Another Hogwarts
35 Eu bato, tu pagas, ele ri e nós comemoramos
Notas iniciais
POV Anne Green
A véspera do Natal seria no dia seguinte e o Raymond ainda estava espalhando a magia do Natal, coisa que ele inventou há um mês. Olha para a minha face e tenta achar algum sinal de que eu mereço isso? Isso mesmo, a resposta é: não! Eu não tenho que aguentar o namorado da minha amiga saindo por aí com a franga solta espalhando enfeites de Natal na cabeça de inocentes. Poderia ser considerado ilegal essa prática do Ray. Bem, o motivo da minha revolta é o bendito duende, vulgo Raymond, estava na minha frente, passando uma lista de pessoas que não aceitaram o lance de purpurina natalina. Acho que foi no momento que ele citou a vigésima pessoa que eu resolvi dar meu piti e olha que eu não dou piti por nada (finjam que acreditam).
–CHEGA! –me levantei igual uma diva e encarei Raymon enquanto Thalia deixava sua caneta cair e levantava o olhar, prepara para mais um da minha coleção de chiliques. –BASTA, DUNCAN. EU NÃO QUERO SAIR POR AÍ COM UMA MERDA DE TOUCA COM CHIFRES DE CERVO.
–Renas. –ele me corrigiu, sorrindo amarelo e eu me controlei para não dar um tapa na cara dele.
–Whatever. –revirei os olhos e voltei para a minha posição ninja fabulosa para continuar a berrar. –ENFIM, VOCÊ ME PROMETEU BRIGADEIROS, VOCÊ ME PROMETEU, DUNCAN. E NÃO ME DEU BRIGADEIRO NENHUM, INFELIZ. ISSO DAQUI É UM PAÍS LIVRE E EU MEREÇO BRIGADEIROS. –bati na mesa e Raymond continuou com sua cara de merda. Contei até dez e me virei. –Não contem mais comigo para essa bagaça. –e saí andando, deixando Thalia, Raymond e as pegações que rolaram ali sozinhos.
Rumei para o Salão Principal porque dar piti dá fome. Andei cantando uma música d’As Esquisitonas, tocando minha guitarra imaginária e fazendo meu solo pelos corredores. Minha sorte era que a maioria dos fedelhos estava comendo. Porém, bem na hora do meu “CAN YOU DANCE LIKE HIPPOGRIFF” o Malfoy aparece e me olha como se eu fosse um alienígena.
–Que foi? Inveja do meu brilho? –perguntei, entediada, porém sempre ironias.
–Ah não, é só que não é sempre que eu vejo uma louca dançando pelos corredores. –ele replicou, sorrindo cínico.
–Me deixa ser feliz, coisa que você não consegue ser. –essa foi minha deixa e segui meu caminho, cantando e batendo minhas baquetas invisíveis na frente do Draco, para irritá-lo. Então o deixei lá plantado enquanto o próprio tentava se lembrar do número do manicômio mais próximo de Hogwarts. Quando eu virei o corredor, fiquei pensando que tipo de mãe coloca o nome do filho de Draco. Fala sério, tanto nome por aí e a guria escolhe Draco?
Saí dos meus devaneios no momento em que cheguei ao Salão Principal. Passei pela mesa da Grifinória, indo em direção á Ginny e Hermione quando pessoas resolvem chamar o meu lindo nome. Virei para trás e vi Demelza e Katie gesticulando para que eu me aproximasse. Franzi o cenho e segui até elas.
–Latem que eu lhes escuto. –eu e minha educação maravilhosa. Elas soltaram uma exclamação, mas depois riram e eu me sentei ao lado delas. –Ok, podem falar. –pedi, preparando meu café da manhã. As duas gurias trocaram olhares cúmplices e eu fiquei com medo do que elas falariam a seguir.
–Anne, escute. Você fez um trabalho com o Mattew, não é? –Demelza começou a falar, sorrindo maliciosa, e eu assenti num gesto com a cabeça, mesmo preferindo não me lembrar daquele trabalho. –Então, você tem muito contato com ele? –larguei meu garfo, que estava a centímetros da minha, e olhei para Demelza com descrença.
