Notas iniciais
Resolvi postar logo, porque vi que já tem reviews aqui *-* Então, em primeiro lugar obrigada aos que leram, não sabem como me deixam feliz, e agora espero que aproveitem esse segundo capítulo.

No mesmo instante o sinal tocou, me despertando daquele transe o qual eu me encontrava. Ao meu lado Mikey se mexeu.

– Saí daí idiota, me deixa passar. — ele me disse, e eu ligeiramente lhe dei um olhar que ele sabia o que significava. Era um grande “vai tomar no cu’’ só que eu nem precisava dizer nada. Me levantei, Frank ainda estava ali perto, só que tinha pego o celular e agora parecia mandar um sms para alguém. Confesso que fiquei curioso, quem seria? Será que ele tinha namorada? Será que era para alguém da família? Sua mãe talvez... As perguntas se acumulavam na minha mente. Eu não sabia nada sobre ele. Ainda.

Me aproximei sem pressa dele, tentando olhar discretamente o celular. Não consegui ver muita coisa. Droga. De repente ele parou o que estava fazendo e me olhou.

– Vamos pra sala? — eu podia jurar que o brilho daqueles olhos verdes havia aumentado.

– Claro, meu novo colega. — eu sorri pra ele.

Estava surpreso comigo mesmo. Eu nunca conseguia fazer amizades... Sempre ficava sem ter o que falar, ou então não tinha mesmo vontade de dizer nada. Por isso tinha só dois amigos naquela maldita escola e uma que havia acabado de sair de lá. Um pensamento irônico me ocorreu. "Três amigos, nossa, como sou popular e todos me amam". E pelo visto seria assim pela minha vida inteira, pelo menos até a chegada de Frank. Com ele era diferente, tinha algo naquele menino que me fazia o querer por perto, mesmo o conhecendo há uns dez minutos. Foi uma coisa muito estranha, que jamais eu havia sentido. E eu não sabia onde isso ia parar.

No caminho para sala passamos por um casal, a menina dizia umas coisas fofas pro seu namorado. Logo percebi que era o tipo de casal grudento e um pouco exibicionista, do tipo ''olhem pra nós, estamos namorando e você não''. Olhei pra Frank e coloquei a língua pra fora. Ele automaticamente entendeu a mensagem.

– Não gosta de romantismo não é?

– Eu não, acho perda de tempo, todos nós sabemos qual é a verdadeira intenção dos dois. — lancei um sorriso maldoso.

– Gerard, Gerard. — ele balançou a cabeça.

Então entramos na sala. Me dirigi a uma das carteiras do fundo, e Frank me acompanhou até lá, sentando em uma que havia na minha frente. Ao abrir a mochila deixou cair um CD. Eu o juntei, parecia algo gravado. Fiquei olhando confuso, demonstrando que queria uma explicação.

– É o CD da minha ex-banda. Digo ex porque agora que me mudei não posso mais ensaiar com eles. Então só sobrou isso de recordação. — ele suspirou.

– Uma banda? Você era o que? Eu tenho uma banda também, com os caras que te apresentei lá no pátio. — falei, estava ficando entusiasmado.

– Eu era guitarrista, fazia segunda voz também... Vocês tem uma banda? Que legal, cara...

– Sim, eu sou o vocalista, meu irmão toca baixo e Ray a guitarra, por enquanto não temos baterista fixo, mas tem um amigo que dá uma força. E acho que precisamos de mais um guitarrista. — joguei uma indireta, que se foda.

– Eu acho que vocês precisam de um baterista, isso sim.

Não acredito. Aquele anãozinho acabou de me cortar. Filho puta. Resolvi ignorar.

– Gostaria de ver você tocando guitarra um dia desses. — dentro de mim uma voz gritava “O que é isso Gerard? Que porra você está fazendo? Conheceu o menino há menos de meia hora e já está falando isso?’’. Mas não sei como, nem porque aquilo estava saindo de minha boca tão descontroladamente.

– Sério? — ele parecia surpreso. Não é para menos.

– É, se você quiser, é claro.... Me desculpe. — instantaneamente fiquei corado e abaixei a cabeça. Se abrisse um buraco no chão agora mesmo eu me jogava ali, sem pensar duas vezes.

– Tudo bem, Gee.

Ele me chamou de Gee? É isso mesmo? Fiquei mais envergonhado ainda. Puta que pariu. Ele prosseguiu falando:

– E... sábado eu vou estar em casa sem nada pra fazer... Se você quiser aparecer por lá. Aproveito e te apresento a Pansy.

Eu fiquei como se tivesse levado um choque. Meu cérebro ainda trabalhava a uma velocidade incrível. “Pansy? Que diabos é Pansy? É a namorada dele? Só pode ser. Na pior das hipóteses, é claro. Pode ser a mãe. Não isso não é nome de mãe. Quem sabe é um cachorro? Uma gata?” Pensei mil coisas. Tomei coragem e perguntei, esperando a pior resposta do mundo.

– Pansy...? — tentei fazer cara de desinteressado, mas acho que não disfarço muito bem.

– É, chegando lá você vai ver. — ele riu satisfeito, ia me deixar na curiosidade até sábado, e também era um jeito de garantir que eu ia lhe fazer uma visita. Esse tal Frank era mais esperto do que eu pensava.

– Então serei obrigado a ir.

Bem na hora que terminei a frase um professor de meia idade entrou na sala. Todos os alunos se sentaram rapidamente. Afinal todo mundo sabia que o senhor Lockwood não era um homem bem humorado, muito menos amigável. Ele jogou a pasta sobre a mesa que ficava num canto. Sentou-se na beirada de uma classe vazia. E começou um longo discurso que quase me fez dormir.

– Ei Gerard, esse velho maluco é professor de que? — Frank sussurrava.

– De história.

– Só podia ser. — ele levou a mão a testa. — Algo me diz que terei problemas em história também esse ano. E de repente ele jogou um papel pequeno na minha mesa. Eu peguei imediantamente.

- É meu endereço. Se você quer ir na minha casa acho que vai precisar.

Eu sorri inquieto. Pela primeira vez estava nervoso de verdade para visitar alguém.

Notas finais
Ah, eu pretendo postar o terceiro ainda hoje (: