abandonar a amiga numa situação daquela.

– Acho melhor fic-

– Ino... – disse, interrompendo-a – Sério? – perguntou com um semblante reprovador.

Ela apenas abaixou a cabeça envergonhada. Ele havia percebido, afinal.

– Eu não acredito nisso... – disse ele um tanto quanto irritado – Sua amiga ta morrendo no quarto ao lado e tudo que você consegue pensar é nesse ciúme ridículo que você tem? – e ela nada respondeu, apenas apertou os lábios e ergueu a cabeça – Não é possível...

– Assim que a prova acabar eu volto para casa, ok? – seu tom era baixo e com vergonha, mas tudo que recebeu dele foi um resmungo.

Assim que ela saiu, Sasuke foi para cozinha e pegou a comida de Hinata, indo até o quarto dela em seguida. Bateu devagar na porta antes de entrar e se sentar na cama de casal, ao lado dela.

– Trouxe sua janta. – disse um pouco mais animado.

– Brigada... – disse com a voz falha – Mas não estou com fome.

O Uchiha analisou a morena que estava deitada por cima dos cobertores – afinal, junho em Nova Iorque faz quase quarenta graus. Como estava diferente desde que havia começado a quimioterapia. Ela mal comia e por isso seu corpo estava extremamente magro, dando para contar suas costelas com facilidade. Sua pele estava mais pálida que o de sempre e seus olhos haviam perdido todo o brilho que sempre tiveram; estavam totalmente sem vida. O cabelo estava curto, um pouco acima dos ombros, e desigual, com alguma falhas entre os fios.

O moreno deu um longo suspiro, cansado e desolado. Não era fácil para ele ver Hinata daquela forma, ela era sua amiga mais antiga, sua primeira paixão, seu porto seguro. Vê-la daquela forma, tão frágil, debilitada e a mercê de uma doença, era mais do que ele conseguia agüentar apesar de nunca ter demonstrado aquilo. Era mais do que qualquer pessoa poderia agüentar, na verdade. Se ele sentia-se daquela forma, não podia nem imaginar como Naruto se sentiria quando descobrisse; e, por pensar assim, havia parado de insistir para que Hinata contasse logo ao loiro. De algum jeito, o Uchiha entendia porque ela estava escondendo aquilo do namorado.

– Tem que comer, Hina... Desmaiou a tarde porque não havia comido nada desde manhã. – disse compreensivo após analisa-la e ela nem se mexeu – E também tem que tomar seus remédios. – mais uma vez, nada, apenas silencio – Sabe que vou continuar falando até você comer, né? E não vou deixar você voltar a dormir enquanto não se medicar corretamente... Você não quer isso, quer?!

Ela virou-se lentamente para ele e abriu pouco os olhos, vendo um prato cheio de sua comida favorita nas mãos dele. Também não deicou de notar o pequeno e discreto sorriso de canto que o moreno deu quando seus olhos se encontraram. Sentou-se lentamente e apoiou as costas na cabeceira da cama. Estendeu as mãos e Sasuke colocou a bandeja com o prato no colo dela, que comeu tudo em silêncio.

– Brigada... – disse devolvendo a louça, sem mudar a expressão acabada que, agora, sempre tinha no rosto.

– De nada... – disse com um leve sorriso no rosto enquanto se levantava para voltar a cozinha.

– E-Eu... Eu não quero ficar sozinha, Sasuke.

E não precisou pedir novamente, pois, no fundo, Sasuke torcia para que ela não quisesse mais ficar sozinha e ele faria de tudo para que ela não se sentisse assim. Ela, apesar de ter afastado os amigos recentemente, não fazia isso de propósito, apenas pensava que assim eles sofreriam menos. Mal sabia ela o quanto estava errada.

O moreno acenou positivamente com a cabeça e depois de deixar as coisas na pia, ele voltou e deitou-se ao lado dela na cama. Conversaram por vários minutos sobre inúmeros assuntos antes de ambos caírem no sono.

Sasuke despertou uma hora depois com seu celular tocando. Bufou levemente irritado, mas atendeu rapidamente para que Hinata não acordasse.

– Alô. – sussurrou sem ao menos ver quem ligava.

– Por que está sussurrando? – nem precisou perguntar quem era, conhecia muito bem a dona daquela voz.

– Um minuto... – disse baixinho e levantou-se com cuidado, saindo do quarto e encostando a porta – Desculpa, estava no quarto com Hinata e não queria que ela acordasse.

– Hm...

– Ino, por favor... – esbravejou com a voz mais rouca que o normal – Não me faça voltar a esse assunto mais uma vez...

– Eu só liguei para avisar que aconteceu algo em um dos processos na empresa e que eu ia ter que passar a noite lá trabalhando, mas acho que posso ir para casa.

– Não tem porque voltar... Eu posso ficar aqui. E não discuta comigo, ok? – interrompeu-a com a última frase, evitando outro comentário enciumado.

– Tudo bem... Assim que sair de lá eu te ligo.

Encerraram a ligação ali e Sasuke jogou o celular em cima de uma mesinha que tinha no corredor dos quartos. Passou, com raiva, as mãos no rosto. Não agüentava mais aquele papo de ciúmes que Ino havia começado naquela semana. Mas aquela não era a hora ideal para ficar bravo com uma besteira daquelas. Resolveu passar no quarto antes de ir para sala assistir tevê.

– A Ino ainda tem ciúmes? – perguntou com a voz fraca ao ver o rosto pouco iluminado do Uchiha no vão da porta.

– Acho que não. – disse entrando no quarto – Acho que é só uma maneira dela não ter que lidar com a sua doença. Ou então ela é louca e voltou pro primeiro colegial.

Dito aquilo, ele ouviu uma coisa que não ouvia ha tempos: Hinata deu uma risada. Curta e baixa, mas ainda sim uma risada. A primeira risada verdadeira que ouvira desde que ela havia começado o tratamento. E não teve como não sorrir abobalhado diante daquele simples ato. Sim, era algo simples, porém tinha um significado imenso.

– Deveria rir mais vezes... – comentou, voltando a deitar na cama, dessa vez virado de frente para ela.

– Não tenho mais motivos para isso... – disse se ajeitando para poder ficar de frente para ele e ele simplesmente negou lentamente. Como ela poderia dizer algo como aquilo com tanta simplicidade? Ele realmente não entendia. – Sinto saudade de quando as coisas eram simples...

– Elas nunca foram assim tão simples... – respondeu cômico, arrancando outro pequeno riso da amiga.

– Isso é verdade. – disse também cômica e, agora, nostálgica – Você ainda se lembra de como tudo isso começou?

Sasuke respirou fundo e vagou os olhos pelo quarto, dando uma risada curta e nasal antes de responder.

– Como poderia me esquecer?

Notas finais
Geeente, perdão só conseguir postar hoje, mas é que estou viciada em Breaking Bad e com Dexter acabando... Tive muita coisa pra assistir nesse começo de semana e aproveitei meu curto tempo livre pra isso, hahahaha. E esqueci de dedicar o capítulo passado a todos que comentaram - sou muito burra sorry - porque ele não teria existido se não fosse por vocês, então MUITO obrigada ♥ Enfim, o que vocês acharam? Comentem, por favor, a opinião de vocês me anima demais e eu amo ler os reviews *-* Beijos e até o próximo ♥