–Demelza, minha querida, você está a fim do Mattew? –perguntei com a voz esganiçada. A menina riu e revirou os olhos. Depois de um tempo, quando eu já estava terminando de comer, Demelza volta a falar, depois de comer também porque ela está precisando, acho que essas besteiras que saíram da boca dela eram pura falta de nutriente.
–Não sou eu que estou na dele, é a Katie que está. –ok, eu engasguei com a comida e focalizei meu olhar em Katie, que sorria sem graça.
–Eu esperava que você tivesse bom gosto, Katie. Mas o Mattew? –eu olhei para o canto da mesa da Grifinória, onde o Mattew fazia suas Mattewzices.
–Ah, ele é fofo. –Katie falou, suspirando. Fiz uma careta e terminei de comer antes dele falar:
–Fofo? Ele parece uma cria de trasgo. –Katie parece ofendida, mas Demelza soltou uma gargalhada e disse que concordava comigo. Como eu sou um anjo, resolvi ajudar Katie. –Mas, o que você quer que eu faça?
Os olhos de Katie brilharam e ela falou, baixinho e tímida:
–Só me ajuda com ele. Já que ele corre atrás de você – uma pontada de ciúmes ficou na voz dela e eu revirei os olhos. Bem, eu poderia falar não, mas eu sou uma amiga muito legal.
–Ok, ok. Você pode ficar com ele todinho. –falei com nojo e me levantei. –Eu vou indo. Logo lhe darei noticias. –mandei uma piscadela para as duas e saí dali. Alcancei a porta do Salão e Elena surgiu ao meu lado.
–Eae Anne, como ‘tá a vida? –ela perguntou, sorrindo, animada.
–Vai indo. –respondi, dando um abraço nela.
–A minha também. –eu ia soltar mais uma das minhas ironias, do tipo “legal sua vida estar indo, já que você quase morreu ontem”, mas o amigo dela, Isaac, chegou e disse, tipo do nada:
–Obrigado. –Lena olhou para ele, que olhou para mim e eu fiquei sem graça.
–Ahn, pelo o que? –perguntei com a minha maior cara de “wtf?” enquanto ele remexia as mãos.
–Por não ter deixado Jason me bater ontem. –Lena ficou com a mesma cara que a minha e saiu, então eu fiquei sozinha com Isaac.
–Bem, de nada. É o meu dever sair por aí impedindo que pessoas batam em outras. –fiz minha pose de super-heroína e ele deu um sorriso torto, depois ele deu um passo para frente, mas depois balançou a cabeça e se virou, voltando para o Salão Principal no momento em que Lena gritou um palavreado e disse que precisava falar com o tio Dumby. Que amiga louca eu arranjei.
Saí dali e ia em direção aos jardins quando vejo uma cena um tanto quanto curiosa. Emily estava sentada em um banco junto com Fred. Eu me virei, pois eu não queria ver os dois comendo a boca um do outro, porém ouvi Emily falar “Então, Jorge...” Prendi a respiração e me escondi atrás de uma estatua para observar os dois. Eles conversavam sobre sei lá o que, não dava para escutar direito, mas eu vi quando Jorge entregou um caixa com um grande “W” em cima. Franzi o cenho e então tive uma ideia. Voltei para o Salão Principal e, para minha sorte, Fred saía de lá bem no momento. O alcancei, parando em sua frente e o encurralando.
–Sr. Weasley, por que não me contou que continuava a vender projetos Gemialidades? –indaguei, esfregando um dedo acusatório no seu rosto.
–Quê?! Como assim, Anne? –ele pareceu realmente confuso e eu fiquei da mesma forma.
–É que eu vi a Emily e o Jorge conversando e ele a entregou uma caixa com... –parei de falar quando percebi a burrada que eu fiz. Fred mudou sua expressão confusa para irada e saiu pisando duro ali. Merlin! Se a Emily descobrir, ela vai querer me matar! Então, uma pessoa aparece do meu lado e diz meu nome. Eu me viro rapidamente, gritando coisas do tipo “não me mate, sou inocente.” E foi ai que eu percebi que se tratava de Thalia.
