Anomalia

12 Capítulo 11 - Minha diretora tenta me morder.


Notas iniciais
Voltei!!!! Eu queria saber se vocês gostariam de eram os pontos de vista de cada um. Apenas de Jonas, Rae e Kim. Tipo, a cada capítulo, vai indo na ordem Rae, Jonas e depois Kim. Coloquem nos comentários. Boa leitura!!!! :) :D


"Você perde um pedaço de sua humanidade toda vez que compromete os seus valores"

— Dr. Harrison Wells.

*****

— Vocês o quê?

— Não conta para Amanda! Por favor — pediu Rae, temendo essa ideia.

O som do machado áspero de Joel cortando a lenha soou pela linha.

— O que foi que vocês três fizeram? Você não arruma confusão. E muito menos aquela garota loira...

— Kim.

— É. Essa mesmo.

— Mas não de chegar na hora — explicou Rae, olhando ao seu redor enquanto caminhava pela calçada. — A diretora nos disse que chegávamos atrasados demais e que recebemos uma advertência. E levei uma advertência por conversar com um novato...

— Novato?

Rae suspirou.

— É um garoto que entrou nessa semana...

— Um garoto? — Joel interrompeu-a de novo. — Você conversando com um novato? Ainda mais um garoto? Quem é ele?

— Um idiota que só tem de bom os olhos azuis — respondeu ela com desdém — Eu tenho que falar com você sobre isso depois.

— E por isso, irão para a detenção? — indaga Joel, tentando entender essa lógica.

— Sim. Ela disse que os responsáveis terão de assinar uns papéis. — Joel, ao identificar melhor a voz de Rae, entendeu o que queria dizer.

— Quer que eu vá aí assinar os papéis?

— Por favor, Joel! — implora Rae, com um tom de voz meloso. — Você sabe que Amanda vai se irritar comigo. E vai colocar a culpa em você...

— Por você passar tempo demais comigo — continuou Joel — Mais alguém vai para a detenção além de você, Kim e o garoto Rotzum?

— Jonas.

— Jonas?

— Até onde eu sei, não. Apenas nós — respondeu ela, indecisa. Joel pensou sobre aquilo por um segundo. — Algum problema?

— Não. Nada — Rae sabia que não. Joel ficava calado quando achava algo suspeito. É de sua natureza suspeitar dessas coisas, não só pelo fato de ser um lobisomem. Mas de já ter visto muitas coisas pela sua vida. — Que horas será a sua detenção?

— 17:00 — falou Rae.

— Eu te levo para a escola quando for assinar os papéis.

— Obrigada, Joel!

— Só dessa vez! — disse ele, parecendo mal-humorado com a ideia. — Não se acostume com isso!

— E mais algumas — disse Rae. — Tchau!

Quando ambos desligaram o celular, Joel sentiu segurança em sorrir. Somente Rae para aguentar ele e o seu mal-humor repentino.

***

Ao ver a figura dos dois se aproximando pelo corredor, os dois se levantaram. Mas não sem antes de Kim esconder algo dentro de sua mochila

— Vocês três juntos são especialistas em se meterem em encrenca! — murmurou Joel. Ele olhou para Rae. — Eu vou lá assinar os papéis.

Rae assentiu. Quando Joel saiu da vista deles, Kim e Jonas se viraram para Rae.

— Joel é o seu responsável? — indagou Jonas.

— Para os outros, ele é sim! — respondeu Rae. — Minha madrasta não sabe de nada.

Jonas suspirou e cobriu o seu rosto com as suas mãos.

— O meu padrasto vai me matar! Ele já está bom comigo!

Um som do rangido da porta se abrindo o interrompeu.

A diretora da escola, sra. Jackson, parou na entrada da porta. Assim que olhou para os três e depois olhou envolta, vendo que só tinha eles ali, sorriu.

— O meu tio já está...

— Se apresse, sra. Wood — interrompeu diretora, não interessada na explicação de Rae. — Quanto mais cedo começarmos, melhor!

O trio se entreolhou e adentraram na sala.

Os três perceberam que a sala do segundo ano de artes era duas vezes maior do que a que eles tinham. A sra. Jackson ordenou que se sentassem na frente. Kim desejou estar tão agasalhada quanto Rae. Nas cadeiras da frente era onde o ar do ar-condicionado ficava. Jonas sorriu ao ver Kim tentar tirar os fios loiros do seu rosto, causados pelo vento.

A diretora sentou-se na mesa em frente à mesa.

— Vocês três são vizinhos, não? — indagou ela. — Adotados?

Eles assentiram mais uma vez. Parecia que todo mundo da cidade sabia que eles eram adotados, mas não que eram vizinhos. Kim continuou a olhando estranho.

