Another Day With You
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Frank subiu na frente, eu fui seguindo-o. Ao mesmo tempo observava a casa em que ele morava. Não era muito grande, nem sofisticada. As peças de roupa jogadas por todos os lados, restos de comida na mesa da sala, latas de cerveja, cigarros. Típica casa de dois homens. Ou pelo menos achava que era, afinal Frank nunca citou a mãe.
Chegamos ao quarto dele. Olhei em volta, mais algumas roupas e comidas jogadas por todo o canto, um notebook em cima de uma mesa no canto, uma pilha de livros e CDs, na janela uma grossa cortina num tom azul escuro, quase preto, impedia que entrasse bastante luz ali, mas mesmo assim pude ver que sobre a cama havia uma guitarra. Nela havia algo escrito. Pude ver melhor quando Frank a pegou em suas mãos e abriu uma das cortinas deixando a luz do sol entrar. “PANSY” era o que dizia. Finalmente eu havia descoberto. Comecei a rir, aliviado.
– Então, esta é a famosa Pansy?
– É sim. — Frank riu. — É linda, não?
– Sim, só não é mais bonita que você. — não sei de onde saiu coragem para dizer isso. Frank abaixou a cabeça encarando seu All Star sujo. Eu comecei a ficar com muita vergonha.
– Vou tocar uma parte de uma música... Do Green Day. — ele falou, quebrando o silêncio, as cordas da guitarra também faziam barulho, e logo começei a reconhecer aquele som. Eu fiquei atento as mãos dele e o modo como ele fazia caretas assim que tocava cada acorde. Ele parecia mais lindo ainda. E realmente era um bom guitarrista. Teria que fazer com que ele fosse da minha banda. Assim que terminou, ele jogou a palheta que usava na minha direção. Peguei ela no ar ainda.
– Bom reflexo, Gerard. — ele disse brincando.
Eu estava hipnotizado com ele ainda. Com aquele sorriso. Com aqueles olhos. Não pude me controlar. Fui andando em direção a Frank, e ele foi recuando até ficar sem ter para onde ir. Encostei meu corpo no dele, apertando-o contra a parede.
– Gee, você...
Antes que ele terminasse encostei os meus lábios nos dele. Ele colocou a mão na minha nuca, e outra no meu rosto, e começamos a nos beijar. Foi o melhor beijo da minha vida. Disso eu tenho certeza. E o mais longo talvez. E eu queria mais. Comecei a beijar o pescoço dele, enquanto ele apertava suas mãos em torno da minha cintura. De repente algo o fez parar e ficar nervoso de novo. E daí pude ouvir também. Não demorei muito para descobrir o que estava deixando Frank nervoso. Eram passos. Vindo em direção ao quarto dele. Nossa primeira reação foi se separar com a maior rapidez possível. Olhei para Frank desesperado.
– Você tem que se esconder.
Fiquei confuso. Comecei a procurar algum lugar.
– Embaixo da cama. Vai.
Obedeci, me abaixando e entrando embaixo daquela cama, me arrependi no mesmo segundo. Lá estava sujo e tinha um monte de sapatos, tênis e meias sujas. Que sinceramente, não tinham um cheiro muito agradável. Mas não podia sair dali. Não agora que quem quer que fosse já havia entrando no quarto.
– Frank, o que estava fazendo? — perguntou a voz de um homem.
– Nada, pai. Só estava aqui com minha guitarra, vou praticar um pouco.
– Você com essa idéia de novo. Aprenda que você não vai ser um guitarrista famoso nunca, nem vai ganhar dinheiro com isso, desiste garoto.
– Mesmo que eu não fique. Nunca vou deixar minha guitarra. — Frank disse.
– Você é um idiota mesmo.
Eu estava ficando chocado com aquelas palavras cruéis. Queria sair dali imediatamente e falar para Frank que era tudo uma mentira o que o pai dele dizia.
– Você não ia voltar só à noite? — Frank perguntou, sua voz parecia falhar agora. E ele não parecia mais aquele mesmo valente de ontem na escola.
– E vou, só tive que buscar aqui uma maldita caixa que esqueci. E foi bom para ver se você não estava aprontando nada. Está? — percebi o tom de desconfiança na voz do pai de Frank.
– Não, claro que não. Já disse que estou aqui com minha guitarra, e pretendo ficar aqui até você voltar.
– Ótimo, se não você já sabe. Apronte que nem ontem e dessa vez você vai colocar as tripas para fora com os socos que vai levar no estômago.
Eu estava cada vez mais surpreso, perplexo com o que ouvia. Aquele homem era um monstro.
– Si.. Sim, pai. O que aconteceu ontem nunca mais vai se repetir. Desculpe. — Frank tentava manter a calma no tom de voz. Mas ele não sabia disfarçar muito bem não.
– Está se borrando de medo não é? Se começar a chorar vai apanhar do mesmo jeito.
– Eu não vou chorar.
– Que bom, isso não é coisa de homem. Ouviu menino esquisito?
– Sim.
– Tenho que ir. Se eu voltar e estiver alguma coisa diferente ou você tiver aprontado alguma, vai se ver comigo. E nada de sair dessa maldita casa!
Ouvi uma batida de porta. Ao longe os passos diminuíram. E logo em seguida o barulho de um carro ligando e se afastando nos deu certeza que aquele homem não estava mais ali. Comecei a sair debaixo da cama. Frank estava sentado no chão. Ele não chorava, mas sua expressão era uma mistura de raiva e infelicidade. Eu cheguei perto dele e o abracei. Ele me abraçou de volta. E ficamos assim, sem dar uma palavra por uns cinco minutos. Até que resolvi prometer uma coisa à ele.
– Frank, saiba que a partir de hoje estarei aqui para tudo o que você precisar. Se quiser que eu esqueça o que vi hoje, eu esqueço. Mas se quiser conversar, eu vou te ouvir. E prometo, que vou cuidar de você. Sinto que tenho que fazer isso.
Ele virou o rosto na minha direção e me deu um selinho.
– Gerard, não sabe como é bom ouvir isso de você. Desde o momento que te conheci soube que você era especial, diferente... Que me entendia. Eu acho que te devo umas explicações.
Eu o fitei por um instante. Me acomodei melhor. A conversa ia ser longa pelo visto. E eu queria que fosse. Queria ficar com ele a cada segundo. E acima de tudo queria protegê-lo de tudo que o fizesse mal.
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