Anormal

1 Anormalidade


"Por que não sai comigo? Há uma boate na cidade, tenho certeza que irá gostar. — L”

Louis olhou para a tela do computador sem compreender seus próprios pensamentos. O convite parecia íntimo demais e seu corpo parecia incrivelmente atraído pela ideia.

Mordeu os lábios, perguntando-se porquê estava tão nervoso.

— Não parece ruim — murmurou Albus, assustando Louis e fazendo-o cair da cadeira.

— Você não pode aparecer sorrateiramente no quarto dos outros, sabia? — o rosto furioso transformou-se em envergonhado em segundos.

O primo estava em sua casa fazia alguns dias, era a perfeita distração para seus pensamentos que o autossabotavam.

— Desculpe… Vai sair com ela? — questionou o garoto, observando o mar pela janela de Louis.

— Ela? — engoliu em seco e olhou para a aba aberta no computador, mordendo os lábios nervosamente.

— A tal de “L”… Quem é, aliás? — a curiosidade não era maldosa ou maliciosa, era algo que Louis apreciava em Albus.

— Ah, é… alguém de Hogwarts — sentiu as mãos arranharem de leve a própria perna, um ato nervoso conhecido pelo primo.

— Bem, você devia sair com ela, pode ser divertido — Albus não insistiu e Weasley agradeceu-o internamente.

Quando havia apenas o garoto perdido no quarto minúsculo, a notificação deixou-o duas vezes mais energético.

"Vou considerar o seu silêncio como um '‘sim’'. — L”

Atirou-se na cama, com os olhos pregados no teto. Estava fodido.

—

Quando viu Lorcan Scamander sorrindo e conversando com algumas mulheres, seu coração pareceu palpitar como nunca antes. Era uma pilha de nervos constante, principalmente se na frente de pessoas que nunca havia visto.

— Ei, Louis, você veio! — o sorriso pareceu se intensificar, e maldito sejam todos que não o achavam encantador.

Não conseguiu sequer dizer algo, acenou com a cabeça e sentiu o braço ser puxado até o grupo de mulheres, onde a surpresa de Louis pareceu graça ao olhos das drag queens.

Scamander apresentou-o a todas, enquanto elas sorriam gentilmente e ajeitavam as longas perucas caras.

— Parece a arte em forma humana — murmurou Louis, quando Lorcan o puxava novamente para outro lugar qualquer do prédio desbotado.

Era realmente diferente de tudo que já havia visto. Não esteve em lugares como aqueles, onde as luzes piscavam em inúmeras cores, enquanto as pessoas dançavam de forma vulgar e aprazível.

E havia algo ainda mais diferente no meio de tanta gente discrepante; talvez fosse suas vestimentas ou o jeito de andar e de falar, mas Louis tinha certeza de que era o olhar. Vazio de julgamentos, maldade e aversão.

Seu rosto parecia enfeitiçado pela diversidade de casais, mas era Lorcan que deixava-o ainda mais fascinado.

Dançava de uma forma diferente e desajeitada, o que o deixava mais admirável, além de seu sorriso comprido e folgado.

Louis mal mexia-se, pois estava mais ocupado em observar a singularidade de cada pessoa naquele lugar — e também porque possuía vergonha exagerada.

— Está gostando? — gritou Lorcan, perto de seu ouvido.

— É… diferente — a resposta fez o sorriso do outro se alargar ainda mais, estava feliz com o resultado.

Puxou-o outra vez para perto do bar, vendo as horas passarem com rapidez. Era uma sensação única estar envolto de pessoas que eram tão diferentes de si, porém tão agradáveis. E a companhia de Louis parecia tornar toda festa em um lugar ainda mais acolhedor.

— É bom ter você aqui — Lorcan acariciou o rosto do amigo com um desejo quase palpável.

Fechou os olhos sentindo a música fazer seu coração pular, mesmo que soubesse que era Scamander que causava aquele efeito.

Os lábios de Lorcan procuraram os de Louis naquele canto escuro, ao mesmo tempo que as luzes coloridas passeavam pelos rostos calmos e prazerosos.

Sentiu Lorcan puxar seus cabelos com ferocidade, mesmo que o beijo fosse completo de leveza.

Quando separaram-se, Louis olhou para todos os lados, procurando olhares desaprovadores e maldosos. Mas ninguém parecia notá-los e até mesmo as pessoas que o faziam, sorriam minimamente, com normalidade em relação ao carinho homoafetivo que Lorcan parecia disposto a continuar.

— Não precisa ter medo aqui. Você pode ser quem você é, mesmo que seja esquisito ou diferente, sempre irão abraçá-lo como família — as palavras de Lorcan foram o suficiente para Louis divertir-se naquela noite, sem pensar no que a sua família acharia disso.

O diferente era a normalidade que Louis sempre procurou nas pessoas e em si mesmo. E agora, naquele lugar, ao lado de Lorcan, parecia finalmente ter encontrado.

E se ser anormal era pecado, então Louis era o pecador mais contente.

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