–Olha não precisa gritar, eu não sou tão assustadora assim. –ela falou enquanto eu colocava a mão no peito, arfando por causa do susto, mas eu tive que dar uma pausa para revirar os olhos para as besteiras da Thalia. Eu estava prestes a responder quando ouvimos uma voz enjoada passando. Olhou para o lado e vejo aquela corvina desgraçada passando, rindo de alguma coisa, talvez seja o fato de que ela não tenha cérebro, isso é bem engraçado.
–Thalia, vem comigo. –eu não esperei a resposta de Thalia porque ela é minha amiga e eu não preciso da permissão dela para sair puxando a mão dela até o Salão Principal. Cheguei lá e corri o olhar pela mesa da Sonserina, encontrando Isaac conversando com o outro amigo de Lena, acho que é Rott, Mott, Lott. Ah é, Nott. Fui até eles, ainda puxando Thalia, e pedi licença para também poder arrastar Isaac dali. Os dois (Thalia e Isaac) ficaram cofusos até que eu achei a corvina novamente e expliquei para eles: -Nós vamos dar um lição naquela águia de quinta ali, está bem? –Thalia sorriu maquiavélica e Isaac só concordou com a cabeça, me encarando, gente isso é estranho. Voltei a me concentrar na corvina e começamos a andar até ela.
–Vejo que você vai passar o Natal por aqui. –eu praticamente gritei para que ela olhasse. –Não sente falta do seu pasto, não? –fiz minha cara inocente enquanto ela me olha enjoada e Isaac e Thalia soltavam risadas abafadas atrás de mim, o que fez eu me sentir like a boss. A corvina sorriu cínica e deu um passo em minha direção.
–Eu não moro no pasto, por isso não sinto falta de sua família. –revirei os olhos, com raiva, para a originalidade de patadas dela.
–Você não tem o que falar e simplesmente resolve falar da minha família? Pois saiba que no nome da minha família você não toca. –murmurei um “Levicorpus”, a menina levitou e começou a se debater no ar, colocando as mãos nos bolsos e eu, claro, percebi que ela procurava sua varinha. Então, eu simplesmente larguei ela no chão com um baque surdo.
–Anne, você é uma garota má. –Thalia falou, mas estava se debruçando de rir. Isaac apenas observava, mas parecendo satisfeito. A corvina levantou e apontou a varinha para, ela murmrou algum feitiço do carinha lá de baixo, mas Isaac foi mais rápido e gritou:
–EXPELLIARMUS. –a varinha da guria caí aos pés de Isaac e a menina recua, nervosa, mas logo recupera a pose e fala, ou mugi, sei lá:
–Você é amiguinho da Lena, não é? Você teria coragem de azarar uma menina?
Isaac olhou para os pés, encabulado e eu fiz questão de defendê-lo:
–Coragem ele tem, mas Isaac também tem caráter, coisa que nem nascendo de novo, você vai ter. –A corvina me olhou com desdém e Thalia gritou atrás de mim:
–MAS EU E A ANNE NÃO VAMOS DEIXAR ESSA PASSAR, VAGABA. –eu troquei um olhar cúmplice com ela e nós gritamos:
–POR ASLAM E POR NÁRNIA. –e partimos feitiços para cima dela, que, ante de começar o duela, arranjou uma dupla (provavelmente mais uma de nariz plastificado) e nós lutamos bravamente pelo nosso reino de Nárnia, quer dize, pela dignidade de Lena. Bem, foi assim até a corvina me desarmar. Fiquei com tanta raiva e parti pra cima dela, mesmo Thalia e Isaac falando para eu não perder a cabeça. Haha iludidos. Eu dei um tapa estalado na fuça exibida daquela guria que acho que até os trouxas ouviram o barulho. Ela me olhou furiosa e se preparou para me dar um soco, mas eu sou diva e segurei a mão dela. Ai ela me deu um chute na barriga e eu acertei o nariz falsificado dela com meu hiper punho. A corvina recuou para trás e gemeu de dor, então a voz da adorada Minerva surgiu:
–MAS QUE BADERNA É ESSA? –tão meiga quanto o Voldemort. Ela olhou para mim.