— Sabe por que estão aqui?

— Porque não chegamos na hora certa?

— Isso mesmo, Jonas — respondeu a diretora. — Todos também percebem que andam muito distraídos.

Eu sou distraído, Jonas pensou.

— É que aconteceu coisas muito... estranhas! — respondeu Kim, antes de olhar para Jonas e Rae e depois para a diretora.

— Conheceram pessoas novas?

— Sim... — o pensamento de Kim foi imediatamente para o vampiro que os atacou.

— Muitas coisas estranhas vem acontecendo nessa cidade. — a diretoria se levantou lentamente — Coisas sobrenaturais vem acontecendo.

O trio se entreolhou.

— Devem terem cuidado quando forem andar pelas ruas sozinhos de noite. — ela tirou os seus óculos. — Principalmente quando um vampiro for atacar vocês pelas costas. — soltou o seu cabelo. Jonas apertou mais o seu relógio. Os três puderam ver os olhos da diretoria ficando vermelhos. A íris ficou em um tom vermelho vivo. Ela sorriu. — Só quero que saibam que aquele vampiro tinha amigos.

Quando ela amostrou as presas, Kim se levantou. Rae e Jonas fizeram o mesmo. A diretora mudou de cor. Sua pele ficou mais branca, parecendo pálida e frágil. Suas pupilas dilatadas foram acompanhadas pela cor vermelho vivo. Suas unhas se esticaram, as pontas mais afiadas capaz de perfurar a sua pele com um só golpe. Seus cabelos perderam vida, se tornando mais cinzento. Nem parecia mais a mesma pessoa de poucos segundos atrás.

Jonas já tinha corrido até a porta. Quando Rae chegou, ele tentava abrir uma porta trancada. Kimberlly recuava para trás rapidamente. A falsa diretora afastou a escrivaninha a sua frente com uma força incrivelmente sobrenatural, fazendo-a bater contra a parede. Rae e Kim também tentavam abrir.

— Max tinha amigos — a sua voz mudou, ficando mais sombria e grossa — E esses amigos estão muito furiosos com vocês.

— NOS DEIXE SAIR! — gritou Rae, tentando abrir a porta.

Kimberlly correu até uma pequena mesa, onde continha rodinhas. Puxou-a e deixou entre eles e o monstro. Jonas mexia no seu relógio freneticamente. Aquilo só podia ser um pesadelo. Os três ali estavam assustados. O monstro parou e sorriu.

— Não acredito que Max morreu para vocês — disse.

Kimberlly mexeu na sua mochila. Pegou o seu taco de beisebol. Rae ficou surpresa ao ver Kim pegando aquilo.

— CADÊ JOEL? — perguntou Jonas.

Rae pegou o seu celular e discou o seu número.

— VAI RÁPIDO! — Jonas não sabia o quanto aquilo foi irônico para alguém como Rae. Nem a mesma sabia o quanto.

Antes que se dessem conta, o monstro mostrou as suas presas e avançou em Kimberlly. A mesma conseguiu afasta-la com o seu taco de beisebol. Jonas pegou uma cadeira e a serviu como escudo contra o que eles viam como vampira.

— DE ONDE VEIO ESSE TACO DE BEISEBOL?

— TEM MONSTROS NA NOSSA COLA, E EU NÃO VOU FICAR DESARMADA! — respondeu de volta Kim.

Rae, após ligar para Joel, correu até o extintor de incêndio, ao lado da porta. Mirou-o na vampira, que tentava avançar neles, e acionou. Kim e Jonas se depararam com a cena mais estranha que já viram. A vampira se contorcia, e se afastou deles. O trio correu para o outro lado da sala, vendo que estavam praticamente cercados. Rae acabou sendo agarrada pelo pé pela vampira, que apenas confiava em seus extintos, já que sua visão foi tapada. Rae gritou fino, esperando que Joel conseguisse a ouvir. Kim e Jonas correram até ela e a puxaram pelo braço. Rae, ao recuperar o equilíbrio e se levantar, parou de pressionar, pois era algo que exigia além de sua força, e se juntou aos outros dois.

— Isso é bizarro! — murmurou Kim.

— Vampiros não gostam muito de frio extremo — explica Rae.

A vampira, na hora, correu até eles em uma velocidade incrível. Rae não teve tempo de usar o extintor de incêndio. A vampira saltou em cima dela. Rae sentiu um grande medo com aquele Jumpscare, e parecia que o seu coração iria sair pela boca. Tamanho foi o medo que ela teve, que largou o extintor de incêndio. Foi jogada de costas no chão, e a vampira ficou sobre ela. Tentou pegar o pescoço e, com a outra mão, pegou o seu rosto, o pressionando contra o chão, a impossibilitando de gritar. Rae se desesperou, mas torcia para que a radiação a afetasse. Não demorou muito para sair fumaça das mãos da vampira. Causara um choque térmico.

