Another Grey's Story

2 Capítulo 2 - A festa


Notas iniciais
Será que uma grande farra é a melhor resposta para curar um coração partido? Vejamos...

Era cerca de 22h quando Julie e eu entramos na boate. Realmente, o lugar parecia fantástico, digno de cinema. Uma pista de dança bem ampla, um bar, uma área VIP e um lounge. Havia centenas de caras lindos lá dentro, e Julie logo fez cara de pinto no lixo. Mas nada daquilo me animava. Naquele momento, só queria meu pijama largo, minha cama, um pote de sorvete e uma comédia romântica na TV.

Apesar do meu mau humor, Julie havia me convencido a usar vestido dela, realmente provocante. Apesar de ser um pretinho básico, ele deixava as minhas costas totalmente expostas. Meu cabelo louro, comprido e ondulado, habitualmente preso em um rabo de cavalo mal feito, caía sobre os meu ombros, e o meu rosto, normalmente lavado, cheio de olheiras e coberto pelos meus óculos de chiquinha, estava bem tratado com uma bela camada de maquiagem, enquanto meus olhos azuis apareciam sem obstáculos. É claro que estava de lente, porque sou quase cega... Mas é como dizem: o importante não é ser perfeita e sim parecer perfeita. E para a minha própria surpresa, eu estava linda. Postei até uma foto no instagram! Tá, isso foi meio que para atingir um certo alguém, mas ainda não sei se funcionou.

A Julie, como sempre, estava bem mais empolgada do que eu. Ela já entrou fazendo a varredura da área para identificar os alvos.

– Alice, olha aquele cara de camisa azul encostado no bar... — Ela apontou com o rosto. — Ele é lindo! Vai lá. Chega no balcão perto dele para pedir uma bebida e dá uma encarada rapidamente. — Disse conduzindo o meu braço em direção ao cara gato.

– Calma, Julie. Acabamos de chegar. Não é assim que as coisas funcionam.

– E pelo que você está esperando? — Retrucou ela. — Vamos, deixa de ser boba. E além do mais, você está sexy demais para perder tempo.

– Tá bom! Ele é muito gato, mas.... eu... — Eu só não queria ir. — Ahhh... não sei não. Acho que nem sei mais como se faz isso.

– Você não precisa fazer nada. Vai lá, pede uma bebida qualquer e enquanto espera, vire para ele e olhe por não mais que dois segundos e ele fará o resto. Só isso. Se você não for lá, eu vou e digo a ele que você está sem calcinha e louquinha para fazer à três. — Ela ameaçou indignada.

– Que ódio de você! — Falei, bufando. — Tá, eu vou lá.

Então, fiz exatamente o que ela havia me orientado. Fui até o bar, perto do cara gato, pedi uma dose de tequila e, enquanto o barman preparava, dei a encarada de dois segundos. Depois, a mágica aconteceu.

– Oi! Belo vestido. — Uau! Realmente funciona. Ele falou comigo.

– Obrigada! — Respondi, meio sem graça.

– Caiu muito bem em você. — Ele continuou. — Mas deixa eu te dar uma dica, bee. Nessa sua pele branquinha o azul marinho ficaria bem melhor. Não que o preto não esteja lindo, mas o azul é a cor do inverno. — GAAAAAY!

– Sério? Você acha mesmo? — Ele acenou que sim com a cabeça. Deus, como eu sou azarada. Depois de levar um baita de um pé na bunda, o primeiro cara por quem me interesso é gay. — Obrigada! Vou considerar a sua opinião.

– Imagina, querida! — Ele respondeu com um largo sorriso no rosto. — Agora vou para a pista porque a noite é uma criança. Até mais!

Graças a Deus a tequila havia chegado. Sal, tequila e limão. A fórmula perfeita anti depressão. — Moço, quero outra dose, por favor. — Enquanto eu terminava de virar a segunda dose, Julie chegou ao meu lado.

– Ei, o que houve? Cadê o cara gato? — Perguntou desapontada.

– O cara gay, você quis dizer.

– Gay? Como assim? — Falou, perplexa. — Quer saber? Olha o tanto de homem bonito que tem aqui. Hoje você não vai para casa sozinha, de jeito nenhum.

E realmente não fui. Mas isso vocês verão mais para frente. — Julie, que tal tomarmos um porre, dançar muito e depois irmos para casa, só nós duas e caírmos cada qual em sua respectiva cama para que eu possa acordar de ressaca às 8h, a tempo de chegar no hospital às 10h?

– E que tal seguirmos o meu plano? — Retrucou ela enquanto virava para o barman para pedir mais duas doses de tequila.

Após a terceira dose, o lugar começou a parecer um pouco mais divertido. Foi então que finalmente resolvi ir para a pista de dança com a Julie.

E a noite correu assim, tequila, dança, paqueras forçadas, paqueras frustradas, até que dois caras se aproximaram de nós duas e começaram a dançar um com cada. A essa altura do campeonato, não consigo dizer se o que estava comigo era bonito ou feio, apesar de estar torcendo para ser bonito. Na verdade, não consigo lembrar sequer do nome dele, mas ele dançava bem. Pensei até que fosse o cara gay, mas depois percebi que a camisa era diferente. Nós conversamos um pouco em meio a toda aquela muvuca, mas só lembro de ter dito o meu nome e o que fazia. Algum tempo depois, Julie veio até mim para se estava tudo bem se ela fosse embora com cara que ela estava dançando. Bom, isso foi o que ela me disse depois, porque eu só me lembro dela falar algo em chinês e depois sair.