–TIA MINNIE, NÃO TIRA PONTOS DA GRIFINÓRIA, ELA MERECEU. –falei, colocando a mão na cabeça. Minerva suspirou e disse:
–Você. –apontou para a corvina. –Srta. Green, Sr. Hale e Srta. Faust, na sala do diretor agora.
–Mas, Tia Minnie, o Isaac... –eu tentei falar, segurando as vestes dela.
–Anda rápido ou sua detenção será na floresta proibida.
–Estou pronta, capitã. –fiquei em formação atrás de Thalia que sussurrou para mim:
–Que história é essa de defender o Isaac e me deixar sem defesa. –sorri amarela para ela e nós continuamos a andar até a gárgula da sala de Dumbledore. Tia Minnie falou “Cocô de Hipogrifo” e eu e Thalia rimos escandalosas enquanto a corvina revirava os olhos e Isaac falava:
–Que merda é essa? –então, eu ri mais ainda. Tia Minnie falou para nos apressarmos e nós a obedecemos, subindo as escadas da gárgula. –Você está bem? –Isaac falou no meu ouvido e eu parei de rir e simplesmente assenti, sem olhar para ele. Entramos na sala do Dumbledore bem na hora que Lena saía, esta soltou um gritinho de susto, mas acho que foi porque viu a cara da corvina.
–Aqui está a Srta. Meredith.
–CARACA, VOCÊ TEM NOME. –ok, eu sei que foi desnecessário gritar, mas eu fiquei surpresa em saber o nome dela, uai. A corvina me olhou com cara de tédio e eu simplesmente respondi: -Que foi? Eu estou acostumada a te chamar de vagabunda, vaca mal comida, pratinho de micro-ondas, filha de um trasgo... –eu ia citar mais nomes, porém Minerva falou meu nome como ameaça e eu aquietei a franga. Dumbledore começou a falar com a Meredith sobre a briga no banheiro e a descoberta que ela é uma comensal. Mesmo relutante, a corvina falou que era tudo verdade.
–Eu sou uma comensal, eu estou vingando minha família usando a Elena e eu não tenho medo de falar isso. –nossa, que bravura, até me comoveu.
Dumbledore suspirou e escreveu sei lá o quê em alguns pergaminhos.
–Bem, Srta. Marcellus, você está expulsa da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, seu caso será enviado para o Ministério e o resto do seu futuro será decidido por eles. –Dumbledore fala com uma calma que por Merlin.
–HAHAHA. Se ferrou, babaca. –eu, Thalia e Lena gritamos, apontando para a cara de cocô da corvina.
–Meninas! –nos advertiu uma Minerva raivosa. –Se comportem como pessoas normais.
–Isso é praticamente impossível, professora. –Isaac se intrometeu e eu e as meninas mostramos a língua para ele, que riu.
–Ok, você podem ir. –disse Dumbledore, apontando para mim e para a cambada. Nós saímos de lá rapidamente, rindo da desgraça alheia e descemos as escadas. Então a Thalia parece se lembrar de algo e puxa eu e Lena para um canto.
–Fique ai Isaac, assunto de calcinha e sutiã. –nossa, Thalia, como você é normal, custava falar “assunto de meninas” ? Enfim, Isaac olhou para Thalia boquiaberto, mas esta não ligou e se virou para nós. –A nossa little party de véspera de Natal está de pé amanhã, certo? –o projeto de retardada falava da nossa confraternização de final de ano, para nós sempre lembrarmos dos velhos. Eu sei, meigo, não é?
Lena e eu nos entreolhamos, animadas, e jogamos as mãos para cima:
–PODE CRER!
{não esqueçam de ler as notas finais, kridos}
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