E, como foi com Max, a sua radiação fica pior em vampiros.

Afastou-se dela, gritando de dor. Rae ouviu a porta sendo arrombada e um grande uivo. Seu desespero diminuiu, e ficou mais aliviada. A vampira saiu de cima dela e levou um ataque do lobisomem. Kim e Jonas pegaram Rae em cada braço. A luta entre a vampira e o lobisomem fazia um grande estrondo soar pelos corredores da escola.

A única coisa que Rae conseguiu ver foi um lobisomem, dois metros maior e com pelo marrom, abocanhando uma vampira que voltava a sua forma normal. Kim puxou Rae até a saída, e Jonas as dava cobertura. Eles foram para o corredor, um batendo com o outro. Quando recuperaram o equilíbrio, eles correram. O trio sentiu alívio ao ver o lado de fora. Eles pararam e sentaram-se na escada. Jonas não controlava a respiração de tão nervoso que estava. Kim não parava de olhar a porta, com medo de que a vampira aparecesse de novo. Rae se preocupava tanto com a vampira quanto Joel. Ela aabe que ela não é párea para ele, mas ela fica preocupada com ele do mesmo jeito.

Os três pularam de susto quando Joel entrava pela porta da frente, limpando a boca com as costas da mão.

Eles se entreolharam por alguns segundos.

— Vocês estão bem? — a palidez de todos serviu como resposta — Pelo visto, não!

— Cadê aquela coisa? — perguntou Kim, deixando o seu nervosismo na sua voz.

— Lá dentro — disse Joel.

— Isso é maluquice! — afirmou Jonas alto, levantando-se em um só pulo — É sério que vamos fazer isso sozinhos? A polícia...

— Nem pense em ligar para a polícia, Jonas! Acha que eles vão nos ajudar? — interrompeu Rae, pegando o celular que Jonas havia pegado do seu bolso. Rae só não o joga no chão porque também não gostaria que fizessem isso com o seu celular, quem ela chama de melhor amigo.

— Ah, claro! Enquanto eu e ela ficamos sozinhos em perigo, você tem o seu tio lobisomem!

— A culpa não é minha! — devolveu Rae. — Não fui eu quem atraiu o vampiro! Eu também estou assustada porquê não me envolvo nisso! E não sou a especial!

— Eu não sou especial e não fui eu quem atraiu o vampiro! — Kim ficou irritada. Ela olhou para Rae — Não sou que tenho radiação.

— E também não fui eu quem aquele vampiro disse ser especial. Se não sabe, os vampiros são os que mais consegue, decifrar os tipos de monstros, menos a minha radiação. E agora tem muitos monstros na nossa cola! — retrucou Rae.

— Não culpe somente eu, porquê não sou a única aqui a ser anormal! — ela depois olhou para Jonas e depois para Rae.

— Ei! A culpa também não é minha! Eu nem sabia que o meu relógio fazia aquilo!

— Mas tem motivos para você guardar ele por tanto tempo! — Kimberlly achou aquilo estranho.

Jonas a olhou estranho.

— Em primeiro lugar, a briga era entre vocês duas...

— Mas ela tem um pouco de razão! — concordou Rae, aproximando-se de Jonas — Quem guardaria um relógio de bolso velho e que nem funciona durante tantos anos?

Kim também aproximou-se dele.

— Você sabia dele o tempo todo?

— O quê? Não! — negou Jonas, passando a mão no seu relógio, dentro do bolso do seu casaco. — Em segundo lugar, o único motivo de eu guardar o relógio é que ele é a única coisa que eu tenho do meu pai...

— Ah, por favor! Você nem sabe se é mesmo do seu pai ou de uma loja de vendas de usados — interrompeu mais uma vez Rae.

Jonas a fuzilou com o olhar, irritado.

— Você não sabe o ele significa para mim. Mal sabe sobre a minha vida!

— Então porquê você guarda uma coisa de uma pessoa que te abandonou? — perguntou Kim. Ela não conseguia acreditar no quanto que Jonas era burro.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos. A sua irritação era muito grande por elas estarem falando sobre um assunto delicado que elas mal sabiam.

— Nenhuma de vocês duas tem o direito de falar disso. Se ele me abandonou ou não, não é problema seu.

— Grande coisa! Seria idiotice alguém fazer o mesmo que você faz! Só se seu pai fosse um viajante do tempo! — alegou Rae.