O cara que estava comigo começou a ficar muito empolgadinho, as mãos começaram a deslizar demais nas minhas costas e, não sei se era o excesso de tequila ou o comportamento aproveitador dele, mas comecei a sentir náuseas. Olhei para todos os lados e tudo estava muito confuso. Onde e quando, pelo amor de Deus, a Julie havia aprendido a falar chinês? E para onde ela havia ido? A náusea estava me consumindo mais e mais e eu estava a ponto de não aguentar, então deixei o cara lá no meio da pista e corri para o banheiro, que por sorte, ou por já ser muito tarde, estava quase vazio. Entrei em um box sem sequer fechar a porta e despejei no vaso tudo o que havia ingerido durante o dia, ou seja, uma maçã, quatro copos grandes de café e milhares de doses de tequila.

A minha pressão caiu e eu já estava a ponto de desmaiar em cima do meu próprio vômito quando senti a mão de alguém pousar sobre a minha testa, enquanto a outra mão prendia meu cabelo para não encostar na borda suja do vaso sanitário.

– Ei, você está bem? — Acho que era o meu anjo da guarda. Ou melhor, minha anja, porque o banheiro era feminino. — Ei, moça, você está bem? Pode me dizer seu nome? — A voz parecia bem preocupada e eu estava realmente tentando responder, mas não conseguia. — Respire bem fundo três vezes. Você pode fazer isso? Respire fundo, vamos... — Então fiz o que ela mandou e aos poucos a ânsia de vômito foi diminuindo. — Ei, você está melhor? Pode me dizer seu nome?

– Alice. — Saiu meio enrolado.

– Alice, eu sou médica, quero te ajudar. Você consegue levantar?

Meio que cambaleando e apoiando as mãos no vaso vomitado, consegui levantar. Não consegui assimilar direito o rosto da minha anja, acho que minhas lentes caíram no vaso junto com o vômito, mas parecia uma mulher de trinta e poucos anos, cabelos pretos, pele branca, muito bonita e elegante. Ela me ajudou a sentar no balcão da pia e então tirou um lenço de dentro da bolsa começou a me limpar.

Os sentidos estavam aos poucos voltando para o lugar, apesar do peso desgraçado na língua e da tontura. A vergonha começou a me consumir e eu quis levantar para sair.

– Ei, para onde vai? Não pode sair assim. — Ela saltou na minha frente me impedindo de levantar. — Você está com alguém aqui? Amigos, namorado?

– Meu namorado me largou. — Comecei a chorar.

– Bom, ele deve ser um idiota. Você veio sozinha? — Perguntou.

– Não. Minha amiga... Mas ela! Bom... ela aprendeu a falar chinês e de repente ficou muito esnobe, porque falou alguma coisa para mim e depois foi embora. — O quê? Do que eu estou falando?

– Então você está só. Alice, eu sou médica. Vou levar você para o hospital. Você precisa de glicose. Consegue andar?

– Não precisa... eu já estou bem. Vou pegar um táxi e chego em casa logo. Obrigada!

– Não, você não pode sair assim por aí sozinha. É perigoso.

– Olha, muito obrigada mesmo, mas... — Não poderia e nem queria ser grossa com ela. — Eu sou médica também. E a amanhã às 10h preciso está no hospital para iniciar minha residência em cirurgia pediátrica. Tá, como médica, você deve está pensando que bêbados não podem ser cirurgiões. Ainda mais os que operam criancinhas indefesas, mas eu não costumo beber assim. Hoje foi um caso a parte. E se eu for para algum hospital agora, não chegarei a tempo amanhã e vou perder a bolsa que me custou um grande pé na bunda. — Não sei o quanto ela conseguiu entender de tudo o que eu falei, porque estava falando muito enrolado.

– Tudo bem, Alice. Mas você teve uma queda de pressão e não pode sair sozinha nesse estado. O que você comeu hoje?

– Não lembro bem, mas é só olhar ali no vaso. — Que merda!! O que eu disse? — Desculpe. Você aqui me ajudando e eu sendo estúpida.

– Tudo bem. Vamos, eu levo você em casa, mas antes vamos comer alguma coisa, porque, pelo o que eu vi ali no seu vômito, seu estômago estava bem vazio.

– Você é tipo um anjo, ou um super herói? — Ela riu. — Sai por aí nas madrugadas salvando jovens indefesas que levaram um chute do namorado, depois as alimenta e as deixa em casa? — Agora ela ensaiava uma gargalhada. — E a sua noite? E o seu encontro?

– Alice, acredite. Ajudar você não foi nada em comparação ao que aconteceu esta noite. Vamos. — Disse, enquanto me ajudava a descer do balcão.

– O que você quer comer? — Ela me perguntou enquanto saímos do banheiro. — Hambúrguer ou pizza?

– Pode ser lasanha?

– Não sei aonde conseguiremos lasanha a essa hora, mas vamos a caça.

Notas finais
Continua.... Não deixem de acompanhar, porque essa noite ainda promete.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.