Another Day With You
3 Capítulo 3
Notas iniciais
A aula passou se arrastando. Até que chegou o último minuto daquela tortura. Me levantei o mais rápido que pude e já ia sair, quando algo, ou melhor, alguém puxou meu braço. E eu sabia quem era.
- Onde você vai com toda essa pressa? — Frank havia se levantado também, ele parecia mais baixinho ainda perto de mim.
- Para casa, ué. — respondi como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- Não mesmo. Por um momento achei que não tinha ouvido direito.
- Não tivemos tempo suficiente para conversar na aula. O que você acha de dar uma volta por aí?
Ou era impressão minha ou aquele anão estava me convidando pra sair. Ah, que gracinha, só falta andarmos de mãos dadas. Eu hesitei por um segundo. Eu também tinha culpa naquilo, fiquei me jogando para cima do coitado e agora que ele resolveu me corresponder eu estava fugindo.
- Não vai dar, cara. Soltei o braço que ele segurava e saí por aquela porta o mais rápido que pude. Ele permanecia parado lá. E eu comecei a me arrepender, mas meu orgulho jamais me deixaria voltar, e eu estava confuso demais também. Não sabia o que realmente estava acontecendo comigo em relação a Frank. Será que eu estava me apaixonando? Tremi só de pensar. E corri para casa.
Ao chegar no meu quarto tranquei a porta. Meus pais estavam no trabalho, Mikey não tinha chegado ainda, então eu teria uns minutos sozinho. Mas daí a campainha tocou. Que hora ótima para uma visita. Desci as escadas a passos lentos. Abri a porta devagar e quando vi quem estava diante dela senti que meu coração se acelerou.
- Frank? O que faz aqui? — minha vontade era de dizer “Você me seguiu, caralho, seu doente, vai embora da minha casa”, mas me contive.
- Eu só queria saber se estava tudo bem. Você me pareceu meio... estranho.
Aham, sei que você veio saber se estava tudo bem.
- Tá tudo bem sim, só preciso deitar um pouco.
Ele entendeu a mensagem, eu não o queria ali. Dando um passo atrás ele disse “nos vemos amanhã na escola’’, se virou e saiu andando. Eu fechei a porta, e logo em seguida me encostei nela, deslizando até o chão. Fechei os olhos. E a partir daí os pensamentos invadiram minha mente. Lembrei de tudo o que tinha acontecido naquela manhã, do maldito menino de olhos verdes, da maldita Pansy... E do que eu havia sentido. Seria mesmo possível que eu estivesse gostando de alguém? Seria possível que eu estivesse gostando de um menino? Eu nunca imaginei que poderia ser gay. Mas e se eu fosse? Como ia contar isso a minha família, ao Mikey principalmente, e ao Ray? Era um pesadelo sem fim. Mas podia ser tudo coisa da minha cabeça. Isso só o tempo ia dizer... Mas eu possuía a estranha sensação de que não ia conseguir evitar Frank por muito tempo...
Se eu continuasse ali raciocinando ia ficar louco, queria encontrar algo pra me distrair, foi aí que uma idéia me ocorreu. Subi as escadas e fui tirar aquele maldito uniforme da escola. Coloquei um moletom preto, e uma calça jeans velha, mas que eu adorava. Estava decidido a sair naquela tarde e fazer algo que eu tinha deixado de lado faz tempo. Peguei as chaves do carro do meu pai, que por sorte estava na garagem hoje. Sai dirigindo pelas ruas de New Jersey com o volume do rádio bem alto. Dirigi por uns 30 minutos até que avistei aquela casa. Um sorriso iluminou meu rosto antes mesmo que eu abrisse a porta do carro. Lá estava ela, exatamente como eu me lembrava. E quando me viu, veio correndo em minha direção.
— Gerard! — ela gritava.
Assim que chegou perto de mim me deu um abraço sufocante de pelo menos uns três minutos.
- Lindsey.
Antes que eu pudesse falar qualquer outra coisa ela me puxou pela mão me levando para dentro de casa.
Lindsey era uma de minhas colegas no ano anterior, agora ela havia trocado de escola. Ela era uma das poucas pessoas que me entendia, era também a única amiga mulher que eu possuía. Eu sempre soube que ela gostava de mim, mas nunca senti o mesmo por ela. E ainda não sentia. Mas resolvi experimentar algo naquele dia. Enquanto ela falava eu fingia que estava ouvindo, concordando com tudo. Mas estava era pensando no que ia fazer nos poucos minutos seguintes. Levantei-me da poltrona e me sentei no sofá em que ela estava, olhando-a por inteiro, devagar subi uma das mãos pelas suas coxas.
- Gerard, o que você está fazendo?
- Shhh. — encostei o dedo nos lábios dela.
- Não vou te fazer mal.
Ela me olhou meio assustada, mas não resistiu. Então eu a beijei. Foi um beijo doce, calmo, eu diria até sem graça. E isso me preocupou muito. Assim que parei o beijo, ela segurou o meu rosto e me olhou bem no fundo dos olhos.
- Olha, eu não sei o que deu em você. Mas eu venho querendo isso há muito tempo.
Ela colocou a mão na minha nuca e começou a me beijar novamente, dessa vez continha mais emoção. Mas algo me incomodava. Então ela tentou tirar a minha camisa. Mas eu não permiti, segurando seus pulsos com um excesso de força talvez.
- Desculpa se fui longe demais. — ela disse sem graça e soltou seus pulsos das minhas mãos.
- Não é isso Lindsey... É só que... — eu me perdi nas palavras, não podia dizer que não estava gostando.
- Tudo bem, entendo. — ela fitava o chão, ainda meio tímida.
Eu também estava meio desconfortável, e não sei o que ela tinha entendido, mas pouco me importava também, minha cabeça estava em outro lugar, pensando em outra pessoa. Eu tentei conversar qualquer assunto ridículo para aliviar a tensão daquela sala, mas nada parecia diminuir aquele sensação ruim. Então decidi que já era hora de voltar pra casa. Amanhã eu teria que enfrentar mais um dia com Frank. E agora eu tinha uma certeza, eu estava sentindo algo forte por aquele rapaz.
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