— Como não vamos saber que você sabia disso o tempo todo? — indaga a loira, suspeita.

— É sério isso? Tem monstros atrás de nós e só porquê tenho um relógio de bolso, vocês suspeitam de mim? — gritou Jonas, despejando todas sua raiava na sua voz — Ela tem radiação fria. Você atraiu aquele vampiro e um guarda florestal é um lobisomem. E todo mundo suspeita logo de mim? — Jonas andou de um
lado para o outro — Eu também estou assustado!

— Acha que não estamos também? Só porquê eu tenho uma maldição e um tio lobisomem, não quer dizer que eu ache isso normal! — gritou Rae.

O trio ficou em silêncio. Joel ouvia tudo, mas andava de um lado para o outro, pensando em algum tipo de solução. Eles olharam um para a cara do outro. Jonas deu as costas para elas, preferindo não discutir. O mesmo fez Kim. Rae apenas ficou parada, olhando para o nada. Como foi que eles foram parar naquela situação? Houve um clima pesado entre eles.

— Nós não fizemos nada! — Kim disse, com um tom de voz mais baixo e trêmulo. — Aquela porcaria de vampiro veio nos atacar e nós somos os culpados? E essa bruxa doente mental quer nos matar? Isso está nos matando!

— Dá para vocês três se acalmarem? — gritou Joel, impaciente.

— Me obrigue a me acalmar, seu burro! — Joel arqueou as sobrancelhas, surpreso ao ver Kim o insultando. O mesmo fez Rae e Jonas. — A diretora da minha escola é uma vampira e quer que eu me acalme?

— Admita! Nós vamos morrer! — foi a vez de Jonas falar.

— Joel, você está escondendo alguma coisa! — disse Rae, cruzando os braços. Ela o encarou fixamente — Nós não vamos conseguir, não é?

Kim e Jonas a olharam.

— Há mais deles?

Joel balançou a cabeça.

— Entrem no meu carro.

— Eu não vou...

— Garoto, você quer a verdade? Vocês querem a verdade? Querem ficarem mas protegidos? Então entrem no carro! — Joel foi mais severo.

O trio, até Rae, assentiram com a cabeça em silêncio. Eles entraram nos carro de guarda florestal de Joel calmamente, enquanto o mesmo voltou para buscar o corpo da vampira.

— Eu não sei se tenho medo do vampiro ou dele — murmurou Jonas, referindo-se a Joel.

— Vocês nem o viram bravo — diz Rae.

***

A porta se abrindo, entrando nela Joel, fez os três darem um pulo de susto.

Nenhum deles falava nada. Kimberlly olhava discretamente para Rae olhando para a janela e Jonas mexendo no seu relógio de bolso velho. Olhando para ele, pensava no que se passava na sua mente quando fazia aquilo. Pelo olhar e pela maneira como Jonas ficou quando falaram sobre o seu relógio e o seu pai, aquele devia ser a sua peça mais preciosa. O seu objeto mais precioso e que faria de tudo para não largar nunca.

A pergunta que Kim tinha em mente é: porquê Jonas guarda tanto aquele relógio? Kim admite que tinha curiosidade para saber quem seriam os seus pais, mas não queria se lembrar muito deles. Pouco lhe importava quem eram eles, preferia pensar na sua própria vida do que neles. Mas Jonas acredita mesmo que os pais dele não o abandonaram? Eles nem deve se lembrar deles quando foi abandonado, então como ele foi ter esse apego? Por que ele tem um apego a algo inanimado?

Joel foi até a mesa. Kim viu de relance para o lado de fora e o céu já escurecia.

— Eu já mandei o corpo da vampira para um amigo meu! — contou Joel. Carregando uma caixa, despejou-a sobre a mesa, assustando a todos. — A sua diretora não era uma vampira. Foi apenas outra vampira que bebeu um pouco do seu sangue e conseguiu se transformar nela. É um dom que poucos vampiros conseguem.

— E sra. Jackson está...

— Não. — respondeu Joel a Rae — Eu a encontrei inconsciente no armário do faxineiro quando fui pegar o corpo. Quando um vampiro ataca, ele sempre deve ter cuidado para não atrair atenção. Se encontrasse, por exemplo, o presidente e o matasse, essa notícia iria repercutir por todos os lugares e deixaria suspeito a existência dos monstros. Ela sabia que se matasse a diretora, todos iriam suspeitar.

— E o que tem dentro dessa caixa?

Joel olhou para Rae, que fez a pergunta, e tirou de lá algo que surpreendeu a todos. Um revólver.

— Vocês não queriam serem protegidos? — indaga ele — Então serão protegidos!